O Que É que a Baiana Tem?

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"O Que É que a Baiana Tem?"
Single de Carmen Miranda
Formato(s) 78 rpm
Gravação 26 de dezembro de 1939
Gênero(s) Samba
Duração 3 min 18 s
Gravadora(s) Odeon Records
Composição Dorival Caymmi

O Que É que a Baiana Tem? é uma canção composta por Dorival Caymmi e gravada por Carmen Miranda para o filme Banana da Terra de 1939. Basicamente, a letra da canção fala sobre a tradicional vestimenta das mulheres negras e mestiças da Bahia, conhecida como "baiana", que é composta de saia comprida muito rodada, brincos e balangandãs.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Dorival Caymmi chegou na cidade do Rio de Janeiro em abril de 1938, para tentar a sorte. Em junho daquele ano fez uma apresentação na Rádio Tupi, com relativo efeito. O americano radiado no Brasil, Wallace Downey produzia na época um um filme musical chamado Banana da Terra, no qual a cantora Carmen Miranda deveria apresentar duas canções do compositor Ary Barroso, eram elas: Na Baixa do Sapateiro e Boneca de Piche.

Barroso, às vésperas da filmagem, com tudo preparado, pediu dez contos de réis de direitos autorais, criando problemas com a Sonofilms de Downey.[2] Sem acordo de ambas as partes, era preciso providenciar duas novas músicas para o filme, o compositor Almirante lembrou-se então de Dorival Caymmi, um jovem baiano recém chegado ao Rio de Janeiro e de uma de suas composições já apresentada no rádio: "O Que É Que A Bahiana Tem" (na grafia original), cujo tema era também a Bahia. A produtora dos filmes de Wallace Downey comprou os direitos da música e a incluiu em Banana da Terra.

A outra música, Boneca de Piche, não teria uma substituição correlata. Em seu lugar, Carmen Miranda e o seu parceiro de cena Almirante, cantaram Pirolito (uma marcha de Alberto Ribeiro e João de Barro) também diretor do filme—com caracterização apropriada isto é, pintados como negros.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

"O Que É que a Baiana Tem?" foi apresentada no filme Banana da Terra, que estreou nos cinemas cariocas em 10 de fevereiro de 1939. Já nos Estados Unidos, Carmen Miranda gravou a canção em disco de 78 rotações lançado pela Odeon Records em 26 de dezembro de 1939.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Reportagem publicada em O Globo de 17 de fevereiro de 1939, dias depois do lançamento do filme, dizia que "O celuloide nacional Banana da Terra vem obtendo êxito sem precedentes na sala do Metro-Passeio. Há duas coisas pelo menos ótimas: a dança do "Pirulito" e o formidabilíssimo samba de Carmen Miranda "O que é que a Baiana tem?", cujo autor o programa não determina, e que é o grande, o grandíssimo samba deste ano. Se o "Pirulito" apresentado por Almirante e Carmen é uma deliciosa invenção, o samba da baiana representa qualquer coisa de notável, novo, expressivo."[3]

Referência cultural[editar | editar código-fonte]

Em 1943, Dorival Caymmi declarou sobre o samba "Fiz pensando naquelas mulheres que se vestiam ao rigor da moda e que saiam à rua para saracotear nos dias de festa. Tenho um tio antiquário e como sempre andei fuçando velharias descobri uma estampa velhíssima onde se viam baianas autênticas com "balangandãs" e outros enfeites desconhecidos. Querendo divulgar como eram minhas patrícias do passado, criei a canção. Em verdade balangandãs é uma penca de pequenos fetiches negros, feitos em prata e ouro, usada pelas baianas de partido alto nas grandes festas populares da Bahia. A palavra, desenterrada pelo samba, birou quase sinônimo de coisa nacional".[4][5]

Segundo Mariza Lira, a "baiana" não é propriamente um traje típico da Bahia e muito menos do Brasil. Ninguém vê em Salvador, ou no interior do estado, mulheres com esse traje, que sempre só foi usado pelas negras doceiras ou vendedoras de guloseimas em tabuleiros. Ficaram conhecidas assim unicamente porque ao transferirem residência para o Rio de Janeiro, como melhor meo de atrair fregueses, conservaram as vestes espetaculares que usavam na Bahia, em Salvador, e por isso receberam o batismo de baianas. De qualquer forma, dentro e fora do Brasil, a baiana terminou sendo considerado um traje típico do Brasil, devido à Carmen.

"Quando eu estava no Rio, quis qualificar a baiana. Fiz O Que É Que a Baiana tem? para explicar para um povo estranho ao meu o que era uma baiana." conta o compositor.[6]

Outras versões[editar | editar código-fonte]

Uma das canções mais famosas de Caymmi, "O que é que a baiana tem?" não foi apenas gravada e apresentada por Carmen Miranda no filme Banana da Terra (1939), já nos Estados Unidos, a cantora fez da composição um de seus números musicais na revista The Streets of Paris apresentada na Broadway entre 1939 e 1940, e no filme Serenata Boêmia (1944).[7]

Diversas versões covers da canção foram sendo gravadas ao longo dos anos seguintes por artistas de renome nacional, como Clara Nunes, com participação do próprio Dorival Caymmi, em 1974, e outros.

Legado[editar | editar código-fonte]

Em 2009, a Biblioteca do Congresso americano, selecionou a canção para preservação no Registro Nacional de Gravações, por a considera-la "cultural, histórica ou esteticamente significante" pela organização.[9]

Em agosto de 2016, o jornal estadunidense The New York Times incluiu a canção na "lista com o essencial da música brasileira".[10]

Referências

  1. «Um século de Carmen Miranda». Jornal de Notícias. 9 de fevereiro de 2009. Consultado em 31 de julho de 2014 
  2. «Ary Barroso: Tudo sobre o mineiro que entrou para a história». Portal Click. Consultado em 31 de julho de 2014 
  3. O Globo (17 de fevereiro de 1939). «Dorival Caymmi: o mar e o tempo». Consultado em 10 de setembro de 2014 
  4. Vamos Ler (30 de Dezembro de 1943). Acessado em 31 de Julho de 2014
  5. Cancioneiro da Bahia, de Dorival Caymmi - Livraria Martins Editora - 4ª edição
  6. Caymmi, Stella. Dorival Caymmi: o mar e o tempo - Página 133. ISBN 9788573262247
  7. CASTRO, Ruy, Carmen, Uma Biografia, São Paulo:Companhia das Letras, 2005, ISBN 85-359-0760-2
  8. «Daniela Mercury lança a turnê mundial 'Canibália' nesta sexta». G1. 7 de agosto de 2009. Consultado em 31 de julho de 2014 
  9. CARMEN MIRANDA IMORTALIZADA PELA BIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA
  10. Folha de S. Paulo (04/08/2016)."New York Times' cria lista com o essencial da música brasileira; ouça"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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