Mário Reis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Mário Reis
Mário Reis e Carmen Miranda em 1935.
Informação geral
Nome completo Mário da Silveira Meireles Reis
Também conhecido(a) como Bacharel do Samba
Nascimento 31 de dezembro de 1907
Origem Rio de Janeiro
País  Brasil
Data de morte 5 de outubro de 1981 (73 anos)
Gênero(s) Samba, Marchas[1]
Período em atividade 1928-1971
Outras ocupações funcionário público
Gravadora(s) Odeon
Columbia
Victor
Continental
Elenco
Afiliação(ões) Francisco Alves
Carmen Miranda
Aracy de Almeida
Noel Rosa

Mário da Silveira Meireles Reis (Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 19075 de outubro de 1981), o Bacharel do Samba, foi um popular cantor brasileiro da era do rádio.[1]

Era carioca do Rio Comprido, de família de classe média-alta, filho de Raul Meireles Reis — um advogado que chegaria a presidir o América Football Club — e de Alice da Silveira Reis. Aos dois anos mudaram-se para a Rua Afonso Pena, na Tijuca, indicando a ascensão social dos Reis e forjando o caráter elitista de Mário. No entanto, o apelo do samba e do violão — ritmo e instrumento então considerados chulos — que encantariam o jovem aspirante a cantor. Aprendeu os rudimentos de violão sozinho, até que num encontro ao acaso na famosa loja de instrumentos e partituras "A Guitarra de Prata", na Rua da Carioca, reconheceu a figura de Sinhô, compositor e instrumentista cognominado "O Rei do Samba". Mário o abordou e pediu a Sinhô que se tornasse seu professor a 20 mil réis por aula. Sinhô aceitou, embora logo tenha percebido que o rapaz não levava muito jeito como instrumentista. Mas seu modo singular de cantar — suave, quase recitativo, num estilo bem diferente do que praticamente todos os cantores da época adotavam — encantou o "Rei do Samba". Sinhô apresentou Mário Reis a Fred Figner, o todo-poderoso da gravadora Odeon, que ao ouvi-lo cantar topou gravar um disco com a voz do até então desconhecido.[2]

Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na turma de Ary Barroso (LLB, 1929), de quem era amigo e incentivador, tendo gravado o primeiro sucesso popular de Ary, "Vamos deixar de intimidades". Mas foi revelado por Sinhô, em 1928.

Gravou muitos sucessos com Carmen Miranda e Francisco Alves, com os quais também se apresentou frequentemente nos anos 1930. Fizeram turnês pelo Brasil e também na Argentina.

Como cantor, era famoso pela sua entonação mansa e canto sincopado. O seu estilo fora considerado moderno para a época, é considerado um dos precursores da Bossa Nova. Muitos consideram que seu canto influenciou João Gilberto.

Ficou muitos anos afastado da carreira de cantor tendo voltado anos mais tarde a fazer discos. Em 1965 e 1971 gravou dois discos, sendo este o seu último. No repertório antigos sucessos de autores como Sinhô, Noel Rosa, Ismael Silva e até Tom Jobim, além de uma versão de "A Banda", de Chico Buarque. Fez seu último show em 1973, numa noite beneficente no Copacabana Palace, onde morou de 1957 até sua morte na suíte 104. Nos últimos anos de vida vivia recluso, evitando jornalistas e fotógrafos, frequentando discretamente o Country Club, onde tinha uma roda de amigos.

Em 1995 Júlio Bressane fez o filme O Mandarim sobre a música popular brasileira do século XX, focando especialmente na vida e no trabalho do cantor Mário Reis. O cantor foi representado pelo ator Fernando Eiras.

Sua obra, editada em CD é rara, porém, existe um CD (coletânea) não tão difícil de achar. Em 1998, foi lançado pelo selo Copacabana Discos, a série 'Raízes do Samba' que pôs no mercado, vários nomes do samba carioca e nacional, tais como: Ary Barroso, Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Cartola, entre outros, em gravações originais. Foi relançada entre 2006 e 2012, editada pelo selo EMI. Mário Reis, esteve presente na trilha sonora da telenovela "Kananga do Japão" (1989/1990), da extinta Rede Manchete, com a canção "Gosto que me enrosco", canção essa, que em 1995, viria a inspirar um samba enredo da Portela.


Mário Reis e Carmen Miranda cantando.

Problemas para escutar estes arquivos? Veja a ajuda.
  • A razão dá-se a quem tem, Francisco Alves, Ismael Silva e Noel Rosa (1932)
  • A tua vida é um segredo, Lamartine Babo (1932)
  • Cadê Mimi?, Alberto Ribeiro e João de Barro (1935)
  • Chegou a hora da fogueira, Lamartine Babo, com Carmen Miranda (1933).
  • Dorinha, meu amor, Freitinhas (1928)
  • Eva querida, Benedito Lacerda e Luiz Vassalo (1934)
  • Filosofia, André Filho e Noel Rosa (1933)
  • Fita amarela, Noel Rosa, com Francisco Alves (1932)
  • Formosa, J. Rui e Nássara (1932)
  • Gosto que me enrosco, Sinhô (1929)
  • Isto é lá com Santo Antônio, Lamartine Babo, com Carmen Miranda (1934)
  • Joujoux e balangandãs, Lamartine Babo, com Mariah (1939)
  • Jura, Sinhô (1928)
  • Linda morena, Lamartine Babo (1932)
  • Mulato bamba, Noel Rosa (1932)
  • Nem é bom falar, Francisco Alves, Expedito da Cruz, Ismael Silva e Nilton Bastos (1931)
  • O que será de mim?, Francisco Alves, Expedito da Cruz, Ismael Silva e Nilton Bastos, com Francisco Alves (1931)
  • Quando o samba acabou, Noel Rosa (1933)
  • Rasguei a minha fantasia, Lamartine Babo (1934)
  • Ride, palhaço, Lamartine Babo (1933)
  • Se você jurar, Francisco Alves, Expedito da Cruz, Ismael Silva e Nilton Bastos, com Francisco Alves (1931)
  • Sofrer é da vida, Francisco Alves, Expedito da Cruz, Ismael Silva e Nilton Bastos (1932)
  • Uma andorinha não faz verão, João de Barro e Lamartine Babo (1933)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Mário Reis no CliqueMusic
  2. Jornal do Brasil, terça-feira, 6 de outubro de 1981
Ícone de esboço Este artigo sobre um(a) cantor é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.