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Kananga do Japão

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Kananga do Japão
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Criador(es) Wilson Aguiar Filho
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Carlos Magalhães
Tizuka Yamasaki[1]

Wilson Solon

Produtor(es) Jayme Monjardim
Elenco Cristiane Torloni
Raul Gazolla
Giuseppe Oristanio
Tônia Carrero
Zezé Motta
Carlos Eduardo Dolabella
Tamara Taxman
Elaine Cristina
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Tema de abertura "Minha", por Misty
Exibição
Emissora de televisão original Brasil Rede Manchete
Formato de exibição 480i (PAL-M)
Transmissão original 19 de julho de 198925 de março de 1990
N.º de episódios 208

Kananga do Japão é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Manchete, cuja exibição ocorreu entre 19 de julho de 1989 e 25 de março de 1990, totalizando 208 capítulos. Escrita por Wilson Aguiar Filho, foi produzida por Jayme Monjardim com a colaboração de Rodrigo Cid, Sérgio Perricone, Gil Haguenauer, Guto Graça Mello, Colmar Diniz e Guilherme Arantes, sob a direção de Wilson Solon, Carlos Magalhães e Tizuka Yamasaki.[2]

Cristiane Torloni e Raul Gazolla interpretaram as personagens principais Dora e Alex, respectivamente, numa trama que narra fatos ocorridos no Brasil durante a década de 1930, tais como a revolução de 1930 e 1932, o integralismo e a intentona comunista.[3] Giuseppe Oristanio, Tônia Carrero, Zezé Motta, Cristiana Oliveira, Cláudio Marzo, Carlos Eduardo Dolabella, Tamara Taxman, Elaine Cristina, Carlos Alberto, Haroldo Costa e Paulo Castelli desempenharam os demais papéis principais da história.[4]

A cantora Misty executou o tema de abertura, "Minha", presente em um CD lançado paralelamente ao folhetim, o qual contou com canções de Elis Regina, Evandro Mesquita, entre outros. O título "Kananga do Japão" é uma referência ao nome da casa noturna na qual a personagem Dora encontra seu grande amor, Alex.[5] Por sua vez, o nome da casa noturna é uma referência à flor conhecida como cananga-do-japão. A telenovela ainda abrangeu temas como homossexualidade e adultério.[6]

Voltada para o público adulto, foi recebida positivamente pela mídia e imprensa. Desta forma, foi condecorada por seis categorias vencidas no troféu APCA, da Associação Paulista dos Críticos de Arte.[7]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Rede Manchete

O setor de teledramaturgia da Rede Manchete estreou dois anos após sua inauguração, em 1985, com a adaptação de Geraldo Vietri, Antônio Maria,[8] inspirada na telenovela homônima de Walther Negrão.[9] Esta não obteve muito sucesso e Wilson Aguiar Filho foi contratado para escrever Dona Beija, cujo texto é inspirado nos romances Dona Beija, a Feiticeira do Araxá, de Thomas Leonardos e A Vida em Flor de Dona Beija, de Agripa Vasconcelos.[10] Essa produção teve um maior investimento e obteve um grande êxito, chegando a 24 pontos de audiência na estreia[11] e sendo considerada uma das "50 melhores novelas de todos os tempos", segundo o portal Terra.[12] Logo, foi produzido Novo Amor[13] e Tudo ou Nada, as quais não repetiram o êxito anterior.[14]

Mania de Querer, então, foi escrita em 1986 e continuou registrando índices insatisfatórios,[15] assim a emissora investiu em erotismo para conquistar o público em Corpo Santo.[16] O tema foi bem avaliado e a audiência aumentou consideravelmente.[17] Na busca de manter o público, Helena,[18] original de Machado de Assis e Carmem, de Glória Perez, foram exibidas e mantiveram o sucesso.[19] Em 1988, José Louzeiro e Geraldo Carneiro escreveram Olho por Olho, porém os números da emissora diminuíram novamente.[20] Assim, o presidente da Rede Manchete decidiu que iria recontratar Aguiar Filho para escrever um texto cujo cenário seria a casa de festas Kananga do Japão.[3]

Produção[editar | editar código-fonte]

A praça Onze é o cenário da trama a qual se passa na década de 1930.

Adolpho Bloch, presidente da Rede Manchete, deu a ideia de produzir um folhetim que mostrasse o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, um famoso cabaré da década de 1930. Com isso, contratou Aguiar Filho, que já produziu Marquesa de Santos e Dona Beija, maior sucesso da teledramaturgia da emissora, desde então. Esse projeto seria uma forma de suprir os prejuízos pela produção anterior, Olho por Olho.[3]

Para desenvolver o texto de Wilson Aguiar Filho, a equipe investiu em material fotográfico, livros e documentos do Museu da Imagem e do Som, Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional.[5] A emissora gastou 20 milhões de dólares com a produção da obra,[21][22] cujas filmagens se iniciaram em 15 de maio de 1989.[23]

Para a história, o elenco teve de aprender dança de salão,[24] samba de gafieira, maxixe e foxtrote, além de capoeira, sinuca, etiqueta e noções de judaísmo.[4] Uma maneira utilizada pela Manchete para conquistar o público foi narrar, dentro da história, partes do governo de Getúlio Vargas e Washington Luís e a prisão de Olga Benário.[3] Conforme comentário do diretor artístico Jayme Monjardim, "se essa novela não der certo, a Manchete desistirá da dramaturgia".[25]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

A escolha do elenco foi feita pela própria direção de teledramaturgia da emissora. Maitê Proença foi a primeira a ser escolhida para a trama, porém ela recusou a proposta.[21] Uma forma adquirida pela Rede Manchete foi contratar atores da Rede Globo que faziam sucesso,[5] tais como Glória Pires, Joana Fomm, Cláudia Raia e Marcos Paulo,[26] entretanto não obteve muito êxito, porque vários decidiram ficar na emissora adversária.[27] Por outro lado, para escolherem o intérprete de Alex foi feito um teste com Ernesto Piccolo, Mário Gomes e José de Abreu,[23] porém Raul Gazolla ficou com o papel.[28]

Cenário e caracterização[editar | editar código-fonte]

O cenário de maior parte da trama é a casa noturna de danças Kananga do Japão, localizada na praça Onze.[29] Foram envolvidos mais de 200 profissionais para a construção de uma cidade cenográfica em Grumari, Barra da Tijuca,[22] com cerca de seis mil metros quadrados. A cenografia recaiu ao diretor Rodrigo Cid, o qual projetou lojas, chafarizes, linhas de bonde, colégios e a casa noturna intitulada Kananga do Japão.[5] Outras imagens foram filmadas no estúdio da Manchete em Água Grande.[23]

Poucos dias antes da estreia, a Rede Manchete assinou uma parceria com a Fundação do Cinema Brasileiro, o qual confirmava a cessão de cenas de filmes lançados entre 1930 e 1939.[30] O trabalho de 500 engenheiros, arquitetos e cenógrafos para a construção de bondes, trilhos e casas durou cerca de quatro meses e consumiu 1,5 milhão de dólares do orçamento de 5,5 milhões da telenovela.[31] Segundo comentário da escritora, "o compromisso maior foi retratar o que era a Praça Onze naquela época."[32]

O maquiador e esteticista Guilherme Pereira e o figurinista Colmar Diniz[33] foram os responsáveis para a caracterização dos personagens em relação à época apresentada. Consoante Pereira, "A maquiagem dos anos 30 exaltava a beleza da mulher como nunca, daí exigindo de um profissional um profundo senso estético, precisão e harmonia. Os cabelos em pequenas ondas, as sobrancelhas finas e os olhos caídos faziam um rosto perfeito. Mas qualquer deslize poderia representar um desastre. Então, para se chegar à composição final de cada personagem, é preciso um consenso com o figurino, a arte, cenografia e com a direção da novela, além dos próprios atores".[34]

Enredo[editar | editar código-fonte]

A história se passa durante a revolução de 1930 e 1932, a intentona comunista, o integralismo e a Segunda Guerra Mundial.[22]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

"Kananga do Japão mistura ficção, romance e história, com inevitáveis lances folhetinescos, a trama envolve um triângulo amoroso - a fascinante heroína empobrecida pelo crack de 1929, o filho de um rico industrial e o atraente boêmio aventureiro -, os moradores de uma pensão na famosa Praça XI, no Rio, e os freqüentadores' de um cabaré".

Visão, revista.[25]

Na praça Onze, localiza-se o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, uma casa noturna repleta de danças, eventos e confraternizações.[28] Dora é uma moça fina cuja família perdeu tudo após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Desde então, a mulher passa a frequentar a casa de danças e conhece Alex, um homem com poucas virtudes. À primeira vista, ela se apaixona, porém deseja desfrutar do mesmo luxo quando era rica e se casa com o dançarino milionário Danilo e Alex, com Lisete.[2]

Juca, pai adotivo de Danilo, em consequência de um encontro inesperado com um rico industrial, Francisco Lima Viana, verdadeiro pai de Danilo e Alex, morre. Após ter conhecimento dos fatos verdadeiros, o jovem jura vingança da família Viana.[4] Logo, Letícia, sua mãe, se apaixona por Alex e ficam juntos após a separação com Lisete. O rapaz se aproveita da ingenuidade da senhora e começa a se encontrar com Dora, agora, divorciada.[35] Noronha, jornalista e membro do Conselho dos Sete, descobre o adultério e publica uma charge despeitosa em que a mulher era a personagem. Para se vingar, ela o mata com três tiros.[36]

Dessa forma, Dora é presa por assassinato.[37] Durante o julgamento, a moça é ajudada por seu amante e um advogado contratado pelo mesmo, assim, é absolvida[38] e volta a frequentar a Kananga do Japão.[39] Dias depois, viaja para a Europa e, após dezoito meses, volta ao Brasil com seu filho Duque e sua mãe Zulmira,[40] nesse período, Alex inaugura o cassino Beira-Mar.[41] Em consequência disso, líderes do Conselho dos Sete, em mando da política, começam a perseguir e torturar revolucionários e comunistas, entre eles, Dora,[42][43] por se conspirar contra a intentona comunista.[44] O policial nazista Olegário, mandante de todas as prisões, também tenta atacar Alex, com a ajuda de Letícia, amargurada pela traição.[45] Na casa de detenção, Dora recebe cartas de Danilo e reconhece sua intolerância. Portanto, cede os desejos do ex-marido e volta a viver com ele.[46] A pedido de Letícia, o cassino de Alex é incendiado.[47]

Zazá, líder da Kananga do Japão, casa-se com Vado, primo de Dora. Olegário assume ser homossexual e foge com um homem. Danilo, com raiva da paixão de Alex por sua esposa, planeja matá-lo, entretanto, o homem fere Lisete. O rapaz é preso e a mulher pede para que Dora admita o amor por Alex. Portanto, Dora e Alex se casam.[6]

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Exibição[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, a estreia estava prevista para 16 de junho de 1989,[48] mas a data foi adiada por problemas no elenco e texto.[23] Portanto, o primeiro capítulo de Kaganga do Japão foi exibido no dia 19 de julho do mesmo ano, na faixa da 21h30min pela Rede Manchete. No sábado da primeira semana de exibição, foi transmitido um resumo de todos os episódios apresentados.[49] Apresentada de segunda a sábado,[50] seu último capítulo foi mostrado em 25 de março de 1990, sendo substituída por Pantanal.[2] Foi reapresentada duas vezes, na primeira ocasião, de 21 de maio de 1990 a 18 de janeiro de 1991, de segunda a sábado, sob 209 episódios e, na segunda, entre 18 de março e 10 de outubro de 1997 em 149 capítulos, de segunda a sexta.[51][52] Em Portugal, foi exibida pela RTP2, somente aos domingos, por quatro anos.[53]

Ao final de cada capítulo, era exibido, em três minutos, imagens documentais sobre a época.[25] A vinheta de abertura foi produzida por Adolpho Rosenthal e dividida em quatro temas: porto, guerra, baile e campo, baseados na obra de Cândido Portinari, O Lavrador de Café.[54] Ela representa as danças e os eventos feitos no cabaré Kananga do Japão, sob o som de "Minha", executado pela cantora Misty.[55][56]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Parte do elenco principal.

Cristiane Torloni interpreta Dora Tavares, uma moça fina que perdeu tudo com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque[57][58] e se apaixona por Alex Lima (Raul Gazolla), mas a mulher deseja o luxo e se casa com Danilo (Giuseppe Oristanio),[59] filho verdadeiro de Letícia (Tônia Carrero) e Francisco Lima Viana (Carlos Alberto), adotado de Juca (Haroldo Costa) e irmão de Silvia (Júlia Lemmertz).[4][60]

A casa de danças e eventos Kananga do Japão é liderada por Zazá (Tamara Taxman) e presenciada pelas dançarinas Lisete (Elaine Cristina),[61] Suely (Elisa Lucinda), Ritinha (Solange Couto), Clotilde (Karen Acioly), a cantora Lulu Kelly (Zezé Motta)[62] e o compositor Sinhô (Paulo Roberto Marques Barbosa).[4] De outro lado, há o Conselho 7, um grupo de sensacionalistas antipáticos: o folclórico Caveirinha (Nélson Xavier), o sambista Saraiva (Ewerton de Castro), o policial Orestes (Carlos Eduardo Dolabella),[63] o jornalista Noronha (Cláudio Marzo)[64] e sua esposa, Daisy (Lúcia Alves).[3][4]

Com a queda da bolsa de valores, os familiares de Dora empobreceram: sua mãe Zulmira (Yara Lins), as irmãs Alzira (Ana Beatriz Nogueira) e Madalena (Via Negromonte),[65] o tio Epílogo (Rubens Corrêa), sua esposa Josefina (Rosamaria Murtinho),[66] seus filhos Júlio (Tarcísio Filho)[67] e Vado (Ernesto Picollo). Seguidos por Odília (Danielle Daumerie), Hannah (Cristiana Oliveira), Eva (Riva Nimitz), Henrique (Paulo Castelli), Clotilde (Karen Acioly), Suelly (Elisa Lucinda), Torquato (Maurício do Valle) e Saraiva (Ewerton de Castro).[68][69]

Música[editar | editar código-fonte]

Kananga do Japão
Trilha sonora de vários artistas
Lançamento 1989
Gênero(s) Romântico
Rock progressivo
Idioma(s) Português

O tema de abertura da telenovela, "Minha", é interpretado pela cantora Misty. A trilha sonora conta ainda com cantores como Elis Regina, por "Aquarela do Brasil" e Evandro Mesquita, por "Gago apaixonado" e a banda de rock progressivo Sagrado Coração da Terra, por "Passional". Tais canções foram incluídas em um CD, cuja produção recaiu a Guto Graça Mello, Tatiana Lohmann, Lia Sampaio e Celso Lessa.[70]

Márcia Cezimbra, periodista do Jornal do Brasil, não gostou das canções escolhidas para a obra: "[as músicas] que leva ao ar não são da época em que se passa a novela, [é] uma trilha fora do ritmo".[71]

N.º Título Música Duração
1. "Dorinha, meu amor"   Luiz Melodia[70] 2:42
2. "Uma noite a mais"   Cláudya 4:58
3. "Canção pra inglês ver"   Afrodite se Quiser 2:26
4. "My Funny Valentine"   Nouvelle cuisine[70] 3:07
5. "Gago apaixonado"   Evandro Mesquita 3:05
6. "Minha"   Misty 1:31
7. "Gosto que me enrosco"   Mário Reis 3:57
8. "Passional"   Sagrado Coração da Terra 3:07
9. "Aquarela do Brasil"   Elis Regina 3:45
10. "Pela décima vez"   Ângela Rô Rô 2:33
11. "Coisas nossas"   Garganta Profunda[70] 3:39
12. "Fly Away and End Credits"   James Horner 6:02

Lançamento e repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

"A direção da casa espera ao menos chegar a 25 pontos do ibope no Rio e quinze em São Paulo [...] para não repetir o insatisfatório resultado de suas últimas produções, a Manchete não economizou para fazer de sua nova novela um sucesso igual a Dona Beija, já vendida para diversos países".

Jornal do Brasil, ao dia da estreia.[32]

A telenovela alcançou, em seu primeiro capítulo, uma média de vinte pontos na Grande Rio e seis na Grande São Paulo, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.[nota 1] Tais índices foram satisfatórios comparados à trama anterior, Olho por Olho, a qual indicava seis no Rio e dois, em São Paulo, triplicando os números da antecessora.[72] Durante meses, a obra de Aguiar Filho manteve bons índices na capital carioca e o recorde negativo, na capital paulista, ocorreu na penúltima semana de dezembro com quatro pontos, devido aos últimos capítulos de Tieta, a qual marcou 57.[73]

Avaliação em retrospecto[editar | editar código-fonte]

Segundo o jornalista Laranjeira, a beleza de Cristiane Torloni "nunca foi tão bem mostrada em nenhuma outra novela".[74]

A revista Veja comentou logo após a estreia: "Neste início, ficou evidente a intenção dos diretores de usar tomadas de estilo cinematográfico, fugindo da rotina das câmaras bem aproximadas dos personagens sempre que há diálogos [...] a Rede Globo deixou evidente que enxerga na novela uma concorrente de peso e vê a possibilidade de a Manchete reeditar o êxito de Dona Beija,' de 1986".[75]

Um colunista da Última Hora avaliou positivamente a história e observou que "é louvável o que a Rede Manchete vem tentando em termos de qualidade plástica e artística para fazer de Kananga do Japão uma novela a nível das melhores produções da Rede Globo, [é] uma disputa sadia e necessária porque atrás dela nascem centenas de empregos".[76] Linda Monteiro, do mesmo jornal, analisou Raul Gazzola: "jovem, bonito, com boa expressão corporal, [tem] grande intimidade com a dança, uma figura de um típico malandro da boêmia carioca [com] o olhar, a voz, os trejeitos, a ginga de corpo e o sorriso maroto de conquistador".[77] Braulio Tavares, do Jornal do Brasil, disse: "a produção bem cuidada, o visual irrepreensível, o background histórico e social, o trato hábil com luzes e câmaras, a coreografia fluida, os figurinos e cenários convincentes [estão ali]".[50] Por outro lado, o jornalista Fernando de Morais criticou a dança: "a montagem do balé é um insulto: Olga Benário, que era judia mas não dava a isso importância alguma, gritaria vivas a Israel. E os produtores alemães e americanos interessados no filme fizeram muita chantagem para rodar um fita apenas policial. Não autorizei".[78]

O repórter Arthur Laranjeira, de O Dia, disse que "[há] belas imagens, [com] excelente trabalho de reconstituição dos anos 30 revelado em perfeitas maquiagens, figurinos [e] cenários [...] Guilherme Pereira [mostrou-se] preocupado com cada detalhe dos muitos rostos com que trabalhou, modificando-os durante as várias fases da novela". Ainda, avaliou os atores e suas interpretações: "Raul Gazzola [transformou-se] em novo símbolo sexual. A beleza de Cristiane Torloni nunca foi tão bem mostrada em nenhuma outra novela. Tônia Carrero vem mostrando bons momentos, enfrentou cenas perigosas sem cair no ridículo".[74]

A jornalista Regina Rito criticou a cena de nudez da personagem Dora: "aparece com os seios inteiramente nus!", por outro lado, uma telespectadora carioca enviou uma carta de discórdia: "Será que se a cena fosse da novela Tieta mereceria censura ou será que os seios da Isadora Ribeiro e o bumbum do rapaz no término da novela Brega & Chique são fatos absolutamente normais? Atitudes como esta reforçam uma postura iníqua, de uma jornalista que coloca a opinião e o gosto nas matérias contra o trabalho de pessoas sérias."[79]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

O troféu APCA, premiação organizada pela Associação Paulista de Críticos de Arte indicou Kananga do Japão a seis categorias para a seção de televisão, as quais venceram. Rodrigo Cid, Sérgio Perricone e Gil Haguenauer foram selecionados à melhor cenografia, Guto Graça Mello à melhor trilha sonora, Colmar Diniz recebeu a condecoração de melhor figurino, Adolph Rosenthal e Tony Cid Guimarães foram escolhidos por melhor abertura[7][80] e Cristiana Oliveira venceu na categoria de melhor revelação feminina.[81] O troféu Imprensa, realizado anualmente, indicou-a como melhor novela[82] e selecionou Raul Gazzola para concorrer à revelação, porém não venceram.[83]

Notas

  1. Em 1989, um ponto equivalia a 154 mil telespectadores, segundo o IBOPE.[72]

Referências

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