Pantanal (1990)

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Pantanal
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Duração 50 minutos
Criador(es) Benedito Ruy Barbosa
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Jayme Monjardim
Produtor(es) executivo(s) Alexandre Ishikawa
Distribuição Bloch Som e Imagem
Elenco
Tema de abertura "Pantanal", Sagrado Coração da Terra
Tema de encerramento "Pantanal", Sagrado Coração da Terra
Composto por Marcus Viana
Música por Marcus Viana
Empresa(s) produtora(s) Rede Manchete
Localização Rio de Janeiro

Mato Grosso do Sul

Exibição
Emissora original Manchete M logo.svg Rede Manchete
Formato de exibição 480i (SDTV)
Formato de áudio monaural
Transmissão original 27 de março de 1990 – 11 de dezembro de 1990
Episódios 216
Cronologia
Kananga do Japão
A História de Ana Raio e Zé Trovão
Programas relacionados Pantanal (2022)

Pantanal é uma telenovela brasileira exibida pela Rede Manchete de 27 de março a 11 de dezembro de 1990 em 216 capítulos. Sucedeu Kananga do Japão e antecedeu A História de Ana Raio e Zé Trovão. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, tem direção de Carlos Magalhães, Roberto Naar e Marcelo de Barreto e direção geral de Jayme Monjardim.[2]

Em 2016, a revista Veja elegeu Pantanal a quarta melhor novela da televisão brasileira, atrás de Roque Santeiro (1985–86), na terceira posição, e de Vale Tudo (1988–89) e Avenida Brasil (2012), empatadas em primeiro lugar.[3]

Conta com as atuações de Cláudio Marzo, Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Jussara Freire, Marcos Palmeira, Luciene Adami, Ângela Leal, Ângelo Antônio, Giovanna Gold, Antônio Petrin e Paulo Gorgulho nos papéis principais.[2]

Produção[editar | editar código-fonte]

Durante anos, a novela ficou engavetada na Central Globo de Produções, chegando a entrar em pré-produção no final de 1984 para o horário das 18h, em substituição à novela Livre Para Voar, com o título de Amor Pantaneiro. Porém, a região do Pantanal estava em época de chuvas, o que inviabilizou a produção. Sendo assim, a mesma foi cancelada.[4]

Em 1990, a Rede Manchete contrata seu escritor, Benedito Ruy Barbosa, que finalmente realiza seu sonho, obtendo estrondoso sucesso e superando a até então imbatível TV Globo. Além disso, a Manchete contrata também uma grande leva de atores globais, como Cláudio Marzo, Cássia Kiss, Nathália Timberg, entre outros, e a mistura com revelações da teledramaturgia brasileira, como Cristiana Oliveira e Marcos Winter.

Uma das integrantes do elenco não queria participar da trama: Carolina Ferraz só fez sua estreia em novelas após ser ameaçada de demissão. Àquela altura, Carolina apresentava o Programa de Domingo na Manchete, e afirmou mais tarde que não teve alternativa senão fazer Pantanal.

Como é comum nas novelas, o roteiro mudou no meio da trama. Ítala Nandi havia pedido, ao autor uma licença para atuar em um filme, e ele resolveu então matar a sua personagem, Madeleine, em um acidente de avião. Já Almir Sater saiu para protagonizar Ana Raio e Zé Trovão. Adriana Esteves esteve cotada para o papel de Juma, assim como Deborah Bloch.

As filmagens da telenovela começaram em 15 de dezembro de 1989, e tinham 60% das filmagens no Pantanal e 40% em São Paulo e Rio de Janeiro. A grande maioria das cenas internas foram gravadas no estúdio localizado no bairro de Vista Alegre, na zona norte carioca. As cenas internas, casa de Zé Leôncio e casa de Tenório eram gravadas no Complexo de Água Grande, no bairro de Irajá, no Rio de Janeiro.

Inicialmente Glória Pires foi cotada para viver Juma Marruá, convidada por telefone pelo autor Benedito Ruy Barbosa, porém Cristiana Oliveira ficou com o papel, que se transformou no maior sucesso de sua carreira.[5]

O personagem "Roberto", filho de Tenório, inicialmente seria gravado por Livingstone Trobilio, tido como um afilhado da então "primeira-dama" da Rede Manchete, Ana Bentes Bloch. Porém, por motivos de estudos, ele foi substituído por Eduardo Cardoso, que por sua vez desempenhou o personagem com mérito. Ambos estudavam na mesma escola na vida real.

Primeira novela de Luciene Adami, Giovanna Gold e Ângelo Antônio.

Os animais[editar | editar código-fonte]

Um animal bastante comentado na trama era a piranha. Na trama, as piranhas serviam para matar algumas personagens: comentava-se que as piranhas não deixavam rastro, pois atacavam em cardume, digeriam toda a carne e os ossos iam para o fundo do rio.

Um animal que também aparece na trama é a sucuri, contracenando com o Velho do Rio. Essa cobra, na verdade, era domesticada e se chamava Rafaela. Por ser mais dócil, foi usada na novela para fazer as cenas mesmo quando representava uma jararaca ou outra espécie. Ela já carimbou presença na minissérie Mad Maria. Mascote do Instituto Vital Brazil, onde morou durante 30 anos, media 6 metros de comprimento e pesava 90 quilos. Morreu no dia 2 de julho de 2009, de causas naturais.

Durante a trama, Zé Leôncio e Tenório conversavam sobre a criação de jacarés, que, à época, era apenas um estudo de viabilidade. A intenção era criar os animais, abatendo certa parte para comercializar carne e couro e devolvendo o resto à natureza para o repovoamento, devido à ameaça de extinção. Na telenovela, o projeto fica só na conversa, mas por causa desse plano, o jacaré-do-pantanal está, atualmente, fora da lista dos animais ameaçados de extinção.

Em abril de 1990, durante uma externa à beira do Rio Negro, Sérgio Reis acabou ajudando Cristiana Oliveira a fugir do cerco de seis jacarés-do-papo-amarelo, que invadiram a gravação da telenovela.

Nas mudanças de cena, havia intervalos de tempo que mostravam belíssimas imagens do bioma brasileiro; todas as espécies da fauna pantaneira tiveram seus segundos de fama, exceto a onça-pintada, pois na verdade, a única onça que aparece foi claramente filmada em um zoológico. O animal também apareceu em flashes quando Maria e Juma Marruá se metamorfoseavam em onça e na abertura da novela, mas percebe-se que o indivíduo não vivia livre na natureza, porque na época, o animal era caçado por ser considerado pelos criadores de gado, a principal causa de prejuízos financeiros, justamente por predar o gado doméstico da região. Ameaçada de extinção e arredia à presença humana, a espécie vivia escondida nas matas pela caça indiscriminada, o que dificultou o trabalho da equipe de filmagem da telenovela. Felizmente, a caça ao animal posteriormente foi proibida e muitos turistas vão atualmente ao Pantanal pela facilidade em encontrá-la. Mesmo assim, continua sendo uma espécie ameaçada de extinção.

Durante a trama, podemos observar uma consciência ecológica em relação à caça de animais. Joventino, pai de Zé Leôncio, sempre fora contra essa prática e ao reaparecer como o Velho do Rio, passa a proteger jacarés de coureiros e onças de fazendeiros. Zé Leôncio herdou isso de seu pai.

Na telenovela, houve dois enganos nas características físicas e comportamentais das duas principais espécies animais na trama: a sucuri e a onça-pintada. Com relação à cobra sucuri, a espécie foi confundida com a jararaca boca-de-sapo; já em relação à onça-pintada, o som emitido pela espécie foi confundido.

Em ambas as cenas em que a jararaca entra em ação, percebe-se claramente que quem dá o bote é uma sucuri e não uma boca-de-sapo. A sucuri possui uma cor escura, é grande e não tem glândulas de veneno; enquanto que a boca-de-sapo possui cor bege, é pequena e seu veneno é potente. Mas esse engano foi intencional, já que a jararaca tem uma excelente técnica de camuflagem contra os predadores, é difícil de ser avistada e, como eles tinham uma sucuri no elenco, usaram-na para fazer as cenas como se ela fosse uma jararaca boca-de-sapo.

Na telenovela, a onça-pintada assustava as personagens miando. Aí está o problema: a onça-pintada esturra e não mia. Apesar de pertencer à mesma família do gato, a onça não mia devido a diferenças nas cordas vocais; o esturro é mais grave, longo e potente do que o miado e é capaz de dar calafrios no ser humano.

Adaptação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Pantanal (2022)

Desde 2006, a TV Globo que já possui os direitos sobre Pantanal, estava inicialmente pensando em fazer uma adaptação em 2008, no horário das 18h, com o título de Amor Pantaneiro, vendo os bom índices de audiência de remakes anteriores de Benedito, como Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006), continuando a trilogia de novelas. Mas, em 2008, Silvio Santos levou ao ar no mesmo ano a reprise de Pantanal, no SBT.[6] Em 2020, a TV Globo confirmou que fará um remake de Pantanal para o ano de 2021, por conta dos focos de queimada na região, para o horário das 21h, com o próprio texto original da novela, mas com algumas adaptações, sob a autoria de Bruno Barbosa Luperi, seu neto, com quem já havia trabalhado na produção de Velho Chico em 2016; a nova versão contará com a direção artística de Rogério Gomes e com Marcos Palmeira, intérprete de Tadeu na versão original, como José Leôncio (papel de Cláudio Marzo em 1990), enquanto que a icônica personagem, Juma Marruá, que foi vivida por Cristiana Oliveira será interpretada na nova versão por Alanis Guillen.[7][8] A novela terá como uma das locações a mesma fazenda que serviu de cenário na gravação original, a fazenda Rio Negro, em Aquidauana-MS.[9][10][11][12][13][14] O remake, que estava programado para 2021, teve sua estreia adiada para 2022 por conta do agravamento da pandemia de COVID-19.[15]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Pantanal conta a história de Zé Leôncio (Paulo Gorgulho/Cláudio Marzo), um peão de comitiva que chegou com o pai, Joventino (Cláudio Marzo) ao Pantanal, onde compraram uma fazenda e começaram a criar gado de corte. José Leôncio e seu pai caçavam marruás, um tipo de boi selvagem que vivia solto pelas matas da região, aumentando, assim, o rebanho na fazenda. Um certo dia, Zé Leôncio viajou com os peões em comitiva e pediu para que seu pai não fosse caçar marruá sozinho. Entretanto, o velho Joventino acabou indo caçar e desapareceu na imensidão do Pantanal. Zé Leôncio voltou de viagem e procurou pelo pai sem sucesso. Nesse dia, ele prometeu que ia trazer um marruá no laço todos os dias, só para ter a esperança de encontrar o pai.

Passado algum tempo, Zé Leôncio, já um fazendeiro rico, vai para o Rio de Janeiro cobrar uma dívida e conhece a fútil e mimada Madeleine (Ingra Lyberato/ Ittala Nandi). A família de Madeleine era da classe alta carioca, porém seu pai, Antero (Sérgio Britto) é viciado em jogo, acabando aos poucos com o status da família e os deixando perto da falência. Antero acaba aceitando que Zé Leôncio se case com sua filha, recebendo dele um bom dinheiro para tentar resgatar o que perdeu, enquanto Zé a leva para o Pantanal e a engravida. Mulher da cidade grande, Madeleine não se adapta ao mundo rural, à rude vida pantaneira e à rotina de peão do marido. Durante uma das viagens de Zé Leôncio em comitiva, levando gado para a venda, ela foge com o amigo Gustavo (José de Abreu), que vai buscá-la no Pantanal, e o filho de poucos dias para a cidade do Rio de Janeiro.

Amargurado, Zé Leôncio tenta em vão recuperar o menino, que acabara de nascer, mas acaba concordando em deixá-lo com a mãe na cidade grande. Passa a viver então com Filó (Tânia Alves/Jussara Freire), sua empregada, que já tinha um filho, Tadeu (Marcos Palmeira). Ele reconhece Tadeu como seu afilhado, considerando ele seu filho. Vinte anos depois, o filho legítimo, Joventino Neto (Marcos Winter), o Jove, finalmente decide ir conhecer o pai. Mas o choque cultural é grande e os dois têm sérias dificuldades para se entender.

Sentindo-se rejeitado pelo pai, que acha que o filho é afeminado, e ridicularizado pelos peões por causa de seu jeito de moço da cidade, Jove decide retornar ao Rio, mas leva consigo Juma Marruá (Cristiana Oliveira), moça criada como selvagem pela mãe (Cássia Kis) até a morte desta, assassinada por encomenda numa trama paralela de vingança entre posseiros de terras e vítimas de grilagem, fatos esses ocorridos no início da novela na cidade de Sarandi, no estado do Paraná. Tal como a mãe, comenta-se no Pantanal que Juma se transforma em onça-pintada quando se sente ameaçada. Passado um tempo no Rio, onde o choque cultural é agora sofrido por Juma, Jove retorna ao Pantanal para não ter que se separar de sua amada "onça". Desta vez, ele está disposto a se adaptar ao estilo de vida local. Jove começa a se acertar com o pai e com Juma e vai aos poucos se transformando num autêntico peão pantaneiro, surpreendendo a todos continuamente.

A história tem ainda um lado sobrenatural, baseado no fascinante folclore da região pantaneira: os principais personagens, com exceção de Zé Leôncio, frequentemente se deparam com uma figura conhecida como "O Velho do Rio", um curandeiro idoso que cuida das pessoas atacadas pela jararaca boca-de-sapo, uma cobra venenosa, ou que simplesmente se perdem na extensão do Pantanal. Todos comentam que o Velho do Rio é o pai de todas as sucuris, que ele se transforma em sucuri, também sendo ele a maior de todas. O povo acredita que "O Velho do Rio" seja o pai de Zé Leôncio, o desaparecido peão Joventino, de quem o neto, Jove, herdou o nome. Além do Velho do Rio e da história de Juma, uma terceira trama sobrenatural enriquece a novela: a figura do misterioso peão Trindade (Almir Sater), que teria um pacto com o diabo, ou seria ele próprio a encarnação do diabo.

Há ainda a história de Maria Rute (Andréa Richa), que chegou às terras do Pantanal para vingar a morte do pai, assassinado pelo pai de Juma. Fazendo-se passar por muda e ganhando este apelido, ela vai aos poucos conquistando a confiança de Juma e passa a morar com ela na tapera dos Marruá, ficando dividida entre a vingança e a amizade que passa a nutrir pela "onça". A Muda acaba conquistando o coração do peão Tibério (Sérgio Reis), braço direito de Zé Leôncio, mas também o de Levi (Rômulo Arantes, peão mal-caráter e obcecado por ela.

No decorrer da trama, Zé Leôncio descobre a existência de um terceiro filho seu, na verdade o primeiro dos três: o caminhoneiro José Lucas de Nada (Paulo Gorgulho), fruto da primeiro experiência sexual dele com a prostituta Generosa (Kátia D'Angelo) em um prostíbulo de Goiás, no qual fora levado pelo pai ao completar quinze anos de idade a fim de "mostrar que era macho". O sobrenome de Zé Lucas é De Nada, pois o mesmo não tinha pai para lhe dar um sobrenome. Assim que Zé Leôncio o reconhece como filho, ele passa a ser chamar José Lucas Leôncio.

A saga da família Leôncio inclui, finalmente, o complicado relacionamento com o fazendeiro vizinho, Tenório (Antônio Petrin). Casado com a submissa Maria (Ângela Leal), a quem apelidou pejorativamente de "Maria Bruaca" e com quem teve uma filha, a despudorada Guta (Luciene Adami) – que adora desafiar as ordens do pai –, seu passado como grileiro de terras o liga às tragédias familiares de Juma e Muda. O mau-caratismo deste e sua inclinação a vinganças covardes colocarão em risco em diversas circunstâncias a família de Zé Leôncio. O vilão possui uma outra família na cidade de São Paulo, formada por Zuleika (Rosamaria Murtinho) e seus filhos Marcelo (Tarcísio Filho), Renato (Ernesto Piccolo) e Roberto (Eduardo Cardoso). Após descobrir esse fato, Maria passa a desafiar o marido e inicia um tórrido caso de amor com o peão Alcides (Ângelo Antônio), empregado da fazenda e uma das muitas pessoas que querem vingança contra Tenório. Quem também sofre ao descobrir a segunda família do pai é a sensual Guta, que após se envolver com Jove e Tadeu, apaixonou-se por Marcelo, sofrendo ao descobrir que se envolveu com seu provável irmão.[16]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Intérprete Personagem
Cláudio Marzo José Leôncio (Zé Leôncio)
Joventino Leôncio (Velho do Rio)
Marcos Winter Joventino Leôncio Neto (Jove)
Cristiana Oliveira Juma Marruá
Paulo Gorgulho José Lucas Leôncio / José Lucas de Nada (Zé Lucas)
Zé Leôncio (jovem)
Jussara Freire Filomena Aparecida (Filó)
Marcos Palmeira Tadeu Aparecido Leôncio
Luciene Adami Maria Augusta Nogueira (Guta)
Antônio Petrin Tenório Nogueira
Ângela Leal Maria Nogueira (Maria Bruaca)
Elaine Cristina Irma Braga Novaes
Nathália Timberg Mariana Braga Novaes
Andréa Richa Maria Rute (Muda)
Almir Sater Xeréu Trindade (Trindade)
Sérgio Reis Tibério
Ângelo Antônio Alcides
Giovanna Gold Zefa
Rosamaria Murtinho Zuleika Nogueira
Tarcísio Filho Marcelo Nogueira
Ernesto Piccolo Renato Nogueira (Reno)
Eduardo Cardoso Roberto Nogueira (Beto)
Rômulo Arantes Levi
João Alberto Pinheiro Zaqueu
Ivan de Almeida Orlando
Lana Francis Teca
Júlio Levy Davi
Gláucia Rodrigues Matilde

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Ítala Nandi Madeleine Braga Novaes
José de Abreu Gustavo
Cássia Kiss Maria Marruá
Sérgio Britto Antero Novaes
Marcos Caruso Tião
Ewerton de Castro Quim
José Dumont Gil Marruá
Oswaldo Loureiro Chico Taxista
Flávia Monteiro Nalvinha
Sérgio Mamberti Dr. Arnaud
Ingra Liberato Madeleine (jovem)
Carolina Ferraz Irma (jovem)
Tânia Alves Filó (jovem)
Regina Dourado Olga
Antônio Pitanga Túlio
Buza Ferraz Grego
Carlos Gregório Expedito
Enrique Diaz Chico Marruá
Alexandre Lippiani Raimundo
Luiz Henrique Sant'Agostinho Ari
Haroldo Costa Padre Antônio
Jitman Vibranovski Delegado Márcio de Sarandi
Andréa Cavalcanti Celina
Geisa Gama Gorda
Kátia D'Angelo Generosa
Xandó Batista Vigário
Rubens Corrêa Deputado Ibrahim Chaguri
Gisela Reimann Érica Chaguri
José Rodrigues Pereira Barra Mansa
Antônio Gonzalez Bruno
Fausto Ferrari Teodoro
Jairo Lourenço Otávio
Silvio Pozatto Rubem
Rose Abdallah Myriam
Ibañez Filho caminhoneiro
Valter Santos jagunço
Kito Junqueira jagunço
Totia Meirelles vedete
Jece Valadão coureiro
Giuseppe Oristânio paraquedista
Fátima Freire amiga de Generosa
Luiz Armando Queiroz dono do Frigorífico Carioca
Jofre Soares padre no último capítulo
Maurício do Valle caseiro de uma das fazendas de Zé Leôncio
Zaira Zambelli prostituta que rouba o caminhão de Zé Lucas
Thiago Frota Joventino (jovem)
Paulão Zé Leôncio (criança)
Renan Itaborahy Cabizuca Jove (criança)
Jessica Canoletti Juma (criança)
Christian Lima Zé Lucas (criança)
Leandra Leal Maria Marruá Leôncio
Fernando Borsato Antero Novaes Leôncio
Zé Capeta ele mesmo

Legado[editar | editar código-fonte]

Pelo público, a telenovela será para sempre lembrada como a que bateu a audiência da TV Globo. Seu sucesso foi estrondoso, ao ponto de a emissora de Roberto Marinho esticar a novela das oito (então Rainha da Sucata, de Sílvio de Abreu) para que os telespectadores não mudassem de canal, e lançar uma novela com os maiores nomes da casa (Araponga) para competir no mesmo horário, cancelando boa parte da linha de shows, tirando do ar programas consagrados como o TV Pirata.[17]

Pantanal também foi a primeira telenovela fora da Globo, desde a falência da TV Tupi, que conseguiu ultrapassar frequentemente a marca de 40 pontos de audiência, muito além do esperado. O que foi uma proeza fora dos domínios da TV Globo ao longo dos anos 1980. E, de quebra, o avassalador sucesso da telenovela rural pôs a emissora de Adolpho Bloch de vez entre as grandes produtoras de telenovelas da América Latina. Todavia, a Rede Manchete nunca mais repetiria tal façanha nos nove anos que lhe restariam de vida.

Audiência[editar | editar código-fonte]

Pantanal estreou com 7 pontos de média. A Globo exibia em seu horário das oito da noite a novela Rainha da Sucata e Pantanal entrava no ar, na TV Manchete, imediatamente depois, às 21h30. Durante os vinte primeiros capítulos, ao competir diretamente com a linha de shows da Globo, Pantanal rapidamente atingia picos de 30 pontos, fechando sempre com média superior aos 20 pontos (Ibope da Grande São Paulo). A partir da quarta semana, a novela passou a superar a TV Globo todos os dias na audiência. Seu último capítulo registrou 31 pontos na Grande São Paulo, um pouco mais que a Globo, que registrou 21. Teve média geral de 22 pontos, a maior da história da dramaturgia da Rede Manchete, entrando para a história da televisão brasileira como a única telenovela a bater a TV Globo quase que do começo ao fim. Porém, ao contrário do que é dito, Pantanal jamais chegou a superar Rainha da Sucata, então novela das oito na época. Pantanal superava a TV Globo com sua linha de shows e posteriormente a telenovela Araponga.[18]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Processos[editar | editar código-fonte]

Em 2008, assim que começou a reprise da trama pelo SBT, a TV Globo ameaçou processar a emissora de Sílvio Santos. Ela alegava ser dona da história e das imagens, e que elas foram adquiridas diretamente do autor Benedito Ruy Barbosa e portanto, a reprise da telenovela era ilegal. Já o SBT rebateu, afirmando que as fitas da telenovela foram compradas de um empresário, que adquiriu as fitas em um leilão da massa falida da TV Manchete.[19]

Em primeira instância, a Justiça condenou o SBT por agir de má-fé, em relação a ter reprisado a trama. Além disso, o canal paulistano também foi proibido de reprisar novamente a trama de Benedito Ruy Barbosa.[20]

Porém o SBT recorreu das decisões e, em 2014, venceu o processo em segunda instância. Mesmo podendo recorrer da decisão, o autor Benedito Ruy Barbosa anunciou que desistiria do processo contra a emissora paulistana, que corria desde 2008.[21] Fato que não ocorreu.

No dia 9 de agosto de 2016, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), através do ministro-relator do caso, João Otávio de Noronha, julgou a ação de Benedito procedente. Segundo o magistrado, uma vez que não houve "consulta prévia ou qualquer tipo de movimentação por parte do SBT para conciliação ou compra dos textos". E assim o processo entrou em discussão financeira, com os advogados de Benedito Ruy Barbosa estipulando R$ 100 milhões por danos morais e profissionais.[22]

Após a emissora entrar com recurso, a Justiça decidiu que ela pague uma indenização de 250 mil por danos morais ao autor. Insatisfeito com o valor por achar "ínfimo e irrisório", Ruy Barbosa entrou com outro recurso, que foi rejeitado pelo presidente do STJ em 26 de abril de 2021 mantendo a decisão anterior como adequada, considerando que a emissora "adquiriu legalmente a obra da Massa Falida da TV Manchete e pagou por ela, tendo feito, assim, investimento em algo que se encontrava abandonado no acervo de massa falida" e que o autor "possui direito a indenização por danos morais e não a participação nos rendimentos da agravada, durante o período de reexibição de “Pantanal”, sendo assim irrelevante saber qual o resultado econômico (bem como quais foram receitas advindas de publicidade), auferido pela agravada quando reexibiu a telenovela."[23][24]

Reprises[editar | editar código-fonte]

Logomarca da novela Pantanal no SBT.

Pantanal foi reexibida em duas ocasiões: às 19h30, de 17 de junho de 1991 a 18 de janeiro de 1992

Foi reprisada na íntegra, de 26 de outubro de 1998 a 14 de julho de 1999. Esta segunda reexibição tem uma particularidade interessante: entrou no ar em substituição à novela Brida, que acabou com os recursos da emissora. A Rede Manchete seria vendida pouco depois da reestreia de Pantanal. Sendo assim, essa reprise foi concluída pela TV!.

Após dezoito anos, na reexibição de Pantanal pelo SBT, a novela voltou a bater a TV Globo na audiência. No dia 9 de junho de 2008, o SBT colocava no ar o primeiro capítulo de Pantanal, sendo uma aposta de Silvio Santos pra recuperar a audiência, surpreendendo a todos. Exibida das 22h17 até 23h03, sem intervalo comercial, a novela registrou 7 pontos de média, já elevando 3 pontos na faixa em que foi exibida. Se não bastasse isso, com o passar dos dias, a história de Juma foi atraindo cada vez mais telespectadores.

No capítulo de quinta-feira, 3 de julho de 2008, a novela da Manchete exibida pelo SBT chegou a 19 pontos de pico, conquistando a liderança por quinze minutos. Desde este dia, em alguns capítulos, a novela atinge, por alguns minutos, a liderança de audiência e em boa parte do horário de exibição, a vice-liderança em audiência. No dia 28 de julho, Pantanal teve a maior audiência de toda sua reprise. Foram 18 pontos de média e 21 de pico, dando não somente a vice-liderança como minutos na liderança contra a Globo que exibia o sitcom Toma Lá, Dá Cá.

O último capítulo, exibido no dia 13 de janeiro de 2009, anotou 15 pontos, mesmo enfrentando a estreia da nona edição do Big Brother Brasil. No geral, a novela teve 13 pontos de média.[25]

Foi reapresentada na íntegra pelo SBT de 9 de junho de 2008 a 13 de janeiro de 2009, às 22h, em 187 capítulos.[26]

A exemplo do que já havia sido feito com Xica da Silva, o SBT comprou as fitas da novela arrematadas no leilão da massa falida da Manchete e passou a reexibir Pantanal às 22 horas, desde o dia 9 de junho de 2008 até 13 de janeiro de 2009. A TV Globo contestou a reexibição, pois detinha os direitos do texto, adquiridos do autor Benedito Ruy Barbosa.

O SBT não anunciou a novela com antecedência. A emissora só a anunciou como sendo sua "arma secreta". Também foram exibidas enquetes sobre as novelas preferidas pelo público e, curiosamente, na edição, Pantanal era a preferida do público. A emissora de Silvio Santos só começava a exibir a novela Pantanal quando a então novela das oito da TV Globo A Favorita, acabava. A emissora paulista chegou a exibir chamadas apelando para o público dizendo: "Quando acabar a novela da Globo, A Favorita, troque de canal e veja a novela Pantanal". A estratégia resultou na migração dos telespectadores e na liderança de audiência.

O SBT exibiu a trama de segunda a sábado, na faixa das dez da noite. Nesta reexibição foi apresentada na íntegra, ou seja, o SBT conseguiu apresentar a telenovela Pantanal completa em 187 capítulos, uma vez que, no seu início, o SBT apresentava três capítulos completos em um, apresentando a novela em full time. Também foi criada uma nova abertura e, nesta, quem aparecia nua era a modelo Glenda Santos.

A apresentadora Nani Venâncio, na época modelo, aparece nua se metamorfoseando em onça na primeira versão da abertura da novela, exibida pela Rede Manchete.

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Volume 1[editar | editar código-fonte]

Capa: Cristiana Oliveira

Volume 2[editar | editar código-fonte]

Capa: Luciene Adami

O Melhor do Pantanal[editar | editar código-fonte]

CD lançado durante a reexibição pelo SBT, um misto entre os CDs lançados pela Manchete.

Pantanal: Suíte Sinfônica[editar | editar código-fonte]

Músicas compostas e regidas por "Marcus Viana".

  • "Pantanal (abertura)"
  • "Pulsações da Vida"
  • "Espírito da Terra"
  • "Onça Pintada"
  • "Noite"
  • "Reino das Águas"
  • "Paz"
  • "Respiração da Floresta"
  • "A Glória das Manhãs"
  • "Sinfonia"

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

A novela foi um sucesso na época e ganhou vários prêmios:

APCA (1990):

  • Melhor Novela
  • Melhor Atriz - Jussara Freire
  • Melhor Ator - Cláudio Marzo
  • Revelação Masculina - Ângelo Antônio
  • Melhor Diretor - Jayme Monjardim

Troféu Imprensa (1990):

  • Melhor Novela
  • Melhor Atriz - Jussara Freire
  • Melhor Ator - Cláudio Marzo
  • Revelação do Ano - Cristiana Oliveira

Referências

  1. Mônica Manir (14 de setembro de 2020). «Por que 'Pantanal' foi tão importante em 1990 -- e o que esperar do remake». UOL TAB 
  2. a b Nilson Xavier. «Pantanal». Teledramaturgia 
  3. «As melhores novelas da TV brasileira». Veja. 21 de outubro de 2016 
  4. «Em 1990, Globo se arrependeu de não ter produzido novela Pantanal». Noticias da TV. 5 de junho de 2016. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  5. Libraria da Folha (21 de março de 2011). «Glória Pires foi cotada para viver Juma Maruá, personagem de Cristiana Oliveira». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de janeiro de 2019 
  6. Comunicacao (10 de maio de 2019). «'Pantanal', clássico da extinta Rede Manchete, deve ganhar um remake da Globo». Bacana.news. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  7. Redação (27 de junho de 2021). «Atriz Alanis Guillen será Juma Marruá em remake da novela 'Pantanal'; veja elenco confirmado». Diário do Nordeste. Consultado em 25 de julho de 2021 
  8. Redação (19 de setembro de 2021). «Alanis Guillen é anunciada como Juma Marruá em "Pantanal"; veja reação da internet». Gshow. Consultado em 20 de setembro de 2021 
  9. News, Campo Grande. «Remake de "Pantanal" começa gravações na mesma fazenda de 1990». Campo Grande News. Consultado em 30 de março de 2021 
  10. «Novela 'Pantanal' vai ganhar remake na Globo em 2021, 30 anos após sucesso na TV». G1. 6 de setembro de 2020. Consultado em 6 de setembro de 2020 
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