Benedito Ruy Barbosa

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Benedito Ruy Barbosa
Nome completo Benedito Ruy Barbosa
Data de nascimento 17 de abril de 1931 (85 anos)
Local de nascimento Gália, SP
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Novelista, escritor, dramaturgo, roteirista, publicitário e jornalista
Período de atividade 1959-atualmente
Obra(s) de destaque Pantanal
Terra Nostra
Sinhá Moça
Mad Maria
Paraíso
Renascer
O Rei do Gado
Cabocla Os Imigrantes
Cônjuge Marilene Leonor Barbosa (1958-2014; viúvo)
Filhos Edmara Barbosa
Edilene Barbosa
Ruy Barbosa
Marcelo Barbosa [1]

Benedito Ruy Barbosa (Gália, 17 de abril de 1931) é um autor de telenovelas, escritor, dramaturgo,[2] jornalista e publicitário brasileiro. Barbosa chegou à dramaturgia com a peça Fogo Frio, encenada pelo Teatro de Arena. A estreia como autor de telenovelas se deu como Somos todos irmãos (TV Tupi, 1966), uma livre adaptação de A Vingança do Judeu, romance mediúnico da russa Vera Krijanóvscaia (1861-1924) atribuído ao espírito de John Wilmot (1647-1680), o Conde de Rochester ou "J. W." Rochester. Em seguida foi ao ar outra novela da autoria, O anjo e o vagabundo, um grande sucesso.

O tema mais constante nas novelas é a abordagem da vida rural e interiorana e cultura dos caboclos, bem como a imigração italiana no Brasil, abordada nos sucessos Os Imigrantes (Rede Bandeirantes, 1981), Vida Nova (1988), Terra Nostra (1999) e Esperança (2002), onde foi substituído por Walcyr Carrasco por problemas de saúde

Merece destaque outro grande sucesso exibido na extinta Rede Manchete: Pantanal (1990), cuja sinopse foi recusada pela TV Globo - feito este que ocorreu também com Os Imigrantes. Até então, Benedito só escrevera novelas para o horário das seis na emissora, à qual retornou três anos depois para escrever outro grande sucesso: Renascer (1993), que marcava a estreia do autor no horário nobre, abordando a crendice popular, feita também em Paraíso (1982), e a saga da história de uma família nos dias antigos e atuais, com O Rei do Gado (1996).

Carreira[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Recentemente, dois antigos sucessos ganharam uma segunda versão adaptada pelas filhas Edmara e Edilene Barbosa: Cabocla (2004), baseada no romance homônimo de Ribeiro Couto e Sinhá Moça (2006), ambientada no século XIX adaptada do livro homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Os dois remakes estão entre os maiores sucessos do horário das 18:00 em nossa década, tendo atingido, ambas, uma média final superior a 36 pontos no Ibope. Cabe lembrar que o "trilho" do horário era de 30 pontos e hoje é de 25 pontos e que muitas novelas do horário não conseguem atingir esse patamar. Em 2014, ao término de Meu Pedacinho de Chão, Benedito entrega à direção da Rede Globo, três projetos, na qual consta, uma minissérie sobre Castro Alves; outra sobre o cangaço, intitulada O Cerco, na qual o autor pretende contar com a parceria do diretor Luiz Fernando Carvalho, além de tentar emplacar uma telenovela ambientada no Rio São Francisco intitulada Velho Chico, com Eriberto Leão cotado para o papel de protagonista. [3] [4] [5] [6] [7] [8]

Algum tempo depois, sua telenovela Velho Chico é aprovada e a Globo decide exibi-la no horário das 21h, em substituição à telenovela A Regra do Jogo, para tentar recuperar audiência perdida por ela e sua antecessora, Babilônia. Maria Adelaide Amaral já havia escrito uma sinopse intitulada Sagrada Família, que foi adiada para após o término de Velho Chico. [9]

Benedito Ruy Barbosa tem boas ligações com o futebol, sendo, inclusive, conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube.

Telenovelas
Ano Trabalho Emissora Escalação Parceiros Titulares
2016 Velho Chico Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa
Bruno Barbosa Luperi

2014 Meu Pedacinho de Chão Rede Globo autor principal
adaptação e remake[10]
Edmara Barbosa

Edilene Barbosa
Marcos Barbosa

2009 Paraíso Rede Globo autor principal
adaptação e remake
Edmara Barbosa
Edilene Barbosa
2006 Sinhá Moça Rede Globo autor principal
adaptação e remake
Edmara Barbosa
Edilene Barbosa
2004 Cabocla Rede Globo autor principal
adaptação e remake
Edmara Barbosa
Edilene Barbosa
2002
2003
Esperança Rede Globo autor principal Walcyr Carrasco

Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

Thelma Guedes

1999
2000
Terra Nostra Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1996
1997
O Rei do Gado Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1993 Renascer Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1990 Pantanal Rede Manchete autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1988
1989
Vida Nova Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1986 Sinhá Moça Rede Globo autor principal

adaptação

Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1985
1986
De Quina pra Lua Rede Globo supervisor de texto

e criação do argumento

Alcides Nogueira
1983
1984
Voltei pra Você Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1982
1983
Paraíso Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1981
1982
Os Imigrantes Rede Bandeirantes autor principal Wilson Aguiar Filho
Renata Pallottini
1980 Pé de Vento Rede Bandeirantes autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1979 Cabocla Rede Globo autor principal

adaptação

Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1977 À Sombra dos Laranjais Rede Globo autor principal

adaptação

Sylvan Paezzo

Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1976 O Feijão e o Sonho Rede Globo autor principal

adaptação

Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1972
1973
Jerônimo, O Herói do Sertão TV Tupi diretor geral
1971
1972
Meu Pedacinho de Chão Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

Teixeira Filho

1970
1971
Simplesmente Maria TV Tupi autor principal

adaptação

Benjamin Cattan
1969
1970
Algemas de Ouro Rede Record autor principal Dulce Santucci
1968
1969
A Última Testemunha Rede Record autor principal
1968 O Décimo Mandamento TV Tupi autor principal
adaptação
1967 O Tempo e o Vento TV Excelsior colaborador Teixeira Filho
1967 Meu Filho, Minha Vida TV Tupi colaborador Walter George Durst
1967 O Morro dos Ventos Uivantes TV Excelsior colaborador Lauro César Muniz
1966
1967
O Anjo e o Vagabundo TV Tupi autor principal
1966 Somos Todos Irmãos TV Tupi autor principal

adaptação

Séries e Minisséries
Ano Trabalho Emissora Escalação Parceiros Titulares
2005 Mad Maria Rede Globo autor principal Edmara Barbosa

Edilene Barbosa

1977 Sítio do Picapau Amarelo Rede Globo autor principal Marcos Rey
Sylvan Paezzo

Wilson Rocha

Teatro[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

  • 1984 - O Filho Adotivo
  • 1983 - A Mulher, a Serpente e a Flor
  • 1979 - Mágoa de Boiadeiro
  • 1978 - Sábado Alucinante
  • 1978 - Amada Amante
  • 1975 - O dia que o Santo pecou (também produtor e assistente de direção)

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • 1962 - Eu sou Pelé
  • 2011 - Pelé - Primeiro Tempo

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Declaração sobre homossexuais[editar | editar código-fonte]

Em março de 2016, ao ser questionado durante a festa de lançamento da novela Velho Chico sobre o que o público quer assistir, Barbosa respondeu: "Odeio história de bicha. Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho um puta orgulho porque são tudo macho pra cacete". O novelista, entretanto, alegou que não é preconceituoso. "Não sou contra, não acho errado. O que acho é que quando eu tenho na mão 80 milhões assistindo minha novela, tenho que ter responsabilidade com as pessoas que estão me assistindo. Tenho que saber que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar, não sabem como colocar. Muita gente reclama disso para mim", afirma.[11]

Barbosa também acusa colegas autores de idealizarem personagens homossexuais. "O que não é justo é você transformar: só é normal o cara que é bicha, o que não é bicha não é normal. A mulher que é sapatona é perfeita, a que não é sapatona não é legal. É assim que estamos vivendo", disse.[11]

A declaração do autor causou repercussão entre a comunidade LGBT e em mídias sociais, sendo que o nome de Barbosa chegou aos trending topics do Twitter em 9 de março, com convocações de boicote à novela.[12] O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), conhecido por defender os direitos LGBT no Brasil, classificou as falas como "deselegantes, reacionárias e homofóbicas".[13]

Como resposta, a Rede Globo cogitou inicialmente um comunicado à imprensa onde dizia que "as declarações de Ruy Barbosa não refletiam a política da empresa",[14] mas optou-se por não se pronunciar em relação ao que foi dito.[15] Posteriormente, o canal acordou com o autor e sua família para não conceder entrevistas, a fim de evitar temas polêmicos que possam atrapalhar a divulgação da trama.[14]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Barbosa foi casado com Marilene Barbosa, uma atriz brasileira, esposa de Benedito Ruy Barbosa.[16] [17] [18] Protagonizou a peça teatral Socorro! Mamãe Foi Embora escrita por seu marido e dirigida por José Wilker, no papel de Amelinha contracenou com John Herbert, Guilhermina Guinle, Paulo de Almeida, Danton Mello e Oscar Magrini.[19] A aceitação da crítica não foi das melhores: dela, o crítico Nélson de Sá, da Folha de S. Paulo, chegou a dizer "sobre Marilene Barbosa, a protagonista, ainda não se pode dizer que seja propriamente uma atriz".[19] Marilene faleceu em 14 de agosto de 2014 em virtude de um câncer.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Flávio Ricco (15 de agosto de 2014). «Morre mulher do Benedito Ruy Barbosa, Marilene, em São Paulo». UOL Televisão. Consultado em 15 de agosto de 2014. 
  2. Globo (Outubro de 2006). «Benedito Ruy Barbosa». Consultado em 08 de maio de 2012. 
  3. Alberto Pereira Jr. (17 de julho de 2012). «Benedito Ruy Barbosa escreve série sobre cangaço». Folha de S. Paulo. Ilustrada. Consultado em 20 de abril de 2015. 
  4. Camila Gomes (23 de fevereiro de 2015). «Benedito Ruy Barbosa escreve novela sobre transposição do rio São Francisco». F5 - Colunistas. Consultado em 20 de abril de 2015. 
  5. Fernando Oliveira (01 de agosto de 2014). «Com o fim de ‘Meu Pedacinho de Chão’, Benedito Ruy Barbosa apresenta três novos projetos à Globo». R7. Mundo da TV. Consultado em 03 de agosto de 2014. 
  6. Flávio Ricco (02 de novembro de 2011). «Eriberto Leão deve ser o protagonista de "Velho Chico", de Benedito Ruy Barbosa, na Globo». UOL Televisão. Consultado em 03 de agosto de 2014. 
  7. Ricardo Feltrin (15 de março de 2012). «SBT ignora rivais e só lança nova programação em agosto». F5 - Colunistas. Consultado em 03 de agosto de 2014. «Leia o subtítulo O gato subiu no telhado 
  8. Carla Neves (17 de abril de 2014). «Benedito Ruy Barbosa faz 83 anos e lembra AVC: "Não morri porque sou ruim"». UOL Televisão. Consultado em 11 de agosto de 2014. 
  9. «Novela Velho Chico foi antecipada».  Texto "21h" ignorado (Ajuda)
  10. Folha F5- TV (22 de novembro de 2013). «Nova novela de Benedito Ruy Barbosa começa a ser gravada em Janeiro». Consultado em 30 de janeiro de 2014. 
  11. a b Jornal Extra (: ). «'Odeio história de bicha', diz Benedito Ruy Barbosa». Consultado em 9 de março de 2016. 
  12. Folha de S. Paulo, : (9 de março de 2016). «Denedito Ruy Barbosa dá declaração homofóbica em festa de 'Velho Chico' e gera boicote à novela». Consultado em 10 de março de 2016. 
  13. UOL, : (9 de março de 2016). «Wyllys classifica fala de Benedito Ruy Barbosa de reacionária e homofóbica». Consultado em 10 de março de 2016. 
  14. a b Fernando Oliveira (14 de março de 2016). «Globo proíbe Benedito Ruy Barbosa de dar entrevistas após declaração polêmica». Folha de S. Paulo. Consultado em 15 de março de 2016. 
  15. Cristina Padiglione (11 de março de 2016). «Globo não se manifesta sobre as 'histórias de bicha' que Benedito Ruy Barbosa odeia». Estadão. Consultado em 13 de março de 2016. 
  16. «Morre mulher do Benedito Ruy Barbosa, Marilene, em São Paulo». UOL. Consultado em 22 de novembro de 2014. 
  17. «A aventura de Marilene Barbosa». IstoÉ Gente. Consultado em 25 de novembro de 2014. 
  18. «Começar de novo». IstoÉ. 16 de maio de 2000. Consultado em 25 de novembro de 2014. 
  19. a b «Na peça "Socorro!", é o espectador quem grita». Folha de S.Paulo. 20 de maio de 2000. Consultado em 25 de novembro de 2014. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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