Benedito Ruy Barbosa

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Benedito Ruy Barbosa
Nascimento 17 de abril de 1931 (91 anos)
Gália, SP
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Marilene Leonor Barbosa (c. 1958; v. 2014)
Filho(a)(s)
Ocupação
Outras ocupações
Período de atividade 1959–2016; 2022
Principais trabalhos
Prêmios Lista

Benedito Ruy Barbosa OMC (Gália, 17 de abril de 1931) é um autor de telenovelas, escritor, dramaturgo, jornalista e publicitário brasileiro.[1] Chegou à dramaturgia com a peça Fogo Frio, encenada pelo Teatro de Arena de São Paulo. A estreia como autor de telenovelas se deu como Somos Todos Irmãos (1966), na TV Tupi, uma livre adaptação de A Vingança do Judeu, romance mediúnico da russa Vera Krijanóvscaia (1861–1924) atribuído ao espírito de John Wilmot, Segundo Conde de Rochester (1647–1680). Em seguida foi ao ar outra novela de sua autoria, O Anjo e o Vagabundo, um grande sucesso.

O tema mais constante nas novelas é a abordagem da vida rural e interiorana e cultura dos caboclos, bem como a imigração portuguesa no Brasil e a imigração italiana no Brasil, abordada em Os Imigrantes (1981), Vida Nova (1988), Terra Nostra (1999) e Esperança (2002), onde foi substituído por Walcyr Carrasco por problemas de saúde.

Outro grande sucesso foi exibido em 1990 na Rede Manchete, Pantanal, cuja sinopse foi recusada pela TV Globo, feito este que ocorreu também com Os Imigrantes, que acabou indo ao ar na Rede Bandeirantes. Até então, Benedito só havia escrito novelas para o horário das seis na emissora, à qual retornou três anos depois para escrever outro grande sucesso: Renascer (1993), que marcava a estreia do autor no horário nobre, abordando a crendice popular, feita também em Paraíso (1982), e a saga da história de uma família nos dias antigos e atuais, com O Rei do Gado (1996).

Carreira[editar | editar código-fonte]

Cinco antigos sucessos ganharam uma segunda versão: Cabocla (2004); baseada no romance homônimo de Ribeiro Couto; Sinhá Moça (2006); ambientada no século XIX adaptada do livro homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes; Paraíso (2009), as três adaptadas pelas filhas Edmara e Edilene Barbosa; Meu Pedacinho de Chão (2014), adaptada pelo próprio Benedito; e Pantanal (2022), adaptada pelo neto Bruno Luperi.

Os remakes Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006) estão entre os maiores sucessos do horário das 18:00 em nossa década, tendo atingido, ambas, uma média final superior a 36 pontos no Ibope. Cabe lembrar que o "trilho" do horário era de 30 pontos e hoje é de 25 pontos e que muitas novelas do horário não conseguem atingir esse patamar. Em 2014, ao término de Meu Pedacinho de Chão, Benedito entrega à direção da Rede Globo, quatro projetos inéditos, na qual consta, uma minissérie sobre Castro Alves; outra sobre o cangaço, intitulada O Cerco, na qual o autor pretendia contar com a parceria do diretor Luiz Fernando Carvalho, tentou emplacar a novela E Se Ele Voltar?, onde um grupo de pessoas viviam a expectativa – ou a realidade – da volta de Jesus Cristo à Terra, que retornaria à Terra e conviveria com as pessoas como um homem comum, com todos os defeitos próprios de um cidadão moderno, e a telenovela ambientada no Rio São Francisco intitulada Velho Chico, com Eriberto Leão cotado para o papel de protagonista.[2][3][4][5][6][7][8]

Algum tempo depois, sua telenovela Velho Chico é aprovada e a Globo decide exibi-la no horário das 21h, em substituição à telenovela A Regra do Jogo, para tentar recuperar audiência perdida por ela e sua antecessora, Babilônia. Maria Adelaide Amaral já havia escrito uma sinopse intitulada Sagrada Família, que depois ganhou o título de A Lei do Amor, e foi adiada para após o término de Velho Chico.[9]

Em 1983 sua novela Algemas de Ouro foi adaptada pela Televisão Nacional do Chile com o título de El Juego de la Vida; dirigida por Herval Rossano e protagonizada pela atriz brasileira Nívea Maria.

Antônio Fagundes, Raul Cortez, Patrícia Pillar, Marcos Palmeira, Ana Paula Arósio, Maria Fernanda Cândido, Carlos Vereza, Osmar Prado, Mauro Mendonça, Rubens de Falco, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Luciana Braga, Reginaldo Faria, Cosme dos Santos, Chica Xavier, Roberto Bonfim, Regina Dourado, John Herbert, Gésio Amadeu, Marcos Winter, Jackson Antunes, Oscar Magrini, Leila Lopes, Vanessa Giacomo, Danton Mello e Eriberto Leão costumam ser escalados em boa parte de suas novelas.

Benedito Ruy Barbosa tem boas ligações com o futebol, sendo, inclusive, conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Barbosa foi casado com Marilene Barbosa, uma atriz brasileira.[10][11][12] Esta protagonizou a peça teatral Socorro! Mamãe Foi Embora escrita por seu marido e dirigida por José Wilker, no papel de Amelinha, ela contracenou com John Herbert, Guilhermina Guinle, Paulo de Almeida, Danton Mello e Oscar Magrini.[13] A aceitação da crítica não foi das melhores: dela, o crítico Nélson de Sá, da Folha de S. Paulo, chegou a dizer "sobre Marilene Barbosa, a protagonista, ainda não se pode dizer que seja propriamente uma atriz".[13] Marilene faleceu em 14 de agosto de 2014 em virtude de um câncer.[14]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Telenovelas[editar | editar código-fonte]

Título Ano Creditado como Emissora
Autor principal Colaborador Supervisor de texto
Somos Todos Irmãos 1966
Sim
TV Tupi
O Anjo e o Vagabundo
O Morro dos Ventos Uivantes 1967
Sim
TV Excelsior
Meu Filho, Minha Vida TV Tupi
O Tempo e o Vento TV Excelsior
O Décimo Mandamento 1968
Sim
TV Tupi
A Última Testemunha Record TV
Algemas de Ouro 1969
Simplesmente Maria 1970 TV Tupi
Meu Pedacinho de Chão 1971 TV Globo
Jerômino, o Herói do Sertão 1972 Diretor geral TV Tupi
O Feijão e o Sonho 1976
Sim
TV Globo
À Sombra dos Laranjais 1977
Cabocla 1979
Pé de Vento 1980 Bandeirantes
Os Imigrantes 1981
Paraíso 1982 TV Globo
Voltei pra Você 1983
De Quina pra Lua 1985
Sim
Sinhá Moça 1986
Sim
Vida Nova 1988
Pantanal 1990 Rede Manchete
Renascer 1993 TV Globo
O Rei do Gado 1996
Terra Nostra 1999
Esperança 2002
Cabocla 2004
Sinhá Moça 2006
Paraíso 2009
Meu Pedacinho de Chão 2014
Velho Chico 2016
Pantanal 2022
Sim
O Arroz de Palma 2023 Criação de argumento

Séries e minisséries[editar | editar código-fonte]

Título Ano Creditado como Emissora
Autor principal Criação de argumento
Sítio do Picapau Amarelo 1977
Sim
TV Globo
Fogo Frio 1981
Sim
TV Cultura
Mad Maria 2005
Sim

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ano Título Função Ref.
1975 O Dia Que o Santo Pecou Argumento, roteiro, diálogos, produção e assistência de direção [15]
1978 Amada Amante Argumento e roteiro [16]
1978 Sábado Alucinante Diálogos [17]
1979 Mágoa de Boiadeiro Argumento e roteiro [18]
1983 O Orgasmo da Serpente Argumento e roteiro [19]
1984 O Filho Adotivo Argumento e roteiro [20]

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1959 - Fogo Frio
  • 1979 - Fogo na Terra

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • 1962 - Eu Sou Pelé (Editora: Paulo de Azedo)
  • 2011 - Primeiro Tempo (Editora: Magma Cultural; ISBN 9788598230245)

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em março de 2016, ao ser questionado durante a festa de lançamento da novela Velho Chico sobre o que o público quer assistir, Barbosa respondeu: "Odeio história de bicha. Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho um puta orgulho porque são tudo macho pra cacete". O novelista, entretanto, alegou que não é preconceituoso. "Não sou contra, não acho errado. O que acho é que quando eu tenho na mão 80 milhões assistindo minha novela, tenho que ter responsabilidade com as pessoas que estão me assistindo. Tenho que saber que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar, não sabem como colocar. Muita gente reclama disso para mim", afirma.[21]

Barbosa também acusa colegas autores de idealizarem personagens homossexuais. "O que não é justo é você transformar: só é normal o cara que é bicha, o que não é bicha não é normal. A mulher que é sapatona é perfeita, a que não é sapatona não é legal. É assim que estamos vivendo", disse.[21]

A declaração do autor causou repercussão entre a comunidade LGBTQIA+ e em mídias sociais, sendo que o nome de Barbosa chegou aos trending topics do Twitter em 9 de março, com convocações de boicote à novela.[22] O ex-deputado federal Jean Wyllys, conhecido por defender os direitos LGBTQIA+ no Brasil, classificou as falas como "deselegantes, reacionárias e homofóbicas".[23]

Como resposta, a Rede Globo cogitou inicialmente um comunicado à imprensa onde dizia que "as declarações de Ruy Barbosa não refletiam a política da empresa",[24] mas optou-se por não se pronunciar em relação ao que foi dito.[25] Posteriormente, o canal acordou com o autor e sua família para não conceder entrevistas, a fim de evitar temas polêmicos que possam atrapalhar a divulgação da trama.[24]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Ano Premiação Categoria Trabalho Resultado Ref.
1997 Prêmio Contigo! de TV Melhor autor de novela O Rei do Gado Venceu
2003 Esperança Venceu
2006 International Emmy Award Melhor série dramática Sinhá Moça Indicado
2014 Prêmio Quem Melhor autor de televisão Meu Pedacinho de Chão Venceu [26]
2017 International Emmy Award Melhor telenovela Velho Chico Indicado

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Benedito Ruy Barbosa». Memória Globo. Globo.com. Consultado em 4 de fevereiro de 2020 
  2. Pereira Jr., Alberto (17 de julho de 2012). «Benedito Ruy Barbosa escreve série sobre cangaço». Ilustrada. Folha de S. Paulo. Consultado em 20 de abril de 2015 
  3. Gomes, Camila (23 de fevereiro de 2015). «Benedito Ruy Barbosa escreve novela sobre transposição do rio São Francisco». F5 - Colunistas. Folha de S. Paulo. Consultado em 20 de abril de 2015 
  4. Oliveira, Fernando (1 de agosto de 2014). «Com o fim de 'Meu Pedacinho de Chão', Benedito Ruy Barbosa apresenta três novos projetos à Globo». Mundo da TV. R7. Consultado em 3 de agosto de 2014 
  5. Ricco, Flávio (2 de novembro de 2011). «Eriberto Leão deve ser o protagonista de "Velho Chico", de Benedito Ruy Barbosa, na Globo». UOL Televisão. Consultado em 3 de agosto de 2014 
  6. Feltrin, Ricardo (15 de março de 2012). «SBT ignora rivais e só lança nova programação em agosto». F5 - Colunistas. Folha de S. Paulo. Consultado em 3 de agosto de 2014 
  7. Neves, Carla (17 de abril de 2014). «Benedito Ruy Barbosa faz 83 anos e lembra AVC: "Não morri porque sou ruim"». UOL Televisão. Consultado em 11 de agosto de 2014 
  8. CASTRO, Daniel (22 de junho de 2015). «Novela 'bíblica' sobre renascimento de Jesus Cristo racha a Globo». Notícias da TV. Consultado em 2 de abril de 2022 
  9. «Novela Velho Chico foi antecipada|21h» 
  10. «Morre mulher do Benedito Ruy Barbosa, Marilene, em São Paulo». UOL. Consultado em 22 de novembro de 2014 
  11. «A aventura de Marilene Barbosa». IstoÉ Gente. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  12. «Começar de novo». IstoÉ. 16 de maio de 2000. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  13. a b «Na peça "Socorro!", é o espectador quem grita». Folha de S.Paulo. 20 de maio de 2000. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  14. Ricco, Flávio (15 de agosto de 2014). «Morre mulher do Benedito Ruy Barbosa, Marilene, em São Paulo». UOL Televisão. Consultado em 15 de agosto de 2014 
  15. «O Dia Que o Santo Pecou». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  16. «Amada Amante». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  17. «Sábado Alucinante». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  18. «Mágoa de Boiadeiro». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  19. «O Orgasmo da Serpente». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  20. «O Filho Adotivo». Cinemateca Brasileira. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  21. a b Jornal Extra (ed.). «'Odeio história de bicha', diz Benedito Ruy Barbosa». Consultado em 9 de março de 2016 
  22. Folha de S. Paulo, ed. (9 de março de 2016). «Denedito Ruy Barbosa dá declaração homofóbica em festa de 'Velho Chico' e gera boicote à novela». Consultado em 10 de março de 2016 
  23. UOL, ed. (9 de março de 2016). «Wyllys classifica fala de Benedito Ruy Barbosa de reacionária e homofóbica». Consultado em 10 de março de 2016 
  24. a b Fernando Oliveira (14 de março de 2016). «Globo proíbe Benedito Ruy Barbosa de dar entrevistas após declaração polêmica». Folha de S. Paulo. Consultado em 15 de março de 2016 
  25. Cristina Padiglione (11 de março de 2016). «Globo não se manifesta sobre as 'histórias de bicha' que Benedito Ruy Barbosa odeia». O Estado de S. Paulo. Consultado em 13 de março de 2016 
  26. «Prêmio QUEM 2014: Conheça os vencedores na categoria TV». Revista Quem. 19 de março de 2015. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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