Rubem Fonseca

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Nome completo José Rubem Fonseca
Nascimento 11 de maio de 1925 (92 anos)
Juiz de Fora,  Minas Gerais
Residência Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Escritor
Principais trabalhos Agosto, O Caso Morel, O Selvagem da Ópera
Prémios Prémio Jabuti (1970), (1984), (1993)

Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1979, 2000)
Gold Medal.svg Prémio Camões 2003
Prémio Casa de las Américas (2005)
Prêmio ABL de Ficção romance teatro e conto (2007) Prémio Machado de Assis (2015)

José Rubem Fonseca (Juiz de Fora, 11 de maio de 1925) é um contista, romancista, ensaísta e roteirista brasileiro. Ele precisou publicar dois ou três livros para ser consagrado como um dos mais originais prosadores brasileiros contemporâneos. Com suas narrativas velozes e sofisticadamente cosmopolitas, cheias de violência, erotismo, irreverência e construídas em estilo contido, elíptico, cinematográfico, reinventou entre nós uma literatura noir', ao mesmo tempo clássica e pop, brutalista e sutil.

É formado em Direito, tendo exercido várias atividades antes de dedicar-se inteiramente à literatura. Em 2003, venceu o Prémio Camões,[1] o mais prestigiado galardão literário para a língua portuguesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1925. É filho de portugueses transmontanos, emigrados para o Brasil. Reside desde a infância no Rio de Janeiro.[2]
Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 31 de dezembro de 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos fatos vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados em seus livros. Aluno brilhante da Escola de Polícia, não demonstrava, então, pendores literários. Ficou pouco tempo nas ruas. Foi, na maior parte do tempo em que trabalhou, até ser exonerado em 6 de fevereiro de 1958, um policial de gabinete. Cuidava do serviço de relações públicas da polícia.

Na Escola de Polícia destacou-se em Psicologia. Em julho de 1954 recebeu uma licença para estudar e depois dar aulas desta disciplina na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Contemporâneos de Rubem Fonseca dizem que, naquela época, os policiais eram mais juízes de paz, apartadores de briga, do que autoridades. Rubem Fonseca via, debaixo das definições legais, as tragédias humanas e conseguia resolvê-las. Nesse aspecto, afirmam[quem?], ele era admirável. Escolhido, com mais nove policiais cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre setembro de 1953 e março de 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura.

Apoiou o golpe militar de 1964, foi um dos roteiristas contratados pelo IPES .

Em 1976, um de seus livros mais importantes, Feliz Ano Novo, foi proibido de circular e de ser publicado, após decisão do então Ministro da Justiça, Armando Falcão, em 15 de dezembro daquele ano. A alegação seria de que a obra conteria matéria "contrária à moral e aos bons costumes"[3]. Sobre esse episódio, o então secretário-geral do Ministério da Educação e posteriormente Ministro da Educação no governo Geisel, Euro Brandão, em ofício ao Ministro da Justiça afirmou que "quanto ao livro "Feliz Ano Novo", de autoria de Rubem Fonseca, aprovou-se solicitação a V. Exa. para que faça sentir ao Senhor Ministro da Justiça o nosso aplauso pela providência adotada contra essa obra realmente representativa da obscenidade literária em nosso País"[4].

Em 20 de julho de 1978, o então presidente da representação em Brasília da Associação Brasileira de Imprensa, Pompeu de Sousa, protestou ao diretor geral do Departamento da Polícia Federal, coronel Moacir Coelho, contra a proibição de outra obra de Rubem Fonseca, dessa vez o conto "O Cobrador", vencedor do Prêmio Status de Literatura Brasileira 1978. Afirmou Pompeu de Sousa: "Ninguém ignora que Rubem Fonseca é um dos escritores mais importantes da literatura brasileira contemporânea, já antes atingido por outra medida de obscurantismo, com a apreensão de seu livro "Feliz Ano Novo", o que, aliás, constitui objeto de ação judicial que o autor move presentemente contra o Ministro da Justiça. Igualmente notório é o alto valor intelectual da comissão julgadora do referido concurso, composta pelos escritores Antônio Houaiss, Ferreira Gullar e Gilberto Mansur, cujo trabalho, nesse particular, consistiu na leitura e seleção de cerca de dois mil contos. Trata-se - deve ser acentuado, ainda - de um prêmio que, pelo seu valor monetário, representa um dos poucos exemplos de estimulo material à produção literária, no Brasil. O ato da Censura - ainda mais tendo em vista que repete proibição idêntica contra o conto vitorioso em concurso semelhante, no ano anterior, de mesma revista, dessa vez da autoria de outro mestre do gênero,o escritor Dalton Trevisan - pode determinar uma retração da parte da editora prejudicada, como de outras, no sentido de manter ou estender tão louvável empreendimento. Por todas estas razões, Vossa Senhoria há de concordar que medidas dessa natureza contrapõem-se, na verdade, aos interesses nacionais, na defesa dos quais essa Representação da ABI aqui manifesta o seu protesto, assim como a expectativa de que, de futuro, não venham a repetir-se"[5]

Reconhecidamente uma pessoa que, como Dalton Trevisan, adora o anonimato, é descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor.

As obras de Rubem Fonseca geralmente retratam, em estilo seco e direto, a luxúria e a violência urbana, em um mundo onde marginais, assassinos, prostitutas, miseráveis e delegados se misturam. A história através da ficção é também uma marca de Rubem Fonseca, como nos romances Agosto (seu livro mais famoso) em que retratou as conspirações que resultaram no suicídio de Getúlio Vargas, e em O Selvagem da Ópera em que retrata a vida de Carlos Gomes, ou ainda A Cavalaria Vermelha, livro de Isaac Babel retratado em Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos.

Criou, para protagonizar alguns de seus contos e romances, um personagem antológico: o advogado Mandrake, mulherengo, cínico e imoral, além de profundo conhecedor do submundo carioca. Mandrake foi transformado em série para a rede de televisão HBO, com roteiros de José Henrique Fonseca, filho de Rubem, e o ator Marcos Palmeira no papel-título.

É viúvo de Théa Maud e tem três filhos: Maria Beatriz, José Alberto e o cineasta José Henrique Fonseca.

Obras[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Contos[editar | editar código-fonte]

  • Os prisioneiros (1963)
  • A coleira do cão (1965)
  • Lúcia McCartney (1969)
  • O homem de fevereiro ou março (1973)
  • Feliz Ano Novo (1975)
  • O cobrador (1979)
  • Romance negro e outras histórias (1992)
  • O buraco na parede (1995)
  • Histórias de amor (1997)
  • A confraria dos espadas (1998)
  • Secreções, excreções e desatinos (2001)
  • Pequenas criaturas (2002)
  • 64 Contos de Rubem Fonseca (2004)
  • Ela e outras mulheres (2006)
  • Axilas e Outras Histórias Indecorosas (2011)
  • Amálgama (2013)
  • Histórias Curtas (2015)
  • Calibre 22 (2017)

Outros[editar | editar código-fonte]

  • O romance morreu (crônicas, 2007)

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Prêmio Camões de Literatura». Brasil: Fundação Biblioteca Nacional. Cópia arquivada em 16 de Março de 2016 
  2. Fonseca, R. (1990). Agosto, Editora Planeta, pág. 2.
  3. «Arquivo Nacional». FUNDO: Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça - BR_RJANRIO_TT, arquivo BR_RJANRIO_TT_0_MCP_PRO_0695_d0001de0001.pdf 
  4. «Arquivo Nacional». FUNDO: Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça - BR_RJANRIO_TT, arquivo: BR_RJANRIO_TT_0_MCP_PRO_0757_d0001de0001.pdf 
  5. «Arquivo Nacional». FUNDO: Divisão de Censura de Diversões Públicas - BR_DFANBSB_NS, arquivo:BR_DFANBSB_NS_AGR_COF_MSC_0133_d0001de0001.pdf 
  6. «Prêmio Jabuti 1970». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 
  7. «Prêmio Jabuti 1984». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 
  8. «Prêmio Jabuti 1996». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 
  9. «Prêmio Jabuti 2002». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 
  10. «Prêmio Jabuti 2003». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 
  11. «Prêmio Jabuti 2014». Prêmio Jabuti 2015. Consultado em 1 de janeiro de 2016 

Bibliografia crítica[editar | editar código-fonte]

  • BARROS, Fellipe Ernesto. Do repugnante ao belo: o excremento como sublime em Copromancia, de Rubem Fonseca. Monografia (Trabalho de conclusão de curso), UFAL, Maceió, 2010.
  • JESUS, Manuela Sena de. De amor e dor: Eros e Thanatos em contos de Rubem Fonseca. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira), UEFS, Feira de Santana, 2005.
  • MEDEIROS, Leonardo Barros. A representação do real em Rubem Fonseca: Agosto entre o histórico e o policial. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas), UFRJ, Rio de Janeiro, 2013.
  • MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. "O mago artificial", in O Estudante do Coração. Rio de Janeiro: Quártica, 2010.
  • PEREIRA, Francisco Afrânio Câmara. Por dentro da cidade: solidão e marginalidade em Rubem Fonseca. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem), UFRN, Natal, 2011.
  • PEREIRA, Francisco Afrânio Câmara. Livro de ocorrências: caminhos do amor e do ódio na obra de Rubem Fonseca. Dissertação (Mestrado em Letras), UFPB, João Pessoa, 1997.
  • PETROV, Petar Dimitrov. O Realismo na Ficção de José Cardoso Pires e Rubem Fonseca. Lisboa: Algés, 2000.
  • POLESSA, Maria Luiza de Castro. Rubem Fonseca: Retratos e Conversas. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1986.
  • SANTOS, Rosa Maria dos. O Conto Policial em Poe e Rubem Fonseca. Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto, 1998.
  • SILVERMAN, Malcolm. "Rubem Fonseca", págs. 261-277, in Moderna Ficção Brasileira 2. Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/MEC, 1981.
  • SILVA, Deonísio da. Rubem Fonseca. Coleção Perfis do Rio. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/Rio Arte, 1996.
  • TELLO Garrido, Romeo. La Violencia como Estética de la Misantropia. Cuatro Acercamientos a la Obra de Rubem Fonseca. México, 1993.
  • VÁLIO, Simone Cristina. Embates na arena de papel: o "jogo" narrativo dos contos de Rubem Fonseca. 2008. 227 p. Tese (Doutorado em Teoria e História Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp, 2008.
  • VIEGAS, Ana Cristina Coutinho. Campos Recepcionais na Obra de Rubem Fonseca. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1998.
  • VIEIRA, Nelson H. An ‘Uncanny’ Vision of Art and Reality in Brazil: Rubem Fonseca’s Bufo & Spallanzani. Brown University, /n/d/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Rubem Fonseca
Precedido por
Maria Cecilia Caldeira
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Contos /Crônicas /Novelas
1970
Sucedido por
Ricardo Ramos
Precedido por
José J. Veiga
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Romance
1984
Sucedido por
João Ubaldo Ribeiro


Precedido por
Dalton Trevisan, Regina Rheda e Victor Giudice
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Contos
1996
Sucedido por
Marina Colasanti, Silviano Santiago e Antônio Carlos Villaça
Precedido por
Fernando Sabino
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Contos e Crônicas
2003
Sucedido por
Sergio Sant’Anna
Precedido por
Maria Velho da Costa
Prêmio Camões
2003
Sucedido por
Agustina Bessa-Luís