Adonias Filho

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Adonias Filho
Nome completo Adonias Aguiar Filho
Nascimento 27 de novembro de 1915
Itajuípe, Bahia, Brasil
Morte 2 de agosto de 1990 (74 anos)
Ilhéus, Bahia, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Ocupação jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista
Prêmios Prémio Jabuti 1975
Magnum opus Jornal de um escritor

Adonias Aguiar Filho (Itajuípe, 27 de novembro de 1915Ilhéus, 2 de agosto de 1990) foi um integralista,[1] jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras.

Suas obras foram traduzidas para o inglês, o alemão, o espanhol, o francês e o eslovaco.[carece de fontes?]

Vida[editar | editar código-fonte]

Nasceu em 27 de novembro de 1915, filho de Adonias Aguiar e de Rachel Bastos de Aguiar, em Itajuípe, antigo Pirangi, vila que pertencia ao município de Ilhéus, no sul da Bahia.[2]

No ano de 1934, conclui o curso secundário no Ginásio Ipiranga, em Salvador.[2] Participou da Ação Integralista Brasileira.[3]

Em 1936, mudou-se para o Rio de Janeiro, na época capital do Brasil, onde retomou a carreira jornalística, iniciada em Salvador. Colaborou com o jornal Correio da Manhã e atuou como crítico literário no jornal A Manhã, recém-fundado por Cassiano Ricardo, em 1937. No mesmo ano, publicou o livro Renascimento do Homem, baseado na doutrina integralista.[3] Em 1938 colabora em O Jornal, dos Diários Associados (Rio), e traduz O Pântano do Diabo, de George Sand, A Família Bronte, de Robert de Traz, e também trabalha na tradução de três romances de Jacob Wassermann: Galovin, Gaspar Hauser e O Processo Maurizius, em colaboração com Otávio de Faria.[2] Entre 1939 e 1940, atua como crítico literário nos Cadernos da Hora Presente, revista integralista fundada por Tasso da Silveira.[3] Nos anos de 1944 e 1945, em São Paulo, colaborou também com O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã. Além disso, colaborou no Jornal de Letras (1955 a 1960) e no Diário de Notícias (1958 a 1960).[carece de fontes?]

Casa-se com Rosa Galeano em 1945. Em 1948, nasce a filha Raquel, e dois anos depois o filho, Adonias Neto.[2]

Adonias Filho (a direita) com os colegas Gabriel García Márquez (ao centro), e Jorge Amado (a esquerda).

Entre os anos de 1946 a 1950, dirigiu a editora A Noite. Estreia como romancista em 1946, publicando Os Servos da Morte, pela Editora José Olympio. Em 1950, candidata-se a deputado federal pela União Democrática Nacional. Sobre isso, Carlos Antônio de Azeredo Filho escreveu, no Diário da Manhã: “Quanto ao romancista Adonias Filho, não abandonou o Integralismo. [...] Há anos fora da Bahia, voltado mais para as coisas do espírito, aceitou um lugar que a UDN lhe ofereceu em sua chapa à deputação federal pelo seu Estado natal, sem prejuízo dos seus velhos compromissos com o movimento integralista, ao qual ficou ligado para sempre desde a adolescência”.[4][5] Em 1952, as Edições O Cruzeiro publicam seu romance Memórias de Lázaro.[2]

Foi diretor do Serviço Nacional de Teatro em 1954 e diretor da Biblioteca Nacional entre 1961 e 1971. Ainda como diretor, trabalhou na Agência Nacional do Ministério da Justiça. Publica, em 1962, pela Editora Civilização Brasileira seu terceiro romance, Corpo Vivo, sucesso de crítica, que despertou os primeiros estudos sobre sua obra.[2]

Adonias Filho (à esquerda) com os amigos Rachel de Queiroz (ao centro), e Gilberto Freyre (a direita).

Apoiou o golpe militar de 1964.[3] Amigo de Golbery do Couto e Silva, foi cogitado por este para assumir um cargo no seu governo, caso ele fosse nomeado interventor na Guanabara, em 1965, o que não aconteceu.[6] Em 14 de janeiro de 1965, foi eleito para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, publica o romance O Forte. Foi agraciado com a Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador, no Corpo de Graduados Especiais.[2]

Adonias Filho próximo a costa de Luanda, na África

No ano de 1966 foi eleito vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, e, no ano seguinte, participou do II Congresso das Comunidades de Cultura Portuguesa, em Moçambique, na África, como convidado do governo português. Visita os Estados Unidos. É neste ano também que torna-se membro do Conselho Federal de Cultura, sendo reconduzido em 1969, 1971 e 1973. Foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa em 1972 e presidente do Conselho Federal de Cultura de 1977 até 1990, ano de sua morte.[2]

Com a novela Léguas da Promissão, novela, recebe o Prêmio Paula Brito, em 1968. Conquista também o Golfinho de Ouro de Literatura, prêmio patrocinado pelo Museu da Imagem e do Som da Guanabara.[2] Com este mesmo trabalho, em 1969, é premiado pela Fundação Educacional do Paraná.

No ano de 1969, publica o livro de ensaios O Romance Brasileiro. Dois anos depois, publica Luanda Beira Bahia, primeiro romance em nossas letras com o cenário caracterizado em três latitudes.[2]

Seu primeiro livro para crianças, Notas de Cem, é publicado em 1973. Desde então, nos seus últimos anos, parte importante de sua produção literária foi dedicada às crianças e jovens.[4] Em 1975 lança As Velhas, que é considerado obra-prima pela crítica, e lhe rende o Prêmio Jabuti. Em 1976, publica o ensaio Sul da Bahia: Chão do Cacau. A Civilização Brasileira, em 1978, edita Fora da Pista, novela para o público infantil.[2]

Recebendo o título de "Doutor Honoris Causa" pela UFBA, 1983

Para comemorar o Centenário de Ilhéus, em 1981, publica o Auto dos Ilhéus e O Largo da Palma, contos e novelas. Em 1983 recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia, e também publica Noite sem Madrugada, romance policial, com cenas, situações e episódios que acontecem no Rio. Em 1985, é publicado Um Coquinho de Dendê, destinado ao leitor infantil. Publica, em 1987, O Homem de Branco, biografia romanceada de Jean-Henri Dumont, o suíço fundador da Cruz Vermelha. Os Bonecos de Seu Pope (1989), literatura infantil, têm seus direitos autorais definitivamente vendidos em 1990 às Edições de Ouro, para custeio da doença da esposa Rosa Galeano, que vem a falecer.[2]

Faleceu sua fazenda Aliança, em Inema (sul da Bahia), em 2 de agosto de 1990, logo depois de perder sua esposa.[carece de fontes?]

A novela juvenil O Menino e o Cedro é publicada pela editora FTD, em 1993, em edição póstuma.[2]

Estilo[editar | editar código-fonte]

A utilização de recursos altamente originais e requintados, adaptados à violência interior de seus personagens, faz de Adonias Filho um integrante do grupo de escritores que, a partir de 1945, a terceira fase do Modernismo, se inclinaram para um retorno a certas disciplinas formais, preocupados em realizar a sua obra, por um lado, mediante uma redução à pesquisa formal e de linguagem e, por outro, em ampliar sua significação do regional para o universal. Seus romances e novelas serão sempre destaque na literatura de ficção brasileira contemporânea.[carece de fontes?]

No centro das obras de Adonias Filho, está uma concepção original da literatura. Ele combatia o que chamava de "tradição antiga da narrativa direta e objetiva de episódios", "responsável pelo excesso de detalhes e de pormenores inúteis, de movimento lerdo, de focalização paisagística sempre fatigante". Segundo ele, o romance deve ter três pilares: o conteúdo sociológico, a investigação psicológica e a manifestação metafísica. Longe de apenas relatar os fatos, a ficção deveria descer ao plano interno da ação da personagem, à sua movimentação mental (o solilóquio, o monólogo, o jogo de raciocínio), evidenciando-a na sua "discussão interior" e de acordo com as reações, condutas, estado emocional e a caracterização dos comportamentos individuais. Ao mesmo tempo, era necessário um sentido metafísico, de modo a delinear a decifração apocalíptica da carne, a dramática imersão para atingir as raízes do coração humano e o uso da liberdade. Para poder realizar corretamente esses objetivos, o romancista deveria, à semelhança do artista plástico, ser metódico e obstinado no aperfeiçoamento técnico, preocupando-se com a forma, o equilíbrio e a proporção. Com o tempo, a concepção de Adonias tornou-se mais popular e regionalista, defendendo o que chamava de "provincialismo" e o contato mais profundo com o povo brasileiro. Para ele, os literatos deveriam ser considerados "intérpretes da cultura", pois através de suas obras a nação buscaria a compreensão de si, como em um espelho.[7]

Na obra romanesca de Adonias Filho, a realidade da zona cacaueira da Bahia, onde nasceu e cresceu, serviu-lhe para recriar um mundo carregado de simbolismo, nos episódios e nos personagens, encarnando um sentido trágico da vida e do mundo. Desenvolveu recursos altamente originais e requintados, adaptados à violência interior de seus personagens. É o criador de um mundo trágico e bárbaro, varrido pela violência e mistério e por um sopro de poesia.[8]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Renascimento do homem - ensaio (1937)
  • Tasso da Silveira e o tema da poesia eterna - ensaio (1940)
  • Servos da Morte - romance (1946)
  • Memórias de Lázaro - romance (1952)
  • Jornal de um escritor (1954)
  • Modernos ficcionistas brasileiros - ensaio (1958)
  • Cornélio Pena - crítica (1960)
  • Corpo vivo - romance (1962)
  • Modernos ficcionistas brasileiros, 2ª série - ensaio (1962)
  • História da Bahia - ensaio (1963)
  • O bloqueio cultural - ensaio (1964)
  • O forte - romance (1965)
  • Léguas da promissão - novelas (1968)
  • O romance brasileiro de crítica - crítica (1969)
  • Luanda Beira Bahia - romance (1971)
  • O romance brasileiro de 30 - crítica (1973)
  • Uma nota de cem - literatura infantil (1973)
  • As velhas - romance (1975)
  • Fora da pista - literatura infantil (1978)
  • O Largo da Palma - novelas (1981)
  • Auto de Ilhéus - teatro (1981)
  • Noites sem madrugada - romance (1983)
  • Os bonecos de Seu Pope - literatura infantil (1989).

Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Adonias Filho (a esq.) toma posse na Academia Brasileira de Letras, 1965

Adonias Filho foi consagrado com o título de imortal pela Academia Brasileira de Letras em 14 de janeiro de 1965. Recebeu em 23 de maio de 1969 a posse da cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras pelas mãos do acadêmico Jorge Amado.[carece de fontes?]

É o quinto ocupante da cadeira 21, que tem por patrono Joaquim Serra.[carece de fontes?]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Adonias Filho conquistou os seguintes prêmios:[carece de fontes?]

Referências

  1. Dantas 2010, p. 64.
  2. a b c d e f g h i j k l m Filho, Adonias (2011). Mattos, Cyro de (organização, prefácio e notas), ed. Histórias dispersas de Adonias Filho (PDF). Ilhéus: Editus. 150 páginas. ISBN 978-85-7455-254-5 
  3. a b c d DANTAS, Robson Norberto (2010). Entre a arte, a história e a política: Itinerários e representações da “ficção brasiliana” e da nação brasileira em Adonias Filho (1937-1976) (PDF). Campinas: Universidade Estadual de Campinas 
  4. a b CORREIA, Ana Lúcia Merege (7 de dezembro de 2021). «Literatura | Adonias Filho, grapiúna». Biblioteca Nacional Digital. Consultado em 25 de junho de 2022 
  5. Carlos Antônio de Azeredo Filho. Um "bucho" contra o Integralismo. Diário da Manhã (Recife) n° 164, 1° de novembro de 1950, p. 4.
  6. Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Derrotada 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. p. 173. 544 páginas. ISBN 978-85-8057-432-6 
  7. DANTAS, Robson Norberto (25 de janeiro de 2018). «Adonias Filho: itinerários e representações políticas». Universidade Estadual de Santa Catarina. Caderno de Ciências Humanas. 17 (31). Consultado em 25 de junho de 2022 
  8. Adonias Filho | Biografia. Academia Brasileira de Letras. Acesso em 25 de junho de 2022.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Álvaro Moreira
ABL - quinto acadêmico da cadeira 21
1965 — 1990
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Dias Gomes
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Lygia Fagundes Telles
Prêmio Jabuti - Romance
1975
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Ivan Ângelo