Ferreira Gullar

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Editado pela última vez em 7 de dezembro de 2016.

Ferreira Gullar Academia Brasileira de Letras
Nome completo José Ribamar Ferreira
Nascimento 10 de setembro de 1930
São Luís, Maranhão
Morte 4 de dezembro de 2016 (86 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileiro
Progenitores Mãe: Alzira Goulart
Pai: Newton Ferreira
Ocupação Poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta
Prêmios Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1976)

Prémio Machado de Assis (2005)
Prêmio Camões (2010)

Magnum opus Poema Sujo (1976)
Assinatura
Assinatura de Ferreira Gullar.gif

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de setembro de 1930Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016[1]), foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo[2]. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada por Ivan Junqueira,[3][4] da qual tomou posse em 5 de dezembro de 2014.[5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ferreira Gullar nasceu em São Luís, em 10 de setembro de 1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. É um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.[2]

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome".[6]

Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, José Sarney e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores. Até sua morte, muitos o consideravam o maior poeta vivo do Brasil e não seria exagero dizer que, durante suas seis décadas de produção artística, Ferreira Gullar passou por todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira e participou deles.[7]

Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os.[2]

Em 1956 participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta, tendo se afastado desta em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.[2] Posteriormente, ainda no início dos anos de 1960, se afastará deste grupo também, por concluir que o movimento levaria ao abandono do vínculo entre a palavra e a poesia, passando a produzir uma poesia engajada e envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPCs).[8]

Em 2014, ele foi considerado um imortal na Academia Brasileira de Letras.[5]

Ferreira Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro em decorrência de vários problemas respiratórios[9] que culminaram em uma pneumonia. O velório do escritor foi realizado inicialmente na Biblioteca Nacional[10], pois esse era um desejo de Gullar. Dali, o corpo foi levado em um cortejo fúnebre até a Academia Brasileira de Letras[11] no Rio de Janeiro. Uma semana antes de morrer, Ferreira Gullar pediu à filha Luciana para que o levasse até a Praia de Ipanema[10]. O enterro foi no Cemitério de São João Batista em Botafogo no Rio. Gullar ocupava a trígésima sétima cadeira da ABL[12].

Militância política[editar | editar código-fonte]

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que "bacharelou em subversão" em Moscou durante o seu exílio, mas que ao longo do tempo e devido a certos fatos históricos, se desiludiu do socialismo, sustentando em 2014 que o socialismo não fazia mais sentido, pois fracassou.[13]

(...) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.
 
Ferreira Gullar[14].

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de S. Paulo no ano de 2005. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.[15]

Foi agraciado com o Prêmio Camões em 2010.[16]

Em 15 de outubro de 2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris causa, na Faculdade de Letras da UFRJ.

Em Imperatriz, ganhou em sua homenagem o teatro Ferreira Gullar.

Em 1999 é inaugurada em São Luís a Avenida Ferreira Gullar.

Em 20 de outubro de 2011, ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia[17] Em Alguma Parte Alguma, que foi considerado "O Livro do Ano" de ficção.[18]

Em 2011, a obra Poema Sujo inspirou a vídeo instalação Há muitas noites na noite, dirigida por Silvio Tendler. Em 2015, o poema inspirou uma série documental, também denominada: "Há muitas noites na noite", com sete episódios com 26 minutos cada, exibida na TV Brasil entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, também dirigida por Silvio Tendler[19] [20] [21][22]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Poesia
Antologias
  • Antologia Poética, 1977
  • Toda poesia, 1980
  • Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981
  • Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983
  • Poemas escolhidos, 1989
Contos e crônicas
  • Gamação, 1996
  • Cidades inventadas, 1997
  • Resmungos, 2007
Teatro
  • Um rubi no umbigo, 1979
Crônicas
  • A estranha vida banal, 1989
  • O menino e o arco-íris, 2001
Memórias
  • Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998
Biografia
Literatura infantil
  • Zoologia bizarra, 2011
Ensaios
  • Teoria do não-objeto, 1959
  • Cultura posta em questão, 1965
  • Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969
  • Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977
  • Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977
  • Uma luz no chão, 1978
  • Sobre arte, 1983
  • Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta, 1985
  • Indagações de hoje, 1989
  • Argumentação contra a morte da arte, 1993
  • O Grupo Frente e a reação neoconcreta, 1998
  • Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002
  • Rembrandt, 2002
  • Relâmpagos, 2003
Televisão
Filmes

Laurel wreath.svg Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Velório de Ferreira Gullar na Academia Brasileira de Letras

Ferreira Gullar foi postulante eleito da cadeira 37 na Academia Brasileira de Letras, tendo obtido na votação 36 dos 37 votos possíveis derrotando os outros candidatos: Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk em apenas 15 minutos, com uma abstenção que permanece anônima devido a queima das fichas após o resultado[23] da urna em 9 de outubro de 2014, tendo votado 19 acadêmicos por presença física e 18 por cartas.

A cadeira tem como patrono o poeta e inconfidente mineiro Tomás Antônio Gonzaga e foi ocupada anteriormente por personalidades como Silva Ramos, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateubriand, João Cabral de Melo Neto e recentemente pelo ensaísta e curador Ivan Junqueira, amigo de Gullar.[24]

Sua posse era marcada para novembro, depois de várias recusas do escritor em convites anteriores.[25]

Em 5 de dezembro de 2014, Gullar tomou posse de sua cadeira, a número 37, na Academia Brasileira de Letras.[5]

Referências

  1. (2016-12-04) "Morre o poeta Ferreira Gullar, aos 86 anos". O Globo.
  2. a b c d «Ferreira Gullar». UOL - Educação. Consultado em 10 de setembro de 2012. 
  3. «Ferreira Gullar se candidata a vaga na Academia Brasileira de Letras». Globo.com. 14/07/2014. Consultado em 26 de agosto de 2014. 
  4. «Vagas na ABL serão ocupadas por Zuenir, Evaldo Mello e Ferreira Gullar». Diário de Pernambuco. 01/08/2014. Consultado em 26 de agosto de 2014. 
  5. a b c Daniel Silveira (5 de dezembro de 2014). g1.globo, : . «Poeta Ferreira Gullar toma posse na Academia Brasileira de Letras». Consultado em 11 de dezembro de 2014. 
  6. «Ferreira Gullar dá palestra em Pinda». Tribunadonorte.net. 16 de novembro de 2010. 
  7. Educar para Crescer - "O maior poeta do Brasil"
  8. Oliveira Filho, Odil José. Unesp. São Paulo. 18/02/2010.
  9. (2016-12-04) "Morre o poeta Ferreira Gullar, aos 86 anos" (em pt-BR). O Globo.
  10. a b "Corpo de Ferreira Gullar é velado no Rio nesta segunda" (em pt-BR). G1.
  11. "Velório de Ferreira Gullar reúne amigos famosos e imortais na ABL" (em pt-BR). Ego.
  12. «Membros». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 2016-12-05. 
  13. Ferreira Gullar, em entrevista à revista piauiense Revestres, Jan/Fev 2014
  14. Gullar, Ferreira. (6 de maio de 2012). Dialética da mudança. Folha de S.Paulo, p. E10.
  15. «Época - NOTÍCIAS - Os 100 brasileiros mais influentes de 2009». Revistaepoca.globo.com. Consultado em 20 de dezembro de 2009. 
  16. G1. «Poeta Ferreira Gullar ganha Prêmio Camões de 2010». G1. Consultado em 31 de maio de 2010. 
  17. «Prêmio Jabuti». Cbl.org.br. 
  18. «Ferreira Gullar e Laurentino Gomes são os grandes vencedores do Prêmio Jabuti 2011». Universo Online. abril de 2012. 
  19. "Há muitas noites na noite", Videoinstalação sobre "Poema Sujo”, de Ferreira Gullar, acesso em 24 de julho de 2016.
  20. Silvio Tendler estreia na TV Brasil “Há muitas Noites na Noite”, acesso em 24 de julho de 2016.
  21. Silvio Tendler dirige série sobre 'Poema Sujo', de Ferreira Gullar, acesso em 24 de julho de 2016.
  22. TV Brasil estreia série documental sobre a trajetória do poeta Ferreira Gullar no exílio neste sábado (5/12), acesso em 24 de julho de 2016.
  23. «Ferreira Gullar é eleito para a Academia Brasileira de Letras». Lívia Torres. G1 Rio de Janeiro. 09/10/2014. Consultado em 14/10/2014. 
  24. «Poeta Ferreira Gullar é eleito para a ABL». Exame. 09/10/2014. Consultado em 14/10/2014. 
  25. «Ferreira Gullar não vai para a ABL». Associação Brasileira de Imprensa. 01/03/2011. Consultado em 14/10/2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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