Médicos sem Fronteiras

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Médicos sem Fronteiras
Unidade de atendimento de Médicos sem Fronteiras
no Chade, em campo de refugiados provenientes de Darfur
(MSF)
Fundação 20 de dezembro de 1971
Tipo Organização internacional
Propósito Ajuda humanitária de urgência a vítimas de conflitos armados, epidemias, catástrofes e exclusão.
Sede Genebra Suíça
Membros 26.000
Presidente Unni Karunakara
Fundador Marcel Delcourt, Max Récamier, Gérard Pigeon,
Bernard Kouchner, Raymond Borel, Jean Cabrol,
Vladan Radoman, Jean-Michel Wild,
Pascal Grellety Bosviel, Jacques Bérès,
Gérard Illiouz, Philippe Bernier, Xavier Emmanuelli
Organização Jérôme Oberreit, Secretário-geral
Sítio oficial http://www.msf.org/

Médicos sem Fronteiras ou Médecins sans Frontières (MSF) é uma organização internacional, não-governamental e sem fins lucrativos que oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, em casos como conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social. É a maior organização não governamental de ajuda humanitária do mundo, na área da saúde.

MSF proporciona também ações de longo prazo, na ajuda a refugiados, em casos de conflitos prolongados, instabilidade crônica ou após a ocorrência de catástrofes naturais ou provocadas pela ação humana. A organização foi criada com a ideia de que todas as pessoas têm direito a tratamento médico, e que essa necessidade é mais importante do que as fronteiras nacionais (com base na tese do direito de ingerência humanitária).

MSF recebeu o Nobel da Paz de 1999, como reconhecimento do seu combate em favor da ingerência humanitária. Atualmente, a organização atua em mais de 70 países e tem como presidente o Dr. Unni Karunakara.

História[editar | editar código-fonte]

A organização foi criada em 1971 por jovens médicos e jornalistas franceses, liderados pelo médico francês Bernard Kouchner, que tinham ido a Biafra com a Cruz Vermelha para tentar ajudar a população. No grupo de fundadores estavam, entre outros:[1]

  • Raymond Borel, jornalista da revista Tonus
  • Dr Jean Cabrol, cirurgião
  • Dr Vladan Radoman, cirurgião
  • Dr Jean-Michel Wild, cirurgião
  • Dr Pascal Greletty-Bosviel, médico generalista

Ao retornarem à França, estimaram que a política de neutralidade e de reserva da Cruz Vermelha havia sido um erro, e que era necessário criar uma associação que aliasse ajuda humanitária e ações de sensibilização junto à mídia e às instituições políticas.

Durante a operação "Un bateau pour le Vietnam " (Um barco para o Vietnã), em 1979, o fundador mais conhecido do público, Bernard Kouchner, defendeu a ideia de alugar um barco para que médicos e jornalistas pudessem presenciar e testemunhar as violações dos Direitos Humanos naquele país. Houve então uma violenta discussão com a direção da MSF, que considerou a operação mediatizada demais. O que se seguiu foi uma cisão do movimento e a criação da Médicos do Mundo, em 1980.

Carta[editar | editar código-fonte]

A Carta de MSF indica que as intervenções são realizadas em nome da ética médica universal, e não permite nenhuma discriminação de raça, religião, filosofia ou política.[2]

Em ação[editar | editar código-fonte]

Em 1972, MSF fez sua primeira intervenção, na Nicarágua, após um terremoto que devastou o país. Hoje, mais de 22 mil profissionais trabalham com Médicos Sem Fronteiras em mais de 70 países, principalmente do Terceiro mundo, assim como aqueles em estado de guerra. MSF freqüentemente protesta junto às Nações Unidas contra atrocidades cometidas contra comunidades sem representação oficial, como os povos da Chechênia e do Kosovo.

A organização é composta de voluntários e de um corpo de empregados permanente, sendo financiada por contribuições do grande público, de organizações sem fins lucrativos, corporações e governos.

Sua assistência à saúde não é estritamente médica mas abrange ações nas áreas de nutrição, prevenção, formação de profissionais na área da saúde, água e saneamento, revitalização de hospitais e postos de saúde.

Desde 1999 a organização promove a Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, visando chamar a atenção para doenças negligenciadas, como a malária, doença de Chagas e a doença do sono, que matam milhões de pessoas a cada ano. Além disso, a Campanha também visa proporcionar o acesso a medicamentos para tratamento da AIDS nos países mais atingidos.

Chade. Campo de refugiados de Darfur.

Em 2008, a organização lançou a sua 11ª lista de conflitos esquecidos pela mídia - especialmente na Somália, no Sudão e na República Democrática do Congo - além de se manifestar sobre outros problemas médicos emergentes como a desnutrição infantil e a co-infecção HIV-TB. No Zimbábue, onde atua desde 2000 e mantém mais de 500 profissionais trabalhando, MSF abriu dezenas de Centros de Tratamento de Cólera. A doença, endêmica no campo, era rara em áreas rurais, mas já atinge a capital do país.

Em fevereiro de 2009, dois profissionais de MSF, Riaz Ahmad, de 24 anos, e Nasar Ali, de 27, foram mortos em Swat, no Paquistão, quando viajavam em ambulâncias. Um terceiro profissional ficou ferido.[3]

MSF é também co-fundadora e financiadora da Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (Drugs for Neglected Diseases Initiative - DNDi), organização internacional não governamental com fins científicos que, no Brasil, atua na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para malária e doença de Chagas.

Em 31 de dezembro de 2011, havia 6.573 pessoas trabalhando na organização, sendo:

  • 409 trabalhadores permanentes, nas sedes;
  • 601 expatriados
  • 5.563 empregados nacionais

Depois de operar durante os últimos dois anos com superávit, MSF fechou o ano de 2011 com um déficit de 9,3 milhões de euros. MSF arrecadou 221,2 milhões e teve despesas da ordem de 230 milhões de euros. Para cada 100 euros gastos em 2011, 89,9 euros foram destinados a missões sociais; 4,6 euros destinaram-se à busca de fundos e 5,5 euros para o funcionamento da própria estrutura.[4]

Médicos sem Fronteiras no Brasil[editar | editar código-fonte]

Complexo de Favelas do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, onde funciona a Unidade de Emergência de MSF.

MSF está presente no Brasil desde 1991. Dedica-se à vigilância epidemiológica e ao diagnóstico da doença de Chagas, assim como ao acesso universal ao tratamento de AIDS e formação de pessoal nas áreas de especialidade da organização.

No Rio de Janeiro, em 2003, MSF implantou um Centro de Saúde na comunidade de Marcílio Dias, no Complexo da Maré. Em outubro de 2007, MSF criou, também no Rio, uma Unidade de Emergência no Complexo de Favelas do Alemão, uma das áreas mais violentas do Brasil, conhecida como a "Faixa de Gaza" do Rio,[5] e habitada por cerca de 150 mil pessoas. Em 2008, foram realizados 15.000 atendimentos na área.

Em 2008, MSF realizou treinamento de profissionais em diagnóstico para a doença de Chagas em nove estados da Amazônia.

Há uma significativa participação de brasileiros na organização. Somente em 2008, 40 profissionais da saúde juntaram-se às equipes internacionais de MSF.

Médicos sem Fronteiras durante os ataques à Faixa de Gaza, 2008-2009[editar | editar código-fonte]

Durante os ataques à faixa de Gaza em 2008-2009, MSF não obteve autorização para usar a passagem de Kerem Shalom, por onde passavam suprimentos, e teve que expor suas equipes a situações de risco, para atender a população de Gaza, conseguindo entregar 21 toneladas de suprimentos médicos e um hospital móvel com duas salas de cirurgia e UTI com dez leitos. Em 17 de janeiro de 2009, seis profissionais de MSF conseguiram entrar em Gaza.

Referências

  • Informativo Médicos sem Fronteiras, ano 10, nº.20, 2007 e ano 12, n°. 23, 2009.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
John Hume e David Trimble
Nobel da Paz
1999
Sucedido por
Kim Dae Jung