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Wangari Maathai

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Wangari Maathai
Nome completoWangari Muta Maathai
Nascimento
Iite, Nieri
Morte
25 de setembro de 2011 (71 anos)

NacionalidadeQuénia Queniana
OcupaçãoPolítica
Prêmios Nobel da Paz (2004)

Wangari Muta Maathai (Iite, Nieri, 1 de abril de 1940Nairóbi, 25 de setembro de 2011[1]) foi uma professora e ativista política do meio-ambiente do Quênia. Foi a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz.

Maathai fundou o Green Belt Movement, uma organização não governamental ambiental concentrado em plantação das árvores, conservação ambiental, e direitos das mulheres. Em 1986, ela foi premiada o Right Livelihood Award, e em 2004, se tornou a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel por sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz. Maathai foi eleita membro do Parlamento queniano e era ministra dos recursos ambientais e naturais no governo do Presidente Mwai Kibaki de 2003 – 2005. Além disso, era conselheira honorária do World Future Council. Em 2011, Maathai morreu de câncer de ovário.[2]

Trajetória

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Maathai nasceu na vila de Iite, no condado de Nieri, na Província Central do Quênia, então colônia britânica.[3] Sua família pertence à etnia Kikuyu, o mais numeroso grupo étnico do país, e vive na área há várias gerações.[4] Por volta de 1943, a família se transfere para uma fazenda na província do Vale do Rifte, perto da capital provincial, Nakuru, onde o pai encontrara trabalho.[5] No fim de 1947, Wangari volta com sua mãe para Iite, já que não havia escola na fazenda. [6]

Em 1956, concluiu a escola primária e foi admitida em um colégio católico para meninas, a Escola de Loreto, em Limuru.[7] Depois de concluir os estudos secundários, em 1959, Maathai pretendia ingressar na Universidade da África Oriental, em Campala, Uganda. Porém, recebe uma bolsa da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. e, com outros trezentos quenianos, pôde prosseguir seus estudos nos Estados Unidos a partir de setembro de 1960.[8] Em 1964, torna-se a primeira mulher da África Oriental a obter o bacharelado em biologia, no Mount St Scholastica College, em Atchison, Cansas.[9]

Em 1966, obtém o mestrado em biologia pela Universidade de Pittsburgh e, em seguida, trabalha como pesquisadora em medicina veterinária na Alemanha,[10] em Munique e Giessen, antes de receber o seu doutorado em anatomia na Universidade de Nairóbi, em 1971. Foi a primeira mulher na África Oriental e Central a receber o grau de doutorado.[10]

Maathai continuou a lecionar em Nairóbi, tornando-se professora sênior de anatomia em 1975, presidente do Departamento de Anatomia Veterinária em 1976 e professora associada em 1977. Ela foi a primeira mulher em Nairóbi nomeada para qualquer um desses cargos. Maathai foi ativa no Conselho Nacional de Mulheres do Quênia em 1976-87 e foi sua presidente em 1981-87. Foi enquanto servia no Conselho Nacional de Mulheres que ela apresentou a ideia de plantar árvores com a população, em 1976, e continuou a desenvolvê-la, transformando-a em uma organização de base ampla, cujo foco principal é o plantio de árvores com grupos de mulheres, a fim de conservar o meio ambiente e melhorar sua qualidade de vida. Em 1986, o Movimento estabeleceu uma Rede Pan-Africana do Cinturão Verde e expôs mais de 40 indivíduos de outros países africanos à abordagem. Alguns desses indivíduos estabeleceram iniciativas semelhantes de plantio de árvores em seus próprios países ou usam alguns dos métodos do Movimento do Cinturão Verde para aprimorar seus esforços.[9]

Foi perseguida e presa durante a presidência de Daniel Arap Moi.[10]

Em 2002, atuou foi professora convidada do Global Institute of Sustainable Forestry da Universidade Yale.[10] No mesmo ano, em dezembro, nas primeiras eleições livres do seu país,[11] foi eleita membro do Parlamento queniano.[10] Posteriormente, foi nomeada pelo presidente Mwai Kibaki como Ministra do Meio Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem.[9][12]

Em 2004, mesmo ano que ganhou o Nobel, Maathai fundou o Partido Verde do Quênia e no ano seguinte, foi eleita Presidente do Conselho Econômico, Social e Cultural da União Africana.[13] Foi criticada quando o então novo governo foi apontado como corrupto e ela não renunciou. Apenas quando o governo quis aumentar o número de parlamentares em 2008, Wangari Maathai voltou protestar ao lado da oposição.[14]

Prêmio Nobel

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Wangari Maathai ficou conhecida no mundo pela sua luta de conservação das florestas e do meio ambiente. Ainda na década de 1970, ela fundou o movimento do Cinturão Verde Pan-africano (Pan-African Green Belt Network), no Quênia, uma iniciativa que plantou 30 milhões de árvores. [15]

"Quando plantamos árvores, nós plantamos as sementes de paz e esperança.[16]

"Maathai manteve-se corajosamente contra o antigo regime opressivo no Quênia", segundo declaração do Comitê Nobel, ao anunciá-la como a vencedora do Nobel da Paz de 2004. "Suas formas de ação únicas contribuíram para chamar a atenção nacional e internacional para a opressão política. Ela serviu como uma inspiração para muitos na luta por direitos democráticos e tem especialmente encorajado as mulheres a melhorar sua situação."[17] Maathai foi a primeira mulher africana a ganhar o prestigioso prêmio.[18]

Cinco anos após receber o Nobel, Wangari Maathai tornou-se Mensageira da Paz das Nações Unidas, a convite do secretário-geral, Ban Ki-moon.[12]

Aos 70 anos, em parceria com a Universidade de Nairobi, funda o Instituto Wangari Maathai para Estudos sobre Paz e Meio Ambiente (WMI).[12]

Controvérsia

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Maathai causou controvérsia entre os comentadores da média, quando, numa conferência de imprensa seguinte ao anúncio do Prêmio Nobel, ela falou em favor da alegação de que o HIV seria um produto criado pelo homem através de bioengenharia, e então lançado na África por cientistas ocidentais não identificados, como uma arma de destruição em massa para "punir os negros". A alegação foi apoiada apenas por uma pequena minoria e é uma das várias teorias conspiratórias sobre a AIDS. Desde então ela evitou assumir uma posição sobre o assunto: "Eu não sei sobre a origem... E espero que um dia saibamos, porque é algo que obviamente todos queremos saber - de onde vem a doença".[19][20]

Wangari Maathai morreu de câncer, aos 71 anos, em Nairóbi. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, emitiu um comunicado expressando pesar pela morte da ambientalista. Nos últimos anos, ela cooperava com a ONU em um projeto que visava plantar 1 bilhão de árvores.[21]

Publicações (seleção)

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Referências

  1. «Morreu queniana que foi Nobel da Paz em 2004». JN. Consultado em 26 de setembro de 2011 
  2. «Wangari Maathai» 
  3. Wangari Maathai, the Nobel Peace Prize 2004 NobelPrize.org.
  4. Wangari Maathai, Unbowed: A Memoir, Knopf, 2006. ISBN 0-307-26348-7, pg 3.
  5. Unbowed, pg 14–15.
  6. Unbowed, pg 29, 39–40.
  7. Unbowed, pg 69.
  8. Unbowed, pg 73–74.
  9. a b c «Wangari Maathai - Biographical». www.nobelprize.org. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2018 
  10. a b c d e «Wangari Maathai – O ativismo ambiental em pessoa - Vatican News». 5 de dezembro de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025 
  11. The Electoral Process in Kenya: A Review of Past Experience and Recommendations for Reform
  12. a b c «OLMA». OLMA. Consultado em 15 de julho de 2025 
  13. «Memórias: Wangari Maathai». www.esquerda.net. 15 de julho de 2025. Consultado em 15 de julho de 2025 
  14. «Morre em Nairobi Wangari Maathai, a "mãe das árvores" queniana – DW – 26/09/2011». dw.com. Consultado em 15 de julho de 2025 
  15. Site da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). Biografia Arquivado em 27 de setembro de 2011, no Wayback Machine. (em inglês)
  16. SCHATZ, Kate. Mulheres incríveis: artistas e atletas, piratas e punks, militantes e outras revolucionárias que moldaram a história do mundo. Bauru: Altral Cultural, 2017.
  17. «Press Release - Nobel Peace Prize 2004». nobelprize.org (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 13 de março de 2009 
  18. CNN, Christina Maxouris,. «Black History Month: 10 black women you should know about». CNN. Consultado em 15 de julho de 2025 
  19. Sindelar, Daisy (8 de abril de 2008). «World: Africa's First Female Nobel Peace Laureate Accepts Award Amid Controversy Over AIDS Remarks». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025 
  20. «10 Questions: Wangari Maathai -- Page 1 -- TIME». www.time.com. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 12 de março de 2007 
  21. ONU lamenta morte da ambientalista e Prêmio Nobel Wangari Maathai. Jornal do Brasil, 26 de setembro de 2011.
  22. «Highlights of the 1991 Africa Prize». africaprize.org. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 4 de julho de 2008 
  23. «Pitt Dedicates Trees, Garden in Honor of Wangari Maathai | Pitt Chronicle | University of Pittsburgh». www.chronicle.pitt.edu (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2013 
  24. «Wangari Maathai given Indira Gandhi prize». The Times of India. 19 de novembro de 2006. ISSN 0971-8257. Consultado em 15 de julho de 2025 
  25. «EURweb.com - NAACP SETS A DATE FOR IMAGE AWARDS: Nominees to be announced in January; ceremony to be held following month.». www.eurweb.com. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2009 
  26. «Welcome to JAMATI.COM». jamati.com. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 7 de março de 2016 
  27. mfaadmin. «Ministry of Foreign Affairs - GRADUATION CEREMONY». www.mfa.go.ke. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 18 de maio de 2010 
  28. «Nobel prize-winner tells seniors to be agents of change | News | Vanderbilt University». news.vanderbilt.edu. Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 17 de maio de 2011 
  29. «Syracuse University News »  » Five Candidates to Receive Honorary Degrees at 159th Commencement Exercises». news.syr.edu (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de abril de 2013 
  30. «Dorceta Taylor appointed Wangari Maathai Professor of Environmental Justice | Yale News». news.yale.edu (em inglês). 20 de outubro de 2024. Consultado em 15 de julho de 2025 

Ligações externas

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Precedido por
Shirin Ebadi
Nobel da Paz
2012
Sucedido por
Agência Internacional de Energia
Atómica
e Mohamed ElBaradei