Francisco Adolfo de Varnhagen

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Francisco Adolfo de Varnhagen Academia Brasileira de Letras
Nascimento 17 de fevereiro de 1816
São João de Ipanema, SP
Morte 26 de junho de 1878 (62 anos)
Viena
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Militar, diplomata e historiador

Francisco Adolfo de Varnhagen, o visconde de Porto Seguro GCNSC (São João de Ipanema, atual Iperó, 17 de fevereiro de 1816Viena, 26 de junho de 1878) foi um militar, diplomata e historiador brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho da portuguesa Maria Flávia de Sá Magalhães e de Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen, um engenheiro militar alemão contratado pela Coroa para construir os altos fornos da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, na região de Sorocaba, na então Capitania de São Paulo, estudou no Real Colégio Militar da Luz, em Lisboa, e iniciou a carreira militar à época das Guerras Liberais, como voluntário nas tropas de D. Pedro IV de Portugal que lutavam contra D. Miguel I de Portugal.

Escreveu Notícia do Brasil, seu primeiro trabalho de história, entre 1835 e 1838. Suas pesquisas na matéria levam-no a localizar o túmulo de Pedro Álvares Cabral na Igreja da Graça, em Santarém. Foi admitido como sócio-correspondente na Academia de Ciências de Lisboa. Formou-se como engenheiro militar em 1839, na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho.

Retornou ao Brasil em 1840, entrando para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1841, exercendo o cargo de primeiro-secretário. Em 1844 obteve a nacionalidade brasileira, podendo ser admitido na carreira diplomática. Serviu na legação de Lisboa e na de Madrid, obtendo reconhecimento como historiador com a publicação da História Geral do Brasil em dois volumes (1854-1857). Foi destacado para o Paraguai (1858), tendo servido ainda na Venezuela, em Nova Granada (atual Colômbia), no Equador, no Chile, no Peru e nos Países Baixos.

Seu amor pela terra natal levou-o a registrar, em baixo do nome da obra que o imortalizou, a História do Brasil, a expressão - natural de Sorocaba. Nos altos do Morro de Ipanema há um monumento a Varnhagen, que visitado pela Família Real em 11 de novembro de 1884. Nesse monumento há a inscrição: A memoria de Varnhagen Visconde de Porto Seguro nascido na terra fecunda descoberta por Colombo. Iniciado por seu pai nas couzas grandes e uteis, estremeceo sua patria escreveo-lhe a historia. Sua alma immortal reune aqui todas as suas recordações.

Aproveitou o seu contato com o exterior para coletar documentos sobre o Brasil em bibliotecas e arquivos. Recebeu em 1872 o título de Barão de Porto Seguro, sendo elevado a visconde 2 anos mais tarde.

Em 1877 empreendeu viagem ao interior de Goiás com objetivo de explorar a região entre as lagoas Formosa, Feia e Mestre d'Armas próximas da atual cidade de Formosa, Goiás. Vanrhagen defendia a interiorização da capital do Brasil e havia realizado estudos cartográficos acerca do Planalto Central.[1]

Encerrou a sua carreira como representante diplomático em Viena, na Áustria, onde faleceu em 1878, aos 62 anos.

Casado com a chilena Carmen Ovalle desde 1864, foi sepultado em Santiago do Chile. Seus restos mortais deveriam ter sido depositados em um monumento na região de Sorocaba, mais precisamente no morro de Araçoiaba da Serra, local onde ele nasceu na Real Fábrica de Ferro - Vila São João de Ypanema, porém o monumento erguido em sua homenagem no alto daquele morro ainda não recebeu seus restos mortais. Permaneceram até 19 de janeiro de 2016 no monumento a Varnhagen, situado na Avenida General Osório, em Sorocaba, em cuja placa constavam os dizeres: Estão aqui depositados os restos mortais de Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro. Paulista de Sorocaba, o Pai da História do Brasil *17-2-1816 † 29-6-1878. Transladados de Santiago, Chile, no centenário do falecimento. Prefeito Municipal Theodoro Mendes. Sorocaba, 29-6-1978.

Atendendo antiga reivindicação da população, que demandava que seus restos fossem colocados mais ao centro da cidade, próximo à estátua de Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba e como parte das comemorações do bicentenário do nascimento do Visconde, deu-se novo traslado em 19 de janeiro de 2016. O processo de exumação[2] para traslado obedeceu procedimento científico conduzido pelos especialistas em arqueologia e medicina legal, Professora Valdirene do Carmo Ambiel, médico legista Luiz Roberto Fontes e perito criminal odontológico Flávio Veras Nunes de Oliveira e acompanhado pelos dirigentes das principais instituições de história e de ensino de Sorocaba e Paulistas. Deu-se depois cerimônia cívico-fúnebre com honras militares (pois o Visconde foi também militar), missa de réquiem com canto coral "gaudentes in domino" na Capela do Mosteiro, seguida de discurso de Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, seguida de toque de silêncio, aposição floral no novo monumento e finalmente deposição dos restos mortais do "Pai da História do Brasil" em monumento tumular agora situado no Jardim do Largo do Mosteiro de São Bento.

Parte de sua biblioteca foi adquirida pelo bibliófilo José Mindlin, que era membro da Academia Brasileira de Letras.

Encontram-se colaborações da sua autoria nas revistas O Panorama[3] (1837-1868) e Revista universal lisbonense (1841-1859).[4] [necessário esclarecer]

Obras[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AMARAL, Tancredo do, 1895, A História de São Paulo ensinada pela biographia dos seus vultos mais notáveis, Alves & Cia. Editores, 353 pp.
  • CEZAR, Temistocles . Varnhagen e os relatos de viagem do século XVI: ensaio de recepção historiografica. Anos 90 (UFRGS), Porto Alegre, n. 11, p. 38-53, 1999.
  • CEZAR, Temistocles . Em nome do pai, mas não do patriarca: ensaio sobre os limites da imparcialidade na obra de Varnhagen. História (São Paulo), v. 24, p. 207-240, 2005.
  • CEZAR, Temistocles . Varnhagen em movimento: breve antologia de uma existência. Topoi (Rio de Janeiro), v. 8, p. 159-207, 2007.
  • IGLÉSIAS, Francisco. Historiadores do Brasil: capítulos de historiografia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. 256p.
  • REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: De Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: FGV, 2007 (9a.edição).
  • SILVEIRA, Pedro Telles. "Ficção, literatura e história através da “Crônica do descobrimento do Brasil (1840), de Francisco Adolfo de Varnhagen", História da Historiografia, no. 3, 2009, 23-33.
  • MIRANDA, José Augusto Ribas. "Diplomata mais amante do seu paiz que das suas commodidades": Atuação de Francisco Varnhagen nas Repúblicas do Pacífico (1863-1865. Dissertação de Mestrado Defendida na PUC-RSMIRANDA, JAR. Atuação de Francisco Varnhagen nas Repúblicas do Pacífico (1863-1865)

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Lorbeerkranz.png ABL - patrono da cadeira 39
Sucedido por
Oliveira Lima
(fundador)