Academia das Ciências de Lisboa

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Academia das Ciências de Lisboa

Academia das Ciências de Lisboa.svg
Organização
Natureza jurídica Instituição científica de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa
Atribuições Incentivo à investigação científica e órgão consultivo do Governo em matéria linguística
Dependência Governo de Portugal
Ministério da Educação e Ciência
Chefia Artur Anselmo, presidente
Órgãos subordinados Instituto de Altos Estudos
Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa
Documento institucional Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa
Localização
Jurisdição territorial  Portugal
Sede Rua da Academia de Ciências, Lisboa
38° 42' 47" N 9° 8' 59" O
Histórico
Criação 24 de dezembro de 1779 (236 anos) [1]
Sítio na internet
www.acad-ciencias.pt
Notas de rodapé
[1] Como Academia Real das Ciências
Placa da Academia das Ciências de Lisboa.

A Academia das Ciências de Lisboa GCSE é uma instituição científica portuguesa.[1]

Entre outras missões cabe à Academia incentivar a investigação científica, estimular o estudo da língua e literatura portuguesas e promover o estudo da história portuguesa e das suas relações com outros países.[2][3]

A Academia é o órgão consultivo do Governo em matéria linguística.[2][4]

A Academia deve coordenar a sua ação com a Academia Brasileira de Letras e com a rede das academias europeias e mundiais, incluindo os países de língua oficial portuguesa e os núcleos portugueses no estrangeiro.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

A Academia foi fundada no reinado de D. Maria I de Portugal e D. Pedro III de Portugal, a 24 de dezembro de 1779, em pleno Iluminismo, como Academia Real das Ciências[6].

Com o beneplácito da rainha[7], os seus fundadores foram, respectivamente o seu primeiro presidente e grande mentor o 2.º Duque de Lafões e o primeiro secretário o Abade Correia da Serra[8][9], que eram férreos opositores do regime do marquês de Pombal[10].

A criação deste estabelecimento insere-se numa corrente antipombalina, claramente, contra o estudo das humanidades, que o Marquês fizera questão em manter[10]. Na altura foram criada com duas classes, uma de Ciências e outra de Belas Letras[7].

Em 1783, D. Maria I e D. Pedro III declararam-se protectores da Academia que, desta forma, teve o título de Real Academia[7]

No século XIX, a meados da década de 30, a Academia empenhou-se na plantação de oliveiras por todo o país e na criação de uma aula de Zoologia, orientada pelo Padre Joseph Mayne[7].

Em 1851, tinha duas classes autónomas e com a publicação dos seus próprios boletins - Letras e Ciências[7].

A República[editar | editar código-fonte]

Depois da implantação da República, passou designar-se Academia das Ciências de Lisboa.[11][12]

Instalações[editar | editar código-fonte]

Ao longo da sua história a Academia conheceu seis moradas oficiais[12].

A primeira sede da Academia foi no Palácio das Necessidades, após a extinção das ordens religiosas[10] encontra-se hoje, desde 26 e 27 Outubro de 1834, instalada no antigo Convento de Nossa Senhora de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco[13], na Rua da Academia das Ciência, n.º 19, na parte baixa do Bairro Alto, em Lisboa[7][14].

1836 - o Ministério do Reino incumbiu esta instituição de instalar um jardim botânico na cerca conventual[7];

1838 - instalação em parte das dependências conventuais do Gabinete de História Natural[7];

1858 - a pedido de D. Pedro V a Academia cede o segundo andar e algumas dependências do primeiro à Comissão Geológica[7];

1859 - instalação do Curso Superior de Letras (depois de 1910, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) na ala O. do edifício[7];

1859 - 1891 - novas cedências de espaço para o Curso Superior de Letras (claustro, 2 salas do r/c e compartimentos no 1º andar);

1891, 27 janeiro - decreto onde a Academia aceita a cedência de instalações sob a condição de reverterem de novo ao serviço da Academia logo que possível[7];

1895 - funcionamento do Parlamento na biblioteca da Academia das Ciências, devido ao incêndio que se registara no palácio de São Bento[7];

1903 - construção do Liceu Passos Manuel na antiga cerca do convento[7];

1910 - 1911 - extinção da tipografia da Academia das Ciências, que funcionava na cave do edifício, transitando materiais e pessoal para a Imprensa Nacional; transferência definitiva do Liceu Passos Manuel para as novas instalações[7].

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Em 28 de maio de 1930, a Academia foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[15]

Estatutos[editar | editar código-fonte]

Os Estatutos da Academia das Ciências foram aprovados pelo Decreto-Lei n.º 5/78,[16] de 12 de janeiro, alterado pelos Decreto-Lei n.º 390/87,[17] de 31 de dezembro, Decreto-Lei n.º 179/96,[18] de 24 de setembro, Decreto-Lei n.º 53/2002,[19] de 2 de março, e Decreto-Lei n.º 90/2005,[20] de 3 de junho.

Direção[editar | editar código-fonte]

Segundo os estatutos da Academia, o seu presidente é eleito anualmente, existindo uma rotatividade entre as classes de Ciências e Letras[21].

A Academia é dirigida, em 2013, pelo Prof. Doutor Luís António Aires-Barros, da Classe de Ciências (presidente), e pelo Prof. Doutor Artur Anselmo de Oliveira Soares, da Classe de Letras (vice-presidente)[22].

A Secretária-Geral da Academia é a Prof. Doutora Maria Salomé Soares Pais Teles Antunes, tendo como Vice-Secretário-Geral o Prof. Doutor Manuel Carlos Lopes Porto.

O Tesoureiro da Academia é o Prof. Doutor Artur Torres Pereira[23].

Entre os antigos presidentes podemos encontrar nomes como Adriano Moreira e Eduardo Arantes e Oliveira[24].

Classes e secções[editar | editar código-fonte]

À época da fundação, a Academia era formada por três classes (Ciências Naturais, Ciências Exactas e Belas-Letras).

Em 1851, as duas primeiras juntaram-se na Classe de Ciências e a segunda deu origem à Classe de Letras.[12]

Cada uma das secções tem sócios efectivos (cinco académicos) e sócios correspondentes (dez académicos). Para além disso, conta ainda com sócios correspondentes brasileiros, sócios correspondentes estrangeiros, sócios honorários e sócios eméritos.[25]

Classe de Ciências[editar | editar código-fonte]

Sócios efectivos
Secção Nome Eleição Ref.
1.ª Secção
Matemática
Fernando Roldão Dias Agudo 1979
João Paulo Carvalho Dias
José Francisco Rodrigues
João Rodrigues Queiró
2.ª Secção
Física
João da Providência e Costa
João Bessa e Sousa
Filipe Duarte Santos 1993
Rui L. Vilela de Lima Mendes
3.ª Secção
Química
João José Fraústo da Silva
Armando Pombeiro
Jorge Carreira Gonçalves Calado
José Simões Redinha
Sebastião José Formosinho Sanches Simões
4.ª Secção
Ciências da Terra e do Espaço
Miguel Telles Antunes
António Ramos Ribeiro
Martim R. Portugal V. Ferreira
José Joaquim de Sousa Pereira Osório
Manuel J. Lemos de Sousa
5.ª Secção
Ciências Biológicas
Arsélio Pato de Carvalho [26]
Roberto Salema
Maria Salomé Soares Pais
Vitor Madeira
6.ª Secção
Ciências Médicas
José Manuel Toscano Rico
Daniel Serrão
José A. R. Esperança Pina
José Rueff Tavares
7.ª Secção
Ciências da Engenharia e outras Ciências Aplicadas
Eduardo Romano de Arantes e Oliveira
Maria Manuela Chaves
Carlos Salema
Luís Aires Barros
Henrique Leitão

Classe de Letras[editar | editar código-fonte]

Sócios efectivos
Secção Nome Eleição Ref.
1.ª Secção
Literatura e Estudos Literários
Artur Anselmo
Fernando Guedes
Teresa Rita Lopes
Eugénio Lisboa
2.ª Secção
Filologia e Linguística
João Malaca Casteleiro
Raúl Miguel Rosado Fernandes
Aires Nascimento
José Adriano de Freitas Carvalho
Telmo Verdelho
3.ª Secção
Filosofia, Psicologia e Ciências da Educação
António Braz Teixeira
Joaquim Cerqueira Gonçalves
Michel Renaud
Manuel Ferreira Patrício
4.ª Secção
História e Geografia
António Dias Farinha
Carlos Alberto Medeiros
Jorge Barbosa Gaspar
Luís António de Oliveira Ramos
Vítor Serrão
5.ª Secção
Direito e Ciência Política
Pedro Soares Martínez
Mário Júlio de Almeida Costa
Martim de Albuquerque
Adriano Moreira
António Menezes Cordeiro
6.ª Secção
Economia e Finanças
Paulo Pitta e Cunha
José Luís Cardoso
Jorge Braga de Macedo
Manuel Carlos Lopes Porto
Jaime Reis
7.ª Secção
Sociologia e outras Ciências Humanas e Sociais
António Valdemar
Fernando Cristóvão
José Alberto Loureiro dos Santos 2008 [27]
Nuno Gonçalo Vieira Matias
José Barata-Moura

Institutos[editar | editar código-fonte]

A Academia das Ciências de Lisboa tem dois institutos:[28]

Instituto de Altos Estudos[editar | editar código-fonte]

Instituto presidido também por Adriano Moreira e aberto a peritos e cientistas não pertencentes à ACL, tem por objectivo a promoção de estudos avançados em Ciências e Humanidades.[29]

Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa[editar | editar código-fonte]

Presidido por Artur Anselmo, este instituto visa estimular a preservação e expansão da língua portuguesa, estando aberto também à participação de peritos e cientistas não pertencentes à ACL. De entre as obras realizadas pelo Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL conta-se o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea.[30]

As vítimas do terramoto de 1755[editar | editar código-fonte]

Em 2004, ao proceder-se a obras de manutenção no pavimento do claustro, foram descobertas sepulturas com ossadas amontoadas. Após investigações preliminares feitas pelo director do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, Miguel Telles Antunes, descobriu-se que, misturadas com as ossadas dos frades do convento, estavam ossadas das vítimas do Terramoto de 1755. As ossadas têm sido estudadas por diversos investigadores, tendo sido feitos dois colóquios inter-académicos no Salão Nobre da ACL sobre esta temática.[31]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Artigo 1.º dos Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa aprovados pelo Decreto-Lei n.º 5/78, de 12 de janeiro.
  2. a b «Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa». Ciberdúvidas. Consultado em 2013-05-06. 
  3. Artigo 4.º dos Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa aprovados pelo Decreto-Lei n.º 5/78, de 12 de janeiro.
  4. Artigo 5.º dos Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa aprovados pelo Decreto-Lei n.º 5/78, de 12 de janeiro.
  5. Artigo 6.º dos Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa aprovados pelo Decreto-Lei n.º 5/78, de 12 de janeiro.
  6. "Sciencias", segundo a grafia da época. Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Volume 1. Desde 1780 a 1788 (Lisboa: Typografia da Academia). 1797. p. 1. Consultado em 2013-05-07. 
  7. a b c d e f g h i j k l m n Luísa Cortesão e Ângelo Silveira (1994), Teresa Vale e Carlos Gomes (1995), Margarida Elias (2011) / Margarida Elias (2011) (1994-2011). «Convento de Nossa Senhora de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco / Academia das Ciências de Lisboa». Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Consultado em 2013-05-07. 
  8. Medina 2004, pp. 446-447.
  9. Ribeiro 1871-1914, pp. 37-61
  10. a b c Academia das Ciências de Lisboa, Infopédia (Em linha). Porto: Porto Editora, 2003-2014. (Consult. 2014-03-15).
  11. Academia das Ciências de Lisboa no sítio do Camões: Instituto da Cooperação e da Língua.
  12. a b c AMARAL, Ilídio do. Nótulas Históricas Sobre os Primeiros Tempos da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa: Colibri, 2012. ISBN 978-989-689-261-6.
  13. 1834 - saída da comunidade franciscana, em sequência da expulsão das ordens religiosas; 26 e 27 Outubro - decretos fizeram a doação do edifício à Academia, para seu perpétuo estabelecimento, incluindo-se na doação a livraria, Museu de História Natural e de Artefactos e a galeria de pinturas - Convento de Nossa Senhora de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco / Academia das Ciências de Lisboa, SIPA
  14. Santana 1994, pp. 5-7 s. v. «Academia das Ciências de Lisboa»
  15. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Academia das Ciências de Lisboa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 28 de dezembro de 2012. 
  16. Decreto-Lei n.º 5/78, de 12 de janeiro, retificado por declaração publicada na 1.ª série do Diário da República, de 8 de fevereiro de 1978.
  17. Decreto-Lei n.º 390/87 de 31 de dezembro.
  18. Decreto-Lei n.º 179/96, de 24 de setembro.
  19. Decreto-Lei n.º 53/2002, de 2 de março.
  20. Decreto-Lei n.º 90/2005, de 3 de junho.
  21. Artigos 58.º e 59.º dos Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa.
  22. Aviso n.º 605/2013, de 4 de janeiro de 2013.
  23. Cargos académicos na página da Academia das Ciências de Lisboa.
  24. Cf., entre outros, o Aviso n.º 899/2012, de 20 de janeiro de 2012.
  25. Cf. Estatutos da Academia das Ciências de Lisboa, na redação dada pelo Decreto-Lei n.º 90/2005, de 3 de junho.
  26. Agência Lusa; Isaltina Padrão (2012-09-02). «Arsélio Pato de Carvalho nomeado provedor do bolseiro». Diário de Notícias. Consultado em 2016-06-09. 
  27. Manuel Carlos Freire; Leonardo Negrão (2008-06-30). «O regresso dos militares à Academia das Ciências». Diário de Notícias. Consultado em 2016-06-15. 
  28. Artigo 20.º dos Estatutos da Academia das Ciências na versão aprovada pelo Decreto-Lei n.º 390/87, de 31 de dezembro.
  29. Instituto de Altos Estudos na página da Academia das Ciências de Lisboa.
  30. ANSELMO, Artur. Bases para a reedição do Dicionário da Academia
  31. ANTUNES, Telles. Vítimas do Terramoto de 1755 no Convento de Jesus (Academia das Ciências de Lisboa).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Academia das Ciências de Lisboa (1999). Academia das Ciências de Lisboa: Fundada em 1779 (Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa). 
  • Aires, Cristóvão (1927). Para a História da Academia das Sciências de Lisboa. Separata do Boletim da Segunda Classe da Academia das Sciências de Lisboa, vol. 12 (Coimbra: Imprensa da Universidade). 
  • Amaral, Ilídio (2012). Nótulas Históricas Sobre os Primeiros Tempos da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa: Colibri). ISBN 978-989-689-261-6. 
  • Carvalho, Rómulo de (1987). D. João Carlos de Bragança, 2.º Duque de Lafões: Fundador da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa). 
  • Medina, João (2004). História de Portugal. 20 e IX (Amadora: Ediclube, Edição e Promoção do Livro, Lda.). ISBN 972-719-268-8. 
  • REIS, Fernando. «Academia das Ciências de Lisboa», in Ciência em Portugal: Personagens e Episódios. Lisboa, Camões, Instituto da Cooperação e da Língua.
  • Ribeiro, José Silvestre (1871-1914). Historia dos estabelecimentos scientificos litterarios e artisticos de Portugal nos successsivos reinados da monarchia II (Lisboa: Academia Real das Sciências). 
  • Santana, Francisco (dir.); Sucena, Eduardo (dir.) (1994). Dicionário da História de Lisboa (Sacavém: Carlos Quintas & Associados - Consultores). ISBN 972-96030-0-6. 
  • «Academia das Ciências de Lisboa», in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
  • Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Volume 1. Desde 1780 a 1788 (Lisboa: Typografia da Academia). 1797. Consultado em 2013-05-07. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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