Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Torretombo logotipo.jpg
Organização
Natureza jurídica Arquivo público
Atribuições Funciona como Arquivo Central do Estado Português
Dependência Governo de Portugal
Ministério da Cultura[1]
Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
Chefia Silvestre de Almeida Lacerda, Diretor
Documento institucional Portaria n.º 192/2012, de 19 de junho.
Localização
Jurisdição territorial Portugal Portugal
Sede Alameda da Universidade, Alvalade, Lisboa
38° 45' 17" N 9° 9' 23" O
Histórico
Criação 1378
Sítio na internet
http://antt.dglab.gov.pt/
Arquivo Nacional Torre do Tombo
Torre do tombo 2.JPG
Apresentação
Tipo
Período de construção
Website
Localização
Endereço

O Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), ou simplesmente Arquivo Nacional antigamente designado por Arquivo Geral do Reino,[2] popularmente referido apenas como Torre do Tombo, é uma unidade orgânica nuclear da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas[3] que se constitui como arquivo central do Estado Português desde a Idade Média, tendo os seus primeiros Guardas-Mores sido, também, Cronistas-Mores do Reino. Com mais de 600 anos, é uma das mais antigas instituições portuguesas ainda ativas.

Ao longo dos séculos, a conservação dos seus documentos foi prejudicada por diversas circunstâncias: mudanças de local, incêndios, desvio de documentos para outros arquivos quando da Dinastia Filipina (1580-1640), o terramoto de 1755, a Guerra Peninsular, a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), e a Guerra Civil Portuguesa, entre outros.

Atualmente constitui-se numa moderna instituição, aberta a pesquisadores e ao público em geral.

Encontra-se instalado na freguesia na Cidade Universitária de Lisboa, mais concretamente em Alvalade, em Lisboa, Portugal, num edifício projetado pelo arquiteto Arsénio Cordeiro, classificado, desde 2012, como monumento de interesse público.[4]

História[editar | editar código-fonte]

A Torre do Tombo é de uma das instituições mais antigas de Portugal com origem no século XIV, no reinado de D. Fernando I. O seu nome vem do facto do arquivo ter estado instalado desde a sua génese em 1378 até 1755 numa torre do Castelo de São Jorge, denominada "Torre do Tombo". A designação de tombo deriva do grego tómos que significa «pedaço cortado, parte porção; pedaço de papiro; daí, tomo volume»,[5] assim, por extensão, passou a designar os suportes onde se faziam registos e os arquivos dos mesmos, sendo a Torre do Tombo o local onde se guardavam os volumes e os papéis mais importantes por ser o arquivo real, dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas e das relações de Portugal com outros reinos.[6]

Além de servir a administração régia, o serviço mais importante prestado pela Torre, foi o da emissão das certidões, solicitadas por particulares e instituições. Com base em autorização real, facultava a consulta e até o empréstimo de documentos a estudiosos. No século XVII, teve inicio a organização do arquivo da Torre do Tombo, surgindo os primeiros registos e índices. No século XVIII, o aumento do número de certidões emitidas pela Torre do Tombo, de destacar as pedidas pela Academia de História, fez aumentar o número dos seus oficiais. Neste século, foram efectuados no edifício da torre do castelo, numerosos índices, dada a necessidade de se conhecerem os documentos existentes e de se criarem os mecanismos de pesquisa para a sua recuperação tendo sido elaborados índices das Chancelarias Régias (1715-1749), Leis e Ordenações (1731), Bulas (1732), moradores da Casa Real (1713-1742), Bulas, Breves e Transcrições Pontifícias (1751-1753).[7]

Em 1755, em resultado do grande terramoto que atingiu Lisboa e que ameaçou de ruína a referida torre, desde então o arquivo foi transferido para o Mosteiro de São Bento (atual Palácio de São Bento). Nessas instalações manteve-se até à construção de um moderno edifício-sede, na Cidade Universitária de Lisboa, para onde foi transferido em 1990 cerca de 35km de documentação. Ocupando uma área de 54 900 metros quadrados e contando com cerca de cem quilómetros de prateleiras, este moderno edifício possui três áreas principais: uma para arquivo e investigação, uma para a realização de atividades culturais e a última para os serviços administrativos.

Entre 1997 e 2006, a Torre do Tombo, organismo dependente do Ministério da Cultura, foi oficialmente denominado Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IANTT), possuindo simultaneamente funções de arquivo nacional e de órgão de coordenação da política arquivística nacional. O IANTT, além do arquivo da Torre do Tombo, supervisionava também a generalidade dos arquivos distritais de Portugal.

O Decreto-Lei n.º 215/2006, de 27 de outubro,[8] extinguiu o Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e o Centro Português de Fotografia, «sem prejuízo da preservação das respectivas identidades», e integrou as suas atribuições na então criada Direcção-Geral de Arquivos.

O Decreto-Lei n.º 103/2012, de 16 de maio,[9] procedeu à fusão da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas com a Direção-Geral dos Arquivos, dando origem à Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas onde o Arquivo Nacional Torre do Tombo se integra como unidade orgânica nuclear.

Edifício[editar | editar código-fonte]

Entrada principal da Torre do Tombo.
Pormenor exterior do edifício.

O seu edifício correspondente à 2ª classe de patologia de estruturas de edifícios. Essa mesma classe refere-se às construções em alvenaria que suportam pavimentos horizontais suportados com vigas não ligadas à alvenaria nos pontos de apoio, este tipo de classe tem como características o suporte das cargas por flexão e corte; a autonomia estática das paredes verticais que prescindem da colaboração das vigas horizontais; ligações que não são livres, mas sim dotadas de atrito; o verso do ligamento dos pavimentos que deve ser alienadamente variados nos vários andares para que não haja desligamento das paredes ao longo da altura do edifício; imposição de restrições horizontais eficazes com notáveis benefícios para estabilidade do edifício e o deslizamento livre entre as alvenarias, por outro lado, nas empenas dos edifícios, onde o pavimento é estruturado paralelamente à parede, falta uma ligação transversal, e portanto a parede pode manifestar uma tendência para criar convexidade para o exterior.

As gárgulas esculpidas no topo do edifício consistem em cubos maciços de pedra, moleanos médio, com 2 metros de lado. Características físico-mecânicas:

  • Resistência mecânica à compressão: 953 kg/cm2
  • Resistência mecânica à compressão após teste de gelividade: 1030 kg/cm2
  • Resistência mecânica à flexão: 105 kg/cm2
  • Massa volúmica aparente: 2567 kg/m3
  • Absorção de água à P. At. N.: 1,73%
  • Porosidade aberta: 4,44%
  • Coeficiente de dilatação linear térmica: 5×10−6 °C−1
  • Resistência ao desgaste: 4,2 mm
  • Resistência ao choque: altura mínima de queda: 40 cm

Na construção do edifício, o material utilizado foi o betão branco. O betão é um material compósito — como tal resulta da mistura de pelo menos dois materiais, de modo a obter um material com determinadas características e propriedades.

Lista de guarda-mores e diretores[editar | editar código-fonte]

São indicadas as datas de nomeação para o cargo de guarda-mor e depois diretor[10]:
  1. 1387João Anes
  2. 1403 – Gonçalo Esteves
  3. 1414 – Gonçalo Gonçalves
  4. 1418Fernão Lopes
  5. 1454Gomes Eanes de Zurara
  6. 1475 – Afonso Eanes de Óbidos
  7. 1483 – Fernão Lourenço
  8. 1486Vasco Fernandes de Lucena[desambiguação necessária]
  9. 1497Rui de Pina
  10. 1523Fernão de Pina
  11. 1548Damião de Góis
  12. 1571 – António de Castilho
  13. 1591 – Rodrigo Homem
  14. 1606 – Luís Ferreira de Azevedo
  15. 1612 – Diogo de Castilho Coutinho
  16. 1632 – Manuel Jácome Bravo
  17. 1634 – Gregório Mascarenhas Homem
  18. 1640 – Cristóvão Cogominho
  19. 1641 – Cristóvão de Matos de Lucena
  20. 1644João Pinto Ribeiro
  21. 1650 – António de Carvalho de Parada
  22. 1656 – Aires Falcão Pereira
  23. 1666 – José Carneiro de Morais
  24. 1667 – João Duarte de Resende
  25. 1678D. António Álvares da Cunha, 17.º Senhor de Tábua
  26. 1690 – António da Cunha Pinheiro
  27. 1695 – José de Faria
  28. 1703 – Luís do Couto Félix
  29. 1713 – José Couceiro de Abreu e Castro
  30. 1742Martinho de Mendonça de Pina e Proença
  31. 1745 – Eng.º Manuel da Maia
  32. 1768José de Seabra da Silva
  33. 1774 – José Pereira Ramos de Azeredo Coutinho
  34. 1799José de Seabra da Silva
  35. 1802Luís Pinto de Sousa Coutinho, 1.° Visconde de Balsemão
  36. 1806 – Francisco Velho da Costa de Mesquita Castelo-Branco
  37. 1813 – Francisco José de Horta Machado
  38. 1813 – António Salter de Mendonça
  39. 1821Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa, 2.° Visconde de Santarém
  40. 1834 – D. Frei Francisco de São Luís Saraiva, O.S.B.
  41. 1836 – António Nunes de Carvalho
  42. 1838António Manuel Lopes Vieira de Castro
  43. 1842Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa, 2.° Visconde de Santarém
  44. 1856 – Joaquim José da Costa Macedo
  45. 1861António de Oliveira Marreca
  46. 1887 – José Manuel da Costa Basto
  47. 1902 – Roberto Augusto da Costa Campos
  48. 1908António Eduardo Simões Baião
  49. 1949Alfredo Augusto Lopes Pimenta
  50. 1951 – João Martins da Silva Marques
  51. 1966José Pereira da Costa
  52. 1988 – Humberto Carlos Baquero Moreno
  53. 1990Martim Eduardo Corte Real de Albuquerque
  54. 1990Jorge Borges de Macedo
  55. 1996José João da Conceição Gonçalves Mattoso
  56. 1998Bernardo João da Silveira de Vasconcelos e Sousa
  57. 2001Miriam Halpern Pereira
  58. 2004 – Pedro Dias
  59. 2005 – Silvestre de Almeida Lacerda
  60. 2012 - José Manuel Cortês
  61. 2015 - Silvestre de Almeida Lacerda

Arquivos "Registo Memórias do Mundo" da Unesco[editar | editar código-fonte]

O Programa "Memórias do Mundo" foi criado em 1992 pela Unesco para sensibilizar o público sobre a necessidade de preservar, valorizar o património documental. Nesse âmbito, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo compilou um conjunto de documentos, de destacada relevância, que se encontram inscritos no registo internacional:[11]

  • Carta de Pêro Vaz de Caminha. Terra de Vera Cruz (Brasil), 1 de Maio de 1500 — primeiro documento que descreve a chegada ao Brasil, mencionando a terra e o povo;
  • Tratado de Tordesillas (versão castelhana), Tordesilhas, 7 de Junho de 1494. — conjunto de acordos entre os Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, e o rei D. João II de Portugal, que estabelece uma nova linha de partilha entre as duas coroas, de pólo a pólo, a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde;
  • Corpo Cronológico (1161-1699) — Conjunto de 83.212 documentos, predominantemente do séc. XV e primeira metade do séc. XVI, verdadeiramente único de documentos públicos manuscritos, cujo interesse reside na informação e esclarecimento sobre as relações entre os europeus, sobretudo as dos portugueses com os povos africanos, asiático e latino-americanos, no período acima indicado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Arquivo Nacional de Timor-Leste

Notas

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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