Lúcio de Mendonça

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Lúcio de Mendonça Academia Brasileira de Letras
Nascimento 10 de março de 1854
Piraí, Rio de Janeiro, Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Brasil
Morte 23 de novembro de 1909 (55 anos)
Rio de Janeiro, Distrito Federal,  Brasil
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Advogado, jornalista, magistrado e escritor
Escola/tradição Romantismo/Realismo

Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça (Piraí, 10 de março de 1854Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1909) foi um advogado, jornalista, magistrado e escritor brasileiro, idealizador da Academia Brasileira de Letras.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desenho de Lúcio de Mendonça.

Foi um dos filhos do casal Salvador Furtado de Mendonça e Amália de Meneses Drummond.[1] Quando tinha apenas cinco anos seu pai morreu, o que forçou a diáspora dos irmãos, com um novo casamento da mãe.

Lúcio de Mendonça é mandado para São Gonçalo do Sapucaí, em Minas Gerais.[1] Ali aprendeu a ler sozinho, sem professores. Em 1871 ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo mas, como tivesse repetido o ano de 1873, só colou grau em 1877.[2] Nesse tempo experimenta a literatura - por instâncias do irmão Salvador de Mendonça, diretor do jornal "O Ipiranga".

Na Faculdade é suspenso por dois anos, por haver participado de um protesto.[1] Este período foi-lhe de suma importância: vai para o Rio de Janeiro onde, junto ao irmão, trabalha na redação de um jornal republicano, onde conhece diversos escritores já renomados, dentre os quais Machado de Assis, que brinda-lhe com o prefácio de seu primeiro livro então lançado: "Névoas Matutinas".

Formando-se, em 1878, volta para São Gonçalo de Sapucaí, onde se casa e ensaia a vida pública como vereador.[3] Colabora em diversos jornais, realizando intensa campanha republicana - período em que escreve diversos contos.[4]

Com a Proclamação da República - que tanto defendera - ocupa diversos cargos públicos até ser nomeado para o Supremo Tribunal Federal (1895).[4]

Continua a escrever - agora sob pseudônimo - para os jornais. Propõe a fundação da Academia, neste período.

Nomeado procurador-geral da República em 7 de janeiro de 1897,[5] vê-se forçado a aposentar-se por estar ficando cego - e a doença finalmente o afastou completamente da vida social.[4]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Além de traduções, publicou Lúcio de Mendonça:

  • Névoas matutinas - poesia - 1872
  • Alvoradas - poesia - 1875
  • O marido da adúltera - crônica - 1882
  • Visões do abismo - poesia - 1888(?)
  • O escândalo - panfleto (com Valentim Magalhães) - 1888 ou 1989
  • Esboços e perfis - contos - 1889
  • Vergastas - poesia - 1889
  • Canções de outono - poesia - 1896
  • Horas do bom tempo - memórias e fantasias - 1901
  • Murmúrios e clamores - poesias completas - 1902
  • Páginas jurídicas - trabalhos jurídicos - 1903
  • A caminho - propaganda republicana - 1905

O "Pai" da Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Proclamada a República, frequenta Lúcio de Mendonça a redação da "Revista Brasileira". Ali, junto ao amigo Machado de Assis e a Joaquim Nabuco - já então consagrados escritores - revela a ideia de fundar-se a Academia.

Participa das reuniões preparatórias, da comissão encarregada de elaborar o Regimento Interno e o distintivo e, depois de sua fundação, de outras comissões.

Ocupou Lúcio de Mendonça a cadeira 11, cujo patrono é Fagundes Varela.

Referências

  1. a b c «Lúcio de Mendonça - Biografia». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 7 de agosto de 2012 
  2. Vampré, Spencer (1977). Memórias para a história da Academia de São Paulo. II. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro. p. 210. Consultado em 7 de agosto de 2012 
  3. Terra Pereira, Gabriel (2009). A diplomacia da americanização de Salvador de Mendonça. São Paulo: Cultura Acadêmica. p. 32. ISBN 978-85-7983-006-8. Consultado em 7 de agosto de 2012 
  4. a b c Chaves de Mello, Maria Tereza (2007). A República consentida: cultura democrática e científica do final do Império 1ª ed. Rio de Janeiro: FGV. p. 111-113. ISBN 978-85-225-0615-6. Consultado em 17 de maio de 2015 
  5. Biografia de Lúcio de Mendonça, na página do Ministério Público Federal

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Antônio Martins
Procurador-Geral da República do Brasil
7 de janeiro de 1897 – 2 de agosto de 1897
Sucedido por
Joaquim Antunes
Precedido por
Fagundes Varela
(patrono)
Lorbeerkranz.png ABL - fundador da cadeira 11
1897 — 1909
Sucedido por
Pedro Lessa