Roberto Marinho

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Roberto Marinho Academia Brasileira de Letras
Roberto Marinho nos antigos estúdios do Jornal Nacional
Nascimento Roberto Pisani Marinho
3 de dezembro de 1904
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro1908.gif Distrito Federal
Morte 6 de agosto de 2003 (98 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileiro
Fortuna Aumento US$ 6.4 bilhões (2000)[1]
Cônjuge Stella Marinho
Ruth Albuquerque
Lily Marinho
Filho(s) Roberto Irineu Marinho
João Roberto Marinho
José Roberto Marinho
Ocupação Empresário
Jornalista
Prêmios Prêmio Maria Moors Cabot (1957)
Filiação Francisca Pisani
Irineu Marinho
Religião Católico
Causa da morte Edema pulmonar

Roberto Pisani Marinho (Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1904 — Rio de Janeiro, 6 de agosto de 2003) foi um jornalista e empresário brasileiro. Proprietário do Grupo Globo de 1925 a 2003, foi um dos homens mais poderosos e influentes do país no século XX.[2][3] Seu empreendedorismo levou à constituição de um dos maiores impérios de comunicação do planeta e o fez figurar diversas vezes entre os homens mais ricos do mundo.[nota 1] Com sua família atrelada ao jornalismo, herdou ainda jovem o jornal O Globo, fundado pelo pai Irineu Marinho, em 1925[6]. Começou a formar o conglomerado de veículos de comunicação, mais tarde chamado Organizações Globo – atualmente Grupo Globo, desde 2014 – com a inauguração da Rádio Globo em 1944, e a primeira concessão pública de TV no Rio de Janeiro, a TV Globo, em 1957.[6]

Fã de esportes, praticou automobilismo, hipismo e caça submarina ao longo da vida. Também ligado às artes, foi um grande colecionador de obras, tendo patrocinado algumas exposições com seu grande acervo.[7] Publicou seu único livro, "Uma Trajetória Liberal", em 1992, e em 1993, candidatou-se e foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. O magnata dedicou-se ainda a Fundação Roberto Marinho, organização de apoio a iniciativas educacionais criada por ele em 1977.

Trajetória[editar | editar código-fonte]

Início da sua carreira jornalística e empresarial[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Grupo Globo e O Globo

Seu pai, um jornalista renomado do início do século 20, fundou, em 1911, o jornal "A Noite" e, em 1925, o jornal "O Globo".[8] Aos 20 anos, Roberto Marinho começou carreira profissional como repórter e secretário particular de Irineu no O Globo. Porém, em 21 de agosto de 1925, pouco tempo depois do lançamento do jornal, Irineu Marinho faleceu vítima de um ataque cardíaco.[8][9]

Na época, Roberto Marinho, aos 21 anos, se achava pouco experiente para assumir a direção do jornal e deixou que o colaborador e experiente jornalista Euclydes de Matos ocupasse o cargo de diretor-redator-chefe, enquanto Roberto Marinho continuava seus aprendizados como copidesque e redator-chefe do jornal.[10][8][9]

Em 1931, com o falecimento de Eucycles de Mattos, Roberto Marinho, então com 26 anos, assumiu o cargo de diretor-redator-chefe do GLOBO. [8]

A expansão das Organizações Globo através das rádios[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Rádio Globo Rio de Janeiro

No Golpe de 1930, "O Globo" apoiou o governo instituído por Getúlio Vargas e a Revolução Constitucionalista em 1932, sempre adotando uma posição política e editorial cautelosa, que fez do combate ao comunismo uma de suas marcas.[3] [11] Embora seu jornal tenha feito restrições ao golpe que gerou o Estado Novo, Marinho manteve uma relação próxima com Getúlio Vargas, per­correndo os mais altos escalões do poder e utilizando seu jornal para defender as ações do governo ditatorial e se beneficiaram po­lítica e economicamente, além de ter participado do Conselho Na­cional de Imprensa, então ligado do Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão estatal responsável pela censura a jornais que funcionou entre 1940 e 1945.[nota 2] No início da Segunda Guerra Mundial, Marinho manifestava-se contrário à posição de neutralidade adotada pelo governo brasileiro e se mostrava alinhado com os aliados.[3] Depois do Brasil se alinhar às forças aliadas, Marinho concedeu ampla cobertura à atuação da Força Expedicionária Brasileira, lançando ainda o tabloide "O Globo Expedicionário".[2]

Em 2 de dezembro de 1944 Marinho deu um passo na expansão do seu conglomerado de mídia[nota 3] ao comprar a Rádio Transmissora, da RCA Victor, e transformá-la na Rádio Globo do Rio de Janeiro, sua primeira emissora de radiodifusão.[nota 4] Com o final da guerra e a crise política do Estado Novo getulista, Marinho tomou posição a favor da redemocratização do Brasil e apoiou pessoalmente o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional, nas eleições presidenciais de 1945, embora tenha mantido seu jornal numa posição de neutralidade durante a campanha presidencial[2], uma vez que Roberto Marinho havia mantido boas relações com Vargas e com Eurico Gaspar Dutra.[nota 5] Apesar da derrota do seu candidato predileto, Marinho colocou seu jornal a serviço do Governo Dutra, apoiando suas ações no Palácio do Catete.[12][2]

Na eleição de 1950, Marinho apoiou novamente Eduardo Gomes, da UDN, mas Getúlio Vargas foi o vencedor do pleito. Inicialmente, as Organizações Globo adotaram um tom crítico moderado ao novo governo Vargas, mas passou a lhe fazer forte oposição a partir de 1953. O jornal "O Globo" fez campanha contra a criação da Petrobras[3] e a Rádio Globo tornou-se porta-voz de ferrenhos opositores ao presidente, entre os quais Carlos Lacerda, que quase que diariamente usava os microfones da emissora de Marinho para atacar o governo.[14] O tom inflamado de Lacerda contra Vargas levou Roberto Marinho a se preocupar com as transmissões que estavam desagradando muito ao governo.[nota 6] Após o desfecho trágico do governo Vargas em 1954[nota 7], Juscelino Kubitschek, eleito presidente de 1955, recebeu oposição moderada de Marinho, que acabou beneficiado com sua primeira concessão pública para um canal de TV, a TV Globo Rio de Janeiro.[3]

Na eleição seguinte em 1960, Roberto Marinho apoiou Jânio Quadros, que acabou vencedor, mas discordava da política externa independente janista e se decepcionou com a sua renúncia em pouco menos de sete meses de governo.[3] Inicialmente tolerante com o sucessor João Goulart, Marinho logo passou a conspirar para derrubar o novo presidente, colocando seus veículos à disposição da oposição e apoiando o movimento militar que culminou no Golpe Militar de 1964.[3][3][15]

A fundação da Rede Globo e a consolidação da hegemonia televisiva[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Rede Globo e Sistema Globo de Rádio

Foi durante o regime militar que Roberto Marinho deu um salto na expansão de seus negócios ao inaugurar, em abril de 65, a TV Globo do Rio.[8] No ano seguinte, ele adquiriu uma nova concessão, o Canal 5 de São Paulo, a TV Paulista, e começou a formar a Rede Globo de Televisão. Como na época não possuía o capital necessário para o novo empreendimento, Roberto Marinho se uniu ao grupo norte-americano Time-Life, para quem deu 49% de participação acordo com o grupo Time-Life representou uma injeção do equivalente hoje a US$ 25 milhões e mais assessoria técnica e comercial avançadas, que mais tarde seria transformada no chamado "Padrão Globo de Qualidade".[16] Embora o artigo 160 da Constituição brasileira de 1946 vetasse a participação acionária de estrangeiros em empresas de comunicação do país e um relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar o acordo concluiu que a Constituição fora de fato desrespeitada, tanto o procurador-geral da República, em 1967, quanto o presidente Costa e Silva, em 1968, avalizaram a operação como legal.[3] Com o declínio das concorrentes Tupi e Excelsior e a colaboração com a ditadura militar, a Rede Globo ganhou rapidamente projeção nacional[nota 8] Além da força da emissora de Televisão e de ter "O Globo" entre os jornais mais vendidos do Rio e a Rádio Globo líder de audiência carioca, Roberto Marinho diversificou suas atividades empresarias com fazendas de gado, centros comerciais e uma das maiores coleções de arte na América do Sul.[4]

O apoio de Marinho ao regime militar prosseguiu ao longo da década de 1970[19]. Em 1972, o então presidente Emílio Garrastazu Médici chegou a afirmar: "Sinto-me feliz todas as noites quando assisto ao noticiário. Porque, no noticiário da TV Globo, o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz."[20] Mesmo com o fim da censura prévia, em 1976, o noticiário continuou alinhado aos militares[18].

Marinho foi criticado no documentário britânico Beyond Citizen Kane (Muito Além do Cidadão Kane) por seu poder e papel na fundação da Rede Globo e vínculos com a ditadura militar no período. A Globo foi à Justiça para impedir a liberação e exibição do filme no Brasil, mas que se tornou viral na internet após a virada do século 21.[21] Em 2009, a Rede Record comprou o documentário e passou a divulgar trechos do mesmo na emissora.[22] Em 2013, o Globo reconheceu, através de um texto publicado em seu site, que o apoio ao golpe de 1964 foi um erro. O texto acompanhou a publicação do projeto "Memória" que recuperou os 88 anos de história do Jornal O Globo. Nele, a instituição afirmou que o apoio à intervenção dos militares se deu pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart com apoio dos sindicatos. (UOL)[23][24]

A redemocratização do País e a consolidação de poder pessoal[editar | editar código-fonte]

Em 1982, a Globo foi acusada de tentar impedir a vitória de Leonel Brizola para o governo do Rio, no episódio conhecido como Caso Proconsult. [8] [3] Em 15 de março de 1994 o apresentador Cid Moreira teve que ler, no Jornal Nacional, um texto que Brizola havia ganhado na Justiça Brasileira como um direito de resposta. "Tudo na Globo é tendencioso e manipulado", teve de afirmar o locutor[18].

Com o ocaso da ditadura militar e a derrota do movimento pelas Diretas-Já[nota 9], Marinho passou a apoiar a candidatura moderada de Tancredo Neves contra Paulo Maluf, candidato do governo militar.[nota 11]. Marinho até agosto de 1992 apoiou Fernando Collor, quando a campanha pela sua destituição já havia sido encampada por grande parte da sociedade brasileira[3][20].

Em 1994 e 1998, Marinho apoiou as campanhas de Fernando Henrique Cardoso[3].

A transferência dos negócios para os filhos-sucessores[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1990, Roberto passou a cuidar pessoalmente de sua sucessão no Grupo Globo, compartilhando com os filhos as responsabilidades na direção mesmo seguindo no comando do conglomerado[27]. Mas com a saúde já debilitada, em 1998 o magnata participava cada vez menos das atividades de suas empresas[6].

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Filiação e estudos[editar | editar código-fonte]

Filho do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e Francisca Pisani Barros, Roberto Pisani Marinho nasceu a 3 de dezembro de 1904 no bairro carioca de São Cristóvão[6], e teve cinco irmãos: Heloísa, Ricardo, Hilda, Helena (falecida com 1 ano de idade) e Rogério[28][29].

Fez seus estudos primários em escolas públicas e depois estudou na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos Colégios Anglo-Brasileiro, Paula Freitas e Aldridge, no qual concluiu o ensino secundário em 1922[3][7].

Mobilizações que integrou pessoalmente[editar | editar código-fonte]

Ainda muito jovem, participou do movimento tenentista, mais especificamente da primeira revolta, a dos 18 do Forte de Copacabana, ocorrida em 1922.

Posições religiosas[editar | editar código-fonte]

Católico, opunha-se à teologia da libertação – o que rendeu-lhe intensos debates com o seu colega Dom Hélder Câmara[carece de fontes?].

Esportes que praticou[editar | editar código-fonte]

Automobilismo[editar | editar código-fonte]

Em 1933 disputou a sua primeira prova automobilística com o carro Voisin na corrida do Quilômetro Lançado, na estrada de Petrópolis.

Hipismo[editar | editar código-fonte]

No fim da década de 1930, começou a participar de provas hípicas. Conquistou sua primeira vitória hípica montando o cavalo Arisco no Clube Hípico Fluminense em 1940, e no ano seguinte venceu a prova Páreo de Amadores no Hipódromo da Gávea com o cavalo uruguaio Plumazo.

Em 1945, obteve o recorde brasileiro de salto com o cavalo Joá na prova Clóvis Camargo no Quitandinha, em Petrópolis[7]. Em 1974, sofreu um acidente hípico e fraturou três costelas, mas venceu quatro meses depois a prova General Lindolpho Ferraz na Sociedade Hípica Brasileira com o cavalo Tupã[7]. Em 1980, conquistou a prova Cinco Tríplices-General Mário Vital Guadalupe Montezuma no Centro Hípico de Exército com o cavalo Laborioso[7].

Caça[editar | editar código-fonte]

Começou a praticar a caça submarina em 1956, mergulhando regularmente até os 80 anos[7].

Relacionamentos[editar | editar código-fonte]

Casou-se com Stella Goulart Marinho em 1946. No ano seguinte, nasce o seu filho primogênito Roberto Irineu – o atual presidente do Grupo Globo – seguido por Paulo Roberto, João Roberto e José Roberto Marinho, nascidos respectivamente em 1950, 1952 e 1955. Em 1970, perde o filho Paulo Roberto em um acidente de carro na região dos Lagos e separa-se de Stella.

Em 1979, casa-se pela segunda vez com Ruth de Albuquerque Marinho[2], de quem separou-se no fim da década de 1980[7]. O seu terceiro e último casamento foi com Lily de Carvalho Marinho, em 1991.

Comprou a casa do Cosme Velho, onde viveu até o fim da vida[7].

Participações nas artes[editar | editar código-fonte]

Conheceu Cândido Portinari em 1942, de quem tornou-se um amigo e de quem comprou os quadros "Floresta" e "Circo" iniciando uma coleção de obras de arte.

Exposições pessoais[editar | editar código-fonte]

Organizou em 1985 a exposição Seis Décadas de Arte Moderna na coleção Roberto Marinho no Paço Imperial, levada depois a Buenos Aires em 1987 e a Lisboa em 1989.

Já em 1994, organizou a exposição Arte Moderna Brasileira - Uma seleção da Coleção Roberto Marinho no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que depois foi para Brasília e Curitiba[7].

Como um representante do País[editar | editar código-fonte]

Foi nomeado em delegado do Brasil na comissão dedicada aos direitos humanos da VII Assembleia Geral da ONU, em 1952.

Em prol da educação[editar | editar código-fonte]

Em 1977, criou a Fundação Roberto Marinho, organização que apoia iniciativas educacionais, e passou a dedicar-se à formulação dos programas educativos Telecurso 1o Grau e Telecurso 2o Grau.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Em 1983, recebeu o Emmy de Personalidade Mundial da Televisão nos Estados Unidos[2].

Como um escritor e acadêmico[editar | editar código-fonte]

Em 1992, lançou em parceria com Francisco Pinto Balsemão a Sociedade Independente de Comunicação e publicou o seu único livro Uma trajetória liberal[30].

Postulou a cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras em 1993 na sucessão de Otto Lara Resende, tendo sido eleito em 22 de julho do mesmo ano[nota 12].

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Em 6 de agosto de 2003, aos 98 anos, Roberto falece na UTI do Hospital Samaritano devido a um edema pulmonar. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro[6].

Notas

  1. A Revista Forbes, em 1987, definia Roberto Marinho como o mais influente empresário de televisão, considerado o homem mais poderoso do Brasil, "tendo desempenhado um papel dominante na comunicação", citando que a a rede de TV de Marinho "comanda 80% dos telespectadores do Brasil e é a quarta maior do mundo, sendo superada apenas pelo três grandes dos EUA."[4] Em 2002, a mesma Forbes estimava que o patrimônio do magnata havia caído de US$ 6,4 bilhões para US$ 1 bilhão.[5]
  2. Ao lado do empresário Assis Chateaubriand, Roberto Marinho foi um dos proprietários de jornais mais beneficiados por subvenções estatais por meio de empréstimos e anúncios publicitários durante o Estado Novo. Chateaubriand e Marinho receberam inúmeros fa­vores do governo por meio de empréstimos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil - instituições de finan­ciamento fundamentais para o desenvolvimento de seus empreendimentos jornalís­ticos -, fazendo com que ambos mantivessem certa fidelidade aos projetos de Vargas, inclusive participando ativamente das ati­vidades do DIP. À medida que as relações entre governo e empre­sas jornalísticas iam se intensificando, estas últimas passaram a obter benefícios governamentais e, dessa forma, seus jornais conquistaram posições elevadas no campo da comunica­ção brasileira, uma vez que passaram a concentrar poderes e dispor de maior capacidade de barganha com o governo federal do que seus concorrentes, além de se imporem como forças importantes dentro na esfera jor­nalística e até mesmo do política. Logo, mesmo ocorrendo en­campação e censura de diversos órgãos da imprensa durante o Es­tado Novo, existiram mais proximidades e acordos entre os homens do governo e os da imprensa do que conflitos.[12]
  3. Além das beneses da primeira era Vargas (1930-1945), o crescimento financeiro do grupo de Marinho foi também impulsionado pela edição de gibis e histórias em quadrinhos norte-americanos e de empreendimentos imobiliários durante as décadas de 1930 e 1940, que lhe permitiu comprar transmissores para montar sua primeira rádio.[3]
  4. Quando da solenidade de inauguração da emissora de rádio e já demonstrando uma visão estratégica de mercado e procurando diversificar ainda mais seus empreendimentos, Roberto Marinho enfatizou que "esta não é só uma estação de rádio que estamos lançando. É uma nova forma que "O Globo" encontrou de servir ao país"[13].
  5. Dutra e Marinho mantinham uma boa amizade desde o Estado Novo, quando o Ministério da Guerra Dutra contribuiu com a circulação de "O Globo Expedicionário", de Marinho, nos campos de batalha dos expedicionários brasileiros.[12]
  6. A repercussão da irradiação dos comentários de Carlos Lacerda na Rádio Globo era grande, e o jornalista não poupava a figura do presidente Vargas e dos membros do governo, fazendo afirmações sempre em tom acusatório. Embora estivesse preocupado do ponto de vista empresarial com uma reação de Vargas, Marinho defendia publicamente a Rádio Globo através do jornal "O Globo" quando o governo federal ameaçou até cassar a concessão da estação de rádio: "(...)a polícia e o próprio governo deveriam meditar na repercussão que teria neste momento qualquer medida coercitiva que fosse tomada contra uma estação de rádio, sobretudo contra aquela onde está se debatendo um grande escândalo público, objeto de uma comissão parlamentar de inquérito."[14]
  7. O agravamento da crise política em agosto de 1954 levou à intensificação dos ataques de Lacerda ao governo e Getúlio Vargas se suicidou, que gerou revolta de populares que atacaram tudo o que simbolizasse a oposição ao presidente Vargas, entre os quais o jornal "O Globo" e a "Rádio Globo", cujos carros foram atacados, alguns incendiados. Houve ameaça de invasão da sede das Organizações Globo, contida pela polícia, e como conseqüência a Rádio Globo ficou algumas horas fora do ar e o jornal O Globo (que era vespertino na época) foi impedido de circular no dia.[14]
  8. A TV Globo conquistou os cariocas no verão de 1966, quando interrompeu sua programação para fazer com exclusividade a cobertura ao vivo das enchentes que deixaram dezenas de mortos e feridos na capital fluminense. A idéia da cobertura ao vivo foi do executivo Walter Clark, responsável por implantar o famoso "Padrão Globo de Qualidade".[3][17] Em 1969, uma casualidade mudou os rumos da TV Globo, quando um incêndio destruiu a sede da emissora em São Paulo. Com os estúdios devastados, a cidade teve de assistir à programação do Rio de Janeiro, mas a audiência na cidade não caiu. O que era estratégia de emergência virou a grande vantagem da Globo, que se tornou a primeira emissora nacional do país, e uma rede que alcançasse o terrirório nacional era tudo o que os militares queriam.[18]
  9. Inicialmente, a Rede Globo ignorou completamente as manifestações populares em favor de eleições diretas em 1985 para presidente da República, passando a cobrir com mais intensidade a campanha somente a partir do Comício da Candelária, quando o movimento já tinha se consolidado e eram grandes as pressões e as hostilidades contra a emissora de Marinho[3].
  10. Antes de assumir o Ministério da Fazenda em 1988, o economista Maílson da Nóbrega conversou por duas horas com Roberto Marinho. "Era como se eu estivesse sendo sabatinado", contou Maílson para a revista Playboy. Dez minutos após a conversa, o Jornal da Globo deu o "furo" de que ele era o novo ministro da pasta econômica de Sarney.[18][26].
  11. Em editorial publicado pelo jornal O Globo em 7 de outubro de 1984, Roberto Marinho escreveu: "Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada."[25] Roberto Marinho manteve sua influência no governo herdado por José Sarney, tendo conseguido mais quatro concessões públicas de TV e até mesmo indicado os ministros Leônidas Pires Gonçalves (Exército) e Antonio Carlos Magalhães (Comunicações)[3] e influído na escolha de titulares da área econômica, como Maílson da Nóbrega.[nota 10] Na eleição presidencial de 1989, Marinho apoiou Fernando Collor de Mello. Um episódio marcante na campanha eleitoral foi o último debate televisivo entre Collor e Lula no segundo turno, transmitido ao vivo pela Rede Globo, que foi bastante disputado entre os dois candidatos. No entanto, no Jornal Nacional, o último antes da votação que definiria o novo presidente brasileiro, a emissora apresentou uma edição do debate francamente favorável a Collor. A parcialidade da Globo conseguiu influenciar boa parte dos eleitores que ainda estavam indecisos às vésperas daquela disputada eleição[3][20]
  12. Foi recebido pelo acadêmico Josué Montello em 19 de outubro de 1993.

Referências

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  30. «Academia Brasileira de Letras - Roberto Marinho - Bibliografia». Consultado em 9 de agosto de 2013 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Irineu Marinho
Presidente das Organizações Globo
1925 — 2003
Sucedido por
Roberto Irineu Marinho
Precedido por
Otto Lara Resende
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1993 — 2003
Sucedido por
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