Revolta dos 18 do Forte de Copacabana

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Os 18 do Forte.jpg
Da esquerda para direita, tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Newton Prado e o civil Otávio Correia.
Conflitos na História do Brasil
Período Republicano
República Velha
1ª Revolta de Boa Vista: 1892-1894
Revolta da Armada: 1893-1894
Revolução Federalista: 1893-1895
Guerra de Canudos: 1893-1897
Revolta da Vacina: 1904
2ª Revolta de Boa Vista: 1907-1909
Revolta da Chibata: 1910
Guerra do Contestado: 1912-1916
Sedição de Juazeiro: 1914
Greves Operárias: 1917-1919
Revolta dos Dezoito do Forte: 1922
Revolução Libertadora: 1923
Revolução de 1930: 1930
Era Vargas
Revolução Constitucionalista: 1932
Intentona Comunista: 1935
Levante Integralista: 1938
Regime Militar
Guerrilha de Três Passos: 1965
Guerrilha do Caparaó: 1967
Guerrilha do Araguaia: 1967-1974
Revolta dos Perdidos: 1976

A Revolta dos 18 do Forte, também conhecida como Revolta do Forte de Copacabana foi iniciada em 5 de julho de 1922 e encerrada no dia seguinte, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.[1] Foi a primeira revolta do movimento tenentista, no contexto da República nova brasileira.

Segundo a tradição, foi concluída com uma marcha heróica feita por 17 militares e 1 civil que reivindicavam o fim das oligarquias do poder[1] , combatendo 3000 homens das forças governamentais.

O levante, que foi planejado com proporções muito maiores, teve como motivação buscar a queda da República Velha, cujas características oligárquicas atreladas ao latifúndio e ao poderio dos fazendeiros se opunham ao ideal democrático vislumbrado por setores das forças armadas, em especial de baixa patente como tenentes, sargentos, cabos e soldados.[1] .

Acontecimentos[editar | editar código-fonte]

A Revolta dos Dezoito do Forte e o movimento Tenentista, que era numa primeira leitura ligados às forças armadas, representavam também a insatisfação de outros estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia com a divisão política existente, conhecida como política do café com leite.

Para as eleições de 1 de março 1922, para concorrer contra o candidato governista Arthur Bernardes foi lançada a Reação Republicana[2] , com candidatura do fluminense Nilo Peçanha. Detentor da maquina pública, Bernardes venceu com 56% dos votos válidos da eleição. Porém a oposição denunciou fraudes e clamava por um Tribunal de Honra[2] .

O evento considerado o estopim para a revolta teve origem na disputa eleitoral de 1921 para o cargo de presidente da república. Durante o período, cartas ofensivas ao Exército e ao Marechal Hermes da Fonseca,[3] supostamente assinadas pelo candidato Arthur Bernardes tornaram-se públicas.

Isso resultou em discussões que culminaram com fechamento do Clube Militar e a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, então seu presidente[4] , no dia 2 de julho[5] .

O descontentamento entre os militares era crescente. Diversas unidades do Rio de Janeiro se organizaram para realizar um levante no dia 5 de julho de 1922 contra o presidente em exercício Epitácio Pessoa (representante da oligarquia que dominava o país) e Arthur Bernardes que assumiria o cargo em novembro.

No entanto, apenas o Forte de Copacabana, localizado na ponta direita da praia de Copacabana, sob comando do Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal, e a Escola Militar se revoltaram, e foram, dessa forma, facilmente combatidos. Apesar da posição contrária à política café-com-leite, os militares de alta patente acabaram por não aderir ao movimento. A informação chegara até o governo que tratou de trocar os principais comandos militares da capital.

Durante toda a manhã do dia 5, o forte sofreu bombardeio da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, que fica do lado oriental da barra da Baía de Guanabara, mas os 301 revolucionários (oficiais e civis) mantiveram-se firmes até que, as 4h da manhã do dia 6[4] , Euclides Hermes e o tenente Siqueira Campos sugeriram que desistissem da luta aqueles que quisessem: apenas 29 decidiram continuar.

Para tentar uma negociação, o Capitão Euclides Hermes saiu da fortaleza, mas acabou preso.

Os 28 restantes continuaram resistindo.[1] Repartiram a bandeira em pedaços, guardando o do Capitão Euclides Hermes[4] , e marcharam pela Avenida Atlântica em direção ao Leme. Alguns, porém, se dispersaram.

Apenas 17 militares continuaram e partiram em marcha em direção ao Leme e a eles se juntou um civil, Otávio Correa. Eles foram finalmente derrotados em frente à Rua Barroso (atual Siqueira Campos), na altura do Posto 3 de Copacabana.

Participantes e Vítimas[editar | editar código-fonte]

Há controvérsias quanto ao número real de participantes, de sobreviventes[1] [3] [4] [6] [7] , o número de civis (Otávio Correa morreu, mas mais um, Lourival Moreira da Silva[4] , teria sido preso), e ao número total de mortos.

O número 18 teria sido anunciado pela Gazeta de Notícias e pode ser uma lenda[4] . Ela cita 3 oficiais, 2 sargentos e 13 soldados[8] . Em entrevista a Gazeta de Notícias, o Tenente Newton Prado, que viria a falecer mais tarde em decorrência dos ferimentos, diz "Ficamos eu, o Tenente Siqueira Campos e quatorze soldados. Às duas horas da tarde saímos do forte para morrer"[9] . A eles se uniram, na hora do levante, o Tenente Eduardo Gomes (ferido em combate) e Mario Carpenter (morto em combate)[4] . Esse último pertencia ao 3º Regimento de Infantaria[4] e se recusou a atacar colegas de farda. Na rua, se uniu também Otávio Correa, essa soma chega a 19.

Ainda na Gazeta de Notícias, são dados como mortos 14 revoltosos, com 5 feridos. Entre os legalistas, ainda com incerteza, seriam 10 mortos e 4 feridos.[10] Já o Cruzeiro afirmaria anos mais tarde, em 18 de setembro de 1964, 33 soldados governistas como mortos.[11] O Correio da Manhã noticiou 30 feridos, entre ambas as forças, 13 praças e 1 "inferior" (provavelmente sargento) e o 2º Tenente Mario Carpenter[12] entre os revoltosos, mas a essa altura o tenente Newton Prado ainda não havia falecido.

Entre os tenentes, apenas Siqueira Campos e Eduardo Gomes sobreviveram. Alguns praças, porém, sobreviveram e fugiram ou foram presos[4] .

Segundo outras fontes, teriam morrido em, entre oficiais e praças, 12 pessoas no dia 6 e mais duas no dia seguinte, num total de 14 mortos.[3] [1]

Listagem dos Participantes[editar | editar código-fonte]

A lista a seguir é uma composição de várias fontes.

  1. Altino Gomes da Silva, praça ferido em combate. Sobreviveu vindo a falecer em 1999 com 92 anos em Paquetá[4] .
  2. Benedito José do Nascimento, soldado, feito prisioneiro[4] .
  3. Eduardo Gomes, tenente, ferido, teve o fêmur partido[4] , mais tarde Brigadeiro e candidato a presidente.
  4. Francisco Ribeiro de Freitas,soldado, feito prisioneiro[4]
  5. Heitor Ventura da Silva, soldado, feito prisioneiro[4] .
  6. Hildebrando da Silva Nunes, praça.
  7. Hipólito José dos Santos, praça morto ainda na noite do dia 5.
  8. João Anastácio Falcão de Melo, soldado[4]
  9. José Pinto de Oliveira, sargento, ferido[4] .
  10. Manoel Ananias dos Santos, praça, sobreviveu ao combate[4] .
  11. Manoel Antônio dos Reis, praça corneteiro, ferido[4] .
  12. Mario Carpenter, tenente, falecido.[6] [13] .
  13. Newton (Sizenando) Prado[14] , tenente, faleceu[6] no dia seguinte diante do Presidente.
  14. Otávio Correia[11] , civil que se juntou aos militares, morto com um tiro no coração[4] .
  15. Pedro Ferreira de Melo, soldado, morto com uma bala nas costas no início dos combates na rua[4] .
  16. (Antônio) Siqueira Campos, tenente, ferido gravemente no combate e sobrevivente.[7]

Importância Histórica[editar | editar código-fonte]

O episódio, mesmo que não bem sucedido, tornou-se um exemplo para militares e civis no país, sendo a primeira revolta do movimento tenentista, dando origem a outras revoltas tenentistas como a Coluna Prestes, a Revolta Paulista e a Comuna de Manaus. Esse movimento preparou o caminho para a revolução de 1930.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

  • A Rua Siqueira Campos, em Copacabana, antiga rua Barroso, na frente da qual se realizaram os combates na praia.
  • A estátua de de Siqueira Campos, em frente a rua com seu nome, retratando o momento em que está sendo ferido, em homenagem aos 18 do Forte.
  • Rua 5 de Julho, data do Levante
  • Em 1968, o Tenente Newton Prado foi sepultado em jazigo monumental em sua cidade natal, Leme, na praça Rui Barbosa, após honrarias[14] .

Referências

  1. a b c d e f Rainer Sousa. Levante do Forte de Copacabana R7 Brasil Escola. Visitado em 04 de agosto de 2013.
  2. a b Marieta de Moraes Ferreira e Surama Conde Sá Pinto (2006.). A Crise dos Anos Vinte e a Revolução de Trinta 26 pp. CPDOC. Visitado em 26/12/2014.
  3. a b c Revolta Dos 18 Do Forte De Copacabana - Resumo, Causas, Objetivos, Características. Visitado em 04 de julho de 2013.
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t SÉRGIO RUBENS DE ARAÚJO TORRES. OS 18 DO FORTE.
  5. Luiz Ernani Caminha Giorgis. A REVOLUÇÃO DOS 18 DO FORTE DE COPACABANA. Visitado em 26/12/2014.
  6. a b c 18 do Forte CPDOC - Fundação Getúlio Vargas. Visitado em 26/12/2014.
  7. a b (7 de julho de 1922) "As ocorrências do Forte de Copacabana". Jornal do Brasil: 5. Visitado em 26/12/2014.
  8. (7/7/1922) "Quantos foram os atacantes às forças legais". Gazeta de Notícias: 1.
  9. (7/7/1922) "O que nos disse o tenente newton". Gazeta de Notícias: 2. Visitado em 26/12/2014.
  10. (7/7/1922) "Os mortos e os feridos". Gazeta de Notícias: 1. Visitado em 26/12/2014.
  11. a b Octávio Corrêa As Revoluções da República. Visitado em 26/12/2014. "fonte original As Revoluções da República, Osório Santana Figueiredo. Ed. Pallotti, 1995."
  12. (7/7/1922) "No Hospital Central do Exército". Correio da Manhã: 1. Visitado em 26/12/2014.
  13. (7/7/1922) "O 2o Tenente Mario Tamarindo Carpenter". Correio da Manhã: 1. Visitado em 26/12/2014.
  14. a b Gregório Bispo. Herói lemense Newton Prado é homenageado pelo Governo Municipal Secretaria de Comunicação Social/PML. Visitado em 26/12/2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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