Revolta dos Marinheiros de 1964

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Revolta dos Marinheiros de 1964
Golpe de 1964
Antecedentes do Golpe de 1964 – Motim na Marinha - 9.tif
Data 25 de março de 1964
Local Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro , Rio de Janeiro, RJ.
Desfecho Fim do motim e anistia aos participantes.
Troca do Ministro da Marinha.
Beligerantes
Flag of the Brazilian Navy.svg Marinha do Brasil Brasil Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil
Comandantes
Flag of Brazil (1889–1960).svg Sílvio Mota
Flag of Brazil (1889–1960).svg Cabo Anselmo

No Brasil, a Revolta dos Marinheiros foi o episódio originado pela resistência dos marinheiros, reunidos na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro no dia 25 de março de 1964, às vésperas do golpe militar de 1964.[1]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Cabo Anselmo durante a Revolta dos Marinheiros.

A revolta se originou pontualmente devido à ordem de prisão emitida pelo ministro da Marinha, Sílvio Mota.[1] Os marinheiros realizavam uma reunião comemorativa do segundo aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, entidade considerada ilegal.[1]

A revolta dos marinheiros foi um motim dos marinheiros da Marinha do Brasil ocorrido em 25 de março de 1964. Constituiu-se em uma assembleia de mais de dois mil marinheiros de baixa patente (marinheiros e taifeiros), realizada no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro. Os marinheiros exigiam melhores condições para os militares e também pediam apoio às reformas políticas de base propostas pelo presidente João Goulart. A assembleia foi chefiada por José Anselmo dos Santos, mais conhecido como Cabo Anselmo.

O então Ministro da Marinha, Sílvio Mota, ordenou a prisão dos líderes do movimento, enviando um destacamento dos Fuzileiros Navais, comandados pelo Contra-Almirante Cândido Aragão. Os fuzileiros, porém, juntaram-se ao movimento.

Pouco depois da recusa do comandante Aragão em debelar o movimento, Jango expediu ordens proibindo qualquer invasão da assembleia dos marinheiros e exonerou o Ministro Mota. No dia seguinte, 26 de março, o Ministro do Trabalho Amauri Silva negociou um acordo, e os marinheiros concordaram em deixar o prédio pacificamente. Logo em seguida, os líderes do movimento foram presos por militares, sob a acusação de motim. Horas depois, porém, o presidente anistiou os amotinados, criando um forte constrangimento entre os militares diante da imprensa e da sociedade, o que agravou a crise militar.[2] Logo depois, em 30 de março, véspera do golpe, Goulart compareceu a uma reunião de sargentos, no Automóvel Clube, discursando em prol das reformas pretendidas pelo governo e invocando o apoio das forças armadas.[3]

A atuação de Jango frente a um protesto de cerca de 2 mil marinheiros e fuzileiros navais, no dia 25 de março daquele ano, desgastou ainda mais o presidente junto aos militares. A ordem de João Goulart para que o sindicato não fosse invadido ocasionou a renúncia do ministro Sílvio Mota. Em seu lugar Jango nomeou Paulo Mário da Cunha Rodrigues, ligado ao PCB, o que irritou os militares.[4]

Referências