Ilha do Governador

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Ilha do Governador
22° 48′ S 43° 12′ W
Geografia física
País  Brasil
 Rio de Janeiro
Localização Baía de Guanabara
Área 36,12[1] [2]   km²
Geografia humana
População 211 018[1] [2]
Densidade 5 806,56 hab./km²
Rio deJaneiro LE2002059 lrg.jpg
Imagem de satélite da Ilha do Governador (centro da imagem), a maior ilha da Baía de Guanabara
Estátua de um gato-maracajá (um dos primeiros nomes conhecidos da ilha), construída em 1920 na Praia da Guanabara[3]
Vista da Estrada do Galeão, uma das principais avenidas da ilha

A Ilha do Governador localiza-se no lado ocidental do interior da Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro. Compreende catorze bairros do município do Rio de Janeiro. Faz parte da região da Zona Norte do Rio de Janeiro.

História[editar | editar código-fonte]

Com uma área de 36,12 quilômetros quadrados, compreende catorze bairros da cidade do Rio de Janeiro - Bancários, Cacuia, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi -, com uma população total de aproximadamente 210 mil habitantes. Tradicionalmente residencial, atualmente apresenta características mistas, compreendendo ainda indústrias, comércio e serviços.

Descoberta em 1502 por navegadores portugueses, os índios Temiminós eram os seus habitantes na época. Chamavam-na de "Ilha de Paranapuã", termo que significa "colina do mar", pela junção de paranã, "mar"[4] e apuã, "colina"[5] , sendo também chamada de "Ilha dos Maracajás" (espécie de grandes felinos, então abundantes na região. "Maracajá" também era um outro nome dos índios temiminós que habitavam a ilha[6] .) pelos índios Tamoios, inimigos dos Temiminós.

Terra natal de Arariboia, foi abandonada pelos Temiminós em consequência dos ataques de inimigos Tamoios e de traficantes franceses de pau-brasil, os quais foram definitivamente expulsos em 1567, pelos portugueses.

Ver artigo principal: Entrincheiramento de Paranapuai

O nome "Ilha do Governador" surgiu somente a partir de 5 de setembro de 1567, quando o governador-geral do então Estado do Brasil (e interino da Capitania do Rio de Janeiro) Mem de Sá doou ao seu sobrinho, Salvador Correia de Sá (o Velho - Governador e Capitão-general da Capitania Real do Rio de Janeiro de 1568 a 1572), mais da metade do seu território. Correia de Sá, futuro governador da capitania, transformou-a em uma fazenda onde se plantava cana-de-açúcar, com um engenho para produção de açúcar, exportado para a Europa nos séculos XVI, XVII e XVIII.

Em 1663, foi lançado ao mar o Galeão Padre Eterno, na época o maior navio do mundo. O galeão foi construído num local da ilha que passou a ser conhecido como Ponta do Galeão, originando o atual bairro do Galeão.

No século XIX, o Príncipe-Regente D. João utilizou o seu espaço como coutada para a caça. Segundo a tradição, conta-se que a Praia da Bica recebeu este nome por causa de uma fonte que costumava servir de banho ao jovem príncipe D. Pedro, mais tarde D. Pedro I (1822-1831). O desenvolvimento da Ilha do Governador, entretanto, só ocorreu a partir da ligação regular da ilha com o continente, efetuada por barcas a vapor com atracadouro na Freguesia desde 1838. Mais tarde, outros atracadouros foram construídos no Galeão e na Ribeira, integrando a área à economia do café e à atividade industrial (produção de cerâmica).

No início do século XX, os bondes chegaram à ilha, efetuando a ligação interna de Cocotá à Ribeira (1922), percurso estendido posteriormente até ao Bananal e a outros pontos. Também é neste século que se instalaram as unidades militares: a Base Aérea do Galeão, os quartéis dos Fuzileiros Navais e a Estação de Rádio da Marinha, época em que o bairro se constituía num balneário para a classe média da cidade do Rio de Janeiro.

Em 23 de julho de 1981, através do Decreto Número 3 157, do então prefeito Júlio Coutinho, no tempo do Governador Chagas Freitas, o bairro da Ilha do Governador foi oficialmente extinto e transformado nos seus atuais quatorze bairros oficiais.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista da Ilha do Governador, a maior ilha da baía

A região por sua peculiar localização dentro da Baía de Guanabara, conta com excelente ventilação, o que garante um clima bem mais ameno nos dias mais quentes de verão. Essa vantagem, por outro lado, representa um risco quando se tratam de grandes tempestades, pois o bairro fica sujeito a fortes vendavais e a incidência acima do comum para a região de chuva de granizo.

A arborização do bairro é bastante intensa, não apenas pela existência de reservas naturais de Mata Atlântica dentro da área da aeronáutica no Galeão e da Marinha no Jardim Guanabara, Bancários, Freguesia e bananal, mas também em diversas áreas públicas e principalmente nos quintais das inúmeras residências por todo o bairro, auxiliando na prevenção das ilhas de calor que se formam em algumas regiões pouco arborizadas e excessivamente construídas dentro de metrópoles. A APARU do Jequiá possui uma preservação do ecossistema de manguezal bastante considerável, em função de sua localização dentro da metrópole.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O entorno da Praia do Quebra Coco foi transformado em uma pequena reserva ecológica através da construção de um parque municipal, Professor Marcello de Ipanema; área vizinha à marina do Jardim Guanabara, formando um complexo de lazer. Além dessa praia, a ilha possui pequenas praias de orla fina, que estão localizadas em ruas de residenciais comuns:

Além de praias de orla espessa que atuam como o centro de esportes e vida noturna dos bairros.

Há também um rio que corta a Ilha, o Rio Jequiá.

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

Apesar de não ser comum entre as cidades brasileiras, alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro possuem símbolos, adquiridos à época em que seu território estava no estado da Guanabara. O brasão do bairro da Ilha do Governador é composto de:

Brasão da Região Administrativa da Ilha do Governador
  • Um escudo heráldico português (arredondado na base e formando ângulos retos na parte superior), encimado por uma coroa mural de cinco torres de ouro, símbolo de cidade-capital.
  • Aos lados, dois golfinhos, símbolo de povoação marítima, tendo ao lado direito a data de 1568, data da doação da sesmaria de mais da metade das terras da ilha, concedida por Mem de Sá, Governador-geral do Estado do Brasil, a Salvador Correia de Sá, o Velho, segundo governador da Capitania do Rio de Janeiro.
  • Do lado esquerdo, a data de 1961, de criação do brasão de armas da Ilha do Governador, ambos os números em vermelho.
  • Em baixo, ainda em vermelho, a legenda Governador, referente ao nome da ilha e ao cargo de Salvador Correia de Sá.
  • Divisão quartelada, sendo o primeiro quartel (à direita), sobre fundo branco (prata), um arco em vermelho disparando uma flecha, simbolizando a primitiva ocupação indígena da ilha. No segundo quartel (embaixo, à direita), sobre fundo vermelho, o retrato de Salvador Correia de Sá. À esquerda, no primeiro quartel, sob fundo azul, a Capela Imperial Nossa Senhora da Conceição, em ouro (amarelo), simbolizando a criação da Freguesia de mesmo nome, em 1710. Embaixo, sob fundo azul, as armas da Aeronáutica (asas) e da Marinha (uma âncora), em ouro (amarelo), simbolizando a ocupação militar da Ilha.

Em heráldica, o vermelho simboliza a vitória, com sangue, sobre o inimigo. No brasão, o vermelho simboliza a vitória decisiva para a conquista do Rio de Janeiro pelos portugueses.

No período de 1961 a 1975, o brasão de armas da Ilha do Governador teve uma estrela de prata sobre a coroa-mural de ouro, simbolizando o Estado da Guanabara. Com a fusão, em 1975, o brasão perdeu a estrela.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A Ilha do Governador é dividida em quinze bairros:

  1. Bananal
  2. Bancários
  3. Cacuia
  4. Cocotá
  5. Freguesia
  6. Galeão
  7. Jardim Carioca
  8. Jardim Guanabara
  9. Moneró
  10. Pitangueiras
  11. Portuguesa
  12. Praia da Bandeira
  13. Ribeira
  14. Tauá
  15. Zumbi

O bairro Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, localiza-se na Região Administrativa XX - Ilha do Governador, mas não na Ilha do Governador enquanto acidente geográfico.

Economia[editar | editar código-fonte]

Comércio[editar | editar código-fonte]

Possui um comércio variado,desde o popular nos bairros do Cacuia e do Cocotá até as lojas mais para a classe média ao longo da Estrada do Galeão, e também lojas de grife no Jardim Guanabara e no Shopping Ilha Plaza. O dinamismo da economia do bairro só não é maior pois a limitação do gabarito em três pavimentos,não apenas por sua proximidade com o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão mas também por conta do controle demográfico, restringe a capacidade de criação de oportunidades dentro do bairro e a criação de uma concentração de atividades com sinergia suficiente para atrair grande movimento de diversas regiões da metrópole. Apesar disso, parte da jovem mão de obra insulana encontra emprego no aeroporto e também no comércio e nas empresas locais.

Indústria[editar | editar código-fonte]

A tradição manufatureira da ilha remonta às caieiras coloniais, ampliada a partir da década de 1860, quando se iniciou a fabricação de produtos cerâmicos, telhas e tijolos que deram nome à Praia da Olaria. Essa atividade foi reforçada, na década seguinte, pela inauguração da Fábrica de Produtos Cerâmicos Santa Cruz (1873), nas terras da antiga Fazenda da Conceição, atual Jardim Guanabara.

No século XX, a partir da década de 1970, o estaleiro Transnave instalou-se na Ribeira e, posteriormente, o Eisa (ex-Emaq), na Praia da Rosa, fabricando embarcações de grande porte.

Destaca-se, ainda, a presença de dois complexos industriais transnacionais produzindo aditivos e óleos lubrificantes: a Shell, na Ribeira e a Exxon, no Zumbi.

O governo municipal encontra-se presente através de escritórios da Divisão de Conservação e Obras, do Departamento de Fiscalização e Edificações e de uma gerência da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb).

Serviços[editar | editar código-fonte]

Subsidiariamente, a ilha conta com um destacamento do Corpo de Bombeiros (a 19ª), uma delegacia de Polícia Civil (a 37ª), um batalhão da Polícia Militar (o 17°), um fórum regional (Cartório de Registro Civil, duas Varas Cíveis, uma de Família, uma Criminal com Tribunal do Júri, uma Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil seção Rio de Janeiro e um escritório da Defensoria Pública), agências de correios e agências dos principais bancos.

São atuantes, ainda, os tradicionais Lions e Rotary, em conjunto com a comunidade, oferecendo cursos profissionalizantes e palestras para a comunidade.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Água e esgoto[editar | editar código-fonte]

O fornecimento de água e esgoto é feito pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. No Tauá, se localiza a Estação de Tratamento de Esgoto Ilha do Governador.[7] Nas praias da ilha, há ligações clandestinas de esgoto que poluem a Baía de Guanabara porém diminuíram bastante depois de grandes obras do governo do Estado nas principais praias, que praticamente extinguíram as chamadas "línguas negras" ,muito comuns em praias da zona sul do Rio de janeiro e também na cidade de Niterói. Nos últimos teste feitos pelo INEA, algumas praias da Ilha chegaram a ser consideradas próprias para o banho. Contudo, o lixo flutuante, que chega as praias através de correntes que os trazem de outras praias da baía e dos rios da baixada fluminense, principalmente após chuvas fortes, ainda são obstáculos para banhistas e atletas que veem nas praias insulanas o local perfeito para suas atividades.

Aeroporto internacional[editar | editar código-fonte]

Em 1952, foi inaugurado o Aeroporto do Galeão, ampliado em 1977 para atender linhas internacionais (quando passou a chamar-se Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro). Maior complexo aeroportuário da época, com capacidade inicial para seis milhões de passageiros por ano, o antigo Galeão passou a operar como Terminal de Cargas. O Aeroporto internacional, depois Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - Galeão - Antônio Carlos Jobim, atualmente consta de dois terminais de passageiros, um terminal de cargas da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), um terminal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, um terminal de cargas da VARIG LOG e um hangar industrial da Varig Engenharia e Manutenção. Como é um aeroporto misto (civil e militar), ainda conta com o chamado Galeão Velho para operações do Correio Aéreo Nacional e para recepção e entrega de carga junto às empresas transportadoras de carga aérea, sem contar que as aeronaves militares, que pousam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, têm, como destino, o pátio militar, localizado na Base Aérea do Galeão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • IPANEMA, Cybelle de. História da Ilha do Governador. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Marcello de Ipanema, 1991. 200 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]