Elza Soares

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde julho de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Elza Soares
Elza Soares.jpg
A cantora brasileira Elza Soares durante o II Encontro Afro-Latino realizado na Bahia.
Informação geral
Nome completo Elza da Conceição Soares
Também conhecido(a) como "Elzinha"
Nascimento 23 de junho de 1930 (86 anos) ou 23 de junho de 1937 (79 anos) [nota 1]
Origem Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
País  Brasil
Gênero(s) Samba
MPB
bossa nova
sambalanço
samba jazz
samba rock
samba enredo
Ocupação(ões) Cantora
Instrumento(s) Vocal
Gravadora(s) EMI-Odeon, Tapecar, CBS, Recarey, Som Livre, RGE, World Music Network, Tratore, Dubas Música, Luna Brasil, Universal Music e Biscoito Fino
Afiliação(ões) Miltinho (cantor), Nando Reis, Fernanda Abreu, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Emanuelle Araújo, Lobão (músico), Wander Pires, Arlindo Cruz, Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Virgínia Rodrigues, Carlinhos Brown, Zé Keti, Fred Zero Quatro e Jorge Ben Jor
Influência(s) Celia Cruz e Louis Armstrong
Página oficial elzasoares.com.br

Elza da Conceição Soares, mais conhecida pelo nome artístico Elza Soares (Rio de Janeiro, 23 de junho de 1930[1] ou 1937[2] ),[nota 1] é uma cantora e compositora brasileira de samba, bossa nova, MPB, sambalanço, samba rock e samba jazz.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha do operário e violonista Gomes Soares e da lavadeira Rosária Maria Gomes, Elza Soares nasceu na favela da Moça Bonita, em Padre Miguel (hoje Vila Vintém), e ainda pequena mudou-se para o bairro da Água Santa[3] , onde foi criada.

Em sua infância vivia a brincar na rua, soltar pipa, piões de madeira, até brigar com os meninos. Era uma vida pobre, porém feliz para uma criança, apesar de ter que trabalhar, levando latas d'água na cabeça.[3] [4] Aos doze anos de idade, por ordens do pai, casou-se com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes, e cerca de um ano depois deu à luz seu primeiro filho, João Carlos.[2] Como tinha o sonho de cantar e precisava comprar remédios para seu filho recém-nascido, aos treze anos participou do programa de Ary Barroso na Rádio Tupi, e fez sua primeira apresentação ao vivo no auditório da emissora, que era a maior de seu tempo. A princípio não foi levada a sério, por seu jeito bem humilde de falar e se vestir, o que levou o apresentador a perguntar irônicamente a ela "De que planeta você veio?", ao que Elza respondeu corajosa "do planeta fome"[5] . Apesar deste momento de chacota por parte do apresentador, Elza não se abalou e, ao cantar mostrou todo seu potencial. Assim ganhou um dinheiro de participação e comprou os remédios do filho.[3]

Os filhos vieram numerosos, e aos quinze anos seu segundo filho faleceu. Com o marido doente, acometido por tuberculose,[3] passou a trabalhar como encaixotadora e conferente na fábrica de sabão Véritas, no Engenho de Dentro. Aos 21 anos ficou viúva[2] , com cinco filhos para criar, quatro meninos e uma menina.[2] Porém, seguiu em seu propósito de vida, que era cantar.[3]

Aos 32 anos conheceu o jogador de futebol Garrincha. Ela sofreu preconceito com esses relacionamento por ser uma cantora de início de carreira se envolve com um jogador de futebol que havia se divorciado. Isso causou a fúria da sociedade, e Elza era xingada, ameaçada de morte, sua casa era alvejada por ovos e tomates, tudo porque seu namorado quis se divorciar da esposa e todos a acusavam de ter acabado com o casamento de Garrincha.

Em 13 abril de 1969 mais uma dura perda: Rosária Maria Gomes, mãe de Elza, morreu num acidente de carro em que Garrincha, Elza e a filha pequena Sara também saíram machucados. Garrincha (alcoolizado) dirigia um Galaxie pela Rodovia Presidente Dutra quando foi fechado por um caminhão que entrava em baixa velocidade na pista. Todos se machucaram sem gravidade, mas Dona Rosária morreu na hora (foi arremessada para fora do carro).[3]

Elza e Garrincha foram casados por 16 anos, de 1968 a 1982. Os amigos de seu marido não aceitavam Elza como esposa, e a xingavam de bruxa, pois ela rodava os bares pedindo para ninguém dar bebida alcoólica ao marido, que era alcoólatra.[3]

O casal teve apenas um filho, um menino, nascido em 1976, que o jogador queria tanto, pois só teve filhas mulheres com a outra esposa. O garoto recebeu o mesmo nome de seu pai, Manoel Garrincha dos Santos Filho, sendo apelidado de Garrinchinha. Em 1983 Garrincha morreu de cirrose, o que a fez ficar arrasada, mesmo já estando separada dele. Em 11 de janeiro de 1986, outra tragédia em sua vida: seu filho morreu em um acidente de carro aos 9 anos de idade, ao voltar da primeira visita que fez à terra do pai, Pau Grande (Magé). Chovia muito e o carro em que estava rodou e caiu dentro do rio Imbariê, na Rodovia Rio-Magé. Elza ficou derrotada com a perda desse filho, pensando até em acabar com sua vida. Em seguida saiu do Brasil, morando fora por longo tempo, fazendo turnês pela Europa e EUA. Depois de muitos anos investigando onde sua filha estava, ao voltar ao Brasil descobriu a menina, o que foi um recomeço em sua vida. Ela já estava formada, tinha boa educação e uma vida estruturada, e a aceitou como mãe ao longo do tempo.[3]

Apesar de tantas atribulações, Elza é conhecida na mídia por sempre aparecer feliz e cantando, sorrindo, o que mostra um exemplo de vitória para quem passa por dificuldades como ela passou.

Elza teve seis filhos: João Carlos, Gerson, Gilson, Dilma, Sara e Garrinchinha. Em 26 de julho de 2015, Elza perdeu seu quinto filho, Gilson, de 59 anos de idade, vítima de complicações de uma infecção urinária. O fato a abalou muito, e comoveu o Brasil.[6]

Carreira[editar | editar código-fonte]

O início de sua carreira musical se deu quando ela ainda se apresentava em show de calouros, apresentado por Ary Barroso.

Elza Soares tornou-se popular com as canções Se Acaso Você Chegasse, Mas Que Nada, entre outros sambas de sucesso. Recebeu indicações ao GRAMMY Awards e foi eleita pela BBC de Londres "a cantora do milênio".[carece de fontes?] Em 2007, a cantora foi convidada para cantar o Hino Nacional Brasileiro a cappella na Cerimônia de Abertura dos Jogos Panamericanos Rio 2007. Seu último álbum foi lançado em 2004, Vivo Feliz, que mistura diversos ritmos que vão do samba à música eletrônica.

Elza participou de um show de calouros apresentado pelo renomado músico brasileiro Ary Barroso, e recebeu as maiores notas. No fim da década de 1950, Elza Soares fez uma turnê de um ano pela Argentina, juntamente com Mercedes Batista. Tornou-se popular com sua primeira música Se Acaso Você Chegasse, na qual introduziu o scat similar a do jazzista Louis Armstrong, contudo, Elza diz que não conhecia a música americana na época.[7] Mudou-se para São Paulo, onde se apresentou em teatros e casas noturnas. A voz rouca e vibrante tornou-se sua marca registrada. Após terminar seu segundo LP, A Bossa Negra, Elza foi ao Chile representando o Brasil na Copa do Mundo da FIFA de 1962, onde conheceu pessoalmente Louis Armstrong.[8] Seu estilo "levado" e exagerado fascinou o público no Brasil e no exterior.

Nos anos de 1967 a 69, Elza gravou três álbuns LP pela Gravadora Odeon, com o cantor Miltinho (Elza, Miltinho e Samba) – Vol_1 (1967), Vol_2 (1968) e Vol_3 (1969)], Esses discos tinham, majoritariamente, o esquema de pot-pourri em duetos e caíram no gosto de público e crítica, levando a uma trilogia de sucesso; tiveram produção de Milton Miranda e Hermínio Bello de Carvalho, sendo, posteriormente, todos relançados em 2003 pela EMI em CDs.

Nos anos 70, Elza iniciou uma turnê pelos Estados Unidos e Europa. Em 2000, foi premiada como "Melhor Cantora do Milênio" pela BBC em Londres, quando se apresentou num concerto com Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Virgínia Rodrigues.[carece de fontes?] No mesmo ano, estreou uma série de shows de vanguarda, dirigidos por José Miguel Wisnik, no Rio de Janeiro.

Autógrafo da artista.

Elza Soares teve inúmeras músicas no topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira; alguns dos maiores sucessos incluem: Se Acaso Você Chegasse (1960), Boato (1961), Cadeira Vazia (1961), Só Danço Samba (1963), Mulata Assanhada (1965) e Aquarela Brasileira (1974).

Alguns dos álbuns de Elza foram relançados em versões remasterizadas de CD: de 1961 – A Bossa Negra (contendo seu maior sucesso no ano, Boato) – e de 1972, com uma grandiosa banda, Elza Pede Passagem (produzido por Dom Salvador), sendo dois dos seus mais aclamados trabalhos. Elza pede passagem não fez tanto sucesso como seus trabalhos anteriores, quando lançados originalmente no Brasil; no entanto, é considerado um clássico e representante do som samba-soul do início dos anos 70.

Em 2000, foi eleita a cantora do milênio pela BBC de Londres.[carece de fontes?]

Em 2002, o álbum Do Cóccix até o Pescoço garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco foi bem recebido pelos críticos musicais e divulgou uma espécie de quem é quem dos artistas brasileiros que com ela colaboraram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor, entre outros. O lançamento impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo.

Em 2004, Elza lançou o álbum Vivo Feliz. Não tão bem-sucedido em vendas quanto suas obras anteriores, o álbum continuou a executar o tema de fazer um mix de samba e bossa com música eletrônica e efeitos modernos. O álbum teve colaborações de artistas inovadores como Fred Zero Quatro e Zé Keti.

Em 2007, nos Jogos Pan-americanos do Brasil, Elza interpretou o Hino Nacional Brasileiro, no início da cerimônia de abertura do evento, no Maracanã. E lançou o álbum Beba-me, onde gravou as músicas que marcaram sua carreira.

Já atuou como puxadora de samba-enredo, tendo passagens pelo Salgueiro, Mocidade[9] e Cubango.

Desde 2008, ano em que Elza completou cinquenta anos de carreira, a vida e obra da cantora é pesquisada pela cineasta e jornalista Elizabete Martins Campos, que dirigiu o longa-metragem My Name is Now, Elza Soares, lançado em 2014.[10]

Em 2010, gravou a faixa Brasil, no disco tributo a Cazuza Treze parcerias com Cazuza, produzido pelo saxofonista George Israel, da banda Kid Abelha. Nesta faixa há a participação do saxofonista e do rapper Marcelo D2. Como grande amiga do artista, já havia gravado Milagres antes, inclusive apresentando-a ao vivo com o próprio Cazuza. Também naquele ano, pela primeira vez a artista comandou e puxou um trio elétrico no circuito Dodô (Barra - Ondina). O trio levou o nome de A Elza pede passagem, arrastando uma grande multidão pelas ruas de Salvador no carnaval daquele ano.

Em 2011, gravou a música Perigosa, já cantada pelo grupo As Frenéticas, para a minissérie Lara com Z, da Globo. Também neste ano, gravou a música Paciência, de Lenine, para o filme Estamos Juntos.

Em 2012, fez uma participação na música Samba de preto da banda paulista Huaska, faixa título do terceiro CD da banda.

Em 2014, estreia o show A Voz e a Máquina, baseado em musica eletrônica acompanhada na palco apenas pelos DJs Ricardo Muralha, Bruno Queiroz e Guilherme Marques. Nesse mesmo ano, a cantora fez uma série de espetáculos intitulada Elza Canta e Chora Lupicínio Rodrigues, em comemoração ao centenário do cantor e compositor gaúcho de marchinhas e samba Lupicínio Rodrigues.[11]

No ano de 2015, Elza Soares chega com uma novidade: o disco A Mulher do Fim do Mundo, primeiro álbum em sua carreira só com músicas inéditas. As canções do disco falam sobre sexo, morte e negritude, e foram compostas pelos paulistas José Miguel Wisnik, Rômulo Fróes e Celso Sim. Nos shows, a cantora vem acompanhada dos músicos Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Romulo Fróes, Felipe Roseno e Guilherme Kastrup, além da participação especial da banda Bixiga 70, do Quadril – Quarteto de Cordas e do cantor Rubi.[12] [13] O álbum surgiu do encontro da cantora com a estética musical contemporânea de São Paulo.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Elza Soares em 2015
  • Se acaso você chegasse (Odeon, 1960)
  • A bossa negra (Odeon, 1960)
  • O samba é Elza Soares (Odeon, 1961)
  • Sambossa (Odeon, 1963)
  • Na roda do samba (Odeon, 1964)
  • Um show de Elza (Odeon, 1965)
  • Com a bola branca (Odeon, 1966)
  • O máximo em samba (Odeon, 1967)
  • Elza, Miltinho e samba (Odeon, 1967)
  • Elza Soares, baterista: Wilson das Neves (Odeon, 1968)
  • Elza, Miltinho e samba - vol. 2 (Odeon, 1968)
  • Elza, carnaval & samba (Odeon, 1969)
  • Elza, Miltinho e samba - vol. 3 (Odeon, 1969)
  • Samba & mais sambas (Odeon, 1970)
  • Maschera negra / Che meraviglia (compacto simples / lançado na Itália, 1970)
  • Elza pede passagem (Odeon, 1972)
  • Elza Soares (Odeon, 1973)
  • Elza Soares (Tapecar, 1974)
  • Nos braços do samba (Tapecar, 1975)
  • Lição de vida (Tapecar, 1976)
  • Pilão + Raça = Elza (Tapecar, 1977)
  • Senhora da terra (CBS, 1979)
  • Elza negra, negra Elza (CBS, 1980)
  • Som, amor trabalho e progresso / Senta a púa (compacto simples / RGE, 1982)
  • Alegria do povo / As baianas (compacto simples / Recarey, 1985)
  • Somos todos iguais (Som Livre, 1985)
  • Voltei (RGE, 1988)
  • Trajetória (Universal Music, 1997)
  • Carioca da Gema - Ao vivo (1999)
  • Do cóccix até o pescoço (Maianga, 2002)
  • Vivo feliz (Tratore, 2003)
  • Beba-me - Ao vivo (Biscoito Fino, 2007)
  • A Mulher do Fim do Mundo (2015)

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Grandes Sucessos de Elza Soares (Tapecar, 1978)
  • Salve a Mocidade (Tapecar, 1997)
  • Meus Momentos – Volumes 1 & 2 (EMI Brasil, 1994)
  • Elza Soares – Raízes do Samba (EMI Brasil, 1999)
  • Sambas e mais sambas - vol. 2 (Raridades) (EMI Brasil, 2003)
  • Deixa a nega gingar - 50 anos de carreira (EMI Brasil, 2009)

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Nos 85 anos de Elza Soares, relembre o perfil da cantora». 23/06/2015. Arquivado desde o original em 12 de setembro de 2015. 
  2. a b c d «Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 28 de julho de 2015. 
  3. a b c d e f g h «Elza Soares: ela voltou». Revista Brasileiros. 20 de março de 2009. Consultado em 28 de julho de 2015. 
  4. José Louzeiro. Elza Soares - Cantando para não Enlouquecer. Editora Globo, 1997 ISBN 9788525024152
  5. http://www.cartacapital.com.br/cultura/antes-de-boicotar-elza-soares-repense-o-seu-racismo
  6. Elza Soares perde quinto filho; Gilson, de 59 anos, teve complicações de uma infecção urinária Extra, 29/7/2015
  7. Elza Soares Roda Viva
  8. Elza Soares canta Lupicínio Rodrigues no RJ (2 e 3/5) e em SP
  9. Eliane Maria (03/10/2009). «Elza Soares, madrinha da Mocidade avisa: 'A Eva vai estar na Avenida'». Jornal Extra. 
  10. Elza Soares é estrela de documentário no Festival do Rio O Globo, 28 de setembro de 2014
  11. «Rei da dor de cotovelo, Lupicínio é redescoberto em shows e DVDs». UOL. 08/05/2015. Consultado em 23/09/1989. 
  12. Anna Virginia Balloussier (07/06/2015). «Elza Soares prepara seu primeiro disco só de inéditas e diz viver o agora». Folha de S. Paulo. Consultado em 23/09/2015. 
  13. «Elza Soares une samba e distorção em nova música sobre violência doméstica». UOL. 11/08/2015. Consultado em 23/09/2015. 

Notas

  1. a b Algumas fontes, como o Dicionário Cravo Albin da MPB, atribuem o ano de nascimento como sendo 1937. Outras fontes, como o portal Brasileiros afirmam que em 23 de junho de 2015, Elza completou 85 anos, sendo, portando, de 1930.
Bibliografia

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Elza Soares
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Elza Soares
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.