Hilário Jovino Ferreira

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Hilário Jovino Ferreira
Nascimento 1873
 Pernambuco
Morte 1933 (60 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação compositor, letrista e agitador cultural

Hilário Jovino Ferreira, o Lalau de Ouro (Pernambuco, 1873Rio de Janeiro, 1933), foi um compositor, letrista e agitador cultural brasileiro, pioneiro do samba e primeiro carnavalesco.[1][2][3][4]

Presente em várias manifestações de cultura popular da cidade do Rio de Janeiro, Hilário Jovino Ferreira foi o criador do primeiro rancho de carnaval, o "Rei de Ouros", responsável por apresentar novidades como o enredo, o uso de instrumentos de cordas e de sopro e personagens como o casal de mestre-sala e porta-bandeira.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de escravos libertos, Hilário Jovino Ferreira nasceu em Pernambuco no ano de 1873. Foi ainda pequeno para a Bahia, onde viria a tornar-se aprendiz de estaleiro, sendo transferido para o Rio de Janeiro em 17 de junho de 1892. Foi então morar no Morro da Conceição, onde encontrou um rancho chamado "Dois de Ouros" que saía no Dia de Reis. Hilário passou a integrar este rancho, mas logo fundou o seu, o "Rei de Ouros", que foi o primeiro a sair no Carnaval. Este fato mudou o carnaval carioca, dando origem a uma "febre" de ranchos carnavalescos.[3]

Hilário foi fundador de outros ranchos, como "Rosa Branca", "Botão de Rosa", "As Jardineiras", "Filhas da Jardineira", "Ameno Resedá", "Reino das Magnólias", "Riso Leal", e também blocos, como "Paredes têm ouvidos" e "Macaco é outro". A preocupação em ascender socialmente o fez comprar a patente de tenente da Guarda Nacional. Hilário era, contudo, adepto da malandragem, e chegou a passar um dia na cadeia por ameaça — ao senhorio que lhe cobrara o aluguel atrasado — e lesão corporal — pelos golpes de capoeira desferidos contra o policial que o perseguiu.[3]

Frequentador da casa de Tia Ciata, envolveu-se na polêmica da autoria do samba Pelo Telefone. A música não seria de Donga, mas uma criação feita de forma coletiva na casa da célebre mãe de santo e quituteira. Hilário seria um dos autores da canção.[3]

Foi pai de Saturnino, um famoso malandro que atuava na Praça Onze.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Hilário Jovino Ferreira». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 23 de novembro de 2017 
  2. «Dossiê das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro» (PDF). IPHAN. Consultado em 23 de novembro de 2017 
  3. a b c d e f «Como um valentão criou uma nova forma de pular o Carnaval». Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de novembro de 2017 
  4. «Pesquisa e texto legitimam história do samba contada em livro essencial». G1. Consultado em 23 de novembro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALMIRANTE. No Tempo de Noel Rosa. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1963.
  • CABRAL, Sérgio. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar, 1996.
  • EFEGÊ, Jota. Ameno Resedá - o rancho que foi escola. Rio de Janeiro: Editora Letras e Artes Ltda, 1965.
  • EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: MEC/FUNARTE, 1978.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.
  • MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Coleção Biblioteca Carioca, 1995.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 1. São Paulo: 34, 1997.
  • VAGALUME. Na Roda de Samba. Rio de Janeiro: Tip. São Benedito, 1933.
  • VASCONCELOS, Ary. Panorama da Música Popular Brasiuleira na Belle Époque. Rio de Janeiro: Livraria Sant'Anna, 1977.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]