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Anísio Abraão David

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Anísio da Beija-Flor
Anísio durante desfile da Beija-Flor em 2016
Nome completoAniz Abraão David
Nascimento
7 de junho de 1937 (89 anos)

Nacionalidadebrasileiro
ParentescoThais Müller (neta)
Farid Abrão David (irmão)
Simão Sessim (primo)
CônjugeFabíola David[1]
Filho(a)(s)Anderson Müller
Gabriel David[2]
OcupaçãoDirigente carnavalesco

Aniz "Anísio" Abraão David (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1937) é um dirigente carnavalesco brasileiro, presidente de honra e uma das personalidades históricas da Beija-Flor de Nilópolis. Ao longo de décadas de atuação no carnaval carioca, esteve ligado ao processo de consolidação da escola de Nilópolis entre as principais agremiações do país e também participou da organização institucional dos desfiles, tendo presidido a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) entre 1985 e 1987.[3]

Trajetória no carnaval

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Anísio pertence à família Abraão David, historicamente ligada à vida cultural e política de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Sua relação com o carnaval antecede a ascensão da Beija-Flor ao primeiro plano da festa carioca e atravessa diferentes fases da história da agremiação.

Segundo pesquisa do historiador Luiz Anselmo Bezerra, da Universidade Federal Fluminense, Anísio teve uma primeira passagem pela presidência da Beija-Flor em meados da década de 1960.[4] As relações entre a família Abraão David e a escola se aprofundariam nos anos seguintes, tornando-se parte fundamental da trajetória de crescimento da agremiação.[5]

Ascensão da Beija-Flor

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A atuação de Anísio esteve diretamente associada ao período de transformação da Beija-Flor em uma das protagonistas do carnaval carioca. Na segunda metade da década de 1970, a escola reuniu uma equipe de profissionais que teria importância decisiva na renovação estética e artística dos desfiles.

Entre os profissionais incorporados à escola estavam o carnavalesco Joãosinho Trinta e o diretor de carnaval Laíla. A chegada da dupla marcou uma mudança de patamar para a agremiação. Com estrutura ampliada, melhores condições para a produção artística e liberdade criativa, a Beija-Flor conquistou três campeonatos consecutivos, em 1976, 1977 e 1978.[6]

O processo alterou o equilíbrio de forças do carnaval carioca. Até então sem a mesma quantidade de conquistas das escolas tradicionalmente dominantes, a Beija-Flor passou a ocupar posição permanente entre as principais agremiações do Rio de Janeiro. Pesquisa acadêmica publicada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro identifica o investimento realizado nesse período como fator fundamental para a ascensão da escola na segunda metade dos anos 1970.[5]

Sob o apoio de Anísio e de sua família, Joãosinho Trinta encontrou condições para desenvolver concepções cenográficas de grande escala, com novas soluções de alegorias, fantasias e apresentação visual. A experiência consolidou uma parceria que marcou profundamente a história estética do carnaval brasileiro.[6]

Além do tricampeonato de 1976, 1977 e 1978, a Beija-Flor voltaria a conquistar o título em 1980 e 1983, completando cinco campeonatos em oito carnavais e consolidando-se definitivamente entre as grandes escolas do Rio.[6]

Presidência da Beija-Flor

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Anísio exerceu a presidência da Beija-Flor em dois períodos registrados na historiografia da agremiação: inicialmente entre 1965 e 1966 e, posteriormente, entre 1987 e 1990.[4]

A segunda passagem é também documentada diretamente pelos registros históricos da LIESA. Nos resultados oficiais dos carnavais de 1987, 1988, 1989 e 1990, Aniz Abrahão David aparece identificado como presidente da Beija-Flor.[7][8][9][10]

Durante esse segundo período presidencial, a Beija-Flor permaneceu entre as primeiras colocadas do carnaval. Em 1987, com As Mágicas Luzes da Ribalta, terminou na quarta colocação; no ano seguinte, com Sou Negro, do Egito à Liberdade, alcançou o terceiro lugar.[7][8]

Em 1989, já sob sua presidência, a escola apresentou Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia, concebido por Joãosinho Trinta. O desfile tornou-se uma das apresentações mais conhecidas da história do carnaval carioca. A Beija-Flor terminou empatada em pontos com a Imperatriz Leopoldinense e ficou com o vice-campeonato após a aplicação dos critérios de desempate.[9]

No carnaval seguinte, em 1990, a escola voltou a ser vice-campeã, dessa vez com o enredo Todo Mundo Nasceu Nu, novamente desenvolvido por Joãosinho Trinta.[10]

Dessa forma, nos quatro carnavais documentados pela LIESA durante sua segunda passagem pela presidência, a Beija-Flor obteve respectivamente um quarto lugar, um terceiro lugar e dois vice-campeonatos consecutivos, mantendo-se durante todo o período entre as principais colocadas do carnaval carioca.[7][8][9][10]

Presidente de honra

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Após suas passagens pela presidência administrativa, Anísio consolidou-se como presidente de honra e uma das principais referências institucionais da Beija-Flor. A própria agremiação continua a apresentá-lo oficialmente nessa função.[11]

Sua presença atravessou diferentes administrações e gerações de profissionais da escola. Ao longo desse período, a Beija-Flor acumulou campeonatos, consolidou uma identidade artística própria e revelou ou projetou diversos profissionais que se tornaram referências do carnaval brasileiro.

A atuação de Anísio é especialmente associada à manutenção de estruturas capazes de oferecer aos profissionais do carnaval condições para desenvolver projetos de grande dimensão artística. A liberdade concedida a criadores como Joãosinho Trinta e o investimento na contratação e valorização de profissionais especializados contribuíram para a formação de uma equipe que transformou a história da Beija-Flor e influenciou o próprio desenvolvimento estético dos desfiles cariocas.[5]

Entre os profissionais cuja trajetória esteve ligada a esse processo estão Joãosinho Trinta, Laíla e Neguinho da Beija-Flor, além de numerosos carnavalescos, compositores, artistas plásticos, escultores, aderecistas, ferreiros, carpinteiros, costureiras, bailarinos, músicos e demais trabalhadores envolvidos na produção dos desfiles.

Presidência da LIESA

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Anísio também participou diretamente da institucionalização do carnaval carioca. Foi presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro entre 1985 e 1987, sucedendo Castor de Andrade e sendo sucedido por Capitão Guimarães.[3]

A LIESA havia sido criada em 1984 pelas principais escolas de samba do então Grupo 1 com o objetivo de ampliar a participação das próprias agremiações na administração, organização e exploração econômica dos desfiles.

A eleição de Anísio para a presidência em 8 de abril de 1985 é registrada nos arquivos históricos da entidade. Sua diretoria tinha Ailton Guimarães Jorge como vice-presidente, Paulo Roberto de Andrade Silva como secretário e Luiz Pacheco Drumond como tesoureiro.[3]

Durante esse período ocorreram avanços na organização econômica e profissional do espetáculo. A Liga passou a assumir progressivamente atribuições relacionadas à organização dos desfiles, à comercialização de produtos vinculados ao carnaval e à exploração das receitas geradas pelas próprias escolas.

Entre as iniciativas associadas àquele período esteve a ampliação da participação das escolas na produção e comercialização dos discos de samba-enredo, fortalecendo sua capacidade de geração de receitas e modificando a relação econômica entre agremiações, compositores e o mercado fonográfico.

A reorganização desse modelo contribuiu para aumentar a participação econômica das escolas e dos compositores no produto gerado pelos sambas-enredo, constituindo uma etapa importante do processo de profissionalização da festa.

Valorização dos profissionais do carnaval

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Um dos aspectos mais destacados da trajetória de Anísio no carnaval é sua relação com os profissionais responsáveis pela criação e produção dos desfiles.

A transformação da Beija-Flor a partir da década de 1970 ocorreu mediante a reunião de profissionais altamente especializados e a disponibilização de condições materiais para que desenvolvessem seus trabalhos. A contratação de Joãosinho Trinta, após sua passagem vitoriosa pelo Salgueiro, tornou-se um dos episódios mais importantes desse processo.

Joãosinho recebeu liberdade para desenvolver seus próprios enredos e concepções artísticas. Ao seu lado, Laíla participou da construção de um novo modelo de organização de carnaval, integrando criação artística, direção, canto, harmonia e participação comunitária.

Essa política de valorização profissional ajudou a estabelecer na Beija-Flor uma tradição de continuidade de equipes, formação de novos quadros e investimento em diferentes especialidades envolvidas na confecção de um desfile.

Os resultados alcançados nas décadas seguintes fizeram da experiência da Beija-Flor uma referência para outras agremiações e contribuíram para a crescente profissionalização dos barracões e departamentos de carnaval das escolas de samba.

Projetos sociais e relação com Nilópolis

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A consolidação da Beija-Flor também esteve ligada ao desenvolvimento de iniciativas sociais em Nilópolis. A partir de 1980, a escola passou a estruturar projetos voltados à comunidade, entre eles a criação da Creche Beija-Flor, posteriormente denominada Creche Júlia Abrão David.[6]

Em 1987 foi criado o Educandário Abrão David, ampliando a atuação educacional vinculada à agremiação.[6]

Essas iniciativas contribuíram para fortalecer a relação entre a escola e a população de Nilópolis, fazendo com que a Beija-Flor ultrapassasse a dimensão estritamente carnavalesca e se consolidasse como uma importante instituição cultural e comunitária da cidade.

Família e continuidade no carnaval

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A ligação da família de Anísio com a Beija-Flor atravessa diferentes gerações. Entre seus irmãos estiveram Farid Abrão David, que presidiu a agremiação em diferentes períodos, e Nelson Abrão David, igualmente ligado à direção da escola.

Anísio é pai de Gabriel David, dirigente que iniciou sua atuação no carnaval ainda jovem, participou da administração da Beija-Flor e posteriormente integrou a direção da LIESA.[2]

Em 2024, Gabriel foi eleito presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, tornando-se o mais jovem dirigente a ocupar a presidência da entidade.[2]

A eleição de Gabriel, quase quatro décadas depois do período em que Anísio esteve à frente da mesma instituição, representa também a continuidade da presença da família David na administração e no desenvolvimento institucional do carnaval carioca.

Legado no carnaval

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A trajetória de Anísio Abraão David acompanha algumas das principais transformações vividas pelo carnaval carioca desde a segunda metade do século XX.

Sua atuação esteve relacionada à ascensão da Beija-Flor de Nilópolis, à contratação e valorização de profissionais que se tornaram referências da festa, à consolidação de novas estruturas de produção carnavalesca e à participação das próprias escolas na organização econômica de seus desfiles.

Sob sua influência, a Beija-Flor passou de uma agremiação da Baixada Fluminense que alternava posições entre diferentes divisões para uma escola permanentemente inserida entre as maiores protagonistas do carnaval brasileiro. O processo iniciado na década de 1970 resultou em uma sequência de títulos e em desfiles que marcaram a história artística da festa.[5]

A longevidade de sua ligação com a Beija-Flor, somada à passagem pela presidência da escola e pela presidência da LIESA, coloca Anísio entre os dirigentes de maior permanência e influência na história contemporânea do carnaval carioca.

Referências

  1. Everton Barsan (13 de junho de 2021). «Acompanhe o Dia dos Namorados de VIPs da Baixada e Grande Rio». O Dia. Consultado em 18 de abril de 2024
  2. 1 2 3 «Gabriel David, presidente da Liesa, fala sobre as inovações na Marquês de Sapucaí». Rádio Nacional. 3 de fevereiro de 2026. Consultado em 11 de setembro de 2026
  3. 1 2 3 «Diretoria Anterior». Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Consultado em 11 de setembro de 2026
  4. 1 2 Bezerra, Luiz Anselmo (2010). A Família Beija-Flor (Dissertação de mestrado em História). Niterói: Universidade Federal Fluminense. Consultado em 11 de setembro de 2026
  5. 1 2 3 4 Bezerra, Luiz Anselmo (2009). «O mecenato do jogo do bicho e a ascensão da Beija-Flor no carnaval carioca». Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares. 6 (1). doi:10.12957/tecap.2009.12162. Consultado em 11 de setembro de 2026
  6. 1 2 3 4 5 «História Completa». Beija-Flor de Nilópolis. Consultado em 11 de setembro de 2026
  7. 1 2 3 «Colocações - Carnaval 1987». Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Consultado em 11 de setembro de 2026
  8. 1 2 3 «Colocações - Carnaval 1988». Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Consultado em 11 de setembro de 2026
  9. 1 2 3 «Colocações - Carnaval 1989». Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Consultado em 11 de setembro de 2026
  10. 1 2 3 «Colocações - Carnaval 1990». Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Consultado em 11 de setembro de 2026
  11. «Diretoria». Beija-Flor de Nilópolis. Consultado em 11 de setembro de 2026

Precedido por
Castor de Andrade
Presidente da LIESA
1985–1987
Sucedido por
Capitão Guimarães
Precedido por
Heitor Silva
Presidente da Beija-Flor
1965–1966
Sucedido por
Heitor Silva
Precedido por
Farid Abrão David
Presidente da Beija-Flor
1987–1990
Sucedido por
Nelson Abrão David