Castor de Andrade

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Castor de Andrade
Nome completo Castor Gonçalves de Andrade e Silva
Nascimento 1926
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Morte 11 de abril de 1997
Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileiro(a)
Ocupação Bicheiro

Castor Gonçalves de Andrade e Silva (Rio de Janeiro, 1926 — Rio de Janeiro, 11 de abril de 1997) foi o mais famoso e poderoso bicheiro do Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Império da contravenção[editar | editar código-fonte]

Seu pai, Eusébio de Andrade, já fizera fortuna explorando o jogo do bicho, e Castor teve uma infância despreocupada. Estudou no tradicional Colégio Pedro II, mas era um aluno relapso que matava as aulas para nadar na praia do Flamengo. Isso não o impediu de se formar em Direito.

Castor herdou a banca de bicho de seu pai e a transformou num império. Era considerado um bicheiro romântico, que não permitia que outros negócios escusos, como o tráfico de drogas, fossem explorados juntamente com o jogo.

Castor transitou com prestígio e desembaraço pelo poder. No governo militar diversos generais lhe dedicaram atenção especial, a ponto de um secretário de Segurança do Rio de Janeiro daquela época, o general Waldir Alves Muniz, ter recebido instrução para "evitar problemas com Castor de Andrade". E o ex-presidente João Figueiredo quebrou o cerimonial certa vez, afastando-se do grupo de autoridades que o cercava e indo pessoalmente cumprimentar o bicheiro.

Prisão e morte[editar | editar código-fonte]

Castor esteve foragido, mas foi reconhecido e capturado em 26 de outubro de 1994, quando visitava o Salão do Automóvel, em São Paulo, disfarçado com um bigode postiço e uma peruca preta.

Recolhido à carceragem da Polinter, fez ali uma verdadeira revolução. As celas se tornaram suítes de hotel de luxo, com ar-condicionado, lavadora de roupa, frigobar, televisão e videocassete. As festas na prisão eram constantes e movidas à champanhe e caviar. Além de comprar mordomias, o contraventor financiou a reforma das instalações e o conserto de carros de polícia.

Por problemas cardíacos, obteve da Justiça o direito de cumprir sua pena em prisão domiciliar no seu luxuoso apartamento na Avenida Atlântica. Mas saía às ruas com freqüência, sem ser incomodado.

No fim da tarde do dia 11 de março de 1997, desrespeitando pela enésima vez a ordem judicial, jogava cartas na casa de um amigo, no Leblon, quando sofreu um ataque cardíaco fulminante, que o matou. Seu corpo foi velado na quadra da Mocidade. No carnaval de 1998, público e foliões presentes ao sambódromo fizeram um minuto de silêncio em sua homenagem.

Pouco antes de morrer, o chefão da contravenção carioca dividiu seu espólio em duas partes: o filho Paulo de Andrade tomaria conta do jogo do bicho, enquanto o genro Fernando Ignácio ficaria com os caça-níqueis e o videopôquer.[1]

Futebol e carnaval[editar | editar código-fonte]

Castor foi presidente de honra e grande financiador do Bangu Atlético Clube, sendo o grande responsável pela conquista do título de campeão carioca de futebol de 1966 e pelo vice-campeonato brasileiro de 1985, aonde perdeu o campeonato para o Coritiba,que foi o campeão brasileiro após histórica decisão por penaltys no Maracanã lotado.

Foi também patrono da, escola de samba à qual ajudou a conquistar os títulos dos carnavais de 1979,1985,1990, 1991 e 1996. Mas sua participação no Carnaval não se limitava a esta escola de samba. Durante décadas colocou dinheiro na organização dos desfiles, numa época em que os demais contraventores não ousavam aparecer. Deve-se ainda a Castor a fundação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que surgiu de uma dissidência da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança de Castor e de Capitão Guimarães, dez escolas de samba, financiadas por bicheiros, que eram minoria e sempre derrotadas nas deliberações da Associação, criaram a LIESA, que passou a dominar o Carnaval carioca.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Castor na mídia[editar | editar código-fonte]

Castor e o Bangu[editar | editar código-fonte]

Outras ligações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Entenda a guerra da família Castor de Andrade (em português). O Globo. Página visitada em 5 de julho de 2011.


Precedido por
-
Presidentes da LIESA
1984 - 1985
Sucedido por
Anísio Abraão David