Adelaide Molinari

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Adelaide Molinari FDC (Garibaldi, 2 de fevereiro de 1938 - 14 de abril de 1985, Eldorado do Carajás), também conhecida como Irmã Adelaide, foi uma religiosa católica e líder comunitária brasileira, conhecida por seu trabalho junto às comunidades urbanas e rurais pobres do sudeste do Pará.[1]

Seu nome, legado e martírio inspiram certa devoção popular no norte do Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Adelaide nasceu no município de Garibaldi, em 2 de fevereiro de 1938, filha de Salvador e Cecília Molinari, ambos agricultores; ainda na infância, mudou-se para o município gaúcho de Palmeira das Missões, onde passou a trabalhar com sua família nos labores rurais. No município, por influência dos pais, passou a frequentar o Instituto Religioso das Filhas do Amor Divino (Irfadi), indo morar e estudar definitivamente na instituição em seguida. No Irfadi, após o término da formação, aceitou o carisma da congregação, que apregoa estar a serviço dos mais necessitados.[1]

Adelaide foi destacada, em 8 de abril de 1983, com mais duas religiosas da Congregação das Filhas do Amor Divino (FDC), para ir ao sudeste do Pará para formar protótipos de missões populares e Comunidades Eclesiais de Base no eixo Marabá-Eldorado do Carajás-Curionópolis. Seu trabalho deu origem a inúmeras pequenas comunidades católicas na região, que incluía o Centro Comunitário de Eldorado do Carajás, a Paróquia e Centro Comunitário de Nossa Senhora das Graças de Curionópolis (centro dos trabalhos) e até mesmo estruturação e suporte à Santa Casa da Misericórdia de Serra Pelada.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

No domingo, dia 14 de abril de 1985, por volta das 15 horas, Irmã Adelaide se encontrava no Terminal Rodoviário de Eldorado do Carajás, aguardando um ônibus interurbano para retornar à Casa das Irmãs em Curionópolis.[2] Naquele local, conversava com o delegado sindical Arnaldo Dolcídio Ferreira, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Região Sul e Sudeste do Pará. O sindicalista já havia recebido várias ameaças de morte e nesta hora sofreu um atentado à bala que perfurou o seu tórax e atingiu a Irmã Adelaide perfurando uma artéria do pescoço por onde jorrou todo o seu sangue o que a levou à morte instantânea. Arnaldo Ferreira sobreviveu a este atentado, mas foi assassinado sete anos mais tarde, também em Eldorado do Carajás.[1] Os ideais de socorro aos mais necessitados de Adelaide eram próximos à teologia da libertação, fato que a tornava ligada à outros religiosos que atuavam na região como Padre Josimo, Dorothy Stang, Frei Henri des Roziers e Jean Hébette; os dois primeiros também tiveram idêntico destino martírico ao da religiosa.

O corpo de Irmã Adelaide foi velado na Igreja Nossa Senhora das Graças, em Curionópolis, num clima de muita comoção, que tomou a noite do dia 14 e o dia 15 de abril de 1985. O sepultamento de Irmã Adelaide foi realizado na noite do dia 15 de abril de 1985, numa sepultura ao lado da Igreja Nossa Senhora das Graças, em Curionópolis.[1]

O autor do disparo foi preso alguns anos mais tarde, depois de um inquérito policial conturbado. Mais tarde foi considerado foragido da justiça até ser finalmente preso e julgado quase 20 anos após o acontecimento. O juri, ocorrido em Curionópolis, decidiu pela e absolvição do acusado.[3]

Devoção e memória[editar | editar código-fonte]

A partir de 14 de abril de 1986 foi realizado anualmente a Caminhada de Irmã Adelaide, uma espécie de procissão de devoção à figura de Adelaide, mas também de memória e protesto em favor da paz;[4] a primeira procissão partiu com 300 pessoas. Esta caminhada é realizada sempre no sábado após a páscoa, iniciando-se na Igreja Católica Matriz de Eldorado do Carajás, passando pelo local do martírio e indo até a sepultura, em Curionópolis, percorrendo um trajeto de cerca de 30 quilômetros. A procissão chega a reunir entre três mil e dez mil pessoas.[3][5]

O túmulo de Adelaide é local de peregrinação e sempre têm uma flor ou vela acesa; no local ainda há sempre alguém rezando e bebendo da fonte martirial, que é considerada sagrada.[3]

Locais públicos, como escolas, ruas e organizações populares receberam o seu nome, bem como hinos, poemas, acrósticos, paródias e outros textos foram feitos em sua memória.[3]

Referências

  1. a b c d e Adelaide Molinari, Brasil. Revista Online Instituto Humanitas Unisinos. 14 de abril de 2019.
  2. Irmã Adelaide Molinari. Família Missionária. 2020.
  3. a b c d Galeria dos Mártires - Irmã Adelaide Molinari. Irmandade dos Mártires da Caminhada. 13 de abril de 2017.
  4. Vieira, Osnera Silva de.. Caminhando Pelos Mortos, Caminhando Pela Vida: Conflitos, Romarias e Santidade no Sudeste Paraense (c. 1980 – c. 2010). Paco Editorial, 2015.
  5. 34ª Caminhada da Irmã Adelaide. SETUR. 27 de abril de 2019.