Máfia

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Michele Navarra, um dos maiores mafiosos do século XX da Cosa Nostra. Chefe dos chefes, tendo controle total de Corleone à Palermo. Morto pelo seu próprio clã, mais tarde chamado “Corleonesi”. Era conhecido como “U Patri Nostru” (pai nosso). No seu enterro, milhares de pessoas compareceram, fechando as estreitas ruas de Corleone.

Máfia é uma organização criminosa cujas atividades estão submetidas a uma direção colegial oculta e que repousa numa estratégia de infiltração da sociedade civil e das instituições.[1] Pode-se também falar de sistema mafioso. Os membros são chamados mafiosos (no singular: mafioso).

Na Itália existem diversas máfias, sendo mais conhecida a "Cosa nostra" (em português "nosso assunto" ou "nossa coisa"), de origem siciliana.[2] A Camorra, napolitana, e a 'Ndrangheta, da Calábria são outras conhecidas associações mafiosas.

A Máfia surgiu no sul da Itália na época medieval. Seus membros eram lavradores arrendatários de terras pertencentes a poderosos senhores feudais. Mas eles pretendiam dividir essas terras e, para isso, começaram a depredar o gado e as plantações. Quem quisesse evitar esse vandalismo deveria fazer um acordo com a máfia. Da Itália, a indústria da "proteção forçada" se espalhou para o mundo inteiro, em especial para os Estados Unidos. A trilogia O Poderoso Chefão ("O Padrinho" em Portugal, "The Godfather" no original) dirigido por Francis Ford Coppola, baseado no livro homônimo escrito por Mario Puzo, é um das mais aclamadas e mais importantes franquias da história do cinema. A trilogia conta a história da família mafiosa Corleone de 1945 até 1979 e do crescimento da máfia nos Estados Unidos.

A palavra "mafia" foi tirada do adjetivo siciliano mafiusu, que tem suas raízes no árabe mahyas, que significa "alarde agressivo, jactância" ou marfud, que significa "rejeitado". Traduzido livremente, significa bravo. Referindo-se a um homem, mafiusu, no século XIX, significava alguém ambíguo, arrogante, mas destemido; empreendedor; orgulhoso, de acordo com o acadêmico Diego Gambetta.

De acordo com o etnógrafo siciliano Giuseppe Pitrè, a associação da palavra com a sociedade criminosa foi feita em 1863 com a peça, I mafiusi di la Vicaria (O Belo Povo da Vicaria) de Giuseppe Rizzotto e Gaetano Mosca, que trata de gangues criminosas na prisão de Palermo. As palavras Máfia e mafiusi (plural de mafiusu) não são mencionadas na peça e foram, provavelmente, inseridas no título para despertar a atenção local.

A associação entre mafiusi e gangues criminosas foi feita através da associação que o título da peça fez com as gangues criminosas, que eram novidade nas sociedades siciliana e italiana àquela época. Consequentemente, a palavra "máfia" foi criada por uma fonte de ficção vagamente inspirada pela realidade e foi utilizada por forasteiros para descrevê-la. O uso do termo "máfia" foi posteriormente apropriado pelos relatórios do governo italiano a respeito do fenômeno. A palavra "mafia" apareceu oficialmente pela primeira vez em 1865 num relatório do prefeito de Palermo, Filippo Antonio Gualterio.

Leopoldo Franchetti, um deputado italiano que viajou à Sicília e que escreveu um dos primeiros relatórios oficiais sobre a máfia em 1876, descreveu a designação do termo "Mafia": "o termo máfia encontrou uma classe de criminosos violentos pronta e esperando um nome para defini-la e, dado ao caráter e importância especial na sociedade siciliana, eles tinham o direito a um nome diferente do utilizado para definir criminosos comuns em outros países."[3]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Existem várias teorias sobre a origem do termo "Mafia" (às vezes soletrado "Maffia" nos textos antigos). O adjetivo siciliano mafiusu (em italiano: mafioso) pode derivar da gíria árabe mahyas (مهياص), que significa "agressivo ostentando, gabando", ou marfud (مرفوض) significando "rejeitado". Em referência a um homem, no século XIX, a palavra mafiusu na Sicília, era uma palavra ambígua, significando um valentão, arrogante, mas também destemido, empreendedor e orgulhoso, de acordo com o historiador Diego Gambetta.[4] Em referência a uma mulher, no entanto, a forma feminina do adjetivo "mafiusa" significa bonita e atraente.

Outras possíveis origens do árabe podem ser:

  • maha = pedreira, caverna[5]
  • mu'afa = segurança, proteção[5]

A associação pública da palavra com a sociedade secreta criminosa foi, talvez inspirada pela obra teatral "I mafiusi di la Vicaria" ("Os mafiosos da Vicaria"), de 1863, de Giuseppe Rizzotto e Gaetano Mosca. As palavras Mafia e mafiusi nunca são mencionados na peça; provavelmente eles foram colocadas no título para adicionar um toque local. A peça é sobre uma gangue de prisão de Palermo com características semelhantes à da máfia: um chefe, um ritual de iniciação, e falar de "umirtà" (omertà ou código de silêncio) e "pizzu" (uma palavra-código para dinheiro de extorsão).[6] A peça teve grande sucesso em toda a Itália. Logo depois, o uso do termo "mafia" começou a aparecer nos primeiros relatórios do Estado italiano sobre o fenômeno. A palavra fez sua primeira aparição oficial em 1865 em um relatório do prefeito de Palermo, Filippo Antonio Gualterio.[7]

Operação "Mãos Limpas"[editar | editar código-fonte]

Em meados dos anos 1980, a Máfia atuava até mesmo na esfera pública italiana. Empresários, políticos de diversos cargos e achacadores compunham um sistema sólido, ao qual resistir implicava sérios riscos. Mas a sociedade italiana não se deixaria dominar pelo crime organizado por tanto tempo. Os sistemas Penal e Judiciário foram modificados e dotados de instrumentos mais duros de combate ao crime organizado. Durante a Operação "Mãos Limpas", centenas de mafiosos foram presos, levados a julgamento e condenados. Até mesmo o primeiro-ministro Giulio Andreotti foi acusado de envolvimento com mafiosos (e absolvido em 1995). A reação destes não tardou: 24 juízes e promotores foram assassinados enquanto a Máfia era investigada. Embora ela não desaparecesse por completo, perdeu muito poder embora sua aura ainda seja preservada em filmes e histórias. Seu declínio é uma prova categórica da teoria defendida por muitos – a de que o crime organizado só é neutralizado mediante enérgicas ações do Estado e da sociedade.

Apesar do sucesso da operação Mãos Limpas no combate à máfia italiana, sabe-se contudo que a principal motivação desta operação foi a de desviar a atenção da opinião pública das graves denúncias que o dissidente Vladimir Bukovski trouxe dos Arquivos de Moscovo.

Houve diversos membros de máfias que se destacaram na história. Os famosos Dons e Capos, como eram conhecidos no pais das famílias. Em sua maioria eram de origem italiana. Entre eles se destacam: Al Capone, Lucky Luciano, Don Saro e Tomaso Buscetta.

O caso dos Cordopatri[editar | editar código-fonte]

Um caso bastante famoso que ilustra o poder e a influência da Máfia entre os italianos é o da calabresa Teresa Cordopatri. Seu pai, Domenico, lhe havia deixado como herança olivais que ela e seu irmão, Antonio, desejaram perpetrar, respeitando a tradição da família. Mas os mafiosos estavam de olho nas terras dos Cordopatri, e fizeram reiteradas ameaças a estes. A má vontade dos Cordopatri em tratar com os criminosos – eles não abriram mão de suas férteis terras, ao contrário de outros conterrâneos – acabou por condená-los ao isolamento, ou seja, ninguém gostaria, por óbvios motivos de segurança, de fazer negócios com gente que contrariava os interesses dos mafiosos. Inclusive, os bandidos coagiram Antonio a comparecer a uma reunião. Pouco depois de o insultar, nessa reunião, Saverio Mammoliti (também conhecido como Don Saro e membro de uma das mais poderosas famílias mafiosas da Calábria e que perguntara quando Antonio venderia suas terras – por um décimo do valor de mercado), Antonio foi assassinado na frente de sua casa.

Remoída pela dor, Teresa fez a si mesma um juramento pelo qual não só aqueles criminosos seriam punidos, como a 'Ndrangheta jamais colocaria as mãos nas terras dos Cordopatri. A persistência e a coragem de Teresa – mulher de fibra e força de vontade – foram recompensadas em 1992, quando Don Saro e vários outros membros do clã Mammoliti foram condenados a penas que variavam de 5 anos de prisão à prisão perpétua, caso de Francesco Mammoliti, filho de Saverio e mandante do assassinato de Antonio Francesco Cordopatri.

Cosa Nostra[editar | editar código-fonte]

O maior clã de famílias mafiosas italianas, e a maior organização criminosa do mundo. Foram responsáveis pelo extermínio de famílias consagradas como Cordopatri, Gallo, Fellicci, Mammoliti e outras. O Giuseppe Gava foi o mais poderoso chefe da família Cosa Nostra responsável pela guerra entre as Famílias Bellucci, Turin e Brelloti em 1955 do qual os Cosa Nostra venceram.

Esta organização atua em diversos países: Albânia, Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Chile, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Hungria, Kosovo, Macedónia, México, Monte Negro, Paraguai, Polônia, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia, Suíça, Uruguai.

Os crimes são: sonegações de impostos, cartéis, corrupção, contrabando, extorsão, fraudes, jogos de azar, tráfico de armas, tráfico de informações, tráfico de influências, formação de milícias e esquadrões da morte.

A Interpol afirma que a Cosa Nostra efetua negócios com as máfias Árabe, Chinesa, Russa e Yakuza (Japonesa). Desta forma consegue expandir o seu território de influência.

Entre os membros existe a omertà ("voto de silêncio"), que implica nunca colaborar com o governo e as autoridades. Caso o juramento seja violado, a punição é a morte. O principal motivo é a crença de que o governo e as autoridades em geral não estão preocupados com o povo.

A Cosa Nostra tem como um de seus princípios a ajudar pessoas e famílias com problemas, como por exemplo pagamento de dívidas, custear estudos, remédios e problemas cotidianos. Em troca, a pessoa adquire uma dívida moral, um penhor de gratidão que poderá ser cobrado no futuro. Ela passará a ser protegida pela Cosa Nostra e deverá cumprir com a omertà.

Se por exemplo uma pessoa humilde deseja ser político, advogado, promotor, juiz, médico ou qualquer outra profissão que não tem condições de custear os estudos, ela procura os membros da Cosa Nostra, porque eles custearão seus estudos e usarão de influência para conquistar seu objetivo.

Se um ladrão rouba uma pessoa protegida pela Cosa Nostra, ela não vai a polícia, procura os membros que sempre estiveram dispostos a ajudá-lo porque eles resolverão o seu problema.

Se um protegido ou alguém da sua família é assassinado, não conta a polícia, procura os membros que sempre estiveram dispostos a ajudá-lo porque eles se vingarão por si.

Últimos envolvimentos foi o ministro italiano Antonio Gava e o barão do carvão[8][9].

Cinema[editar | editar código-fonte]

Muitos filmes foram feitos sobre a máfia, principalmente a máfia norte-americana. Aqui estão alguns dos filmes mais populares sobre mafiosos americanos. Destaques para:

  • Destaque também para o premiado seriado Família Soprano que conta a história de Tony Soprano, um mafioso que procura a ajuda de uma psiquiatra para conseguir lidar com a sua vida familiar e com os negócios da máfia.

Referências

  1. Lupo, Salvatore. História da máfia. UNESP, 2002. pp. 43. ISBN 8571394008
  2. Lupo, Salvatore. História da máfia. UNESP, 2002. pp. 12-13. ISBN 8571394008
  3. Gambetta, Diego (2011). Codes of the Underworld: How Criminals Communicate (em inglês) Princeton University Press [S.l.] p. 211. ISBN 0691152470. 
  4. Esta etimologia baseia-se nos livros Mafioso por Gaia Servadio; The Sicilian Mafia de Diego Gambetta; e Cosa Nostra de John Dickie (veja abaixo Bibliografia).
  5. a b Gambetta, The Sicilian Mafia. pp. 259-261.
  6. Gambetta, The Sicilian Mafia, p. 136.
  7. Lupo, The History of the Mafia, p. 3.
  8. Paulo José Gava
  9. [1]; [2]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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