Chico Picadinho

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Francisco da Costa Rocha
Data de Nascimento 27 de abril de 1942 (75 anos)
Local de Nascimento Vila Velha,  Espírito Santo
Nacionalidade brasileiro
Crime (s) Homicídio e esquartejamento [1]
Pena Indeterminado [2]
Situação Preso

Chico Picadinho (Vila Velha, 27 de abril de 1942),[3] alcunha de Francisco da Costa Rocha, é um assassino em série brasileiro que esquartejou 2 mulheres, em 1966 e 1976, respectivamente[4].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido e criado em Vila Velha, no Estado do Espírito Santo, teve uma infância muito pobre. Seu pai era exportador de café e o abandonou ainda criança, junto de sua mãe. Tendo que trabalhar, ela deixava Francisco com uma amiga na cidade de Cariacica. Em entrevistas, o assassino revelou ter sofrido diversos abusos sexuais do marido da mulher que cuidava dele, mas que esta nunca soube, e que ficava semanas sem ver a mãe, já que ela raramente ia visitá-lo, além de diariamente ver este homem, que abusava dele, espancar essa amiga de sua mãe. Além disso, quando desobedecia, ele apanhava muito da mesma mulher. Um de seus passatempos na infância era algo muito cruel: matar gatos. Após crescer um pouco, voltou a viver com a mãe em Vila Velha, onde presenciava a visita de diversos homens em casa, quando ela o mandava ir para o quarto e só sair de lá após amanhecer. Isso o fez perceber que ela se prostituía para sustentá-los. Saber deste fato, somado aos abusos que sofreu, foi um grande trauma para ele, que culminaria numa explosão de ódio futuramente. Na adolescência, foi expulso de casa, após brigas com a mãe, quando a humilhava e era agressivo. Passou a viver de pequenos serviços e alguns furtos, e logo se viciou em bebida alcoólica e outras drogas. Bissexual assumido, revelou à junta psiquiátrica, após ser preso pelos crimes, que não se importava em ser passivo ou ativo, o importante era continuar sendo homem e ter muito prazer. Gastava grande parte de seu dinheiro com jogos de azar e prostitutas. Também revelou ter esquartejado as mulheres por ter muita raiva dos abusos que sofria na infância e por sentir vergonha ao lembrar-se de que a mãe se prostituía, como as mulheres que ele matou.[5]

Crimes[editar | editar código-fonte]

1º crime[editar | editar código-fonte]

Francisco da Costa Rocha cometeu seu primeiro assassinato em 1966, na Boca do Lixo, Centro da Cidade de São Paulo. Nesta época vivia uma vida muito boêmia, com muita bebedeira e mulheres, e também usava drogas. Com o passar do tempo, sentia necessidade de ter relações sexuais diariamente, além de drogar-se e beber muito. Seu primeiro assassinato, seguido de esquartejamento, foi em 1966. Sua vítima foi Margareth Suida, uma bailarina austríaca que vivia há poucos anos no Brasil. Ela também era uma mulher de vida boêmia e eventualmente fazia programas sexuais. Gostava da noite e era conhecida de seus amigos. Após beberem muito e passarem por diversos bares e boates da região, Francisco a convidou para terem relações sexuais. Ela aceitou ir ao apartamento na Rua Aurora, local que Francisco dividia com Caio, seu amigo, que era médico cirurgião da Aeronáutica. Após a relação sexual, ele tornou-se violento e a atacou, passando a estrangulá-la com a mão, e terminou o crime enforcando-a com o cinto. Após ver Margareth morta no quarto, pensou que deveria sumir com o corpo. Tirou o trinco da porta do banheiro para melhor locomoção, deitou-a de barriga para cima. Usou os primeiros objetos que estavam à sua disposição: lâmina de barbear, tesoura e faca foram os principais usados. Começou a cortar os seios, depois foi tirando os músculos e cortando as articulações, a fim de que o corpo ficasse menor para escondê-lo. Vale ressaltar que Francisco esquartejou Margareth pelo fato de ter medo das ações que viriam após ter causado sua morte, concluindo assim que teria de ocultar seu cadáver. Demorou de 3 a 4 horas até desmembrar a vítima e pô-la dentro de uma sacola (pois também sabia que o amigo com quem dividia seu apartamento estaria para chegar). Quando Caio chegou, Francisco disse que tinha uma coisa para contar e falou que havia matado alguém. Não contou como nem por que, mas disse que o corpo ainda estava no apartamento. Pediu um tempo para Caio para que pudesse avisar sua mãe e contratar um advogado. De fato, viajou à procura da mãe. Ao chegar, avisou a uma amiga e não teve coragem de falar o que realmente acontecera, apenas informando que algo de grave havia ocorrido, pedindo para avisar sua mãe. Ao retornar, seu amigo Caio havia avisado ao delegado de homicídios, que prendeu Francisco, que não reagiu à prisão em momento algum.[6]

2º crime[editar | editar código-fonte]

Dez anos após o crime brutal, foi liberado por bom comportamento, mas Francisco voltou a atacar: em setembro de 1976 estuprou e tentou estrangular a prostituta Rosemarie Michelucci, em um motel da Zona Leste de São Paulo, mas ela se defendeu com chutes, mordidas, socos e gritos, conseguindo se livrar dele. Apesar de ter levado uma facada, ela sobreviveu. Chico conseguiu escapar. Um mês depois, em outubro, voltou para a Boca do Lixo. Num bar, conheceu a prostituta Ângela Silva, conhecida como "Moça da Peruca". Após beberem bastante, acertaram o preço do programa, e ele a levou a um apartamento em que vivia, alugado há poucos meses, na Avenida Rio Branco, a poucos minutos de onde estavam. Após o ato, espancou e estrangulou-a com seu cinto. Já morta, ele a esquartejou, porém, desta vez, destrinchou sua vítima com um cuidado muito maior e tentou jogar alguns pedaços pelo vaso. Depois de matá-la e esquartejá-la, tentando fazer com que o vaso levasse partes do corpo, não conseguiu pôr o corpo todo no vaso sanitário. Para livrar-se dele, pôs pedaços dentro de uma caixa de papelão neste mesmo apartamento onde tudo aconteceu. Acabou fugindo em seguida para a Cidade do Rio de Janeiro, mas avisou seu amigo Caio e pediu novamente um tempo para avisar sua família e contratar um advogado. Caio, já sabendo do crime, ficou sem saber ao certo o que deveria fazer e contatou a Delegacia de Homicídios. Chico Picadinho foi preso 28 dias depois, em uma praça de Duque de Caxias (Rio de Janeiro), na Baixada Fluminense, enquanto lia uma revista que relatava sua vida de crimes.[7]

Na época, a exibição pela imprensa das fotos de suas vítimas cortadas em pedaços sensibilizou bastante a opinião pública, fazendo com que o criminoso fosse condenado a 30 anos de prisão.[8]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Em 1994, Chico Picadinho passa por um novo exame de sanidade mental, e por ser considerado perigosíssimo, continua preso até hoje, apesar de já ter cumprido a pena máxima prevista pelo Código Penal brasileiro, que corresponde a um período de trinta anos. Hoje, encontra-se no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Arnaldo Amado Ferreira, na cidade de Taubaté.

Estudante de Direito à época dos crimes, Chico Picadinho é um homem muito lúcido e, até hoje, passa seus dias praticando pintura. Ao cometer seus crimes, ele agiu sob a influência do romance Crime e Castigo de Dostoiévsky, a quem chamou de deus em uma entrevista. Também é um grande fã de Kafka.

Referências

  1. Domingos, Roney (21 de Setembro de 2010). «Juiz determina que Chico Picadinho continue internado». g1.globo.com. Consultado em 16 de Setembro de 2013. Condenado pela morte e esquartejamento de duas mulheres, em 1966 e em 1976 
  2. Rodrigues, Márcio (18 de Novembro de 2012). «Advogado de Chico Picadinho fala da espera do cliente pela liberdade». g1.globo.com. Consultado em 16 de Setembro de 2013. Apesar do Código Penal prever que ninguém deva ficar mais de 30 anos preso, o caso de Chico Picadinho é considerado uma exceção. Por isso, ele poderá ficar detido por prazo indeterminado, já que está interditado judicialmente. 
  3. «Serial Killer: Chico Picadinho na The Horrorpédia». Thehorrorpedia.com. Consultado em 8 de janeiro de 2011 
  4. Chico Picadinho ou Francisco da Costa Rocha Folha de S.Paulo reproduzindo o Notícias Populares
  5. [[1]]
  6. [[2]]
  7. [[3]]
  8. [[4]]