Baixada Fluminense

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A Baixada Fluminense é uma região do estado do Rio de Janeiro, no Brasil, que apresenta duas definições: uma em sentido amplo, outra em sentido estrito. Segundo a definição em sentido amplo, engloba a região de planícies entre a Serra do Mar e o litoral, desde Itaguaí até Campos dos Goytacazes.[1] Esta região concentra grande parte da população (cerca de 4/5) e do produto interno bruto do estado do Rio de Janeiro. Já a definição em sentido estrito, que é a mais utilizada atualmente, abrange, dessa região, somente os municípios que se localizam ao norte do município do Rio de Janeiro, na região antigamente conhecida como Baixada da Guanabara.[2]

Municípios da Baixada Fluminense, em seu sentido estrito

Geografia física[editar | editar código-fonte]

A Baixada Fluminense apresenta largura variável: é bastante estreita entre as baías da Ilha Grande e de Sepetiba, alargando-se progressivamente no sentido leste, até o rio Macacu. Nesse trecho, no município do Rio de Janeiro, erguem-se os maciços da Tijuca e da Pedra Branca, que atingem altitudes um pouco superiores a mil metros. Da baía da Guanabara até Cabo Frio, a baixada volta a estreitar-se, apresentando uma sucessão de pequenas elevações de 200 a 500 metros de altura: os chamados "maciços litorâneos fluminenses". A partir de Cabo Frio, alarga-se novamente, alcançando suas extensões máximas no delta do rio Paraíba do Sul.

Geografia humana[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a expressão "Baixada Fluminense" refere-se principalmente à antiga região da "Baixada da Guanabara", denominação esta que caiu em desuso ainda no século XIX e que englobava desde Itaguaí até a área do entorno da Baía de Guanabara (excluindo-se a região de Niterói-São Gonçalo), reunindo municípios com características socioculturais em comum. Grande parte desses municípios foram criados a partir de desmembramentos do município de Nova Iguaçu e da vila de Estrela (Duque de Caxias). A Baixada Fluminense, em sentido amplo, é considerada o eixo central do estado do Rio de Janeiro, abrangendo a capital estadual, os municípios do entorno a leste e oeste da Baía da Guanabara, os sete municípios da região dos lagos e o município de Itaguaí. É atravessada pela rodovia BR-101, rodovia Washington Luís e a Via Dutra. Possui os portos do do Rio de Janeiro, Niterói, Itaguaí, e o Porto do Forno, em Arraial do Cabo.

Rio Capivari, que corta os municípios de Duque de Caxias e Belford Roxo

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os antigos habitantes, falantes de línguas do tronco linguístico macro-jê, para o interior do continente, onde viriam a constituir os chamados índios puris. No século 16, chegaram os primeiros europeus à região. Eles se depararam com a etnia tupi dos tupinambás (também chamados tamoios).[3]

A região teve papel histórico fundamental na formação do atual estado do Rio de Janeiro, desde a época da chegada das expedições portuguesas de Américo Vespúcio em Arraial do Cabo em 1503 (a primeira a chegar no atual território estadual) e a de Estácio de Sá no Rio de Janeiro. Essa região veio a ser ocupada pelos franceses no século XVI, formando uma região de exploração do pau-brasil desde a região da atual cidade do Rio de Janeiro até Cabo Frio. Esta cidade foi essencial para a fundação e a consolidação da cidade do Rio de Janeiro, pois era o primeiro ponto de chegada dos invasores europeus na costa do atual estado: assim que os navios corsários eram avistados, tiros de canhão eram disparados em Cabo Frio e, quando o som chegava ao Rio de Janeiro, eram avisados de que invasores estavam se aproximando. Com a vitória dos portugueses e seus aliados temiminós sobre os tupinambás e seus aliados franceses, a Baixada Fluminense foi dividida pelos portugueses em sesmarias nas quais se plantava cana-de-açúcar e se produzia açúcar, utilizando-se de mão de obra escrava.[4]

A região conheceu um certo desenvolvimento a partir do ciclo de mineração no Brasil, no século XVIII, quando foi importante corredor de escoamento do ouro de Minas Gerais. Mais tarde, já no século XIX, foi uma das primeiras regiões de plantio do café no Brasil.

Outro grande impulso econômico se deu com a criação das estradas de ferro na região, como a Estrada de Ferro Mauá (a primeira ferrovia do Brasil) e a Estrada de Ferro Dom Pedro II (atual E.F. Central do Brasil), já no Segundo Reinado (1840-1889), o que esvaziou as rotas tradicionais pelos rios e caminhos da região, mas que fez surgir novas vilas e povoados no entorno das estações, como Maxambomba (atual Nova Iguaçu), Belém (atual Japeri), dentre outras, que, hoje, formam as principais cidades dessa região. Na época, também teve grande impulso a citricultura na região.[5]

No início do século XX, a Baixada Fluminense começou a receber obras de drenagem, ainda que de forma bastante irregular, com o intuito de torná-la minimamente habitável para receber a grande leva de migrantes vindos de outros cantos do país em busca de melhores condições de vida na então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, bem como diminuir os graves problemas de saúde, marcadamente os surtos de malária que assolavam a região. Tal movimento, no entanto, se dá de forma menos oficial e mais "natural" do que se imagina. A grande quantidade de terrenos vazios, somados à facilidade de transporte possibilitada pelas estradas de ferro (como a EFCB e seus ramais e a Rio d´Ouro)[6] e pela inauguração de rodovias importantes como a Presidente Dutra e a Avenida Brasil, tornaram, a ocupação da região, mais intensa a partir da década de 1970, seguindo um movimento natural de migração no Brasil.

Tais movimentos migratórios, porém, são uma constante na história da região, seja por conta do movimento dos tropeiros nas estradas que ligavam o Rio e a baixada às Serras antes da inauguração da linha férrea, seja no momento pós-abolição, quando um grande número de ex-escravos e/ou seus descendentes usam a mesma linha férrea com destino ao Rio em busca de melhores oportunidades. Muitos desses migrantes acabaram se estabelecendo na Baixada ou na Zona Norte do Rio de Janeiro.[7]

Miguel Couto, um dos principais bairros do município de Nova Iguaçu

Aspectos sociais e problemas[editar | editar código-fonte]

Na segunda metade do século 20, com a onda de migração proveniente sobretudo da Região nordeste do Brasil, ficou consolidada sua imagem como uma região de grandes problemas sociais e de violência urbana, que perdura até hoje. Muitos desses problemas foram resultado dessa ausência do poder público, somada à ocupação irregular da região, que acabou ficando à mercê de chefes locais e da atuação de grupos paramilitares (esquadrões da morte, milícias)

A região também é conhecida pelo coronelismo, ou clientelismo, praticado pelos políticos locais muitas vezes com o uso da força: nesse campo, destacou-se Tenório Cavalcante, conhecido por controlar Duque de Caxias com mãos de ferro e crueldade para com seus opositores.

Por estes problemas citados acima, seus moradores acabam enfrentando estigma quando procuram oportunidades de emprego em alguns bairros da capital estadual, uma vez que, apesar de seu parque industrial, configura-se como uma região-dormitório, o que faz com que seus moradores enfrentem horas nos engarrafamentos diários nas vias expressas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Culturalmente, por outro lado, reina a diversidade. A leva de migrantes, fossem ex-escravos do Sul Fluminense, fossem os vindos da Região nordeste do Brasil, favoreceu a manutenção e renovação de diversas festas e comemorações, como a Folia de Reis[8] e até mesmo o jongo,[9] [10] sendo esse último não tão comum na Região Metropolitana do Rio de Janeiro atualmente, com exceção do grupo de jongo da Serrinha,[11] em Madureira.

As religiões de matriz africana também são presentes e atuantes da região. Diversas terreiros de candomblé foram fundados entre as décadas de 1970 e 1980, tornando, a região, um dos polos religiosos mais ativos e dinâmicos dessas religiões. Ialorixás importantes para a religião, como Mãe Beata de Iemanjá,[12] possuem terreiros na região, principalmente em Nova Iguaçu, São João de Meriti e Belford Roxo.[13] [14]

Das regiões em que costuma ser dividido o Estado do Rio de Janeiro, é a segunda mais populosa, com mais de três milhões de habitantes, só sendo superada pela capital.

Divergências quanto a seus limites[editar | editar código-fonte]

Quanto aos municípios que a compõem, há unanimidade com relação a Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Queimados e Mesquita, todos ao norte da cidade do Rio de Janeiro. Alguns estudiosos também incluem Magé e Guapimirim (a leste), Paracambi, Japeri, Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba (a oeste).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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