Tanguá

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Tanguá
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Tanguá
Bandeira
Brasão de armas de Tanguá
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Tanguá: Terra da Laranja"
Gentílico tanguaense
Localização
Localização de Tanguá no Rio de Janeiro
Localização de Tanguá no Rio de Janeiro
Mapa de Tanguá
Coordenadas 22° 43' 48" S 42° 42' 50" O
País Brasil
Unidade federativa Rio de Janeiro
Região intermediária[1] Região Metropolitana
Região imediata[1] Leste Fluminense
Região metropolitana Rio de Janeiro
Municípios limítrofes Itaboraí, Maricá, Rio Bonito e Saquarema
Distância até a capital 65 km
História
Fundação 28 de dezembro de 1995 (25 anos)
Aniversário 15 de novembro
Administração
Prefeito(a) Rodrigo da Costa Medeiros (PP, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2] 145,503 km²
População total (Censo IBGE/2019[3]) 34 309 hab.
Densidade 235,8 hab./km²
Clima Tropical
Altitude 20 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000 [4]) 0,722 alto
 • Posição RJ: 82º
PIB (IBGE/2016[5]) R$ 562 334,87 mil
PIB per capita (IBGE/2016[5]) R$ 17 195,21
Sítio http://tangua.rj.gov.br/ (Prefeitura)

Tanguá é um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. A região de Tanguá está cada vez mais próximo de conseguir o selo de Indicação Geográfica (IG) das laranjas produzidas na região. A Associação dos Citricultores e Produtores Rurais de Tanguá (ACIPTA) protocolou o dossiê solicitando o selo junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A previsão é que o certificado seja emitido no fim do ano de 2021.

Um produto com IG é único. Significa que ele só tem aquelas propriedades porque sua elaboração é influenciada por características ambientais ou culturais de determinada região. Com sua emissão, preserva-se as tradições locais, e torna-se possível marcar a diferença de outros produtos similares, além de intensificar seu acesso a mercados.

A principal rodovia que dá acesso ao município é a BR-101. O município de Tanguá também é cortado pela estrada de ferro que já teve as seguintes denominações: Linha do Litoral-Cia. Ferro-Carril Niteroiense (1878-1887); Estrada de Ferro Leopoldina (1887-1975); Rede Ferroviária Federal (RFFSA) (1975-1996), e que está atualmente sob concessão da Ferrovia Centro-Atlântica.

Em 6 de Abril de 1950, um grave acidente ferroviário de grandes proporções ocorreu com mais de cem vítimas fatais. A causa apontada para tal evento foi: as águas do rio foram desviadas do seu leito natural, ficando muito próximas da cabeceira da ponte, provocando erosão. O trem conhecido como "noturno campista", com cinco vagões e uma locomotiva, caiu no rio Tanguá, após o aterro da cabeceira da ponte ferroviária ter ruido pelas forças da correnteza das águas do rio após forte chuva. O acontecimento fatídico, de forte apelo visual, ainda foi exibido nas telas do cinema na época. [1]

No início dos anos 1980, deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória. Até 1984, circulava pela ferrovia o Trem Cacique, um trem de passageiros de longa distância de luxo, que ligava o Rio de Janeiro a Cachoeiro de Itapemirim.

Furtos têm sido registrados na linha do trem que está desativada. Com o abandono pela concessionária responsável pelos trilhos, não trafegam equipes de vigilância que faziam fiscalizações nas áreas sob sua responsabilidade para coibir atos como este.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os habitantes anteriores, falantes de línguas macro-jês, para o interior do continente. No século XVI, a região era ocupada pela tribo tupi dos tamoios.[6] Nesse século, os colonizadores portugueses anexaram a região à capitania do Rio de Janeiro, a dividiram em sesmarias e as concederam a Miguel de Moura. Este, por sua vez, repassou-as aos jesuítas para que estes catequizassem os índios. Em 1662, os jesuítas venderam-nas a Manoel Fernando Osório, que fundou a vila de Santo Antônio do Caceribu, mais tarde Santo Antônio de Sá. O desmembramento destas terras daria origem a Tanguá. Uma sesmaria de 39 204 hectares foi doada ao alferes Henrique Duque Estrada, considerado herói da ocupação portuguesa da costa africana.

Nessas terras, foi erigido o Solar dos Duques, também chamado Engenho dos Duques, localizado na margem direita da estrada que ligava Itaboraí a Rio Bonito. Suas estruturas eram constituídas por casa-grande com capela, engenho e demais dependências típicas dos solares fluminenses. Em 1847, o solar hospedou a comitiva do imperador dom Pedro II fez uma viagem para conhecer região Norte Fluminense e, especialmente, para inspecionar as obras do Canal Campos–Macaé quando retornava para a corte no Rio de Janeiro.

No século XVIII, dom João VI concedeu, a Pedro Freire Ribeiro, uma sesmaria com uma légua quadrada onde passava o Rio Tanguá, que fazia limite com as terras dos sertões da localidade chamada de Posse dos Tanguá, expandindo o território que, atualmente, é o município. Com o tempo, foram concedidas outras sesmarias. A produção econômica, assim como a da maior parte da região, era baseada no cultivo da cana-de-açúcar, mandioca, milho e feijão, e produção de aguardente e farinha. Os principais engenhos e alambiques de fazendas dessa região foram a Herodina (ou da Posse), Bulhões, Santa Rita, Ipitangas e Lagoa Verde, que possui referências sobre a utilização de trabalho escravo.

Em 17 de março de 1878, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Tanguá, com a chegada da primeira composição de trens, vinda da Estação de Porto das Caixas. Esse ramal ferroviário fazia parte de um prolongamento da Estrada de Ferro de Cantagalo, criada em 1860 pelo Barão de Nova Friburgo, em direção ao litoral, ligando as regiões cafeeiras à capital da Província, Niterói. Está prevista a utilização da Estação Ferroviária para sede do Centro de Memória e Patrimônio de Tanguá, onde serão expostas informações através de uma exposição permanente da história da ferrovia e da cidade.

Nas imediações da Estação Ferroviária de Tanguá surgiu um pequeno povoado constituído de casas residenciais, comerciais e armazéns auxiliares do embarque das mercadorias. A partir de 1920, tornou-se o principal escoadouro da produção da Usina Tanguá. É desse período um armazém e casa geminado que fica na proximidade da estação.

A sede do povoado passou a contar com o abastecimento regular de água em finais do século XIX, quando ali foi instalado um chafariz erguido pelo Coronel Luiz Pereira dos Santos com apoio do governo de Floriano Peixoto.

O coronel Luiz Pereira dos Santos, também chamado de Lulu Santos, era proprietário da Fazenda Tanguá e organizou um grupo de voluntários para lutar ao lado das tropas legalistas que defendiam o governo Peixoto contra os revoltosos da Marinha, no episódio conhecido como Revolta da Armada.

Mesmo não tendo sido necessária sua participação, o coronel obteve as simpatias do governo federal e, como recompensa, obteve recursos para construir um cemitério e um sistema de abastecimento que captava água na Serra do Barbosão e o levava até a sede da fazenda, passando pelo arraial de Tanguá.

Neste, ergueu-se uma fonte, um chafariz, que possuía uma bica para servir à população local.

A fonte foi utilizada pelos moradores locais até 1976, quando o governo do estado concluiu a ampliação do sistema de abastecimento para o distrito de Tanguá. Com as sucessivas reformas na praça central do distrito, a bica d'água foi deslocada do seu lugar original, que ficava ao centro da praça. [7]

A bica está instalada em um bloco de pedra sobre o qual se encontra uma bala de canhão e tem afixada uma placa metálica que explica a história do monumento; a água sai de uma torneira em metal e cai sobre uma bacia de pedra.

Existe um projeto de reposicionamento da bica da praça, visando contribuir para a composição paisagística, ao mesmo tempo em que reforça a história da cidade.

Em 1920, iniciou-se a construção da Usina Tanguá de moagem de cana. Como resultado, a estação ferroviária de Tanguá passou a ter grande importância, já que, dela, saíam o açúcar e o álcool produzidos pela usina com destino a Niterói e ao Rio de Janeiro, onde eram comercializados. A Usina operava no sistema de moagens anuais, sendo que a maior parte da população trabalhava no plantio e no corte da cana. Treze anos depois, essa usina era a única do Brasil a destilar álcool anidro e, em virtude dessa importante atividade econômica, a Vila de Tanguá foi elevada à condição de 5º distrito de Itaboraí.

Nesse período, as terras da usina eram subdivididas e chamadas de fazendas. Sua produção de cana era destinada à Usina Tanguá, que, além de açúcar e álcool, produzia o melaço em menor escala. Devido a dificuldades financeiras, a usina fechou em 1970, mas as suas atividades marcaram a identidade local e centralizaram o trabalho agrário.

Após o fechamento da usina, no mesmo prédio foi instalada a Companhia Brasileira de Antibióticos, considerada, enquanto em operação, a maior indústria farmacêutica da América do Sul na produção de antibióticos. Na mesma década de 1970, foi descoberta, em Tanguá, uma das maiores reservas de fluorita do Brasil, mineral que, como o calcário, representa, atualmente, uma das maiores riquezas minerais do Estado do Rio de Janeiro.

Em 1969, a Embratel inaugurou, em Tanguá, a primeira Estação Terrena de Comunicações por Satélite do Brasil, instalada no bairro do Solar dos Duques. Nos anos 1970, a construção da Ponte Rio-Niterói absorveu muitos antigos trabalhadores rurais de Tanguá e utilizou areia do município em suas obras. Nessa mesma época, iniciou-se o processo de loteamento das fazendas da região, que deram origem aos atuais bairros do município.

Oscilações nas atividades agrícolas atingiram, de formas variadas, os municípios dessa região, que, até a década de 1980, tinham a maior parte das populações nas zonas rurais. Houve, então, um êxodo rural para os principais centros urbanos, comerciais, industriais e de serviços da épocaː as capitais do país e do estado – respectivamente, as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Acompanhando o processo de êxodo, houve, também, a transformação de antigas fazendas e sítios em loteamentos, ampliando a área urbana do então distrito.

Com a redemocratização, na década de 1980, grupos se articularam visando à emancipação política do distrito de Tanguá, que se elevou a município em 1995.

Usina Tanguá[editar | editar código-fonte]

Em Tanguá, é instalada, em 1920, a Usina Tanguá, pela firma Brandão Filho, que comprou as terras da antiga Fazenda Tanguá. A partir desta, foram sendo adquiridos engenhos e fazendas próximas e em Rio Bonito e Silva Jardim, para prover o fornecimento de cana-de-açúcar e de lenha para as suas caldeiras. Até 1933, a Usina Tanguá era a única destilaria de álcool anidro existente no Brasil.

A centralidade que a usina desempenhou em nível local, como maior empregador da região e estimulador do afluxo de pessoas para o trabalho no plantio e no corte da cana, levou à criação, em 1924, de uma nova região administrativa em Itaboraí: Tanguá.

Com a crise econômica internacional de 1929, as atividades da Usina foram afetadas e, no ano seguinte, a firma Grillo Paz & Cia arrematou-a em um leilão, gerando uma nova fase dessa indústria.

A usina produzia açúcar, álcool e melaço, e a produção era vendida em Niterói e no Rio de Janeiro. O açúcar era adquirido pela Refinaria Piedade, que produzia o açúcar União, pela Usinas Nacionais, produtora do açúcar Pérola, e pela Fábrica Ramiro. Além das refinarias, indústrias de refrigerantes como a Indústria de Refrigerantes Flexa, em São Gonçalo, e a Fábrica de Coca-Cola e Benevides & Cia, de Rio Bonito, eram abastecidas pela Usina Tanguá.

Na década de 1950, organizou-se uma série de serviços de atendimento aos funcionários. Em 1957, foi criado o Hospital da Usina de Tanguá, administrado por funcionários da instituição, mas custeado pela indústria. Atendia aos funcionários e moradores locais, que, durante seu funcionamento, só se deslocavam para outros municípios para o tratamento de casos mais graves. Nestes casos, eram transferidos para o Hospital Santa Cruz, em Niterói, e o Hospital Darcy Vargas, em Rio Bonito.

A usina dispunha de residências para seus funcionários e promovia festas e concursos com prêmios. Nas proximidades de seu escritório, foram construídas uma praça e um cinema. Além de filmes, exibidos nos sábados e domingos, ali eram realizados bailes e apresentações musicais.

A falta de investimento na renovação tecnológica foi apontada como fator primordial do declínio da usina. A última moagem ocorreu em 1970. Suas terras passaram a ser loteadas, gerando vários bairros do atual município: entre outros, Vila Côrtes, Bandeirantes I e Bandeirantes II. Algumas fazendas transformaram-se em criadouros de gado leiteiro. Em 1981, foram vendidas as últimas fazendas e lotes e a empresa encerrou suas atividades, fechando seu escritório local. Desempregados, muitos ex-funcionários deslocaram-se para outros municípios. Muitas das antigas residências foram derrubadas e os terrenos, vendidos.

Parte da área da fábrica foi declarada como de Utilidade Pública para fins de Desapropriação pela Lei n° 1211 de 14 de setembro de 2020, contendo a Casa da Balança onde funcionou o escritório e pesagem de cana-de-açúcar.

Administradores do Município[editar | editar código-fonte]

Nome início do mandato fim do mandato
1 Jailson José Cardoso (PL) 1 de janeiro de 1997 1 de janeiro de 2001
Jailson José Cardoso (PFL) (reeleito) 1 de janeiro de 2001 1 de janeiro de 2005
2 Carlos Roberto Pereira (PP) 1 de janeiro de 2005 1 de janeiro de 2009
Carlos Roberto Pereira (PP) (reeleito) 1 de janeiro de 2009 1 de janeiro de 2013
3 Valber Luiz Marcelo de Carvalho (PTB) 1 de janeiro de 2013 31 de dezembro de 2016
4 Valber Luiz Marcelo de Carvalho(PTB) (reeleito) 1 de janeiro de 2017 atual

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a 22°43'45" de latitude sul e 42°42'51" de longitude oeste, a 20 metros de altitude. Sua população é de 30 532 habitantes (2010).

Bairros de Tanguá[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Tanguá

Referências

  1. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 8 de setembro de 2013 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 7 de março de 2019 
  6. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição revista. São Paulo. Ática. 2003. pp. 18,19.
  7. Prefeitura de Tanguá. Disponível em http://tangua.rj.gov.br/home/historia-da-cidade/. Acesso em 26 de novembro de 2016.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]