Tanguá

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Município de Tanguá
Vista da cidade de Tanguá

Vista da cidade de Tanguá
Bandeira de Tanguá
Brasão de Tanguá
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 28 de Dezembro
Fundação 28 de dezembro de 1995 (20 anos)
Gentílico tanguaense
Prefeito(a) Valber Luiz Marcelo de Carvalho (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro)
(2013–2016)
Localização
Localização de Tanguá
Localização de Tanguá no Rio de Janeiro
Tanguá está localizado em: Brasil
Tanguá
Localização de Tanguá no Brasil
22° 43' 48" S 42° 42' 50" O22° 43' 48" S 42° 42' 50" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro IBGE/2008 [1]
Microrregião Rio de Janeiro IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Rio de Janeiro
Municípios limítrofes Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Saquarema e Cachoeiras de Macacu
Distância até a capital 65 km
Características geográficas
Área 145,503 km² [2]
População 30 732 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 211,21 hab./km²
Altitude 20 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,722 (RJ: 82º) – alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 202 580,006 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 6 721,52 IBGE/2008[5]
Página oficial

Tanguá é um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Neste município, foi instalada, em 1969, a Estação Terrena de Comunicações Internacionais Via Satélite da EMBRATEL. A principal rodovia que dá acesso ao município é a BR-101. O município de Tanguá também é cortado pela estrada de ferro que já teve as seguintes denominações: Linha do Litoral-Cia. Ferro-Carril Niteroiense (1878-1887); Estrada de Ferro Leopoldina (1887-1975); Rede Ferroviária Federal S.A. (1975-1996), e que está atualmente sob concessão da Ferrovia Centro-Atlântica. Pela cidade, também está previsto o traçado da nova Ferrovia EF118, que pretende ligar os portos de Vitória e do Rio de Janeiro.

No início dos anos 1980, deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os habitantes anteriores, falantes de línguas macro-jês, para o interior do continente. No século XVI, a região era ocupada pela tribo tupi dos tamoios.[6] Nesse século, os colonizadores portugueses anexaram a região à capitania do Rio de Janeiro, a dividiram em sesmarias e as concederam a Miguel de Moura. Este, por sua vez, repassou-as aos jesuítas para que estes catequizassem os índios. Em 1662, os jesuítas venderam-nas a Manoel Fernando Osório, que fundou a vila de Santo Antônio do Caceribu, mais tarde Santo Antônio de Sá. O desmembramento destas terras daria origem a Tanguá. Uma sesmaria de 39 204 hectares foi doada ao alferes Henrique Duque Estrada, considerado herói da ocupação portuguesa da costa africana.

Nessas terras, foi erigido o Solar dos Duques, também chamado Engenho dos Duques, localizado na margem direita da estrada que ligava Itaboraí a Rio Bonito. Suas estruturas eram constituídas por casa-grande com capela ao lado, engenho e demais dependências típicas dos solares fluminenses. Em 1847, o solar hospedou a comitiva do imperador dom Pedro II quando esta visitava Itaboraí.[7]

No século XVIII, dom João VI concedeu, a Pedro Freire Ribeiro, uma sesmaria com uma légua quadrada onde passava o Rio Tanguá, que fazia limite com as terras dos sertões da localidade chamada de Posse dos Tanguá, expandindo o território que, atualmente, é o município. Com o tempo, foram concedidas outras sesmarias. A produção econômica, assim como a da maior parte da região, era baseada no cultivo da cana-de-açúcar, mandioca, milho, feijão, aguardente e farinha. Os principais engenhos e alambiques de fazendas dessa região foram a Herodina (ou da Posse), Bulhões, Ipitangas e Lagoa Verde.

Em 17 de março de 1878, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Tanguá, com a chegada da primeira composição de trens, vinda da Estação de Porto das Caixas. Esse ramal ferroviário fazia parte de um prolongamento da Estrada de Ferro de Cantagalo, criada em 1860 pelo Barão de Nova Friburgo, em direção ao litoral, ligando as regiões cafeeiras à capital da Província, Niterói. A sede da Estação abriga, hoje, a Secretaria de Cultura e Turismo e a Biblioteca Pública Municipal Mário Lago.

Em 1888, a assinatura da lei Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil, abalou a produção de açúcar e aguardente na região, pois esta se baseava no trabalho escravo.[8]

Em 1893, durante a Revolta da Armada, um fazendeiro da região, coronel Luiz Pereira dos Santos, enviou um batalhão de voluntários para lutar em prol do presidente Floriano Peixoto. Mesmo sem ter entrado em combate, a iniciativa foi recompensado por Floriano com a construção de um cemitério, um chafariz e um sistema de água encanada na cidade.[9]

Em 1920, iniciou-se a construção da Usina Tanguá de moagem de cana. Como resultado, a estação ferroviária de Tanguá passou a ter grande importância, já que, dela, saíam o açúcar e o álcool produzidos pela usina com destino a Niterói e ao Rio de Janeiro, onde eram comercializados. A Usina operava no sistema de moagens anuais, sendo que a maior parte da população trabalhava no plantio e no corte da cana. Treze anos depois, essa usina era a única do Brasil a destilar álcool anidro e, em virtude dessa importante atividade econômica, a Vila de Tanguá foi elevada à condição de 5º distrito de Itaboraí.

Nesse período, as terras da usina eram subdivididas e chamadas de fazendas. Sua produção de cana era destinada à Usina Tanguá, que, além de açúcar e álcool, produzia o [[melaço em menor escala. Devido a dificuldades financeiras, a usina fechou em 1970, mas as suas atividades marcaram a identidade local e centralizaram o trabalho agrário.

Após o fechamento da usina, no mesmo prédio foi instalada a Companhia Brasileira de Antibióticos, considerada, enquanto em operação, a maior indústria farmacêutica da América do Sul na produção de antibióticos. Na mesma década de 1970, foi descoberta, em Tanguá, uma das maiores reserva de fluorita do Brasil, mineral que, como o calcário, representa, atualmente, uma das maiores riquezas minerais do Estado do Rio de Janeiro.

Em 1969, a Embratel inaugurou, em Tanguá, a primeira Estação Terrena de Comunicações por Satélite do Brasil, instalada no bairro do Solar dos Duques. Nos anos 1970, a construção da Ponte Rio-Niterói absorveu muitos antigos trabalhadores rurais de Tanguá e utilizou areia do município em suas obras. Nessa mesma época, iniciou-se o processo de loteamento das fazendas da região, que deram origem aos atuais bairros do município.

Oscilações nas atividades agrícolas atingiram de formas variadas os municípios dessa região que, até a década de 1980, tinham a maior parte das populações nas zonas rurais. Há um êxodo rural para os principais centros urbanos, comerciais, industriais e de serviços da época, as capitais do país e do estado – respectivamente, as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Acompanhando o processo de êxodo, há, também, a transformação de antigas fazendas e sítios em loteamentos, ampliando a área urbana desses municípios.

Com a redemocratização, na década de 1980, grupos se articularam visando à emancipação política do distrito de Tanguá, que se elevou a município em 1995.

Usina Tanguá[editar | editar código-fonte]

Em Tanguá, é instalada, em 1920, a Usina Tanguá, pela firma Brandão Filho, que comprou as terras da antiga Fazenda Tanguá. A partir desta, foram sendo adquiridos engenhos e fazendas próximas e em Rio Bonito e Silva Jardim, para prover o fornecimento de cana-de-açúcar e de lenha para as suas caldeiras. Até 1933, a Usina Tanguá era a única destilaria de álcool anidro existente no Brasil.

A centralidade que a usina desempenhou em nível local, como maior empregador da região e estimulador do afluxo de pessoas para o trabalho no plantio e no corte da cana, levou à criação, em 1924, de uma nova região administrativa em Itaboraí: Tanguá. Com a crise econômica internacional de 1929, as atividades da Usina foram afetadas e, no ano seguinte, a firma Grillo Paz & Cia arrematou-a em um leilão, gerando uma nova fase dessa indústria.

A usina produzia açúcar, álcool e melaço, e a produção era vendida em Niterói e no Rio de Janeiro. O açúcar era adquirido pela Refinaria Piedade, que produzia o açúcar União, pela Usinas Nacionais, produtora do açúcar Pérola, e pela Fábrica Ramiro. Além das refinarias, indústrias de refrigerantes como a Indústria de Refrigerantes Flexa, em São Gonçalo, e a Fábrica de Coca-Cola e Benevides & Cia, de Rio Bonito, eram abastecidas pela Usina Tanguá.

Na década de 1950, organizou-se uma série de serviços de atendimento aos funcionários. Em 1957, foi criado o Hospital da Usina de Tanguá, administrado por funcionários da instituição, mas custeado pela indústria. Atendia aos funcionários e moradores locais que, durante seu funcionamento, só se deslocavam para outros municípios para o tratamento de casos mais graves. Nestes casos, eram transferidos para o Hospital Santa Cruz, em Niterói, e o Hospital Darcy Vargas, em Rio Bonito.

A usina dispunha de residências para seus funcionários; promovia festas e concursos com prêmios. Nas proximidades de seu escritório, foram construídas uma praça e um cinema. Além de filmes, exibidos nos sábados e domingos, ali eram realizados bailes e apresentações musicais.

A falta de investimento na renovação tecnológica foi apontada como fator primordial do declínio da usina. A última moagem ocorreu em 1970. Suas terras passaram a ser loteadas, gerando vários bairros do atual município: entre outros, Vila Cortes, Bandeirantes I e Bandeirantes II. Algumas fazendas transformaram-se em criadouros de gado leiteiro. Em 1981, foram vendidas as últimas fazendas e lotes e a empresa encerrou suas atividades, fechando seu escritório local. Desempregados, muitos ex-funcionários deslocaram-se para outros municípios. Muitas das antigas residências foram derrubadas e os terrenos, vendidos.

Administradores do Município[editar | editar código-fonte]

Nome início do mandato fim do mandato
1 Jailson José Cardoso (PL) 1 de janeiro de 1997 1 de janeiro de 2001
Jailson José Cardoso (PFL) (reeleito) 1 de janeiro de 2001 1 de janeiro de 2005
2 Carlos Roberto Pereira (PP) 1 de janeiro de 2005 1 de janeiro de 2009
Carlos Roberto Pereira (PP) (reeleito) 1 de janeiro de 2009 1 de janeiro de 2013
3 Valber Luiz Marcelo de Carvalho (PTB) 1 de janeiro de 2013 atualidade

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a 22º43'49" de latitude sul e 42º42'51" de longitude oeste, a 20 metros de altitude. Conta com uma população de 30 532 habitantes (2010).

Bairros de Tanguá[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 08 de setembro de 2013.  Texto "tangua" ignorado (Ajuda)
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010. 
  6. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição revista. São Paulo. Ática. 2003. pp. 18,19.
  7. Prefeitura de Tanguá. Disponível em http://tangua.rj.gov.br/home/historia-da-cidade/. Acesso em 26 de novembro de 2016.
  8. Prefeitura de Tanguá. Disponível em http://tangua.rj.gov.br/home/historia-da-cidade/. Acesso em 26 de novembro de 2016.
  9. Prefeitura de Tanguá. Disponível em http://tangua.rj.gov.br/home/historia-da-cidade/. Acesso em 26 de novembro de 2016.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]