Maricá

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Município de Maricá
Bandeira de Maricá
Brasão de Maricá
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 26 de maio de 1814 (201 anos)
Gentílico maricaense
Padroeiro(a) Nossa Senhora do Amparo
Prefeito(a) Washington Luiz Cardoso Siqueira (Quaquá) (PT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Maricá
Localização de Maricá no Rio de Janeiro
Maricá está localizado em: Brasil
Maricá
Localização de Maricá no Brasil
22° 55' 08" S 42° 49' 08" O22° 55' 08" S 42° 49' 08" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro IBGE/2008 [1]
Microrregião Rio de Janeiro IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Rio de Janeiro
Municípios limítrofes Itaboraí, Niterói, Saquarema, São Gonçalo e Tanguá e Rio Bonito
Distância até a capital 60 km
Características geográficas
Área 362,477 km² [2]
População 146,549 hab. IBGE/2015[3]
Densidade 0,4 hab./km²
Altitude 6 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,765 (RJ 6º) – alto [4]
PIB R$ 947 018,065 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 7 942,72 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura www.marica.rj.gov.br
Câmara www.camaramarica.com.br

Maricá é um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Localiza-se a 22º55'10" de latitude sul, 42º49'07" de longitude oeste, a 5 metros de altitude.

O território municipal estende-se por 362,480 km² e é dividido em quatro distritos: Maricá (sede), Ponta Negra, Inoã e Itaipuaçu.

O acesso ao município pode ser feito tanto pela RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto), que liga o município às cidades de Niterói, São Gonçalo e Saquarema, quanto pela RJ-114, que faz a conexão com o município de Itaboraí e as rodovias RJ-104 e BR-101.

O município de Maricá também é conhecido por suas propriedades rurais – chácaras e grandes fazendas –, muitas delas ricas em conteúdo histórico. O trem também já passou pela cidade – ainda hoje se encontram resquícios daquela época, como estações, trilhos, um túnel e uma ponte no bairro de Inoã, com a inscrição da Estrada de Ferro Maricá.

O município possui um aeroporto, conhecido como Aeroporto de Maricá, localizado no centro urbano.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

Existem três explicações para a origem do nome "Maricá". A primeira que seria originária do tupi antigomaraká, vem do nome de uma planta leguminosa [6] .A segunda, também de origem tupi-guarani, significa "espinheiro", cuja origem está numa árvore nativa da região.[7] A terceira origem do nome deriva do indo-europeu "mori",que significa lago ou charco. [8]

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras ocupações humanas em Maricá datam provavelmente do século XI, quando se tem conhecimento de que a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os antigos habitantes, falantes de línguas do tronco linguístico macro-jê, para o interior do continente. No século XVI, quando os primeiros europeus chegaram à região, ela estava ocupada pela nação tupi dos tupinambás, também chamados tamoios.[9] Desde essa época, a região já aparecia nos mapas portugueses com o nome "Maricahaa".[10] Nas últimas décadas desse século, a região começou a ser dividida em sesmarias pelos portugueses, como a de Antônio de Mariz, a de Manoel Teixeira e a de Duarte Martins Moirão. Em 1584, o padre jesuíta José de Anchieta passou pela lagoa de Maricá, onde teria efetuado uma "pesca milagrosa".[11]

Em 1635, foi fundada a fazenda São Bento, pertencente aos monges beneditinos do Rio de Janeiro.[12] Porém as atividades econômicas das propriedades da região (extrativismo, agricultura e pecuária) eram prejudicadas pela malária. Em 1675, foi erguida a capela de São José do Imbassaí.[13] Em 1755, foi criada a Freguesia de Santa Maria de Maricá: o nome era uma homenagem à rainha Maria I de Portugal. A primeira capela de Nossa Senhora do Amparo foi construída na segunda metade do século XVII. Em 1755, com a criação da Freguesia de Santa Maria de Maricá, a capela Nossa Senhora do Amparo separou-se da Freguesia de Santo Antonio de Sá e recebeu o título de paróquia.[14] Em 1788 foi erguida a atual capela de Nossa Senhora do Amparo, cujas obras começaram no século XVIII, mas só foram finalizadas no século seguinte.[15] No final do século XIX, foi construída uma estrada de ferro que cortou a região, propiciando a escoação da pesca e das bananas de Maricá para os mercados de Niterói e São Gonçalo.

Na mesma época, a abolição da escravidão no Brasil causou grandes prejuízos à agricultura local, que se baseava na mão de obra escrava. Em meados do século XX, a construção da rodovia Amaral Peixoto estimulou a indústria da construção civil, o turismo e o comércio na cidade. Atualmente, a cidade é uma das que recebem mais royalties derivados do petróleo no estado do Rio de Janeiro.

Visitantes conhecidos do século XIX[editar | editar código-fonte]

Jonh Luccock[editar | editar código-fonte]

Jonh Luccock foi um dos visitantes estrangeiro que passou por Maricá em viagem no início do século XIX. Integrante de expedição de conhecimento comercial, científico e político do Brasil, o comerciante esteve em Maricá em 1813, visitando a fazenda Itaocaia e a região de Itaipuaçu. O visitante descreveu a região em um trabalho publicado em 1820, intitulado Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil. Ele relatou a existência de ilhas em Itaipuaçu utilizadas para praticar contrabando, uma entrada de um porto na mesma região, assim como costumes locais, identificando características sócio-culturais da região. Ele descreveu ainda a fauna, a flora local e as condições de saúde dos moradores da região.[16]

Maximiliano Niuwied[editar | editar código-fonte]

O príncipe alemão Maximiliano Niuwied visitou a Vila de Maricá em 1815, em uma expedição científica que contou com mais dois cientistas alemães, Frederich Sellon e Georg Willelm Freireyss.[17] O Príncipe partiu do Rio de Janeiro em um caminho que incluiu Niterói, São Gonçalo, Guaxindiba e, finalmente, Maricá. Existem relatos de que ele visitou a Serra de Inoã até chegar a Freguesia de Maricá, hoje São José. Ele descreveu diversas árvores, animais, brejos e matas, além de participar de uma caçada científica com o grupo de estrangeiros. O livro que escreveu com relatos da viagem se chamou Viagem pelo Brasil. Ele também descreveu a lagoa de São José e os diversos animais que habitavam o local. Visitou também a Vila de Santa Maria de Maricá, descrevendo especialmente a flora e a fauna dos distritos do atual município.[18]

Charles Darwin[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de abril de 1832, a equipe do naturalista inglês Charles Darwin, composta por sete membros, chegou à localidade de Itaocaia. Embarcados no navio Beagle, os viajantes partiram da Inglaterra com a missão de fazer a cartografia de novas rotas de navegação e descobrir recursos naturais que pudessem ser comercializados. Depois de passarem por alguns campos cultivados, entraram numa floresta descrita por Darwin em seus diários na região de Maricá.[19] Nesta estrada entre Maricá e Niterói, Darwin teve um de seus primeiros contatos com a biodiversidade da Mata Atlântica. Ele se hospedou na fazenda Itaocaia, localizada no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Maricá, e percorreu um trecho de 2,2 quilômetros pesquisando pela região.

Darwin viajou pelo norte fluminense subindo a Serra da Tiririca, em Niterói, passando por Maricá,Rio Bonito, Itaboraí Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Barra de São João, Macaé e Conceição de Macabu. Em alguns desses lugares, descreveu construções, a natureza e o clima em seu diário de viagens, como no caso da Fazenda Itaocaia, em Maricá, a Estrada do Vai e Vem, a qual percorreu quando viajava pela região de Niterói e ruínas da Fazenda Campos Novos, em Cabo Frio. Em seu diário, destacou o colorido da paisagem, observou uma floresta de acácias, em Itaboraí, e as samambaias de Conceição de Macabu. Descreveu alguns animais que mais o interessaram, como insetos. Darwin passava os dias coletando, observando e estudando o comportamento desses animais e suas anotações foram utilizadas para a formulação da Teoria da Evolução e o princípio da seleção natural.[20] O navio Beagle deixou o Brasil em 5 de julho de 1832, dirigindo-se a Montevidéu, dando continuidade à expedição. Em agosto de 1936, o navio retornou ao Brasil em outra expedição, fazendo suas últimas paradas em Salvador e Recife.

Hoje existe um projeto que busca revitalizar o percurso feito por Darwin, em 1832. O projeto surgiu com as trilhas das comemorações feitas pelos 200 anos de nascimento do naturalista inglês, no ano de 2009. Em Maricá, a trilha faz parte do projeto Caminhos de Darwin e se localiza no Parque Estadual da Serra da Tiririca, cortando as cidades de Niterói e Maricá.[21]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Maricá é rodeada por maciços costeiros. As serras principais são: Calaboca, Mato Grosso (onde se localiza o ponto mais alto do Município - o Pico da Lagoinha, com 890 metros), Lagarto, Silvado, Espraiado e Tiririca.

O município apresenta um grande complexo lagunar que contempla as lagoas de Maricá, Barra de Maricá, do Padre, Guaripina e Jaconé, além dos canais de Ponta Negra e de Itaipuaçu que ligam as lagoas ao mar.

Também é conhecida por suas praias oceânicas, dentre as quais destacam-se as de Jaconé, Ponta Negra, Barra de Maricá, do Francês e Itaipuaçu. A topografia peculiar cria um ambiente propício à prática de esportes como voo livre, trekking e mountain bike, entre outros.

A Serra da Tiririca, entre Maricá e Niterói, é um parque estadual com um valioso trecho de mata atlântica.

A Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá é uma área tipicamente de restinga, localizada na costa do município. É formada pela antiga fazenda São Bento da Lagoa, a Ponta do Fundão e a Ilha Cardosa. Abriga a Comunidade Pesqueira tradicional de Zacarias, presente na área desde o século XVIII, sítios arqueológicos e o complexo ecossistema de restinga. Este último é formado, entre outros componentes, por tabuleiros costeiros, um duplo cordão arenoso coberto por dunas, brejos, vegetações e fauna de restinga. A sua construção promoveu a constituição do sistema lagunar Maricá-Guarapina pelo fechamento da antiga enseada[22] .

Possui, ainda, uma grande área urbana de ocupação rarefeita e formada por dezenas de bairros e condomínios. A maior parte dos domicílios é de uso permanente, sobretudo no Centro da cidade e nas localidades mais antigas. Nas áreas do litoral e nas margens das lagoas, as residências são majoritariamente utilizadas para o turismo do tipo veraneio.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Maricá é um município que apresenta um dos maiores complexos lagunares do estado denominado Maricá-Guarapina, com rios, lagoas, riachos e brejos.

O sistema lagunar é formado pelas lagoas Brava, de Maricá, da Barra, do Padre e Guaripina. A Lagoa de Jaconé fica isolada a leste na divisa com Saquarema.

O território municipal corresponde à bacia hidrográfica do grande sistema lagunar, um fato bastante raro. Desta forma, praticamente todos os rios nascem e deságuam dentro do município. Seu principal rio é o Ubatiba/Mombuca, que não passa dos 20 metros de largura, mas que abastece o Centro da cidade e alguns bairros. Maricá também tem canais artificiais que ligam o complexo lagunar ao mar como os canais de Ponta Negra e Itaipuaçu. A abertura desses canais nos anos 1950 terminou com o regime natural de abertura de barra que acontecia entre Barra e Guaratiba.

O município possui orla ininterrupta com extensão de 32.887 metros aproximadamente, desde o início da Praia de Itaipuaçu, próximo à Pedra do Elefante, até a Serra de Jaconé, na Praia de Jaconé.

Turismo[editar | editar código-fonte]

A Cidade de Maricá tem um dos carnavais de rua mais ativos da região e atrai turistas de diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro.

Devido a suas características geográficas, possui pontos turísticos diversificados, dos quais destacam-se: - Lagoa de Araçatiba e Boqueirão - Farol de Ponta Negra - Cachoeira do Espraiado - Rampa de Parapente (Bairro do Retiro) - Pedra do Elefante (Bairro de Itaipuaçu) - Praia da Barra de Maricá - Praia de Itaipuaçu - Fazenda de Itaocaia (Itaipuaçu)

Arte e Literatura[editar | editar código-fonte]

Vida Cultural e Literária

Festa Literária de Maricá (FLIM). A primeira Festa Literária de Maricá aconteceu entre os dias 16 e 31 de outubro de 2013 e causou grande curiosidade entre a população, devido a grande estrutura que estava sendo montada na praça Orlando de Barros Pimentel, centro de Maricá. A festa foi realizada pela prefeitura (responsável pela segurança e apresentações) em parceria com a Associação Brasileira do Livro (ABL) (responsável pela estrutura). O principal objetivo dessa festa é incentivar a leitura em papel, principalmente para os alunos da rede municipal de educação, por isso os alunos e servidores receberam tickets com um determinado valor para que trocassem por livros e também deu a oportunidade a novos autores de expor suas obras tendo um maior contato com seu público. Todas as escolas municipais fizeram excursões até a feira com seus alunos, para que os mesmos comprassem os livros. Foram montados vários estandes de vendas de todos os tipos de livros e também um palco onde foram realizadas apresentações culturais. A Festa teve uma 2ª edição, nos mesmos dias, em 2014.

Academia de Ciências e Letras de Maricá. Fundada, em 30 de agosto de 1975, por Cyro Manuel do Nascimento, Eliane Souza Alfradique, Gal. Hugo Silva, Luiz Carlos Schüller, Miguel Vieira da Silva, Manoel Francisco de Souza, Gal. Nilton Faria, Odenir Francisco da Costa, Paulo Roberto Souza Barreto, Paulo Mello dos Santos, Sérgio Augusto Machado, Taís Imar Vieira da Silva. Inicialmente ocupava um espaço da Câmara Municipal, posteriormente ficou sem um espaço fixo, em consequência de obras no local. Após o termino da obra, não pôde retornar para o prédio da Câmara por exigências da Divisão do Patrimônio Histórico. Autorizada pelo ex-prefeito Luciano Rangel, ocupou espaço à Rua Ribeiro de Almeida, no Centro de Maricá. Mais tarde foi deslocada para o prédio onde é a Casa de Cultura. Atualmente se localiza na Rua Álvares de Castro, 103.

Algumas personalidades[editar | editar código-fonte]

Domício da Gama. Diplomata e escritor nascido em Maricá no dia 23 de outubro de 1862, morreu em 8 de novembro de 1925, foi escritor de contos, crônicas e críticas literárias. Jornalista, diplomata e embaixador nos Estados Unidos, no período de 1914 a 1917, e na Inglaterra, de 1920 a 1921, foi Ministro das Relações Exteriores em 1919, e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, com posse na sessão de 28 de janeiro de 1897.

Suas principais obras, como escritor, são meia-tinta (1891, conto) e curtas (1901, obras históricas).

Transportes[editar | editar código-fonte]

Maricá é uma cidade que passou a fazer parte da região metropolitana, a partir de 1975 e que recebe grande influência de Niterói e do Rio de Janeiro. É um município de fácil acesso tanto por terra como por ar e mesmo sendo uma localidade litorânea, não tem porto.

O transporte intermunicipal é feito pela Viação Nossa Senhora do Amparo, ligando o centro do município ao Rio de Janeiro e Niterói. Há também os ônibus saindo de Itaipuaçu regularmente com destino às mesmas cidades. Existe um serviço especial com ônibus saindo do distrito de Ponta Negra em direção à cidade do Rio de Janeiro, e vice-versa, em horários de pico para desafogar os veículos que saem do centro da cidade.

O transporte municipal é feito pelas viações Costa Leste, Nossa Senhora do Amparo e a Empresa Publica de Transporte (empresa operada pela prefeitura que oferece serviço de transporte publico e gratuito) Os ônibus partem do Terminal Rodoviário Jacinto Luis Caetano (homenagem ao fundador da Viação Nossa Senhora do Amparo).

Rodoviário[editar | editar código-fonte]

  • RJ-106, a rodovia Amaral Peixoto. Começa no distrito de Tribobó (São Gonçalo), corta Maricá de oeste a leste, passa por Araruama, Macaé, Quissamã e acaba em Campos. É a principal rodovia de Maricá e uma das principais do estado. Ela é duplicada de Tribobó até a entrada da cidade de Maricá (km. 30,5), passando a ser pista simples deste ponto até a Serra do Mato-Grosso (km. 45).
  • RJ-102, a Avenida Central Litorânea. Começa em Niterói e vai beirando o mar até Armação dos Búzios. Passa pelos distritos de Itaipuaçu e Ponta Negra e pelos bairros de: Zacarias, Jardim Atlântico, Guaratiba, Cordeirinho e Jaconé, todos litorâneos.
  • RJ-114, corta o município de norte a sul e faz ligação com os bairros de Ubatiba e Barra de Maricá. Entre o centro e a Barra ela é chamada de Avenida Ivan Mundim,esta em ótimo estado.
  • RJ-118, Acesso ao distrito de Ponta Negra, na altura do km. 43 da RJ-106, passando pelos bairros de Bananal, Jaconé e retornando na direção da RJ-106, na localidade de Sampaio Corrêa, já no Município de Saquarema. É possível chegar a três destinos de lá.

Ferroviário[editar | editar código-fonte]

Maricá foi servida de transporte ferroviário entre 1889 e 1963.

História da ferrovia[editar | editar código-fonte]

O projeto de construir uma estrada de ferro em Maricá surgiu em 1887.[23] Intitulada Companhia Estrada de Ferro de Maricá, as obras para a sua construção duraram cerca de um ano, quando foi inaugurado o primeiro trecho da ferrovia entre Alcântara, em São Gonçalo, e Itapeba, em Maricá.[24] Em 1894 foi inaugurada a estação do Centro e, logo depois, a estacão de Manoel Ribeiro, na época um grande centro econômico na região. A ferrovia era utilizada para transporte de pessoas e mercadorias e, inicialmente, foi inteiramente construída com capital particular dos seus sócios. No governo Nilo Peçanha (1906-1909) a estrada de ferro avançou em duas direções, chegando a Iguaba Grande, na época um distrito de Araruama, e a Neves, em São Gonçalo, com o desbloqueio dos trilhos da Leopoldina Railway.[25] Anteriormente a década de 1930, a estrada de ferro foi vendida pelos seus proprietários a um grupo belga, que mais tarde a revendeu a uma companhia francesa ("Companhia Genérale Aux.Cheminias de Fer"). Somente em 1933 a estrada de ferro recebeu auxílio do governo federal, sendo anexada a Estrada de Ferro Leopoldina e depois incorporada à Central do Brasil.[26] Na década de 1950 ocorreu uma diminuição de investimentos do governo federal. Em 1963 os diretores da estrada de ferro e o governo federal decretaram o fim dos serviços da ferrovia. Ainda neste ano, um episódio conhecido como o "sequestro simbólico" marcou a história da estrada de ferro no município. Inconformados com o fechamento da estrada de ferro, moradores locais colocaram em funcionamento um trem que estava paralisado na estação de Neves e viajaram até o Centro de Maricá, trazendo vários passageiros pelo caminho. Na chegada, o grupo que liderou este episódio fez um comício em praça pública, com a participação da população maricaense.[27] A Estrada de Ferro de Maricá chegou a possuir 157 quilômetros de extensão e 16 estações: Santa Izabel, Raul Veiga, Rio do Ouro, Calaboca, Inoã, São José, Maricá, Manoel Ribeiro e Ponta Negra, Sampaio Correa, Bacaxá, Ponto do Leite, Araruama, Iguaba, São Pedro e Cabo Frio.[28] Havia também quatro paradas cobertas em Buriche, Bom Jardim, Bananal e Jaconé [29]

Aeroporto[editar | editar código-fonte]

O aeroporto de Maricá está autorizado a operar aeronaves de pequeno porte e jatos executivos leves, porém era utilizado principalmente por escolas de aviação civil até essas escolas serem impedidas de operar no aeroporto por indícios de corrupção. Com 1200m e pista asfaltada, Maricá tem um dos principais aeródromos da região estando localizado próximo à Lagoa de Araçatiba.

O Aeroporto encontra-se fechado.

Demografia[editar | editar código-fonte]

É um dos municípios de maior ritmo de crescimento populacional do estado. Sua população em 2004 era de 92.227 habitantes, passando a 105.294 em 2007, e 123.492[30] em 2009.

É importante ressaltar que Maricá, cada vez mais, abriga uma população de origem metropolitana.

Economia[editar | editar código-fonte]

No passado, a economia de Maricá era baseada na agricultura e na atividade pesqueira. Esta última, em função do seu rico complexo lagunar, dava a cidade o título de maior produtora de pescados do estado do Rio de Janeiro, tendo a sua produção direcionada à capital estadual. No entanto, com a degradação do seu ambiente lagunar desde o início da intensificação de sua ocupação territorial, esta atividade vem perdendo cada vez mais importância na economia maricaense. [31]

Atualmente, Maricá é considerado um município produtor de petróleo, já que o seu litoral está defronte a Bacia de Santos. A exploração do campo de Lula, pela Petrobras, é o principal responsável por garantir consideráveis receitas de royalties ao cofres da prefeitura municipal, valor este que tem crescido ano a ano. [32]

A construção civil, desde a implantação da Ponte Rio Niterói, tornou-se um dos carros chefe da economia municipal, pois estimulou a criação de loteamentos para abrigar residências de veraneio. Nos últimos anos, antigas fazendas da cidade vem sendo adquiridas por incorporadoras imobiliárias como Aphaville para a criação de grandes condomínios horizontais fechados ao longo da RJ 106, o que ajuda a reforçar a arrecadação de IPTU para prefeitura.[33]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Bairros[editar | editar código-fonte]

O Município de Maricá fica dividido em 50 (cinquenta) bairros[34] com denominação própria e agrupados de acordo com os Distritos Municipais, conforme ordenação a seguir:

Carnaval[editar | editar código-fonte]

O "Maricarnaval", como é informalmente chamado o Carnaval em Maricá é comemorado de forma análoga à da maioria das cidades médias e grandes do estado do Rio. São comuns as bandas carnavalescas, blocos e há também desfiles das escolas de samba[35] , sendo que nos últimos anos da década de 2000.

A maior escola de samba da cidade atualmente é a União de Maricá que desfila Na Serie C do carnaval carioca.

No carnaval de 2014, a cidade foi homenageada pela Acadêmicos do Grande Rio, no enredo: "Verdes olhos sobre o mar, no caminho: Maricá".

Aldeias Indígenas em Maricá[editar | editar código-fonte]

Atualmente existem duas aldeias indígenas instaladas em Maricá, a aldeia Tekoa Ka'auguy Hovy Porã e a aldeia Ara Owy Rê.

Aldeia Tekoa Ka'aguy Hovy Porã[editar | editar código-fonte]

A aldeia antes chamada Tekoá Itarypú, em português Aldeia do Som da Água da Pedra, logo depois foi renomeada como Tekoá Mboy-ty, em português Aldeia Semente.

Natural de Parati-Mirim, Parati-RJ. Em 2008 migrou para Camboinhas, Niterói-RJ com o objetivo de ocupar uma área considerada um território sagrado, onde existem cemitérios indígenas. Mas essa ocupação acabou em um incêndio criminoso na tentativa de expulsar os indígenas do local. [36]

Diante do acontecido, o prefeito de Maricá, Washigton Quaquá ofereceu para os indígenas três áreas públicas, nos bairros de Bambuí, Ponta Negra e Caxito, mas eles negaram. [37] Com essa negação, o município ofereceu doar uma área na restinga da cidade, proposta que foi aceita pelos indígenas. [38] Entretanto, essa doação, feita pelo prefeito, foi contestada pela empresa internacional IDB Brasil, que tem um projeto de construir um Resort luxuoso no local. Atualmente, a ideia é a aldeia passar a ser uma aldeia turística compondo um empreendimento turístico, juntamente com o Resort . [39]

Hoje a aldeia está localizada no distrito de Itaipuaçu, no bairro de São José do Imbassaí com 62 indígenas Guaranis M'Byá e agora com o nome Aldeia Tekoa Ka'aguy Hovy Porã, que em português significa Aldeia Mata Verde Bonita. [40]

Aldeia Ara Owy Re[editar | editar código-fonte]

A Aldeia Ara Owy Re, que em português significa Aldeia Sítio do Céu, é natural de Porto Alegre-RS que em 2000 migrou para Aracruz-ES, com o objetivo de visitar parentes e em 2013 se instalou em Maricá-RJ.

A aldeia hoje é formada por 26 indígenas Guaranis M'Byá e está localizada no Parque Estadual da Serra da Tiririca, na Morada das Águias, no distrito de Itaipuaçu. De acordo com o Jornal O Dia, os indígenas vivem em uma condição precária, sem luz e sem água encanada. [41] Diante da situação, o prefeito de Maricá Washington Quaquá anunciou que irá comprar um terreno para abrigar a aldeia. [42]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «Estimativa populacional 2015 IBGE» (PDF). Estimativa populacional 2015. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2015. Consultado em 16 de fevereiro de 2016. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 29 de Julho de 2013.. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 586, 373.
  7. LAMBRACKI,A. Compêndios da história de Maricá: sua origem, sua história. Maricá, COP EDITORA E GRÁFICA LTDA, 2005, p.41
  8. BRUM,Cezar.Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's,2004, p. 9-10
  9. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
  10. História. Disponível em http://www.marica.com.br/museu/historia1.html. Acesso em 17 de maio de 2015.
  11. Maricá. Disponível em http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riodejaneiro/marica.pdf. Acesso em 17 de maio de 2015.
  12. Maricá. Disponível em http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riodejaneiro/marica.pdf. Acesso em 17 de maio de 2015.
  13. Maricáinfo.com. Disponível em http://maricainfo.com/conheca-marica/historia-de-marica. Acesso em 17 de maio de 2015.
  14. BRUM, Cezar. Contando a história de Maricá.Maricá:GBN designer's,2004,p.16-17
  15. BRUM, Cezar. Contando a história de Maricá.Maricá:GBN designer's,2004,p.17
  16. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's,2004, p. 25/26
  17. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's,2004, p.26
  18. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's,2004, p.26-27
  19. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's,2004, p.40-41
  20. http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/caminho-de-darwin
  21. http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_422528.shtml
  22. http://www.restingamarica.org
  23. Marica já. Número 13, ano 3, junho a agosto de 2003, p-1
  24. Maricá já. Número 13, ano 3, junho a agosto de 2003, p-1
  25. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's, 2004, p-53
  26. BRUM,Cezar. Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's, 2004, p-53
  27. BRUM, Cezar.Contando a história de Maricá. Maricá: GBN designer's, 2004, p-54
  28. Marica já. Número 13, ano 3, junho a agosto de 2003, p-4
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]