Teresópolis

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Teresópolis
  Município do Brasil  
Teresopolis 02 - panoramio - Jose Muniz.jpg
Símbolos
Bandeira de Teresópolis
Bandeira
Brasão de armas de Teresópolis
Brasão de armas
Hino
Lema Sub Digitum Dei
"Sob o Dedo de Deus"
Apelido(s) "Cidade de Teresa"
"Terê"
"Capital Nacional do Montanhismo"
"Cidade dos Festivais"
Gentílico teresopolitano
Localização
Localização de Teresópolis no Rio de Janeiro
Localização de Teresópolis no Rio de Janeiro
Mapa de Teresópolis
Coordenadas 22° 24' 43" S 42° 57' 57" O
País Brasil
Unidade federativa Rio de Janeiro
Região intermediária[1] Petrópolis
Região imediata[1] Petrópolis
Municípios limítrofes
Norte: Sapucaia;
Noroeste: São José do Vale do Rio Preto;
Nordeste: Sumidouro;
Leste: Nova Friburgo
Sudeste: Cachoeiras de Macacu;
Sudoeste: Petrópolis;
Sul: Guapimirim.
Distância até a capital 94 km
História
Emancipação 6 de julho de 1891
Aniversário 6 de julho de 1891 (129 anos)
Administração
Distritos
Prefeito(a) Vinicius Claussen (PSC, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2] 770,601 km²
 • Área urbana (Embrapa/2015) [3] 64,318 km²
População total (estatísticas IBGE/2020) [4] 184 240 hab.
Densidade 239,1 hab./km²
Clima Tropical de altitude (Cwb)
Altitude (Referente a média do Centro)[5] 869 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010) [6] 0,730 alto
PIB (IBGE/2018) [7] R$ 5 155 905,28 mil
PIB per capita (IBGE/2018) R$ 28 503,62
Outras informações
Padroeiro(a) Santo António de Lisboa
Teresa de Ávila
Sítio www.teresopolis.rj.gov.br (Prefeitura)
www.camarateresopolis.com.br (Câmara)

Teresópolis é um município brasileiro no interior do estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Localiza-se na Serra Fluminense e pertence à Região Geográfica Intermediária de Petrópolis, estando situado a cerca de 94,3 km a norte da capital do estado. Ocupa uma área de pouco mais de 770 km², sendo aproximadamente 64 km² em área urbana, e sua população em 2020 era de 184 240 habitantes.

O começo do povoamento ocorreu em meados do século XVI por índios timbiras, antes mesmo da chegada dos portugueses. Certo progresso foi visto quando um fluxo de escravos que fugiam das plantações de cana da Baixada Fluminense levou à formação do Quilombo da Serra, primeiro povoado da região. Posteriormente, George March, um português de origem inglesa, adquiriu algumas terras onde hoje situa-se o bairro do Alto e as transformou na fazenda de Santo Antônio, que posicionava-se no caminho que ligava o Rio até a Província de Minas Gerais. O local foi escolhido como ponto de repouso aos comerciantes que faziam este trajeto, dando início a um lento processo de progressão do então distrito de Santo Antônio de Paquequer. Em 6 de julho de 1891, o governador Francisco Portela assinou um decreto de criação do município, emancipando de Magé. Desde então, Teresópolis se desenvolveu rapidamente, principalmente após a construção da ferrovia com ligação direta até a capital que anos mais tarde foi substituída por uma rodovia.

Cercado por montanhas e unidades naturais de conservação, como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Parque Estadual dos Três Picos e Parque Natural Municipal Montanhas, tem sua identidade ligada diretamente ao turismo natural, além de ser sede do centro de treinamento da Seleção Brasileira de Futebol e abrigar uma feira ao ar livre de artesanato com mais de 700 expositores. Conta também com monumentos de valor histórico e patrimonial, como a Matriz de Santa Teresa, Igreja de Santo Antônio do Paquequer, Palacete Granado, Palácio Teresa Cristina, Mirante da Granja Guarani e Fonte Judith.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "Teresópolis" é formado pela junção do antropônimo "Teresa" com o termo de origem grega pólis, significando, portanto, "cidade de Teresa". Trata-se de uma homenagem à imperatriz brasileira Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, esposa do imperador D. Pedro II.[8]

História[editar | editar código-fonte]

Origens e povoamento[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada dos primeiros portugueses à região de Magé, no século XVI, a mesma era habitada por índios Timbira, Tamoio[9] e Temiminó, da tribo de Arariboia, chamados pejorativamente por seus inimigos de "maracajás".[10] Na parte alta, que hoje corresponde à Serra dos Órgãos e consequentemente à Teresópolis, era registrado povoamento dos Guaranis, além do Quilombo da Serra, que abrigava escravos fugitivos das fazendas de cana-de-açúcar da baixada mageense. No século XVIII, várias trilhas surgiram na subida da Serra a partir de Guapimirim que tinham como destino onde hoje está localizado o bairro de Três Córregos, no Segundo Destrito. O primeiro caminho passava pela Garganta Maria da Prata (hoje na área do Parque Estadual dos Três Picos) e chegava a Canoas. O segundo caminho passava pelo Soberbo e Garrafão (em trajeto próximo ao da BR-116, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e chegava a Boa Vista e Paquequer, onde atualmente está o bairro do Alto.[11]

A primeira descrição oficial da região onde hoje situa-se Teresópolis foi feita em 1788 por Baltazar Lisboa, juiz de fora do Rio de Janeiro, ordenada pelo Ministro e Secretário dos Negócios Ultramarinos.[12] Em sua descrição, Baltazar relata as características da serra e um suposto "sertão" onde hoje situa-se a Cascata do Imbuí. Além disso, finalizou relatando que "nada de notável havia, além da estrada de penetração partindo de Piedade (litoral), galgando a serra e seguindo para o verdadeiro sertão".[12]

George March e sua fazenda[editar | editar código-fonte]

Desde o início do século XIX, após a colonização, os ingleses foram os primeiros estrangeiros a chegar ao Brasil, com o objetivo de se beneficiarem das favoráveis condições de negócio e comércio oferecidas pelos portugueses, algo que se acentuou em 1808 com a abertura dos portos. Nessa época, 90% de todo o comércio português era realizado com a Inglaterra.[13] Isso fez com que os comerciantes ingleses conquistassem grande lucratividade em suas atividades de comércio e indústria, ora fazendo consórcios com empresários brasileiros, ora por meio da construção de laços familiares.[14]

George March, nascido em 1788, foi um dos ingleses que imigraram para Brasil, estabelecendo-se primeiramente na atual Rua Visconde Inhaúma, nº32, Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro, em 1813, com a Barker & March, firma especializada em importação de máquinas, aço, tecido e demais mercadorias inglesas, fixando residência em uma chácara localizada em Botafogo. Mais tarde, por volta de 1818, arrendou uma extensa área de terras situadas na Serra dos Órgãos, a fazenda de Sant’Anna do Paquequer, propriedade de D. Luiza Clemente da Silva, na época pertencente à Magé, onde hoje localiza-se a região do bairro do Alto. A fazenda tinha quatro sesmarias de uma légua quadrada cada, que foram posteriormente adquiridas por compra.[15] March construiu um prédio de dois andares onde era a sede da fazenda, inspirando-se em desenhos do secretário da embaixada inglesa, William Ouseley, bem como uma aquarela de autor anônimo.[16]

Ao longo dos anos, gradativamente, a fazenda gozou de certo progresso. March transformou as terras incultas e matas virgens que ali haviam em uma fazenda modelo, com produção em larga escala de diversas espécies de legumes, verduras e cereais, além de mobiliar toda a sede da fazenda para seu conforto.[17] Entre 1829 e 1830, de acordo com relato do viajante inglês Walsh, havia uma imensa área de pastagens para criação de 150 cavalos e mulas, cem cabeças de gado preto, além de carneiros e porcos.[18] Uma década mais tarde, de acordo com relatos de outro viajante, Gardner, havia uma grande plantação de hortaliças que supria regularmente o mercado consumidor do Rio de Janeiro com vegetais de origem europeia, localizada onde atualmente corresponde ao bairro Quebra Frascos.[19] O que ali produzido era enviado duas vezes por semana em três lotes de 21 animais para o porto de Piedade. Teresópolis assim, começava a abastecer o Rio com hortaliças e frutas, algo que ocorre até a atualidade.[20] Gardner comentou, ainda, que a disciplina imposta aos escravos na fazenda era bastante rigorosa, além do que em outras que ele havia visitado no Brasil.[21]

Os caminhos lamacentos por onde as mercadorias eram transportadas era a única forma de acessar a propriedade, e eles só podiam ser vencidos pela resistência e força dos cavalos e mulas, que serviam para o transporte das mercadorias que iam da fazenda para o Rio de Janeiro e também para trazer as que eram adquiridas na capital para o abastecimento próprio. Para cuidar dos animais e de sua propriedade, March tinha cerca de 150 escravos,[22] distribuídos em diversas senzalas, além de aproximadamente cinquenta casas de pau a pique, cobertas de sapê e baixas na medida em que um homem mal podia ficar de pé, formadas por dois compartimentos: em um, ficava a cama e o girau de paus trançados, no outro, o fogo, que ficava aceso o dia inteiro mesmo que estivesse fazendo muito calor.[22] March recebia frequentemente visitantes,[23] como os diplomatas franceses Jules Itier e Ferriére de Voyeur, Alfredo d'Escragnolle, Visconde de Taunay, Percy Smythe, 6.º Visconde Strangford e William John Burchell, que produziu no local aquarelas de bico de pena que se encontram atualmente em exposição no Instituto Moreira Salles.[24] Os convidados tinham o costume de registrar em seus diários as impressões da região, principalmente sobre a Serra dos Órgãos, que despertava a atenção de todos por seu formato peculiar.[24]

Morte de March e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Vista da freguesia de Teresópolis em 1885.

George March faleceu em 1845 aos 60 anos de idade. A partir daí, seus filhos iniciam a divisão das terras junto aos seus tutores John Fulding, John Prince James e Richard Heath[24] cinco anos mais tarde, em 1850.[25] Os sócios da firma Antônio Fernandes Coelho & Cia adquiriram grande parte das terras e revenderam em lotes a pessoas interessadas do Rio de Janeiro. O coronel Polycarpo José Álvares de Azevedo, de Guapimirim,[26] adquiriu terras na região da sede da fazenda, iniciando o que seria a primeira planta de uma futura cidade.[24] Seguindo a tradição de ser um local de repouso e veraneio, o local iniciou um lento e promissor desenvolvimento a partir de pequenos povoados formados nos locais loteados pelos novos proprietários, o que contribuiu para alcançar a categoria de freguesia em 25 de outubro de 1855 através do Decreto Provincial nº 829, anexando-a oficialmente como parte do município de Magé com o nome de Santo Antônio do Paquequer.[27]

Emancipação e configuração administrativa[editar | editar código-fonte]

Assinatura de contrato entre o governador do estado Francisco Portela (6) e a empresa Estrada de Ferro Therezópolis em 7 de julho de 1890.

Em 16 de junho de 1890 foi firmado um acordo entre o governo do estado com Jerônimo Roberto de Mesquita e Domingos Moitinho, autorizando-os a executar a construção de linhas férreas que integrariam o estado pelo prazo de 70 anos, com garantias de 6% ao ano sobre o capital empregado (80 contos de réis por quilômetro).[28] Tal acordo foi oficializado em 7 de julho de 1890, quando um contrato entre o governador do estado Francisco Portela e a empresa Estrada de Ferro Therezópolis foi assinado na atual Praça Baltazar da Silveira.[29] Além de planejar a construção de uma linha férrea que ligaria Niterói até um terminal que seria construído na Várzea, onde foi fincada uma estaca para simbolizar o acordo,[30] a empresa tinha a responsabilidade de fundar uma cidade com serviços de saneamento básico, iluminação pública, bondes, linhas telegráficas e telefônicas.[30] A cerimônia teve a presença de algumas personalidades influentes da época, como Godofredo Xavier da Cunha e Nicola Antonio Facchinetti.[30] Em paralelo a isso, havia a intenção de transferir a capital do estado para esta localidade, algo que era desejo de Francisco Portela desde 1858[30] e previamente acordado com os contratados.[31]

Pelo decreto-lei estadual nº 280, de 6 de julho de 1891, Santo Antônio do Paquequer passou a denominar-se Teresópolis,[27] em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II, sendo desmembrado o seu território do município de Magé.[32] No mesmo decreto, é criado o distrito de Santa Rita[32] e pelo decreto-lei estadual nº 517 o distrito de Sebastiana, de Nova Friburgo, foi anexado ao município de Teresópolis, concluindo, assim, sua formação administrativa com três distritos que se perdura até os dias atuais.[32]

Três anos após a assinatura do contrato, nada havia sido feito sobre a criação de Teresópolis para ser capital do Estado tampouco a implantação da estrada de ferro. A justificativa para a estagnação do projeto era que um terço do capital da empresa havia sido utilizado em estudos e instalações que se tornariam completamente ineptos.[33] Em decorrência disso, o governador José Tomás da Porciúncula resolveu alterar o contrato, incluindo novas cláusulas e reduzindo as vantagens anteriormente concedidas a empresa, além de determinar a transferência da capital do estado para Petrópolis.[33]

Chegada do trem e expansão econômica[editar | editar código-fonte]

Fotografia do Alto em 1911, principal bairro de Teresópolis em seus anos iniciais.

Durante o século XIX, o trem foi o principal meio de transporte e se expandiu mundialmente até a segunda metade do século XX. No estado do Rio, pioneiro no transporte ferroviário no país, havia a Estrada de Ferro Therezópolis, que funcionava a partir do cais da Piedade, onde atracavam as barcas de passageiros, até o distrito de Guapimirim, passando pelo centro do município de Magé. Até 1901, a estação de Guapimirim serviu como final da linha, até que foram iniciadas as obras para subir a Serra dos Órgãos.[34] A expansão foi gradativa, chegando as localidades de Barreira em 1904, Miudinho em 1905 e, finalmente, Garrafão e Alto, mais precisamente no dia 7 de setembro de 1908, quando esse trecho foi inaugurado oficialmente e o trem enfim chegou à Teresópolis.[35]

Nas décadas posteriores, foi notado que a estrada de ferro propiciou um certo progresso da área. Em 1919, com a administração da ferrovia tomada pela Estrada de Ferro Central do Brasil, o ramal foi prolongado até a Várzea, onde foi construída uma nova estação terminal, a Estação José Augusto Vieira, em 1929. Posteriormente, o ramal seria repassado à Estrada de Ferro Leopoldina, onde os trens passaram a partir da Estação Barão de Mauá, no Rio de Janeiro até Magé, onde seguiam para Teresópolis pelo trajeto original.[36]

Na manhã de 9 de março de 1957, o trem desce a Serra pela última vez em direção à Guapimirim, para dar lugar a um novo plano rodoviário, marcando, assim, o final de uma era.[37] Os antecedentes desta inauguração duraram cerca de duas décadas, partindo a ideia de Armando Vieira, em 1932, que sonhava com esta ligação rodoviária.[38] A ideia foi tomando corpo até a fundação da Sociedade dos Amigos de Teresópolis, que tinha Carlos Guinle entre seus membros. Foi este grupo que deu início às obras do primeiro trecho da via, entre o Alto e o Soberbo, num total de dois quilômetros. Em 1948, estudos foram feitos para analisar a viabilidade da construção do trecho requerido, após solicitação do Governo Federal. A intervenção de Heleno Nunes ao almirante Lúcio Meira, ministro da viação na época, foi fundamental para aprovação do projeto e autorização da obra, que ocorreu em 1955, pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). O engenheiro Pierre Berman, auxiliado pelo irmão Raul, executou o projeto. A rodovia Rio-Teresópolis foi incluída como BR-4 no Plano Rodoviário Nacional, passando pela Baixada Fluminense, depois por Teresópolis, seguindo até São José do Além Paraíba e, dali, para o norte do país, num trajeto que corresponde à atual Rodovia Santos Dumont (BR-116/RJ).[39]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A área total do município é de 770,601 km², sendo que 64,318 km² estão em área urbana.[3] De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[40] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Petrópolis.[1] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião Serrana, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro.[41]

Relevo e hidrografia[editar | editar código-fonte]

O seio da Mulher de Pedra é um dos pontos mais altos de Teresópolis.
Trecho do Rio Paquequer nas proximidades de sua nascente.

O relevo do município é predominantemente montanhoso e caracterizado por ondulações, tendo resquícios de domínio de morros e de serras baixas na região oeste e de escarpas serranas na região limítrofe com os municípios de Cachoeiras de Macacu e Guapimirim.[42] As maiores elevações podem ser encontradas nos extremos sul e sudoeste (região dos maciços da Serra dos Órgãos, onde a altitude chega aos 2 263 metros) e leste (região do Parque Estadual dos Três Picos, onde a altitude chega aos 2 040 metros).[43] O centro tem altitude média de 869 metros, enquanto o Soberbo tem 972 metros.[5] Nas regiões hídricas são encontradas as menores altitudes, com médias próximas de 700 metros.[5]

Por suas formações montanhosas, Teresópolis é considerada a capital nacional do montanhismo.[44][45][46] O município possui diversos locais que ultrapassam dos dois mil metros de altura, a começar por seu ponto culminante, a Pedra do Papudo, que atinge os 2 245 metros, além da Agulha do Diabo com 2 050 metros, Pedra Branca de Neve e Seio da Mulher de Pedra com 2 040 metros, São João com 2 030 metros e a Torre Maior de Bonsucesso com 2 000 metros.[47]

A hidrografia do município é caracterizada pelos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.[42] Teresópolis faz parte da bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, que possuí 56.500 quilômetros quadrados.[48] No estado do Rio de Janeiro, essa bacia é composta por seis sub-bacias, e Teresópolis situa-se na sub-bacia do Funil até a foz dos rios Paraíbuna e Piabanha.[42] Os principais recursos hídricos superficiais do município são Rio Santa Rita, Rio do Príncipe, Rio Paquequer, Rio das Bengalas, Rio Preto, Rio Vargem Grande, Córrego Sujo, Rio da Formiga, Rio Vieira e Rio dos Frades. O Paquequer banha a cidade, enquanto sua nascente encontra-se na Pedra do Sino, atravessando a cidade em direção norte, banhando áreas rurais, recebendo efluentes de origem industrial, doméstico e rural.[49] Desemboca no Rio Preto, um afluente do Rio Piabanha, e forma internamente uma bacia hidrográfica que possui cerca de 269 quilômetros quadrados de extensão, e abrange dois distritos: sede e Vale do Paquequer.[50]

Clima[editar | editar código-fonte]

Nuvens sob a Serra do Cavalo em uma manhã de verão.

O clima teresopolitano é caracterizado como tropical de altitude de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)[51] e de tipo Cwb segundo a classificação climática de Köppen.[52] A temperatura média anual é de 18,2 °C e a pluviosidade média é de 1 721 mm/ano, concentrados entre os meses de outubro e abril.[52] Os meses mais quentes compreendem a estação das chuvas, com seu ápice em dezembro, que tem média de 371 mm, enquanto os meses mornos abrangem a estação seca, com seu ápice em abril, que tem média de 40 mm.[52] As estações de transição são outono (mais úmida) e primavera (mais seca).[52] As precipitações ocorrem principalmente sob a forma de chuva geralmente acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. Nos oito primeiros dias de janeiro de 2020, de acordo com a empresa de distribuição de energia elétrica Enel, foi registrado a incidência de 2 337 descargas elétricas em Teresópolis, sendo 1 298 apenas em um dia.[53] A incidência das descargas é maior durante o mês de janeiro e é uma característica típica das chuvas que caem sob o município, causando alguns transtornos recorrentes como incêndios[54] e até excêntricos como a morte de cavalos.[55] A média da umidade do ar está entre 82% e 85,5%, com variação sazonal extrema na sensação de umidade, sendo predominantemente abafado por aproximadamente 7 meses, ou seja, a maior parte do ano.[56]

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), baseado em dados referentes ao período de 1979 a 1987 e a partir de 1993,[57] a temperatura mínima absoluta registrada em Teresópolis foi de 3 °C em 9 de junho de 1985[58] e a maior atingiu 36,6 °C em 19 de outubro de 2014.[58] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 194 mm em 7 de abril de 2012. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram 145,4 mm em 22 de dezembro de 2002, 140 mm em 15 de fevereiro de 1979, 125,1 mm em 26 de dezembro de 2006, 124,6 mm em 12 de janeiro de 2011, 117 mm em 16 de janeiro de 2016, 114 mm em 13 de novembro de 2016, 106,8 mm em 12 de março de 2008 e 104,6 mm em 26 de fevereiro de 2010.[58] O mês de maior precipitação foi janeiro de 2007, com 517,8 mm.[58]

Dados climatológicos para Teresópolis
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 35 34,8 34,4 31,7 30,5 29,4 30,2 32,6 34,6 36,6 34,2 34,2 36,6
Temperatura máxima média (°C) 27,6 28,7 27,3 25,5 23,2 22,4 22,1 23,4 23,4 24,8 25,5 26,3 25
Temperatura mínima média (°C) 18,8 18,7 18,1 16,2 13,7 12 11,8 12,4 14,1 15,8 17,1 18 15,6
Temperatura mínima recorde (°C) 11 12,9 11 8,2 5,6 3 3,1 4,8 5,8 6,5 8,1 10,6 3
Precipitação (mm) 401,9 322,6 263,3 226,3 120,7 69,8 83,4 101,3 143,7 264,5 351,5 425,4 2 774,3
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 19 15 14 13 9 7 7 8 10 17 18 19 156
Umidade relativa (%) 86,6 85,9 86,6 88,7 87,4 86,3 85,4 83,5 84,4 87,7 88,4 87,2 86,5
Horas de sol 159,7 152,6 162,9 151,1 163,7 158,9 169,4 180,4 144,5 117 118,2 137,8 1 816,2
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010; recordes de temperatura: 01/01/1961 a 17/06/1987 e 01/03/1992-presente)[58][59]

Meio ambiente e ecologia[editar | editar código-fonte]

Vista do Parque Nacional da Serra dos Órgãos na sede de Teresópolis

O município de Teresópolis conta com três grandes unidades de conservação em seu território: Parque Nacional da Serra dos Órgãos, com 2 003 hectares de área de extensão;[60] Parque Estadual dos Três Picos, com 9 687 hectares de área de extensão;[61] e Parque Natural Municipal Montanhas, com 4 397 hectares de área de extensão, sendo a maior unidade de conservação municipal totalmente protegida do estado.[62] Além disso, conta com duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs), sendo elas a APA Floresta do Jacarandá[63][64] e a APA Bacia dos Frades.[65] Desde 2006, ano em que foi criado, Teresópolis faz parte do Mosaico Central Fluminense de Preservação Ambiental.[66]

A vegetação nativa pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica). É comum encontrar grande diversidade de espécies em seu bioma predominantemente natural, e isso se extende até mesmo às áreas urbanas, que possui variedades como ipê, cerejeira, quaresmeira, bisnagueira, manacá-da-serra e entre outras em seus principais logradouros.[67]

Problemas ambientais

As enchentes estão entre os principais problemas ambientais encontrados no município, que no período das chuvas provocam alagamentos nas áreas mais baixas e populosas, além de deslizamentos de terra nos morros e encostas.[68] A principal causa para este problema é a falta de políticas públicas eficientes, além da ausência de estudos de regularização fundiária. É comum encontrar construções de residências em encostas de morros e de diferentes classes sociais que variam de favelas a casas de alto padrão.[69] Além das enchentes, outro problema ambiental é a questão do lixo e o esgoto despejado nos rios. Teresópolis não possui estação de tratamento de águas residuais. Dessa forma, o esgoto produzido na cidade é liberado diretamente para os cursos hídricos que cortam o perímetro urbano e, posteriormente, para o Rio Paquequer.[70] As queimadas florestais destroem a mata nativa, comprometendo a qualidade do solo e prejudicando ainda a qualidade do ar, ocorrendo com mais frequência no verão. A Serra do Cavalo é um ponto que sofre muito com as queimadas, que geralmente comprometem grande parte do seu solo.[71][72]

Em contrapartida, recorrentemente são realizados programas de arborização nos principais logradouros, além do desassoreamento dos leitos dos rios, de modo a permitir o devido escoamento da água das chuvas. O Paquequer recebeu uma atenção especial nos últimos anos, afim de evitar os tais problemas que uma cheia poderia causar.[73][74]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
194029 594
197073 128
198098 70535,0%
1991120 70922,3%
2000138 08114,4%
2010163 74618,6%
Est. 2020184 24012,5%
Fonte: IBGE

Em 2010, a população do município de Teresópolis foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através de seu censo demográfico em 163 746 habitantes,[75] registrando aumento de 18,6% em relação a década anterior,[76] sendo 78 275 homens (47,80%) e 85 471 mulheres (52,20%).[75] Ainda segundo o censo, 146 231 habitantes viviam na zona urbana (sendo 69 454 homens, 76 777 mulheres) e 17 515 na zona rural (sendo 8 821 homens, 8 694 mulheres).[75] Já em 2020, segundo estimativas, a população municipal era de 184 240 habitantes.

Em 2010, a pirâmide etária estava desta forma: entre homens, 18 164 tinham de 0 a 14 anos, 53 761 tinham de 15 a 64 anos e 6 350 tinham mais de 65 anos;[77] entre mulheres, 17 864 tinham de 0 a 14 anos, 59 173 tinham de 15 a 64 anos e 8 434 tinham mais de 65 anos.[77] Da população total, 36 028 habitantes tinham de 0 a 14 anos, 112 934 habitantes tinham de 15 a 64 anos e 14 784 habitantes tinham mais de 65 anos.[77] A proporção populacional era de 91,6 homens para cada 100 mulheres.[76]

Além disso, a esperança de vida ao nascer era de 76,27 anos (superior a média nacional e maior do estado),[78] enquanto a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,56. A taxa de envelhecimento era 9,01 (superior a média nacional), e as probabilidades de viver até os 40 anos era de 93,55 e 60 anos era de 84,39 (ambos os indicadores são maiores do estado).[79] O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Teresópolis é considerado alto no ano de 2010. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), seu valor era de 0,730, sendo então o 25º maior de todo o estado do Rio de Janeiro e o 1 021º maior do Brasil.[80]

Em relação as subdivisões municipais, em 2010 o distrito sede tinha 135 459 habitantes, Vale do Paquequer tinha 11 947 habitantes e Vale de Bonsucesso tinha 16 340 habitantes.[76] Os bairros mais populosos eram São Pedro com 20 424 habitantes, Várzea com 8 008 habitantes e Barra do Imbuí com 7 812 habitantes, correspondendo o total de 22,2% da população do município residindo nesses locais.[81]

Problemas socioeconômicos[editar | editar código-fonte]

Perpétuo Socorro é um dos 23 aglomerados subnormais de Teresópolis.

Teresópolis é um município de contrastes sociais evidenciados através das grandes disparidades existentes entre pobres e ricos. Em 2010, o percentual de pessoas vivendo acima da linha de pobreza era de 91,6%, enquanto 5,5% encontrava-se na linha da pobreza e 2,9% estava abaixo.[82] Em relação a última pesquisa, feita em 2000, registrou-se evolução em todos os indicadores: 4,7% da população passou a viver acima da linha de pobreza, 4,2% passou a viver na linha de pobreza e 0,6% deixaram de viver abaixo.[82] O percentual de pessoas com renda per capita domiciliar inferior a R$ 140,00 era de 8,4% em 2010, uma redução de 36,2% em relação a 2000.[82] Sendo assim, aproximadamente 13 401 pessoas viviam nesta condição de pobreza, o que representava 12,21% da população teresopolitana.[82] A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 64,9%, ou seja, 16,3 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 3,2%.[82] O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,569, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[83]

Também em 2010, 25,6% da população vivia em favelas, aproximadamente 41 mil habitantes, sendo a segunda maior parcela de habitantes vivendo em aglomerados subnormais dentre os municípios fluminenses, atrás apenas de Angra dos Reis,[84][85] além da quinta maior em termos absolutos.[86] As origens da favelização em Teresópolis datam das décadas de 1950 e 1960, período da expansão industrial no Brasil, que marcou o estabelecimento de grandes fábricas na cidade como a Sudamtex, além dos fluxos migratórios decorrentes de tragédias das chuvas que ocorriam na Baixada Fluminense no mesmo período.[87] O crescimento também pode ser atrubuído ao estímulo dado por grande parte das administrações municipais que facilitaram a ocupação irregular, inclusive em áreas de preservação ambiental, com incidência mais acentuada durante a década de 1990.[87] Em 2005, foi registrado nos entornos da sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos cinco comunidades carentes, além de construções de classe média em seus limites.[87] No mesmo período, foi registrado o crescimento de três favelas de porte médio e uma pequena em direção ao interior da mata do APA Jacarandá, resultado do crescimento desordenado do bairro Meudon.[87] Já no Parque Estadual dos Três Picos, a especulação imobiliária é responsável pela ocupação irregular, com registro de construção de condomínios no bairro Canoas que ferem os limites da área de preservação ambiental.[87]

Composição étnica[editar | editar código-fonte]

No censo de 2010 a população de Teresópolis era formada, de acordo com a autodeclaração de cada teresopolitano, por 104 658 brancos (63,91%), 43 964 pardos (26,85%), 14 331 pretos (26,85%), 701 amarelos (0,43%) e 92 indígenas (0,06%).[88] Desse total, 150 701 habitantes eram naturais do estado do Rio de Janeiro, enquanto 126 160 eram nascidos em Teresópolis.[89] Considerando-se a região de nascimento, 157 443 eram nascidos no Sudeste (96,15%), 3 613 no Nordeste (2,2%), 365 no Centro-Oeste (0,22%), 465 no Sul (0,28%) e 243 no Norte (0,14%).[90] Além disso, 540 declararam ser do Brasil mas não especificaram o local (0,32%) e 1 075 vieram de um país estrangeiro (0,69%).[90] Entre os 13 045 naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com 4 933 pessoas, seguido por Espírito Santo, com 918 residentes, e pela Paraíba, com 909 habitantes residentes no município.[90]

Religião[editar | editar código-fonte]

Igreja de Santo Antônio do Paquequer, localizada no bairro do Alto.
Templo do Movimento Hare Krishna, localizado em Albuquerque.

Apesar de existir diversas as doutrinas religiosas manifestas no município, Teresópolis está no país mais católico do mundo em números absolutos.[91] Isto se deve a ausência de um estado laico, que preconizou o catolicismo durante muito tempo, sobretudo na época do processo colonizador e imigratório. Em decorrência disso, a maioria dos teresopolitanos ainda hoje se declara como tal. Além disso, é substancial a presença de dezenas de denominações protestantes, que vem ganhando espaço durante as últimas décadas no município, uma tendência que ocorre no país como um todo.[92]

De acordo com dados do censo de 2010, a população municipal está composta por católicos (42,3%), evangélicos (34,0%), pessoas sem religião (16,7%), espíritas (2,8%) e 4,1% estão divididas entre outras religiões.[93] Em relação a número total de membros de instituições religiosas em 2010, de acordo com seu credo: Catolicismo (total de 69 157 membros) — Apostólica Romana (68 732 membros), Apostólica Brasileira (406 membros) e Ortodoxa Católica (159 membros); Protestantismo (total de 55 675 membros) — Evangélicas de Missão (11 387 membros), Luterana (133 membros), Presbiteriana (483 membros), Metodista (2 576 membros), Batista (7 437 membros), Congregacional (63 membros), Adventista do Sétimo Dia (696 membros), Assembleia de Deus (10 344 membros), Congregação Cristã (261 membros), O Brasil Para Cristo (186 membros), Quadrangular (219 membros), Universal do Reino de Deus (1 166 membros), Casa da Bênção (64 membros), Deus É Amor (260 membros), Cristã Maranata (75 membros), Nova Vida (65 membros), Comunidade Evangélica (34 membros), Pentecostal (10 196 membros), Evangélica não determinada (21 418 membros), Outras religiosidades cristãs (2 180 membros); Mórmon (total de 352 membros); Testemunhas de Jeová (total de 1 939 membros); Espiritismo (total de 4 662 membros); Espiritualismo (total de 94 membros); Umbanda (total de 482 membros); Candomblé (total de 40 membros); Judaísmo (total de 313 membros); Hinduísmo (total de 18 membros); Budismo (total de 201 membros); Novas religiões orientais (total de 201 membros) — Igreja Messiânica Mundial (112 membros), Outras (88 membros); Islã (total de 9 membros); Tradições esotéricas (total de 124 membros); Tradições indígenas (total de 70 membros); Sem religião (total de 27 383) — Sem religião (declarado por 24 706), Ateísmo (declarado por 2 550) e Agnosticismo (declarado por 127); Religiosidade não determinada ou mal definida (total de 570).[93]

Política e administração[editar | editar código-fonte]

O Palácio Teresa Cristina, inaugurado em 1927, é a sede da Prefeitura.

O município de Teresópolis é regido por sua lei orgânica, promulgada em 5 de abril de 1990.[94] A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é chefiado pelo prefeito, que por sua vez é auxiliado pelo vice-prefeito e gabinete de secretários.[94] O primeiro representante do Executivo municipal foi o engenheiro Benjamin do Monte, nomeado pelo governador Oliveira Botelho após a criação da Prefeitura.[95][96] O prefeito que venceu as eleições municipais de 2020 foi Vinicius Claussen, reeleito pelo Partido Social Cristão (PSC) com 56,17% dos votos válidos para seu segundo mandato consecutivo, ao lado de Ari Boulanger (também do PSC) como vice-prefeito.[97][98][99] O Legislativo é constituído pela câmara municipal,[94] composta por dezenove vereadores[100] eleitos para elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento municipal.[94] De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2020 Teresópolis possuía 122 560 eleitores, o que representa 0,2% do eleitorado fluminense, e pertence a 38ª e 195ª zona eleitoral do estado do Rio de Janeiro.[101]

Teresópolis abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual no Fórum Juiz Ivo de Carvalho Werneck,[102] uma subseção da Justiça Federal que abrange também o município de São José do Vale do Rio Preto[103] e uma vara do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.[104]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Vista parcial do bairro do Alto a partir da trilha da Pedra do Sino.

Teresópolis é composta pelo distrito sede, que leva o nome do município e corresponde o perímetro urbano, além de outros dois distritos que correspondem a zona rural: Vale do Paquequer e Vale de Bonsucesso. O município foi criado a partir de um distrito com a denominação de Santo Antônio do Paquequer, do município de Magé, em 25 de outubro de 1855. Quando elevado a condição de cidade, o distrito passou a denominar-se Teresópolis, além de ser criado o distrito de Santa Rita e anexado ao município.[105] Em 1901, foi adquirido o distrito de Sebastiana do município de Nova Friburgo, formando a divisão administrativa de 1911, assim permanecendo até 1937.[105] E então, por decretos subsequentes, os distritos adquiriram novas denominações: o distrito de Santa Rita Passou a denominar-se Paquequer Pequeno; o distrito de Sebastiana passou a denominar-se Nhunguaçu em 1943, assim permanecendo até 1988.[105] Após a criação da Lei Orgânica de Teresópolis, publicada de 5 de abril de 1990, o distrito de Nhungaçu passou a denominar-se Vale de Bonsucesso e o de Paquequer Pequeno a denominar-se Vale do Paquequer, assim permanecendo em divisão territorial até os dias atuais.[105]

A Lei Municipal nº 1805 de 8 de dezembro de 1997 dividiu o município de Teresópolis em área urbana, área de expansão urbana e área rural. A área urbana se delimita, basicamente, ao distrito principal, sendo dividido em cerca de 49 bairros oficiais, além de loteamentos, áreas de aglomeração e outros bairros não oficiais. A área de expansão urbana é dividida em 17 localidades, além de ser subdividida em três núcleos: Três Córregos, Vargem Grande e Pessegueiros, e se delimita, basicamente, da área urbana, entre o segundo e o terceiro distrito. Já a área rural é compreendida pelo restante do espaço territorial, excluindo a área urbana e a área de expansão urbana, sendo dividido em quatro núcleos, dentre eles Cruzeiro, sede do segundo distrito, Nhunguaçú, Vieira e Bonsucesso, todos no terceiro distrito, tendo este último como sede.[106]

De acordo com o censo 2010 realizado pelo IBGE, os três bairros mais populosos de Teresópolis correspondiam a 22,2% da população total, e eram o São Pedro (com 20 424 habitantes), Várzea (com 8 008 habitantes) e Barra do Imbuí (com 7 812 habitantes).[81]

Economia[editar | editar código-fonte]

No Produto Interno Bruto (PIB) de Teresópolis, destaca-se a área de prestação de serviços, ou setor terciário. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2013, o PIB do município era de R$ 3 554 740 mil.[7] Desse total, 427 585 mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O PIB per capita era de R$ 23 446,27 mil[7] e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de renda, em 2010, era de 0,75. Em 2010, 66,53% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 6,59%.

Em 2014, salários juntamente com outras remunerações somavam 749 807 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 2,2 salários mínimos. Havia 5 347 unidades locais e 5 154 empresas atuantes.[107]

Agropecuária[editar | editar código-fonte]

Plantação de verduras no interior de Teresópolis.

De todo o PIB da cidade 185 773 mil reais é o valor adicionado bruto da agropecuária.[108] Segundo o IBGE em 2013 o município possuía um rebanho de 6 836 bovinos, 5 000 equinos, 800 suínos, 200 caprinos, 8 267 ovinos e 678 000 aves, entre estas galinhas, galos, frangos e pintinhos, além de 900 codornas.[109] Ainda em 2013 a cidade produziu 680 000 mil litros de leite, além de 20 mil dúzias de ovos de galinha e 2 000 quilos de mel-de-abelha.[109] Na lavoura temporária são produzidos principalmente o tomate (2 800 toneladas), que corresponde a 93,36% do valor da produção, a batata doce (800 toneladas) e a mandioca (150 toneladas),[110] tendo valor da produção estimado em R$ 220,74 mil (2010). Já na lavoura permanente, destaca-se a produção de tangerina (10 800 toneladas), sendo o maior produtor da fruta no estado e o sétimo maior do país,[111] além de banana (35 toneladas),[112] tendo valor da produção estimado em R$ 532,24 mil. Teresópolis faz parte do cinturão verde do Rio de Janeiro, sendo responsável pela produção da maior parte dos hortigranjeiros consumidos no estado, atraindo turistas anualmente, que visitam as zonas de produção geralmente a partir do mês de outubro.[113]

Em 2010, Teresópolis possuía uma área plantada de 705 hectares, com percentual de 0,91% de área territorial com plantação, enquanto a média nacional era de 7,67%. A área colhida era de 765 hectares, mantendo o mesmo valor dos últimos três anos. A produtividade agrícola era de R$ 1.068,06 por hectare, inferior a média nacional, de R$ 1.075,50/ha. Em relação a média histórica, nota-se uma desvalorização de R$ 6,809,30/ha em relação ao mesmo estudo realizado cinco anos antes.[114]

Indústria[editar | editar código-fonte]

A indústria em Teresópolis teve início com a chegada da Sudamtex, em 1965, que operava na área têxtil, situada em área nobre e gerando renda e empregos para moradores da região, funcionando até 1998. Atualmente, é o segundo setor mais relevante para a economia do município. 595 785 reais do PIB municipal são do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário).[115] A área de bebidas se destaca, onde podemos citar a Cervejaria Petrópolis, situada na Serra do Capim,[116] a Cervejaria Sankt Gallen, situada no Alto, a Arbor Brasil, uma das maiores indústrias de bebidas do país, localizada próximo a área urbana, no bairro Meudon, onde também situa-se a Trilhas e Rumos, fabricante de equipamentos para montanhismo.

Prestação de serviço e comércio[editar | editar código-fonte]

A Feirinha do Alto é um grande exemplo sobre a importância que a prestação de serviços têm sobre a economia da cidade.

A prestação de serviços rende 2 391 794 reais ao PIB municipal. O setor terciário atualmente é a maior fonte geradora do PIB de Teresópolis, sendo o mais relevante. De acordo com o IBGE, a cidade possuía, no ano de 2013, 5 396 unidades locais, 5 207 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes e 42 276 trabalhadores, sendo 34 802 pessoal ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 656 858 reais e o salário médio mensal de todo município era de 2,2 salários mínimos.[117] Possui um comércio bem diversificado. As feiras estão se tornando cada vez mais populares na cidade, destacando-se a FePro, Tecnohort, Festa do Produtor Rural, além de abrigar uma das maiores feiras de artesanato a céu aberto do Brasil, a Feirinha de Teresópolis ou Feirinha do Alto, que contém diversos produtos da moda feminina, infantil, móveis, uniformes, potes, bijuterias, entre outros. Em um fim de semana comum, a número de visitantes chega a dez mil. Além das feiras, no centro da cidade situa-se a Rua Francisco Sá, conhecida popularmente como Calçada da Fama, onde encontra-se uma grande concentração de lojas,[118][119] além de ser um local de intensa movimentação de pessoas.[120][121][122]

Estrutura urbana[editar | editar código-fonte]

Teresópolis conta com uma infraestrutura urbana deficiente, assim como toda cidade em desenvolvimento. No ano de 2000, tinha 41 293 domicílios entre apartamentos, casas, e cômodos. Desse total 28 501 eram imóveis próprios, sendo 27 849 próprios já quitados (67,44%), 652 em aquisição (1,58%), 6 029 alugados (14,60%); 6 453 imóveis foram cedidos, sendo 4 368 por empregador (10,58%) e 2 085 cedidos de outra maneira (5,05%). 310 foram ocupados de outra forma (0,75%).[123]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Em 2009, o município possuía 75 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 44 deles privados e 31 públicos. Neles haviam 439 leitos para internação, 2,4 para cada 1 000 habitantes, sendo todos eles cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).[124] Teresópolis conta ainda com 1 075 profissionais de saúde (6,6 para cada 1 000 habitantes), sendo 34 anestesistas, 54 cirurgiões gerais, 220 clínicos gerais, 137 ginecologistas, 19 médicos de família, 100 pediatras, 12 psiquiatras, 34 radiologistas, 91 dentistas, 74 enfermeiros, 89 fisioterapeutas, 10 fonoaudiólogos, 12 nutricionistas, 14 farmacêuticos, 11 assistentes sociais, 18 psicólogos e 248 auxiliares de enfermagem. Em 2012 o número de óbitos foi de 1 072, variando -0,46% em relação ao ano anterior, dos quais 80,72% foram registrados em hospitais.[125]

No ano de 2008 foram registrados 2 247 de nascidos vivos, sendo que 6,0% nasceram prematuros, 59,9% foram de partos casarios e 18,0% foram de mães entre 10 e 19 anos (0,4% entre 10 e 14 anos). A taxa bruta de natalidade é de 14,0.[126]

Educação[editar | editar código-fonte]

O município conta com escolas em todas as suas regiões. A população da zona rural tem fácil acesso a escolas em bairros urbanos próximos em razão da alta taxa de urbanização. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre as escolas públicas de Teresópolis era, no ano de 2009, de 5,5, o décimo terceiro maior do estado;[127] valor acima ao das escolas municipais e estaduais de todo o Brasil, que é de 4,0%,[128] e da capital (5,3). O município contava, em 2009, com aproximadamente 33 831 matrículas, 1 876 docentes e 190 escolas nas redes públicas e particulares. Em 2000, o valor do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da educação era de 0,861 (classificado como elevado), enquanto o do Brasil é 0,849.

Segundo dados da pesquisa Ibope, utilizados pelo DATASUS e Ministério da Educação (MEC), o índice de analfabetismo no ano de 2010 entre pessoas maiores de 15 anos de idade era de 6,50%,[129] enquanto que a taxa nacional era de 9,37%.[130]

Nos últimos anos, várias instituições de ensino superior instalaram novas unidades no município de Teresópolis, contribuindo para a mudança do seu perfil industrial para estudantil. O município abriga o Centro Universitário Serra dos Órgãos e a Universidade Estácio de Sá,[131] instituições de ensino superior particulares que oferecem diversos cursos de graduação e também cursos de pós-graduação.[132] A Universidade do Estado do Rio de Janeiro também está presente na cidade com o curso de graduação em Turismo.[133][134][135]

O município abriga também a Educação de Jovens e Adultos, que, pelo seu destaque, ganhou reconhecimento do Ministério da Educação.[136]

Educação de Teresópolis em números[137]
Nível Matrículas Docentes Escolas (total)
Ensino pré-escolar 3 163 191 69
Ensino fundamental 24 901 1236 105
Ensino médio 5 767 449 16

Segurança pública e criminalidade[editar | editar código-fonte]

Homicídios em Teresópolis
Ano Quantidade Ano Quantidade
2003 33[138] 2008 16[139]
2004 29[138] 2009 23[139]
2005 29[138] 2010 21[139]
2006 16[138] 2011 9[139]
2007 16[138] 2012 22[139]

Teresópolis possui uma das menores taxas de criminalidade da região. Segundo um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em 2013, a cidade teve a quinta menor taxa de furtos registrada em todo o estado.[140] Em 2008, a taxa de homicídios no município foi de 16,0 para cada 100 mil habitantes, ficando no 69° lugar a nível estadual e no 1717° lugar a nível nacional.[141] O índice de suicídios naquele ano para cada 100 mil habitantes foi de 3,1, sendo 33° a nível estadual e o 1700° a nível nacional.[142] Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de transito, o índice foi de 21,9 para cada 100 mil habitantes, ficando no 37° a nível estadual e no 953° lugar a nível nacional.[143]

Serviços e comunicações[editar | editar código-fonte]

O município conta com água tratada, esgoto (ambos serviços fornecidos pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), energia elétrica (fornecida pela Ampla), limpeza urbana (fornecida pela Prefeitura), telefonia fixa e telefonia celular (ambos fornecidas por empresas terceirizadas). Em 2000, 63,84% dos domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água;[144] 75,01% das moradias possuíam lixo coletado por serviço de limpeza[145] e 8,25% das residências possuíam rede geral de esgoto ou pluvial, enquanto 50,60% delas utilizavam a fossa séptica e 22,05% jogava seus dejetos em rios.[146]

Há serviços de internet de banda larga (ADSL) sendo oferecidos por diversos provedores de acesso gratuitos e pagos. O serviço telefônico móvel, por telefone celular, também é feito por várias operadoras. O código de área (DDD) de Teresópolis é o 021, o mesmo da capital. O Código de Endereçamento Postal (CEP) da cidade segue a linha 25xxx-xxx.[147]

O município conta ainda com vários jornais locais, sendo que O Diário é o único local com circulação diária.[148] O jornal mais antigo ainda em circulação é o semanal Teresópolis Jornal. Teresópolis possui sete emissoras de televisão locais, disponíveis pela operadora a cabo RCA TV. Em relação as emissoras de televisão abertas, Teresópolis recebeu o sinal digital tardiamente, se for comparado as outras grandes cidades da região, como Petrópolis e Nova Friburgo. A primeira a implantar o sinal foi a Rede Bandeirantes, através da sua afiliada Band Rio Interior, em junho de 2014 (através da frequência 29.4/34.1).[149] A principal razão disso foi a proximidade do início da Copa do Mundo FIFA de 2014.[150] Em decorrência de ser a única emissora de televisão com sinal digital disponível na cidade, chegou a ser flagrado que os jogadores da Seleção estavam assistindo ao jogo Inglaterra-Itália pela Band, ao invés da Globo (que possui uma relação bem próxima com a CBF).[151][152] Em 25 de setembro do mesmo ano, foi a vez do SBT implantar seu sinal digital na cidade, através de sua emissora própria SBT Interior RJ (frequência 35.1).[153] Cerca de um ano após receber o primeiro sinal digital, é anunciado que a Record passa a operar no município, em 10 de junho de 2015, junto com as cidades de Valença e Barra Mansa (na frequência 13.1).[154] Em 24 de Setembro de 2015, a Inter TV implantou seu sinal diginal o município através da frequência 26.1,[155] tendo previsão para desligamento do sinal analógico em 29 de Outubro de 2017.[156] Além das TVs, possuí duas rádios FM e duas AM, além de um portal de internet exclusivo da cidade, o Portal Terê, com mais de uma década de existência.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O município possui fácil acesso à BR-116, à BR-495 e à RJ-130 (conhecida como Estrada Teresópolis - Friburgo ou Terê-Fri). O transporte coletivo é de responsabilidade da Viação Dedo de Deus, por meio das concessionárias Dedo de Deus e Primeiro de Março, que realizam o transporte de passageiros dentro da cidade. A Viação Teresópolis também mantém algumas linhas dentro do limite da cidade, mas para distritos e localidades rurais ou mais distantes do Centro, como Vieira, Mottas, Serra do Capim e Água Quente. A Viação Teresópolis também faz a ligação entre Teresópolis e as cidades vizinhas ou da área de influência, como Guapimirim e Magé. Mantém linhas intermunicipais entre Teresópolis e Rio de Janeiro, Nova Friburgo (via Conquista e Campo do Coelho), Petrópolis (via Itaipava), Sapucaia (via Aparecida), Castelo (via Madureira, de segunda à sexta, através do Terminal Menezes Cortes), Nova Iguaçu (via Duque de Caxias), Rio das Ostras, São José do Vale do Rio Preto, Vila do Peão (via Volta do Peão, distrito de Sapucaia), Carmo (via Sumidouro) e Soledade (distrito de Sumidouro). A empresa mantém ainda uma linha interestadual entre Teresópolis e Além Paraíba (via Jamapará). Na cidade também opera a Viação Salutaris, com partida diária para São Paulo. Recentemente, alguns horários de viações que se destinam a Minas Gerais e a cidades da região Nordeste - que trafegam pela BR-116 (Rio — Bahia) - passaram a entrar na cidade para embarque e desembarque (Itapemirim, Rio Doce). Teresópolis ainda conta com vários pontos de táxi, espalhados pelo centro e demais bairros.

A frota municipal no ano de 2014 era de 80 715 veículos, sendo 50 874 automóveis, 2 218 caminhões, 108 caminhões trator, 4 980 caminhonetes, 302 micro-ônibus, 15 812 motocicletas, 2 223 motonetas, 316 ônibus e três tratores de roda.[157] Apesar de possuir avenidas duplicadas e pavimentadas e semáforos que facilitam o trânsito da cidade, o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente no centro comercial,[158] onde tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio. Em contraste disso, o número de estacionamentos pagos aumentou,[159] principalmente após a prefeitura integrar uma Ciclofaixa em um trecho conhecido como "Reta" (Avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré) desde o início de julho de 2016, vista como uma opção para melhorar o trânsito da cidade, apesar de Teresópolis não ser uma cidade com condições ideais para a prática do ciclismo, devido a seu relevo acidentado e a predominância de morros,[160][161] justamente onde eram as vagas de estacionamento de carros.

O transporte ferroviário na cidade foi extinto em 1957, quando circularam os últimos trens de passageiros e de cargas locais pelo Ramal de Teresópolis, que ligava a cidade ao Rio de Janeiro, então capital federal à época. Os trens vindos do Rio subiam a Serra dos Órgãos em direção à Teresópolis com o auxílio de cremalheiras, por conta da alta inclinação dos trechos de subida e descida. O ramal, pouco antes de seu fim local, foi repassado da Estrada de Ferro Central do Brasil para a Estrada de Ferro Leopoldina, que após desativá-lo na região, retirou os trilhos da cidade e restringiu-o à cidade vizinha de Guapimirim como terminal. Todas as estações ferroviárias do município foram demolidas em 1967, porém em 2004, foi inaugurada uma réplica da antiga estação Alto Teresópolis no mesmo local da original, onde atualmente abriga-se um terminal rodoviário municipal. [162]

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Turismo em Teresópolis
Piscina na sede do Parque Nacional, um dos atrativos naturais mais procurados.

A economia de Teresópolis, assim como a das outras cidades da Região Serrana, é voltada principalmente ao turismo, com diversos atrativos naturais e urbanos. Dentre os naturais, podemos destacar a sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), criado em 30 de novembro de 1939 e atualmente gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Na área do ecoturismo, destaca-se a Serra do Subaio, onde estão localizados diversos atrativos rurais do município, que são as várias trilhas, montanhas e cachoeiras, como a Mulher de Pedra, que se destaca por se assemelhar à figura de uma mulher deitada. Além do Subaio, destacam-se também as Torres de Bonsucesso, localizadas no bairro de Bonsucesso, terceiro distrito da cidade; o Orquidário Aranda, fundado em 1985 no bairro de Quebra-Frascos, onde é exposta e comercializada uma grande variedade de orquídeas, entre espécies e híbridos; o Circuito Turístico Terê-Fri (como é conhecida a RJ-130), uma rodovia com 67 quilômetros de extensão, servindo como um grande corredor turístico da região, onde podem ser encontradas diversas pousadas e hotéis-fazenda. Através dela, tem-se acesso aos Três Picos de Salinas, importante monumento natural do Parque Estadual dos Três Picos; e a Pedra da Tartaruga, uma formação rochosa similar a uma tartaruga, local ideal para a prática de rapel e de encontro entre jipeiros.

Shopping do Alto, um dos atrativos urbanos de lazer de Teresópolis.

Dentre os atrativos urbanos podemos destacar: o Castelo Montebello Medieval, que possui traços que remontam a épocas vividas pelos senhores, os quais erguiam ainda a bandeira do feudalismo, servindo como palco para as aventuras da Jovem Guarda e também para diversas confraternizações da alta sociedade local; a Colina dos Mirantes, localizada no alto do morro da Fazendinha, que permite a visualização de grande parte da região urbana do município além do maciço da Serra dos Órgãos; a Feirarte (Feira de Artesanato de Teresópolis), também conhecida como Feirinha do Alto, que existe desde 1983 e reúne artesãos de diversos ramos em mais de 700 barracas; o imponente Higino Palace Hotel, no Alto, antigo estabelecimento de luxo da era Vargas; a Igreja Matriz Santa Teresa, construída em estilo gótico, em homenagem à padroeira da cidade, Teresa D'Ávila;o Mirante do Soberbo, também conhecido como Mirante da Vista Soberba, situado na entrada da cidade, onde é possível avistar o pico Dedo de Deus, um dos marcos da região, símbolo do montanhismo brasileiro, bem como o pico do Escalavrado, a Boca do Peixe e outros pontos da Serra dos Órgãos; o Palacete Granado, onde está sediado atualmente o SESC Teresópolis, com atividades culturais e de lazer diversas, que já serviu como local de realização do Festival de Cinema Nacional (antes de ser transferido para Gramado);[163] o Palácio Teresa Cristina, atual sede da Prefeitura Municipal de Teresópolis; e a Casa de Cultura Adolpho Bloch, situada próxima ao bairro do Alto, onde são realizadas exposições e mostras de vários tipos de expressões artísticas.

Esporte[editar | editar código-fonte]

A Granja Comary serve como centro de treinamento para a Seleção Brasileira de Futebol em todas as suas categorias.

Teresópolis tem fama nacional por sediar a Confederação Brasileira de Futebol, onde a Seleção Brasileira treina, em uma área com mais de 150 mil metros quadrados de área verde divididos entre cinco campos e infraestrutura para atendimento aos atletas, tornando o local um dos mais modernos centros de treinamento do mundo. O vasto espaço da confederação é um ponto de atração para turistas. Além da Seleção principal, outras categorias patrocinadas pela CBF também usufruem do local, situado na Granja Comary, um dos mais belos e charmosos bairros da cidade.

Em relação ao esporte local, podemos destacar o Ginásio Pedrão, que frequentemente é utilizado para realizar eventos esportivos de futebol de salão e jiu-jitsu. Na estrutura do ginásio ainda localiza-se o Museu Municipal do Esporte, e nas imediações a Praça de Esportes Radicais Alexandre Oliveira, ao lado de Terminal Rodoviário, servindo para prática de esportes radicais, sendo considerada durante algum tempo como uma das melhores pistas de skate do Brasil, sediando até um campeonato nacional da modalidade.


Cercada por natureza, a cidade é conhecida como a capital nacional do montanhismo. Muitos teresopolitanos praticam este esporte e alguns ganharam fama internacional, como Mozart Catão, um dos maiores montanhistas brasileiros, o primeiro a escalar o Everst,[164] que morreu escalando o Monte Aconcágua, na Argentina, pela face sul, arrebatado por uma avalanche.[165][166] Lugares como o Parque Nacional são muito procurados para a prática deste esporte, principalmente por abrigar a Pedra do Sino, o ponto mais alto da Serra, além do Escalavrado, Nariz do Frade, Agulha do Diabo, Dedo de Nossa Senhora e Pedra do Elefante. Destaca-se ainda a Mulher de Pedra, localizada em Vargem Grande, bairro situado no percurso do Circuito Terê-Fri (estrada entre Teresópolis e Friburgo), fazendo parte do Parque Montanhas de Teresópolis, onde também encontramos a Pedra da Tartaruga, local ideal para a prática de rappel e ponto de encontro de jipeiros. Além do montanhismo, a equitação é um esporte muito praticado por moradores e turistas da cidade, principalmente por ter áreas propícias para sua prática.

O futebol municipal, apesar de tradicional, não possui muito destaque nos cenários estadual e nacional. Os principais clubes são o Teresópolis e o Várzea, ambos centenários, e o Barra, com mais de meio século de existência. Ironicamente, desses clubes o com maior êxito é o Barra, que já foi vice-campeão da Copa Rio de 1995, perdendo para o Volta Redonda na final. O Teresópolis é o clube que mais disputou campeonatos profissionais nos últimos anos. No entanto, a falta de apoio não permite que o mesmo se mantenha em uma divisão superior.[167][168]

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

A cidade de Teresópolis, além de ser conhecida pelas belas paisagens naturais, é também muito diversificada em sua culinária. Restaurantes e bares movimentam a vida noturna da cidade, sendo reconhecidos e premiados pela excelência.[169] São encontrados restaurantes de culinária internacional, como francesa, italiana, portuguesa e japonesa.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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