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São José do Vale do Rio Preto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com São José do Rio Preto.
São José do Vale do Rio Preto
Município do Brasil
Igreja Matriz de São José do Vale do Rio Preto
Igreja Matriz de São José do Vale do Rio Preto
Igreja Matriz de São José do Vale do Rio Preto
Hino
Gentílico rio-pretano[1]
Localização
Localização de São José do Vale do Rio Preto no Rio de Janeiro
Localização de São José do Vale do Rio Preto no Rio de Janeiro
Localização de São José do Vale do Rio Preto no Rio de Janeiro
São José do Vale do Rio Preto está localizado em: Brasil
São José do Vale do Rio Preto
Localização de São José do Vale do Rio Preto no Brasil
Mapa
Mapa de São José do Vale do Rio Preto
Coordenadas 22° 09′ 03″ S, 42° 55′ 26″ O
País Brasil
Unidade federativa Rio de Janeiro
Municípios limítrofes Areal, Petrópolis, Sapucaia, Sumidouro, Teresópolis e Três Rios
Distância até a capital 129 km
História
Fundação 15 de dezembro de 1987 (37 anos)
Administração
Prefeito(a) José Carlos Pacheco Furtado (MDB, 2025– 2029)
Características geográficas
Área total [2] 220,187 km²
População total (Censo IBGE/2022[3]) 22 080 hab.
Densidade 100,3 hab./km²
Clima Tropical de Altitude (Cwa)
Altitude 615 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 25780000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,660 médio
 • Posição RJ: 83º
PIB (IBGE/2021[5]) R$ 738 568,27 mil
PIB per capita (IBGE/2021[5]) R$ 33 522,52
Sítio https://www.sjvriopreto.rj.gov.br/ (Prefeitura)

São José do Vale do Rio Preto é um município brasileiro situado no interior do estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Localizado na Serra Fluminense, pertence à Região Geográfica Intermediária de Petrópolis, e está distante a cerca de 129 km da capital do estado. Ocupa uma área de 220,187 km² e sua população é de 22.080 habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2022.[6]

O principal acesso a São José do Vale do Rio Preto é pela BR-116, passando pelo município de Teresópolis. Outra via importante é a RJ-134, que conecta São José a Areal e a Petrópolis.

O território do atual município de São José do Vale do Rio Preto foi um distrito de Petrópolis até 1987, ano em que foi emancipado.[7]

História

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Origens, processo de ocupação e transformações territoriais

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Casarão Histórico da Família Machado

A povoação dos sertões do rio Preto deve-se, em princípio, à proximidade com os caminhos para as Minas Gerais e com o mercado consumidor da então capital Rio de Janeiro. Entre esses dois polos de desenvolvimento, muitas de suas estradas foram vias de escoamento da produção das fazendas originárias das antigas sesmarias distribuídas na região, que remetiam os seus produtos para o Rio de Janeiro ou para as Minas Gerais. Algumas estradas serviam, também, como desvios para os carregamentos de ouro que não queriam passar pelos registros da Coroa portuguesa[8].

Os primeiros povoados da região do Rio Preto foram constituídos pelas famílias mineiras que atravessavam o Rio Paraíba do Sul em busca de novas terras para a agricultura, depois da queda da atividade de mineração. Também vieram os plantadores de café, trazendo a experiência do plantio realizado em outras regiões da província. Completaria este quadro a presença de colonos portugueses e, a seguir, de italianos.

Bairro Estação, município de São José do Vale do Rio Preto, ano desconhecido

No início do século XIX, D. João VI distribuiu sesmarias e incentivou o plantio de café, que veio a se constituir na nova riqueza nacional. Na província do Rio de Janeiro, a cultura do café produziu os seus primeiros efeitos com a criação das grandes fazendas e o surgimento dos barões do café. Em São José, podemos citar como exemplos dessa nobreza latifundiária os Barões de Águas Claras e de Bemposta.

São José deve à cafeicultura a construção das grandes sedes de fazendas, tais como as das Fazendas do Calçado, do Belém, Sossego e Águas Claras. A lavoura do café aumentou, consideravelmente, o emprego da mão-de-obra escrava, que muito contribuiu, com seu trabalho, para a efetivação de um novo ciclo de desenvolvimento no Vale do Paraíba.

O ciclo do café começou a desmoronar-se com o esgotamento do solo, a libertação dos escravos e a queda internacional do preço do produto, de 1888 a 1929. A crise que se seguiu à derrocada do café fez com que a região do Rio Preto, a exemplo de outras, sofresse um período de retrocesso econômico. Casas comerciais fecharam, o que afetou diretamente o crédito agrícola, os trilhos da via férrea foram retirados, as grandes fazendas foram despovoadas e a política dominante dos proprietários de terras entrou em declínio. Muitas famílias venderam os seus bens e foram para outras regiões.

Um novo ciclo econômico foi paulatinamente se instalando em São José do Rio Preto através da avicultura, que trouxe de volta o desenvolvimento. O ciclo da avicultura harmonizou-se com a agricultura, com o fornecimento de adubo para a lavoura. De 1950 a 1960, no auge da avicultura, São José do Rio Preto foi considerado o maior centro avícola da América do Sul. Começaram, nesta época, a surgir novos loteamentos, comércios, colégios, hospitais etc., trazendo crescimento e progresso. O imenso território da freguesia de São José do Rio Preto, que já era um desmembramento da antiga freguesia de Inhomirim, sofreu vários desmembramentos, como a freguesia de Cebolas e o curato de Matosinho, em 1839, a freguesia de Nossa Senhora Aparecida, em 1842, a freguesia de São Pedro de Alcântara, em 1846 (origem do município de Petrópolis) e, finalmente, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Bemposta, em 1855[9].

A futura cidade de Petrópolis, bem como a área que formou o seu município na bacia do Rio Piabanha, constituía um curato daquela freguesia e obedecia administrativamente às autoridades de São José do Rio Preto. Em 1833, a povoação de Paraíba do Sul recebe o predicamento de vila, compreendendo São José do Rio Preto. Em 1857, foi conferida à colônia de Petrópolis os foros de cidade. Porém, não lhe coube o território de São José do Rio Preto, que se conservou, então, ainda dependente da administração de Paraíba do Sul. Em 1892, entretanto, a freguesia de São José do Rio Preto foi incorporada a Petrópolis como seu 5º Distrito, conseguindo sua emancipação somente em 1987, quando surgiu o município de São José do Vale do Rio Preto.[10]

Alterações toponímicas distritais

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No decorrer de sua história, São José do Vale do Rio Preto recebeu diferentes denominações.

O município, anteriormente chamado de São José do Rio Preto, passou a chamar-se São José após a alteração do decreto estadual nº 641, de 15/12/1938.

Tempos depois, São José passou a denomina-se Paranaúma, pelo decreto-lei estadual nº 1056, de 31/12/1943. Por fim, Paranaúma se torna São José do Vale do Rio Preto, por ato das disposições transitórias de 20/06/1947.[11]

Antiga Linha Férrea

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Antiga Estação Ferroviária, município de São José do Vale do Rio Preto, ano desconhecido

O ramal de São José do Rio Preto foi aberto em 1886 como parte da linha principal de E. F. Grão Pará. Em 1890, esta ferrovia foi adquirida pela Leopoldina. Em 1900, esta construiu o trecho entre Areal e Entre Rios (Três Rios) e o trecho Areal-São José do Rio Preto passou a ser um pequeno ramal de 25 km. O ramal foi fechado em 1947, tendo sido um dos primeiros trechos ferroviários a ser desativado no Brasil, graças ao projeto de construção de uma represa na região.

Em 15 de outubro de 1884 foi inaugurada a construção do prolongamento de Petrópolis a São José do Rio Preto. De Petrópolis em diante atravessa, em túnel, a garganta de Quissamã, descendo até a cascata de Itamarati, aí transpondo o rio em viaduto. Daí acompanha até a localidade Barra Mansa, de onde passa para a margem esquerda, indo adiante atravessar em túnel o morro do Cedro no prolongamento da serra do Taquaril. Vencido esse morro, a linha segue o vale do ribeirão Iracanam até ás proximidades de sua confluência com o Piabanha em Areal, subindo o vale, que é transposto adiante por uma ponte de 74 metros de vão, descendo até a confluência com o rio Preto. Subindo, finalmente, o vale deste, a linha segue até a povoação de São José do Rio Preto, seu ponto terminal. Em 1º de Maio de 1886 foi inaugurado o tráfego de Petrópolis a Areal e em 1º de Novembro do mesmo ano; até São José do Rio Preto.

Mapa - Ramal de São José do Vale do Rio Preto

Portanto, o que era o final da linha do Norte, linha-tronco da E. F. Grão Pará, passou a ser um pequeno ramal da Leopoldina de cerca de 25 km a partir de 1900, quando o trecho Areal-Três Rios foi aberto por esta ferrovia. Segundo se sabe, o ramal fazia parte da linha tronco da antiga Grão Pará, que pretendia atingir Além Paraíba subindo a margem esquerda do rio Preto até conseguir vencer o vale por ele aberto. Depois, atingindo o planalto onde se encontra hoje Providência, seguiria em demanda do rio Paraíba, em Além Paraíba. Mas seus planos foram frustrados por um enorme paredão de pedra na localidade de Serra do Sossego, na zona rural de São José do Vale do Rio Preto. Hoje a população conhece o local como Fazendo do Sossego. No dizer de Jairo Mello, aquele paredão se mostrou intransponível com os recursos da época, levando a Grão Pará a estacionar a linha em São José por alguns anos. Com o advento da Leopoldina, esta preferiu dar prosseguimento na linha via Três Rios e, dali, seguindo o rio Paraíba do Sul, atingir Além Paraíba, objetivo original da linha. Analisando os dois trechos, vemos quão acertada foi a ideia da Leopoldina. O traçado mais difícil já fora vencido entre Petrópolis e Areal. Bastava seguir o Piabanha por um bom trecho até nas proximidades de Três Rios, abandonando-o na localidade de Alberto Torres e seguindo até Moura Brasil. Dali, por um corte na pedra, passava para o vale do Paraíba do Sul e seguia em demanda de Três Rios, cruzando a bela ponte das Garças, outrora da Cia. União e Indústria. Como explicar, então, a decisão da Grão Pará de seguir via São José do Rio Preto? É possível que a empresa tenha ido em busca do café que abundava na região.

Ponte Preta - São José do Vale do Rio Preto

São José do Rio Preto, Sumidouro e outros distritos daquela região nasceram de fazendas de café. Seguir para Três Rios, naquela época implicava em dois problemas: o primeiro era entrar em zona de concessão da EF Dom Pedro II e, o outro, ter que cruzar o rio Paraíba do Sul para entrar na cidade e poder seguir em demanda de Além Paraíba. Com certeza haveria problemas com a Central do Brasil. Ao chegar a São José, percebe-se que a intenção de se abrir caminho por ali foi uma ideia acertada no que se refere à extensão quilométrica e cargas a captar, mas o perfil da região se mostrava pesado demais para ser vencido com poucos recursos. Assim, não se sabe ao certo se foi realmente o tal paredão de pedra que impediu o prolongamento da linha depois de São José, ou se razões políticas "puxaram" a linha para Três Rios. Um bom trecho de linha havia sido aberto ali, mas ficou abandonado em virtude da pressão política. Por São José, a linha só atingiria localidades quase despovoadas, sem nenhuma expressão política. Assim, o ramal foi considerado de bom grado tendo atingido São José, onde poderia receber as mercadorias vindas de carro de boi das regiões acima dela. Uma ponte de ferro, chamada de "Ponte Preta", foi construída nessa época em São José para ligar os dois lados da cidade. Muitos acreditam que os trens passavam por aquela ponte.

Antiga Estação Ferroviária Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto

Por volta de 1940 o governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou a construção de uma barragem no rio Preto com vistas a produzir energia elétrica para a região. O lago inundou parte da linha, fazendo com que o ramal ficasse inativo. Diz-se que um trem ficou preso em São José e teve de sair de carreta, pois inundaram a represa antes do previsto. O ramal, certamente já deficitário, acabou desativado em 1947.[12]


Geografia

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Aspectos físicos

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O clima característico de São José do Vale do Rio Preto é o clima tropical de altitude, onde os maiores acumulados pluviométricos se concentram nos meses de verão, enquanto no inverno, há uma diminuição dos índices de chuva. Além disso, cita-se que a precipitação anual varia entre 618 mm. a 1.712 mm[13].

Vista do Monumento Natural Pedra das Flores - São José do Vale do Rio Preto

Fisicamente, o município encontra-se situado na formação geomorfológica da Serra do Mar, apresentando um relevo movimentado com ocorrência de morros elevados e montanhas que, de certa forma, irão contribuir para a convergência de fluxos das encostas até os fundos de vale, favorecendo a ocorrência de enxurradas e inundações. O relevo característico da região proporcionará também a formação de chuvas orográficas por meio das barreiras físicas (montanhas), estas barreiras, por sua vez, acabando se impondo ao avanço de sistemas frontais[14].

Paisagem com névoa em São José do Vale do Rio Preto

Ainda sobre o relevo, observa-se que as áreas de maior altitude espacializam-se nas porções sul e sudeste de São José, enquanto os locais de menor altitude localizam-se nas áreas centrais e norte do município (onde se encontram as planícies de inundação das drenagens e o espraiamento da urbanização). Os solos existentes na região são: os solos rasos, presentes em regiões acentuadas do município, como os cambissolos; a presença de solos com alto teor de argila e consequente grau de erosão, como os argissolos e o registro de latossolos, solos desenvolvidos e lixiviados devido a atuação do clima mais úmido.[14]

Monumento Natural Pedra das Flores

Outro fator ambiental a ser destacado são os recursos hídricos. São José está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Piabanha, apresentando uma área de aproximadamente 4.484 km², além disso, a bacia é importante para o rio Paraíba do Sul. O rio Preto, que corta a cidade, possui 54 km de extensão, formando a sub-bacia de mesmo nome. A expansão demográfica ao longo do rio Preto refletiu na qualidade de suas águas, podendo citar a falta de sistema de esgotamento sanitário e fontes poluidoras advindas do rio Paquequer (afluente do rio Preto que sofre com lançamentos de poluentes em Teresópolis). A degradação dos recursos hídricos também relaciona-se com o uso e ocupação da terra no município[15].

Pedra do Cupim, Monumento Natural Pedra das Flores - São José do Vale do Rio Preto

No geral, o uso e ocupação da terra no município é pautada por florestas de Mata Atlântica (em setores de maior declive e altitude), como também, áreas de pastagem, plantações e urbanização ao longo da bacia hidrográfica do rio Preto[16]. As principais áreas de preservação em São José do Vale do Rio Preto incluem a Área de Proteção Ambiental (APA) Maravilha, o Monumento Natural Pedra das Flores e o Parque Natural Municipal de Araponga[17].

Aspectos sociais

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De acordo com os dados do último Censo Demográfico do IBGE de 2022, o município de São José do Vale do Rio Preto possui aproximadamente 20.080 habitantes. A pesquisa revela que a população é composta por 50,69% de mulheres (11.193 pessoas) e 49,31% de homens (10.887 pessoas).

Crescimento da População por ano

Segundo o IBGE, cerca de 64,33% da população se autodeclarou branca (14.205 pessoas); 9,35% da população se autodeclarou preta (2.064 pessoas); 0,07% da população se autodeclarou amarela (16 pessoas); 26,15% da população se autodeclarou parda (5.773 pessoas) e 0,1% da população se autodeclarou indígena (22 pessoas).

Distribuição da População por Cor ou Raça

Já a distribuição da população por Religião em São José é a seguinte: 47,06% são Evangélicos (9.004 pessoas); 39,16% são Católicos (7.493 pessoas); 1,22% são Espíritas (233 pessoas); 0,03% praticam Tradições Indígenas (6 pessoas); 0% para Umbanda e Candomblé (sem registro de praticantes); 3,44% praticam Outras Religiosidades (658 pessoas) e 9,09% se declararam Sem Religião (1.739 pessoas).

No quesito Alfabetização, os dados mostram que 93,61% da população é alfabetizada (16.679 pessoas), enquanto 6,39% é não alfabetizada (1.138 pessoas).[6]

Seguindo a tendência nacional, a Pirâmide Etária de São José do Vale do Rio Preto deixa evidente a predominância de uma população adulta (corpo da Pirâmide largo), bem como o aumento da longevidade da população idosa (topo da Pirâmide se expandindo). Além disso, observa-se uma certa redução no número de nascimentos (base da Pirâmide estreita).[6]

Pirâmide Etária da População de São José do Vale do Rio Preto

Aspectos econômicos

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A economia do município é fortemente voltada para a produção de hortifrutigranjeiros, favorecida pela localização estratégica próxima aos grandes centros consumidores, como a cidade do Rio de Janeiro, além de municípios de médio porte da Região Serrana e do Vale do Paraíba. São José do Vale do Rio Preto destaca-se como o maior produtor hortifrutigranjeiro do Estado do Rio de Janeiro.

Na fruticultura, sobressai a produção de caqui, na qual o município ocupa a primeira posição estadual. Nos últimos anos, a produção de poncã também vem ganhando relevância. Além disso, a avicultura exerce papel fundamental na economia local, abrangendo desde a incubação e criação das aves até a engorda e o abate.[18]

De acordo com o IBGE, o total de receitas brutas municipais foram de R$ 153.460.481,67 no ano de 2024. Já o PIB per capita alcançou R$ 33.522,52, no ano de 2021.[10]

Turismo e cultura

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De acordo com o Ministério do Turismo, São José do Vale do Rio Preto é categorizado como uma região turística dos Caminhos Coloniais. Os Caminhos Coloniais são um destino propício para o turismo rural, ecológico e histórico.[19]

Tom Jobim, compositor da canção "Águas de Março".

Além de sua herança histórica e agrícola, São José do Vale do Rio Preto começa a despontar também na produção de vinhos premiados, graças à Vinícola Tassinari, que já atrai visitantes curiosos para conhecer a vinificação local e apreciar os vinhos ali produzidos. A produção de cafés especiais, já é tradicional na família Tassinari, complementando a diversificação da economia local.[20]

A cidade atrai turistas em busca da natureza e das curiosidades sobre o antigo morador, o famoso compositor Tom Jobim. São José foi fonte de inspiração para canções como “Matita Perê” e “Dindi”. Além disso, o clássico da música brasileira “Águas de Março” também foi composta no sítio localizado no bairro Poço Fundo, local onde há uma inscrição numa rocha em homenagem ao compositor.[21]

Fazenda do Belém - São José do Vale do Rio Preto.

O Mapa de Cultura do Estado do Rio de Janeiro é um projeto realizado pela Secretaria de Estado de Cultura para mapear e divulgar as principais manifestações culturais dos municípios. Em São José do Vale do Rio Preto destaca-se:[22]

  • Fazenda Belém: Toda a mobília da casa-sede é de época, como as cadeiras vindas da Europa, os móveis esculpidos em madeira vinhático, comum na região, as mesas para 14 lugares, um piano Isidoro Bevilacqua Ronisch com castiçais para velas, que está há 118 anos na família proprietária, e um dos primeiros aparelhos de telefone a chegar ao Brasil. A fazenda guarda documentos de avaliação dos 104 escravos que trabalhavam na lavoura de café, além de troncos de sucupira e outros instrumentos. A propriedade, de 94 alqueires de terra, conta com uma usina de açúcar e com o antigo beneficiamento de café.
    Capela Senhor dos Passos - São José do Vale do Rio Preto.
  • Capela Nosso Senhor dos Passos: A pedra fundamental da capela foi depositada em janeiro de 1903, após procissão e benção. Foi inaugurada em agosto do mesmo ano. De estilo colonial, conta com telas da morte de Jesus Cristo, entre outras pinturas sacras doadas por fiéis. Foi restaurada recentemente e tem preservado o altar original em madeira.
  • Igreja Matriz de São José: Erguida em 1808, a matriz em estilo colonial é cercada por casario antigo, pertencente às famílias tradicionais riopretanas. Da construção original, tem-se apenas a primeira torre, nos fundos da igreja, onde se encontrava a porta principal. Além da torre original, foram construídas duas torres novas, numa série de reformas que datam de 1841. Nos fundos, estava instalado um cemitério, que foi transferido para o alto do morro.
Fazenda Valverde - São José do Vale do Rio Preto.
Fazenda Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto.

Já o relatório intitulado "Estudos Socioeconômicos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro" do ano de 2017 pontua outros atributos culturais e de interesse turístico na cidade:[23]

  • Fazendas Históricas: O Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense cita as fazendas localizadas em São José do Vale do Rio Preto que guardam parte da história da região: Águas Claras, Bela Esperança, Bela Ribas, Belém, Calçado, Castelo da Luz, Córrego Sujo, Roçadinho, Pinheiros, São João do Paquetá, Sossego e Valverde. A Belém, a de Águas Claras e a Bela Esperança tiveram os primeiros telefones do país e são exemplos da nobreza latifundiária, beneficiada pelos ciclos do ouro e do café. A Associação dos Empreendedores em Turismo Rural de São José do Vale do Rio Preto realiza visitações guiadas às fazendas preservadas do município.
  • Trilhas do Ouro: São José do Vale do Rio Preto preserva as trilhas por onde se transportava o ouro, vindo das Minas Gerais, para a capital. Eram atalhos feitos por mineradores que não queriam passar pelos centros urbanos. As trilhas eram atravessadas pelo rio Preto, que corta toda a cidade. Como é um córrego de águas rasas, apresentava-se como alternativa para levar a mercadoria para o Rio de Janeiro, burlando os impostos cobrados pela Coroa Portuguesa. Os caminhos também teriam sido utilizados para fuga de Tiradentes, o mártir da Inconfidência. A trilha vem da cidade de Sapucaia, passa nas localidades de Calçado, Águas Frias, São Lourenço e Águas Claras, atravessa a RJ-134 e vai para Roçadinho e Ventania, onde há acesso para Teresópolis.
  • Centro Cultural Eugênio Ruótolo: O centro abriga inúmeros documentos que revelam a riqueza histórica da cidade. Curiosamente, no forro do teto de um cartório da cidade, foram encontrados documentos cartoriais do Império, como relações de bens de família, escrituras de compra e venda de escravos, documentos que relatavam brigas de terras entre os sesmeiros, o mapa geográfico das sesmarias e dos primeiros loteamentos de São José, a história do trem na cidade, fotos antigas e muito mais. O resultado desta valiosa descoberta foi a criação de um acervo de 20 mil itens, abrigado no prédio doado pelo médico Eugênio Ruótulo Neto e batizado em sua homenagem.
  • Festas tradicionais: São José do Vale do Rio Preto celebra diversas datas festivas, como a Festa do Milho e a Festa de Agosto (homenagem a Nossa Senhora da Glória). O município também já realizou a Festa do Caqui e a Festa do Frango, que, entretanto, deixaram de ocorrer há alguns anos.


Referências

  1. [[1]]
  2. «Área». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 15 de outubro de 2024 
  3. «Censo Populacional 2022». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 15 de outubro de 2024 
  4. «IDH». CIDADES E ESTADOS. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 15 de outubro de 2024 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 15 de outubro de 2024 
  6. a b c «Panorama do Censo 2022». Panorama do Censo 2022. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  7. http://educacao.globo.com/artigo/municipios-do-rio-de-janeiro.html
  8. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – Volume XXII – IBGE, 1959
  9. Abreu, A., “Municípios e Topônimos Fluminenses – Histórico e Memória”, Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1994
  10. a b IBGE. «Panorama do município». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  11. IBGE. «História». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  12. «São José do Rio Preto -- Estações Ferroviárias do Estado do Rio de Janeiro». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  13. «Instituto Nacional de Meteorologia - INMET». portal.inmet.gov.br. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  14. a b CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (2000). Diagnóstico Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro. Brasília: [s.n.] 24 páginas 
  15. «Piabanha». www.comitepiabanha.org.br. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  16. MICHALKA Jr., C.; KAIPPERT, E. O Impacto do Desenvolvimento Urbano na Mata Atlântica: o Caso de São José do Vale do Rio Preto. In: Simpósio de Pós-Graduação e Engenharia Urbana. Maringá, 2009.p. 11.
  17. «AGEVAP». AGEVAP. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  18. Prefeitura Municipal de São José do Vale do Rio Preto. «Informações» 
  19. Ministério do Turismo. «Mapa do Turismo - 2025» 
  20. Diário.com. «Tesouros da Serra em São José do Vale do Rio Preto» 
  21. Turismo - Governo do Estado do Rio de Janeiro. «Cidades» 
  22. Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. «Mapa da Cultura» 
  23. TCE-RJ - Estudos Socioeconômicos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro, 2017

Ligações externas

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