Dedo de Deus

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Dedo de Deus
Dedo de Deus
Dedo de Deus está localizado em: Brasil
Dedo de Deus
Coordenadas 22° 30' S 43° 03' O
Altitude 1 692 m (5 551 pés)
Localização Guapimirim

O Dedo de Deus é um pico com 1 692 metros de altitude e cujo contorno se assemelha a uma mão apontando o dedo indicador para o céu. É um dos vários monumentos geológicos da Serra dos Órgãos, que fica localizada na Serra do Mar, entre as cidades de Petrópolis, Magé, Guapimirim e Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

O pico encontra-se nos limites do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na área territorial de Guapimirim, sendo avistado com perfeição a partir do Mirante do Soberbo, também localizado em Guapimirim, na BR-116, próximo à divisa com Teresópolis.

O montanhismo no Brasil está intimamente ligado à conquista do Dedo de Deus por José Teixeira Guimarães e pelos irmãos Américo de Oliveira (Acácio, Alexandre e Raul Carneiro), todos teresopolitanos, em 8 de abril de 1912, após 5 dias.

Apesar de diversas montanhas terem sido escaladas em data anterior no país, é a montanha símbolo do montanhismo brasileiro e do estado do Rio de Janeiro, figurando na bandeira e no brasão do mesmo.

A conquista

O ferreiro pernambucano José Texeira Guimarães, radicado em Teresópolis lançou a idéia da conquista. A ele juntaram-se Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira, todos de Teresópolis.

No início do século XX já era uma montanha famosa no mundo todo e diversos alpinistas estrangeiros haviam tentado sem sucesso chegar ao cume. Em 1912 uma equipe de montanhistas alemães tentou escalar o Dedo de Deus. Sem conhecer a realidade da montanha brasileira, com suas paredes lisas e inclinadas, estes montanhistas não conseguiram subir até o cume e julgaram que, se eles não conseguiram com a experiência e equipamento que possuía ninguém mais conseguiria.

O caçador e guia do grupo, Raul Carneiro, não se convenceu com a história dos alemães. Ele chamou os irmãos Américo, Acácio e Alexandre de Oliveira e o ferreiro, natural de Pernambuco, José Teixeira Guimarães para compor o grupo e tentar escalar a montanha.

Sem conhecimento de técnicas de montanhismo, o grupo improvisou. Teixeira confeccionou grampos com argolas, parecidos com aqueles que prendem barcos em ancoradouros, para amarrar as cordas, feitas de Sisal. O Grupo não encontrou grandes dificuldades na aventura pela mata, apenas uma chuva que atrapalhou a jornada no começo. Foi na rocha, no entanto, que o desafio ficou realmente difícil.

O Dedo de Deus é uma montanha muito inclinada. Em trechos verticais, o grupo fazia pirâmides humanas e assim ganhavam altura. Eles também se aproveitaram de caminhos naturais, as chaminés, onde eles se entalavam e iam subindo, até que encontraram um platô, antes do cume, que é separado por uma fenda que sobre ela jaz uma parede negativa. O Grupo, pra vencer esta parede, teve que içar um tronco de árvore, colocar este tronco ao lado da parede negativa e subir por ele, até chegarem ao cume do impossível Dedo de Deus. Fincaram a primeira bandeira branca e em seguida hastearam a bandeira nacional.

Em Teresópolis foram recebidos como heróis e seu feito notificado com grande destaque pela imprensa. O então presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, enviou um telegrama congratulando-os pelo feito, notável para a época, principalmente se considerarmos que não tinham qualquer noção de técnica de escalada nem o equipamento de segurança de que hoje dispomos.

A rota por eles conquistada é hoje em dia chamada de “Teixeira”, em homenagem ao bravo ferreiro que fez os primeiros grampos de escalada do Brasil. É uma via pouco técnica para o nível atual, mas bastante exaustiva fisicamente.

Os cinco de Teresópolis, como são lembrados os conquistadores da montanha não se tornaram montanhistas. Deles, somente Acácio de Oliveira voltou ao Dedo de Deus, na comemoração do aniversário de 50 anos da conquista, em 1962. O feito do grupo, no entanto, é considerado por muitos como marco inicial do montanhismo brasileiro, pois foi uma significativa conquista em um estilo que traduz a tenacidade, aventura e cultura do montanhismo nacional.

Foram cravados 19 grampos na rocha ao longo da escalada. Alguns destes grampos ainda resistem ao tempo. O grampo idealizado por Teixeira, suprimindo a argola é chamado de grampo "P" e é utilizado na conquista de novas vias de escalada no Brasil até hoje.

Primeira mulher a escalar o Dedo de Deus

Dia 27 de setembro de 2005, a sócia honorária do Centro Excursionista Brasileiro (CEB), a escaladora Luzia de Freitas Caracciolo, faleceu aos fabulosos 91 anos de idade. Aos 19, Luzia se tornou a primeira mulher a chegar ao cume do famoso Dedo de Deus, localizado no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro – em uma época em que o montanhismo e a escalada em rocha eram atividades de domínio masculino, ainda mais no Brasil. Para a sociedade não soava muito bem uma mocinha de 19 anos se embrenhar no mato para chegar à base de uma montanha e escalar na companhia sempre de homens. Imaginem o espanto que isso devia causar.

Luzia tomou a decisão de escalar o Dedo de Deus quando soube que um grupo de amigos iria fazer uma investida ao cume do pico, onde nenhuma mulher até então havia colocado os pés. “Não queria que uma estrangeira levasse o título de primeira mulher a subir o Dedo de Deus”, revelou Luzia em uma entrevista concedida ao site 'O Eco'. Para ser aceita no grupo, ela precisou passar por alguns testes: subiu primeiro a trilha da Pedra da Gávea e, na semana seguinte, enfrentou a Chaminé do Morcego, no Morro do Cantagalo. Aprovada nos testes, só restava então o desafio do Dedo de Deus. “Foi uma escalada bem difícil. A gente não pensava nos riscos que corria. Desafiávamos o perigo para só depois perceber o que tínhamos feito”, lembrou. E sempre de saia e calção por baixo, como as moças usavam então. “Mulher de calça era chamada de mulher-homem”.

Às 8 horas da noite de 30 de setembro de 1933, Luzia alcançou os 1.692 metros do cume do Dedo de Deus, acompanhada de quatro amigos: David Couto, Mario Barroso Filho, Morgan Thomas e Alfredo Mello. Eles eram conhecidos como o “Grupo do Prego” no Centro Excursionista Brasileiro (CEB), o mais antigo clube de montanhismo da América do Sul. Seu irmão e uma amiga alemã que os acompanhavam desistiram da escalada no Paredão Vilela e pernoitaram num platô. “Minha mãe só deixou que eu fosse nessa aventura se meu irmão e outra mulher estivessem comigo. A menina não agüentou e teve que parar”, explica.

Era noite de lua cheia e por sorte não fazia muito frio. Passaram a noite no topo, agitados e animados. “Minha água vazou do cantil e molhou o cobertor que levei. Mesmo se estivesse seco, eu não teria conseguido dormir. Ninguém dormia”. Às 2h da manhã, Luzia descobriu que sua conquista foi pioneira por um triz: um outro grupo atingiu o cume do Dedo de Deus. E nele, vinha uma mulher alemã.

Assim, Luzia Freitas Caracciolo tornou-se parte da história do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O Parque, por sua vez, ficou gravado na história de Luzia, não só pela conquista daquela noite mas também porque ela acabou se casando com um de seus companheiros na escalada – Morgan Thomas. A lua-de-mel não poderia ter sido em outro lugar. Em julho de 1937, Luzia e Morgan voltaram ao cume do Dedo de Deus. 

Primeira Missa no Dedo de Deus

Em agradecimento ao término da 1ª Guerra Mundial, uma missa foi celebrada pelo reverendo padre Pio Otoni Júnior no dia 29 de junho de 1945, levando ao cume do Dedo, outros vinte e dois heróis: Pio Otoni Júnior, Miguel Inácio Jorge, Malvino Américo de Oliveira, José Paim da Graça, Artur Inácio Jorge, Edson Chagas, Januário Modesto, Bernardino Mattos Filho, Antonio Fagundes, Oto José da Rocha, Sílvio Percú, Clemente Bonifácio, Alfredo Gordon, Júlio de Oliveira Santos, José Leandro, Paulino da Mota, Silvio Mendes, Mario de Oliveira, Walter Américo de Oliveira, José Oliveira Santana e Joaquim Berlim dos Santos.

Às 8 horas da noite de 30 de setembro de 1933, Luzia alcançou os 1.692 metros do cume do Dedo de Deus, acompanhada de quatro amigos: David Couto, Mario Barroso Filho, Morgan Thomas e Alfredo Mello. Eles eram conhecidos como o “Grupo do Prego” no Centro Excursionista Brasileiro (CEB), o mais antigo clube de montanhismo da América do Sul. 
Selo de 1962 comemorativo a escalada ao Dedo de Deus

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