Pão de Açúcar

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Pão de Açúcar
Enseada de Botafogo com o complexo do Pão de Açúcar ao fundo. O morro do Pão de Açúcar é o morro mais alto, ao centro.
Pão de Açúcar está localizado em: Brasil
Pão de Açúcar
Coordenadas 22° 56' 55" S 43° 09' 26" O
Altitude 396 m (1299 pés)
Localização Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Rota mais fácil Urca

O Pão de Açúcar é um complexo de morros localizado no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É composto pelo morro do Pão de Açúcar (que dá nome ao complexo), morro da Urca e morro da Babilônia. Junto com a estátua do Cristo Redentor, é o maior cartão-postal da cidade do Rio de Janeiro e um dos mais famosos do Brasil. Pelas características únicas, margeado pelas águas da baía de Guanabara, constitui-se em uma referência turística internacional para a cidade.

Possui, como atração complementar, o passeio de teleférico, interligando a Praia Vermelha, o Morro da Urca e o Pão de Açúcar. Conhecido como Bondinho do Pão de Açúcar, o teleférico foi idealizado em 1908 e inaugurado em 1912, tornando-se o primeiro teleférico instalado no país e o terceiro do mundo. Nesses mais de noventa anos de existência, já transportou mais de trinta milhões de pessoas. Na última estação do bondinho, tem-se a vista panorâmica das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói.

O Morro do Pão de Açúcar, o mais alto do complexo, é constituído por um bloco único de gnaisse-granito com mais de seiscentos milhões de anos de idade, que surgiu da separação entre os continentes sul-americano e o africano, e que sofreu alterações por pressão e temperatura. Eleva-se a 395 metros acima do nível do mar. É rico em espécies de plantas rupícolas, estando presentes, em suas diversas faces, espécies endêmicas de bromélias e orquídeas. A face sul é especialmente rica, praticamente toda tomada por um "tapete vegetal", contrastando enormemente com a face norte, que apresenta pouca vegetação em suas vertentes. É circundado por um resquício de Mata Atlântica. Em seu topo, localiza-se a última estação do teleférico. O seu nome é explicado por alguns autores pela semelhança aos blocos cônicos formados pelo açúcar na fase da purga em sua fabricação, à época colonial.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Há várias versões sobre a origem do nome. Uma das mais conhecidas indica os portugueses como responsáveis. Durante o apogeu do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil (séculos XVI e XVII), após a cana ser espremida e o caldo fervido e apurado, os blocos de açúcar eram colocados em uma forma de barro cônica (para transportá-los para a Europa), denominada "pão de açúcar". A semelhança do penhasco carioca com aquela forma de barro teria originado o nome.[1]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Pão de Açúcar a partir da Baía de Guanabara.

Bondinho[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bondinho do Pão de Açúcar

O Bondinho do Pão de Açúcar é um teleférico que liga a Praia Vermelha ao morro da Urca, e este ao morro do Pão de Açúcar[2]. Essa é uma das principais atrações turísticas da cidade. Foi inaugurado (o seu primeiro trecho, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca) em 27 de outubro de 1912[3] e, desde então, já transportou cerca de 37 milhões de pessoas, mantendo uma média atual de 2 650 visitantes por dia.[4] O seu nome vem da semelhança dos carros do teleférico com os bondes que circulavam no Rio de Janeiro à época de sua inauguração.[5]

Museu Cocuruto[editar | editar código-fonte]

No topo do Morro da Urca, existe, desde 2008, o museu Cocuruto, que mostra a história do teleférico do Pão de Açúcar.[6]

Montanhismo[editar | editar código-fonte]

Ao chegarem ao bairro da Urca, os adeptos do montanhismo podem avistar, no morro da Babilônia, escaladores na rocha ascendo vias de escalada, como as conhecidas Ricardo Prado, M2, Roda Viva, IV Centenário e outras. No meio esportivo de escalada, internacionalmente é muito conhecido o complexo do Pão de Açúcar, tanto por se constituir em uma das maiores áreas de escalada urbana, quanto pela beleza das vias conquistadas nessa área.

Ao todo, são catalogadas mais de 270 vias de escaladas e boulders. No próprio morro do Pão de Açúcar, todas as suas faces apresentam vias, como as clássicas chaminés Stop e Galotti, a via ferrata CEPI, além de vias de parede como a Pássaros de Fogo, Via dos Italianos e o Lagartão. As numerosas vias de escalada que gradativamente foram abertas elevaram o nível de escalada na região, e em muito contribuíram para a melhoria técnica dos escaladores brasileiros.

Vista do Pão de Açúcar a partir da estátua do Cristo Redentor.

Algumas visitas notáveis foram registradas, como a do histórico escalador Wolfgang Güllich na segunda metade dos anos 1980, que abriu a primeira via de décimo grau no Brasil (graduação brasileira), batizada por Southern Comfort, ou Via do Alemão, na Pedra do Urubu, situada junto ao mar e a pista de lazer Cláudio Coutinho, pista esta de 1 250 metros de extensão, que margeia as faces sul dos morros da Urca e do Pão de Açúcar. Além disso, o Pão de Açúcar tem também relevância histórica para o montanhismo no Brasil. Consta que a sua primeira ascensão teria sido realizada em 1817 pela inglesa Enrieta Carstiers, pela sua Face leste, voltada para o Oceano Atlântico e de menor inclinação. Seria assim uma das primeiras manifestações diretas de cunho montanhístico no Brasil, onde a própria ascensão da montanha traduziu-se no objetivo maior.

No domingo de 3 de julho de 2011, um alpinista morreu após cair do morro.[7][8] Raymond Jean Marier, de 56 anos, estava escalando o Pão de Açúcar quando caiu de um costão do morro.[9] O resgate foi feito com o auxílio do helicóptero do corpo de bombeiros do quartel do Humaitá, já que o local era de difícil acesso.[10][11]

Existe uma trilha que pode ser percorrida a pé gratuitamente sem o auxílio de aparelhos de montanhismo e que leva da pista Cláudio Coutinho até o alto do morro da Urca.[12]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Figuras ilustres como o cientista Albert Einstein, o ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy, e o cantor inglês Elton John já passaram pelo bondinho do Pão de Açúcar, além dos muitos artistas que se apresentaram no Morro da Urca, principalmente na década de 1980.

Em 1977, o equilibrista americano Steven McPeak caminhou sobre o cabo do teleférico, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, segurando uma vara metálica como contrapeso.

Uma sequência do filme "007 Contra o Foguete da Morte", com Roger Moore como James Bond, filmada em 1979, ajudou a promover a cidade e o país no exterior.

Em 1990, uma homenagem ao piloto Ayrton Senna expôs no Morro da Urca um carro de Fórmula 1. E, mais recentemente, em 2004, a Tocha Olímpica dos Jogos Olímpicos de Atenas e, em 2007, a Tocha Olímpica dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro visitaram o Pão de Açúcar.[1]

Vista panorâmica de 180º a partir do Pão de Açúcar

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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