Elétrico

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Elétrico (bonde) PESA 120N (linha 9) em Varsóvia, na Polónia.
Em Lisboa, elétricos centenários fazem serviço turístico e normal, em regime não segregado.
Elétrico (bonde) no Rio de Janeiro.
Bondes em Bruxelas.
Bondes em Calcutá.

Um bonde (português brasileiro) ou elétrico (português europeu), tram, tramway, trâmuei ou tranvia (ou, ainda, trólebus quando se move sobre rodas com pneus) é um meio de transporte público tradicional em grandes cidades da Europa como Varsóvia, Basileia, Zurique, Lisboa e Porto, ou das Américas, como São Francisco, Rio de Janeiro e Toronto. Movimenta-se sobre carris (trilhos) que, em geral, encontram-se instalados nas partes mais antigas das cidades, uma vez que a sua implantação data, também em geral, da segunda metade do século XIX. Faz, geralmente, um percurso turístico, embora isto não seja obrigatório. Destinado sobretudo ao transporte de passageiros, atualmente constitui-se em um meio de transporte rápido, já que, geralmente, tem prioridade sobre os demais meios de transporte. Em Portugal, obedece às regras de trânsito como qualquer outro veículo motorizado.

Hoje em dia, por razões de economia de energia e de preservação do meio ambiente, vem sendo sucedido pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), cuja utilização se encontra em expansão em várias cidades do mundo. Os elétricos ou bondes têm grandes vantagens em relação aos ônibus, entre as quais a menor poluição, tanto sonora quanto atmosférica. Complementarmente, a subsistência dos antigos elétricos representa um enriquecimento cultural das próprias cidades, já que cada uma introduziu modificações características em suas respectivas redes. Muitas das grandes cidades da Suíça ainda usam os elétricos, bem como grandes cidades da Alemanha, Polónia e algumas da França, como por exemplo Estrasburgo.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro elétrico (bonde) foi utilizado na Swansea and Mumbles Railway, no sul do País de Gales, no Reino Unido. De tração animal, era puxado por cavalos em primeiro lugar, e mais tarde por meio de máquinas movidas a vapor e energia elétrica. O Mumbles Railway Act foi aprovada pelo Parlamento britânico em 1804, e a primeira ferrovia de passageiros (semelhante ao bonde dos Estados Unidos de cerca de 30 anos depois) começou a operar em 1807. O primeiro bonde, também conhecido como horsecar na América do Norte, foi construído nos Estados Unidos e desenvolvido a partir de linhas de diligências e linhas de ônibus, que pegava e deixava os passageiros em uma rota regular, sem a necessidade de ser pré-contratados.

Esses bondes eram de tração animal, geralmente usando equipes de cavalos e mulas para se locomover. Ocasionalmente, outros animais foram colocados em uso, ou seres humanos em situações de urgência. A primeira linha de bonde, desenvolvido pelo irlandês-americano John Stephenson, foi a Nova York and Harlem Railroad, que correu ao longo do Bowery e da Quarta Avenida, em Nova York. O serviço teve início em 1832.[1] Foi seguido em 1835 por New Orleans, na Louisiana, que tem o mais antigo sistema de transporte ferroviário de rua do mundo, segundo a American Society of Mechanical Engineers.[2]

Em 1883, Magnus Volk construiu o Volk's Electric Railway, com bitola de 2 metros, ao longo da orla este em Brighton, na Inglaterra. Esta linha de 2 quilômetros, rebitolada a 2,09 metros em 1884, permanece em serviço até hoje, e é a mais antiga operação de bondes elétricos no mundo. O primeiro bonde de serviço permanente às linhas aéreas foi o Mödling and Hinterbrühl Tram na Áustria. Ele começou a operar em outubro de 1883, mas foi fechado em 1932.

A primeira via de elétricos (bondes) na Grã-Bretanha, o Blackpool Tramway, foi inaugurado no dia 29 de setembro de 1885 ao longo da Blackpool Promenade. Desde o enceramento da corporação Glasgow Tramways em 1962, este foi o único elétrico (bonde) da primeira geração operacional no Reino Unido.

Elétricos (bondes) correm em Budapeste desde 1887 e esta primeira linha tem crescido agora para ser a linha de elétrico mais movimentada da Europaː os carros elétricos seguem uns aos outros com um intervalo de 60 segundos na hora de pico. Belgrado e Bucareste [3] implantaram um serviço regular a partir de 1894, e Sarajevo a partir de 1895. [4] [5] [6]

Tipos de propulsão[editar | editar código-fonte]

Animal[editar | editar código-fonte]

Esta primeira forma de transporte público se desenvolveu a partir das rotas de transporte industrial que surgiram pela primeira vez na década de 1820, utilizando os recém-inventados aço e ferro. Eram versões locais das linhas de diligência e recolhiam os passageiros de uma rota regular, sem a necessidade de ser pré-contratados. Bondes sobre trilhos eram uma melhoria sobre as diligências. A baixa resistência ao rolamento das rodas de metal ou ferro e dos trilhos de aço permitiu que os animais transportassem uma maior carga que as diligências em um passeio mais suave. O bonde a cavalo combinou o baixo custo, flexibilidade e segurança da energia animal com a eficiência, suavidade e capacidade do trilho.

Vapor[editar | editar código-fonte]

Os primeiros bondes mecânicos eram movidos a vapor. Geralmente, há dois tipos de bonde a vapor. O primeiro e mais comum tinha uma pequena locomotiva a vapor à cabeça de uma linha de uma ou mais carruagens, semelhantes a um pequeno comboio. Sistemas com os bondes a vapor ocorreram em Christchurch, na Nova Zelândia; em Sydney, na Austrália; e em Nova Gales do Sul. Bondes a vapor também foram utilizados nas linhas suburbanas de elétrico em Milão.

O outro estilo de bonde a vapor tinha a máquina a vapor no corpo do bonde. O sistema mais notável a adotar tais bondes foi o de Paris. Bondes a vapor também foram explorados em Rockhampton, no estado australiano de Queensland, entre 1909 e 1939. Estocolmo, na Suécia, tinha uma linha de bonde a vapor na ilha de Södermalm entre 1887 e 1901. A grande desvantagem deste estilo de bonde era o espaço limitado para o motor, de modo que estes elétricos eram normalmente de fraca potência.

Funicular[editar | editar código-fonte]

O próximo tipo de bonde era o funicular, que pretendia reduzir os custos e as dificuldades com os animais. Os bondes eram puxados ao longo da via férrea por um contínuo movimento de cabo a uma velocidade constante, que puxava individualmente os bondes individuais e os soltava para parar. O poder de mover o cabo era fornecido de um local afastado. O primeiro funicular nos Estados Unidos foi testado em São Francisco, na Califórnia, em 1873. A segunda cidade a operar os bondes a cabo foi Dunedin, na Nova Zelândia, em 1881-1957.

Funiculares operaram no Highgate Hill, no norte de Londres, e Kennington até Brixton Hill, no Sul de Londres.

O teleférico sofria de altos custos de infraestruturaː um sistema de cabos, polias, motor estacionário e estruturas entre os trilhos. Ele também exigia força e habilidade para operar e para evitar obstáculos e outros elétricos (bondes). O cabo tinha de ser abandonado em locais específicosː por exemplo, quando atravessavam uma outra linha de cabos. Rupturas e desgaste do cabo ocorriam com frequência, requerendo a cessação completa de serviços ao longo de um percurso de cabo, enquanto o cabo era reparado. Após o desenvolvimento de carros elétricos alimentados eletricamente, os sistemas de funicular declinaram rapidamente.

Os teleféricos são especialmente eficazes em cidades montanhosas, porque o cabo puxa o carro até o morro em um ritmo forte e constante, ao contrário das motores a vapor de baixa potência, ou, pior ainda, um carro puxado por cavalos.

Este conceito explica parcialmente a sua sobrevivência, em São Francisco. No entanto, o sistema de cabo mais extenso dos Estados Unidos foi em Chicago, uma cidade muito plana. O maior sistema de cabo em todo o mundo ocorreu na cidade de Melbourne, em Victoria, na Austrália, e teve, em seu auge, 592 elétricos em operação e 74 quilômetros de trilhos.

Os bondes de São Francisco, embora significativamente em número reduzido, continuam a desempenhar uma função de transporte regular, além de serem uma atração turística. Uma única linha também sobrevive em Wellington, na Nova Zelândia (reconstruída em 1979, mas ainda chamado de Wellington Cable Car).

Elétrica[editar | editar código-fonte]

Vista da Estação Ferroviária de São Carlos e do bonde em 1918.

Em funcionamento experimental, elétricos (bondes) foram expostos na Feira de 1884 em New Orleans, na Louisiana, mas eles não foram considerados suficientemente bons para substituir o motor a vapor que impulsionava o bonde da St. Charles Avenue na cidade.

Elétricos (bondes) foram inicialmente testados com sucesso em serviço em Richmond, na Virgínia, em 1888, na Richmond Unios Passenger Railway construída por Frank J. Sprague. Havia, anteriormente, instalações comerciais de bondes elétricos, incluindo um em Berlim, já em 1881 por Werner von Siemens, da empresa que ainda leva seu nome, e em São Petersburgo, na Rússia, inventado e testado por Fyodor Pirotsky em 1880. Outro foi o de John Joseph Wright, irmão do famoso empresário mineiro Whitaker Wright, em Toronto, em 1883. A primeira instalação comercial de um bonde elétrico nos Estados Unidos foi construído em 1884 em Cleveland, em Ohio, operado por um período de um ano pela Cleveland East Street Railway Company.[7] Anteriores instalações revelaram-se difíceis ou pouco confiáveis. A linha da Siemens, por exemplo, provocava choques elétricos em pessoas e animais que atravessavam as pistas.[8]

Siemens, posteriormente, projetou seu próprio método de coleção atual, a partir de um fio, chamado de curva do coletor, em Thorold, em Ontário, inaugurado em 1887, sendo considerado de bastante sucesso na época. Esta linha se mostrou bastante versátil, tendo sido uma das primeiras instalações totalmente funcionais de bonde elétrico, exigindo apoio ao escalar o Niágara e dois meses de inverno, quando a hidroeletricidade não estava disponível. Ela continuou em serviço na sua forma original até 1950. Em 1904, o primeiro bonde de dois andares do mundo foi colocado em operação em Hong Kong, e Hong Kong continua a ser o único elétrico double-decker no mundo.

Outras fontes de energia[editar | editar código-fonte]

Em alguns lugares, outras formas de energia foram usadas para alimentar o bonde. Em Hastings, Estocolmo e Karachi, são usados motor a gasolina. Os bondes de Lytham St Annes utilizam motor a gás. Paris operou bondes que foram alimentados por ar comprimido com o sistema Mekarski. Em Nova York, algumas linhas menores usaram baterias de armazenamento; uma longa linha de bondes a bateria funcionou a partir de Milão até Bergamo (cerca de 60 quilômetros) durante os anos 1950.

A Galveston Island Trolley, no Texas, opera bondes a diesel devido à localização propensa a furacões da cidade, os quais resultariam em danos frequentes a um sistema de alimentação elétrica.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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