Funicular

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Ascensor da cidade de Hastings, Reino Unido.
Típico ascensor da cidade de Valparaíso, Chile. O esquema deste repete-se em todos os demais à exceção do Polanco, que é vertical.

Denomina-se funicular a um tipo especial de caminho de ferro utilizado para subir grandes pendentes. Não se deve confundir com os caminhos de ferro dotados de planos inclinados. Circula sobre carris e normalmente dispõe de duas cabinas enlaçadas por um cabo de aço sobre uma via de caminho de ferro, tal como um ascensor inclinado, de tal forma que enquanto um veículo sobe o outro baixa, o que permite aproveitar a energia potencial do que fica na parte superior para subir o inferior à medida que se trava o que está baixando. O seu nome deriva do latim, funiculus, diminutivo de funis, que significa "corda".

Os vagões podem compartir a mesma via salvo no ponto médio, donde se bifurca para que possam passar à vez. Os veículos carecem de motorização própia, já que o movimento imprime-lhe um motor que aciona uma grande roldana, que por sua vez move o cabo de tração. Não obstante, os veículos estão dotados de vários sistemas de travagem, tanto de serviço como de urgência, este último em caso de falha nas instalações (rotura ou quebra do cabo, etc.) ou nos veículos.

Este meio de transporte foi criado em meados do século XIX como uma alternativa às vias de caminho de ferro, como meio de vencer grandes pendentes.

Este transporte tem grandes vantagens, pela sua segurança, funcionalidade e capacidade de transporte e a sua adaptação tanto às zonas urbanas como às de montanha, e por isso novamente ficaram na moda. Hoje em dia na Europa existem mais de duzentos funiculares em serviço.

Funicular da cidade de Los Angeles, Estados Unidos.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Os primeiros funiculares começaram por funcionar à força da água: uma roda de água puxava o veículo ao longo do percurso; este meio de transporte era utilizado como apoio ao embarque e desembarque de navios que circulavam em canais. Um dos primeiros funiculares foi construído, em 1777, no Tyrone Canal, na Irlanda.

No século XIX, o começo da era dos canais fez com que este sistema se expandisse e evoluísse. A roda de água foi substituída pela tracção animal, que mais tarde veio dar lugar à técnica de contrapeso de água, passando este a ser o mecanismo preferencial. Mais tarde, a tração elétrica foi também adotada para a locomoção de funiculares.

O primeiro funicular do mundo, acionado por uma máquina de vapor, foi o que unia Rue Terme com Croix Rousse e foi inaugurado em Lyon no ano 1862.

Depois do primeiro funicular, os seguintes foram:

A primeira aplicação para transporte de passageiros fez-se em Dusino, Itália, e um ano depois em Lyon, França, para superar rampas de planos inclinados de até 60%.

O primeiro funicular com motor elétrico foi o da Suíça. A partir de então, começou a haver mais e mais funiculares, e na Europa chegaram a circular mais de trezentos.

Funiculares no Brasil[editar | editar código-fonte]

Funicular Gonçalves, Salvador, Bahia.

Para vencer a grande altitude da serra do mar de São Paulo sem criar um trecho excessivamente longo, os ingleses da São Paulo Railway adotaram um sistema funicular, o hoje conhecido por Primeiro Funicular da Serra construído em Paranapiacaba, subdistrito de Santo André.

Esse sistema vencia os quase 800 metros de altitude da Serra por meio de 4 planos inclinados, com 10% de inclinação cada plano, totalizando um percurso de 8 quilômetros. A cada plano, a composição trocava de máquina para prosseguir viagem.

Apesar de parecer um sistema fascinante, o funicular foi duramente criticado por Sud Mennucci, que o considerava um “(…) estapafúrdio trambolho (…) que só o tradicional carrancismo dos ingleses admitia e conservava.” (MENNUCCI, 1947: s.p.), superado com vantagens pela simples aderência do ramal Mairinque-Santos da Estrada de Ferro Sorocabana, construído em 1935.

Funiculares na Colômbia[editar | editar código-fonte]

Vagão do funicular do monte Monserrate.

Bogotá[editar | editar código-fonte]

O funicular que sobe ao monte de Monserrate foi inaugurado em 1929, avança a 3.2 metros por segundo, sobe até aos 3.152 msnm e conta com tetos de vidro para observar a paisagem.

Funiculares em Espanha[editar | editar código-fonte]

Em Espanha há 13 funiculares em funcionamento. O mais antigo é o do Tibidabo, em Barcelona, inaugurado em 1901. O mais recente é o de Río de la Pila, em Santander, inaugurado em 2008.

Funicular Río de la Pila em Santander.

Funiculares no México[editar | editar código-fonte]

No México somente há um funicular em funcionamento. O Funicular de Guanajuato situado na cidade de Guanajuato, Guanajuato, e foi inaugurado em 2001.[1]

Funiculares no Perú[editar | editar código-fonte]

Na central hidroelétrica de Matucana Pablo Boner, situada no distrito de San Jerónimo de Surco, provincia de Huarochirí, Lima, e no balneário de Curayacu, em San Bartolo, Lima encontram-se os dois únicos funiculares funcionando do Perú.

Funiculares em Portugal[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de funiculares de Portugal

O primeiro funicular em Portugal, e também na Península Ibérica, foi o Funicular do Bom Jesus, em Braga. O projeto foi do engenheiro suíço Nikolaus Riggenbach e foi inaugurado em 1882. Foi nessa obra que se notabilizou o engenheiro português de ascendência francesa Mesnier du Ponsard, que veio a constituir a Companhia dos Ascensores em Lisboa. Foi aí que construiu grande parte da sua obra, na qual se destacam o elevador de Santa Justa, o elevador do Lavra, o elevador da Glória e o elevador da Bica.

Funicular de Heidelberg, Alemanha (secção superior). Destaca-se o cabo e o cruzamento das vias.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Travel by Mexico (2012). «Funicular de Guanajuato, Guanajuato» (em espanhol). Consultado em 24 de maio de 2014