Ferromodelismo

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Maquete do Clube de ferromodelismo de Toronto.

O ferromodelismo, ferreomodelismo (português brasileiro) ou modelismo ferroviário (português europeu) é um hobby, que consiste na construção de modelos de transporte ferroviário (trens, bondes, automotrizes, cenários etc.), em escala reduzida.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Exposição de ferromodelismo da Elektroinstallation Oberlind na Alemanha em 1953.
Mike, Jack, Steve e Susan Ford brincando com seu modelo de ferromodelismo em 1962.

As primeiras miniaturas de trens das quais se tem notícia, foram fabricadas por artesãos alemães na década de 1830. Essas miniaturas feitas de latão, eram frágeis não tinham partes móveis e eram empurrados sobre trilhos. Logo os franceses criaram sua versão do brinquedo, esta, sendo melhor decorada com pinturas mais sofisticadas, no entanto não corriam em trilhos. Ao invés disso, eram empurrados no chão. Berço da revolução industrial, os fabricantes de brinquedos ingleses encararam a miniaturização de trens de forma mais séria. A construção de um dos primeiros modelos movidos à vapor, é atribuída a Sir Henry Wood. É interessante notar que os artesãos europeus dedicados à fabricação de instrumentos musicais foram os primeiros a se dedicar a fabricação de trens de brinquedo, e logo passaram a utilizar mecanismos de relógios para eliminar os problemas das primeiras versões à vapor. Modelos complexos feitos de bronze foram feitos para crianças de famílias ricas pela Newton & Co. de Londres, no entanto, não eram realistas, nem seguiam uma escala.[1]

Como os modelos europeus eram muito caros para que fossem comercializados nos Estados Unidos, os fabricantes locais se apressaram em produzir réplicas de trens em massa, para o competitivo mercado interno. Mathias Baldwin, fundador da Baltimore Locomotive Works, fez um modelo de trem de passageiro na década de 1830. Já ao final daquela década, vários outros fabricantes de modelos em escala já estavam produzindo suas próprias versões. A George Brown & Co. de Connecticut produziu o primeiro modelo de trem americano com propulsão própria, utilizando mecanismos de relógio. Os modelos de trens americanos eram mais resistentes, mais autênticos, e sofisticados que os europeus. Entre 1860 e 1890, durante a "era dourada" das miniaturas de trens, muitos fabricantes adquiriam fama e chamaram a atenção do público, como por exemplo: Ives; Hull & Stafford; Althof Bergman & Co; Francis, Field & Francis; e James Fallows. Entre a década de 1890 e o início da década de 1900, fabricantes de brinquedos americanas produziram réplicas de trens a preços bastante razoáveis permitindo que a maioria das famílias de classe média pudessem comprar esses modelos de trens para os filhos, e com o aumento da demanda veio também a exigência de maior realismo e autenticidade por parte dos fabricantes.[1]

Não demorou para que o público demandasse mais do que apenas as locomotivas. Eles queriam comprar sistema completos e cada vez mais complexos, com pistas em vários formatos, carros de passageiros, vagões de carga e réplica de estações. Enquanto isso, um fabricante de brinquedos alemão, Theodore Marklin, um dos mais bem-sucedidos da Europa, introduziu a primeira pista dividida em seções em forma de oito. Foi ele também quem produziu a primeira miniatura de trem movida à eletricidade da Europa. Durante a Exposição Universal de 1900 de Paris, um fabricante de brinquedos alemão, Stefan Bing, e a firma britânica Bassett-Lowke formaram uma parceria para produzir réplicas de trens mais autênticas na Europa. As ações de Bing despertaram o interesse público de colecionadores de trens ao distribuir um livro sobre o processo de montagem chamado "The Little Railway Engineer". Com a popularização das pequenas miniaturas na virada do século, muitos fabricantes que se tornaram "lendários" surgiram nos Estados Unidos, como: Ives, Lionel e American Flyer que se tornaram as mais populares do ferromodelismo americano. A Ives, fundada em 1868, tinha um slogan característico: "Ives toys make happy boys" e era bem conhecida pela qualidade das suas réplicas e seu serviço de reposição de peças.[1]

A Lionel, fundada no início da década de 1900 por Joshua Lionel Cohen, produziu as mais famosas réplicas de todas. A empresa começou fabricando pequenos motores elétricos para as pequenas réplicas, mas logo após a Primeira Guerra Mundial, tornou-se a maior fabricante de réplicas de trens. Uma das razões do sucesso era que os trens da Lionel eram mais realísticos que os de todas as outras, com motores potentes e construção resistente. Eles se tornaram o "padrão de excelência" americano para a construção de réplicas de trens. Além disso, a Lionel pintava seus trens com cores brilhantes e chamativas, que estimulavam compradores e colecionadores de todas as idades. A American Flyer, "explodiu" no mercado de réplicas com trens numa escala maior e mais baratos durante a década de 1920. Os seus trens de passageiros com decoração elaborada foram um grande sucesso. A agressiva Lionel, no entanto, surpreendeu novamente oferecendo modelos ainda mais impressionantes. A American Flyer sucumbiu em 1967. Depois da Segunda Guerra Mundial, as réplicas se tornaram ainda mais detalhistas e funcionais, o que foi muito apreciado por colecionadores. Adultos e crianças hoje em dia, constroem layouts tão realistas e elaborados que os observadores ficam encantados com os pequenos trens em movimento. Eles se reúnem com suas famílias e amigos para reestabelecer o amor pela "era dos trens" e pelas memórias de infância.[1]

Com o passar do tempo, o modelismo em geral e o ferromodelismo em particular deixou de ser encarado como apenas um nicho na linha de produção de fábricas de brinquedos, exigindo dedicação exclusiva dos seus fabricantes. Atualmente, a única empresa que produz artigos de ferromodelismo comercialmente na América do Sul, é a Indústrias Reunidas Frateschi, fundada em 1958,[2] comumente chamada simplesmente de Frateschi, localizada em Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

Ferromodelismo ou ferreomodelismo?[editar | editar código-fonte]

De acordo com as regras de formação de palavras, o primeiro elemento não pode ser um adjetivo se o segundo for um substantivo. Em outras palavras, "modelismo" é um substantivo, então o primeiro elemento não poderia ser adjetivo (férreo), e sim outro substantivo (ferro). Portanto o termo correto é ferromodelismo.[3]

O primeiro termo "ferreo" caiu no gosto popular (no Brasil) devido à associação direta com trem de ferro, e não com o principal material utilizado no hobby, como no caso do plastimodelismo, dando a ideia de miniaturas feitas em metal.

Em Portugal é mais comum a designação "modelismo ferroviário".

Para pesquisas em inglês, o termo correto é: "Rail transport modelling".

Estima-se que existam entre 4 e 12 mil ferreomodelistas em todo o Brasil.

Fabricantes de ferromodelismo[editar | editar código-fonte]

Uma maquete de ferrovia Exeter Bank australiana em escala HO.
Uma maquete de ferrovia australiana em escala O.
Um modelo de locomotiva movido à vapor num museu finlandês.
Uma pequena locomotiva de 5 polegadas de bitola na ferrovia em miniatura daWagga Wagga Society of Model Engineers em Wagga Wagga, Austrália.

Clubes ou Associações de ferromodelismo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Maquete Modular de ferromodelismo do FCABC.

 Distrito Federal[editar | editar código-fonte]

  1. SMFB - Sociedade de Modelismo Ferroviário de Brasília - Brasília

 Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

  1. AMF - Associação Mineira de Ferromodelismo (Desde 1964) - Belo Horizonte
  2. GVPMCF - Grupo Viçosense de Preservação da Memória e Cultura Ferroviária - Viçosa
  3. SMMF - Sociedade Mineira de Modelismo Ferroviário - Belo Horizonte

 Paraná[editar | editar código-fonte]

  1. ALLFe - Associação Ludo-Londrinense de Ferromodelismo (ALLFe) - Londrina
  2. APF - Associação Paranaense de Ferreomodelismo e Memória Ferroviária - Curitiba

 Pernambuco[editar | editar código-fonte]

  1. APEFE - Associação Pernambucana de Ferromodelismo e Preservação Ferroviária - Recife

 Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

  1. ABPF-RJ - Associação Brasileira de Preservação Ferroviária - Regional Rio de Janeiro
  2. AFERJ - Associação de Ferromodelismo do Estado do Rio de Janeiro (Estação de Barão de Mauá) - Rio de Janeiro
  3. AFMF - Associação Fluminense de Modelismo Ferroviário (Clube do Trem) (Praça da Bandeira) - Rio de Janeiro
  4. Venerável Ordem 1ª da Confraria do Trem (Grupo não oficial) - Rio de Janeiro

 Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

  1. AGAFER - Associação Gaúcha de Ferromodelismo - Porto Alegre
  2. ASCAFER - Associação de Ferromodelismo de Caxias do Sul - Caxias do Sul
  3. CLUBE SUL - Clube Sul de Modelismo - Porto Alegre

 Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

  1. AMJ - Associação de Modelismo de Joinville - Joinville

 São Paulo[editar | editar código-fonte]

  1. ABF - Associação Bebedourense de Ferromodelismo - Bebedouro
  2. ABF - Associação Botucatuense de Ferromodelismo - Botucatu
  3. ABM - Associação de Ferromodelismo e Preservação Ferroviária Barão de Mauá - Ourinhos
  4. AFA - Associação de Ferromodelismo de Araraquara - Araraquara
  5. AFEBS - Amigos Ferromodelistas da Baixada Santista - Santos
  6. AFESB - Amigos Ferromodelistas de São Bernardo do Campo e Região - São Bernardo do Campo
  7. AGFEMF - Associação Garcense de Ferromodelismo e Memoria Ferroviária - Garça
  8. AJFPF - Associação Jundiaiense de Ferromodelismo e Preservação Ferroviária - Jundiai
  9. AMFEC - Associação de Modelismo Ferroviário de Campinas - Campinas
  10. AMOLA - Associação de Modelismo da Lapa - São Paulo
  11. ANPF Ferreomodelismo - Associação Nacional de Preservação Ferroviária - Dept° de Ferromodelismo - Sabaúna
  12. APFFB - Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru - Bauru
  13. ARF - Associação Ribeirão-pretana de Ferromodelismo - Ribeirão Preto
  14. ASPAFER - ASPAFER - Associação Paulinense de Ferromodelismo e Preservação Histórica - Paulínia
  15. CPMF - Clube Paulista de Modelismo Ferroviário - São Paulo
  16. FCABC - Ferroclube do ABC - São Paulo
  17. NFEFPP - Núcleo de Ferromodelismo da EFPP - São Paulo
  18. GMMS - Grupo Maquete Modular de Sorocaba - Sorocaba
  19. SBF - Sociedade Brasileira de Ferromodelismo - São Paulo

Escalas[editar | editar código-fonte]

Maquete de ferromodelismo na escala-Z (1:220) exibindo uma locomotiva à vapor "2-6-0 Mogul" e um limpa-neves artesanal (amarelo em primeiro plano).
Nome:Escala/Bitola
21:22,564 mm
G1:22,545 mm
11:3245 mm
01:4832,75 mm
0n301:4816,5 mm
0n21:4812,5 mm
001:7216,5 mm
001:7616,5 mm
H01:8716,5 mm
H0e1:879 mm
TT1:12012 mm
N1:1609 mm
Z1:2206,5 mm
T1:4503 mm
T1:4803 mm

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Linda L. Coulter. (1993). "History of model trains". Friends 'n Neighbors. Visitado em 20/06/2015.
  2. Frateschi 40 anos A empresa Indústrias Reunidas Frateschi Ltda.. Visitado em 20/06/2015.
  3. ferromodelismo léxico: dicionário de português online Léxico.pt. Visitado em 20/06/2015.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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