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Pedra da Gávea

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Pedra da Gávea
Neblina na Pedra da Gávea em maio de 2012.
Coordenadas 22° 59′ S 43° 17′ W
Altitude 842 m
Localização Rio de Janeiro, Brasil
Cordilheira Serra do Mar

Pedra da Gávea é uma montanha monolítica na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, Brasil. Composta por granito e gneisse, a sua elevação é de 844 metros, tornando-se uma das montanhas mais altas do mundo às margens do oceano.[1] As trilhas na montanha foram abertas pela população agrícola local nos anos 1800; hoje, o local está sob a administração do Parque Nacional da Tijuca.[2]

A meteorização diferenciada em um dos lados da rocha criou o que é descrito como um rosto humano estilizado. As marcas na outra face foram descritas como uma inscrição. Geólogos e cientistas estão quase de acordo de que a "inscrição" na verdade o resultado da erosão e que o "rosto" é um produto de pareidolia. Além disso, o consenso de arqueólogos e acadêmicos no Brasil é que a montanha não deve ser vista como um sítio arqueológico.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Pedra da Gávea ao amanhecer
Pedra da Gávea, Rio de Janeiro
A Avenida Mendes de Morais, em São Conrado, com a Pedra da Gávea ao fundo.
Barra da Tijuca com a Pedra da Gávea ao fundo.

O nome da montanha foi-lhe dado durante a expedição do capitão Gaspar de Lemos em 1501, da qual participou igualmente Américo Vespúcio e na qual a baía do Rio de Janeiro (hoje Baía de Guanabara) também recebeu seu nome. A montanha, uma das primeiras no Brasil a receber um nome português, foi nomeada pelos marinheiros da expedição, que reconheceram em sua silhueta o formato de um cesto de gávea ao vê-la em 1 de janeiro de 1502. Esse nome, por sua vez, veio a ser dado à região da Gávea Pequena e para o atual bairro da Gávea da cidade do Rio de Janeiro.[3]

Geologia e ecologia[editar | editar código-fonte]

Localizada na Cordilheira da Tijuca,[4] a Pedra da Gávea tem 842 metros de altura e é um domo de granito.[2] O topo plano da montanha é coberto com uma camada de 150 m de altura de granito, enquanto debaixo, o montículo é feito de gneisse.[5][6] O primeiro data de cerca de 450 milhões de anos atrás, enquanto o último data de 600 milhões de anos.[4] A montanha, bem como outros afloramentos de pedra dentro e ao redor da área, é o resultado de rochas granitoides neoproterozoicas mais jovens e finos diques de diábase do Cretáceo que penetram em rochas metasedimentárias meso-neoproterozoicas mais velhas.[7]

A zona de contato entre o granito superior e o gneisse inferior é sub-horizontal e semi-gradual. Os xenólitos de gneisse têm uma forma tabular, que sugere que foram pesadamente capturados do assoalho de uma câmara de magma pelo desprendimento térmico. Sugeriu-se que Pedra da Gávea "corresponde ao fundo de uma câmara granítica de magma e a espessura original do corpo granítico era muito maior do que a exposição presente". O corpo granítico da Pedra da Gávea poderia também corresponder à extensão oriental do Maciço de Granito da Pedra Branca, de acordo com Akihisa Motoki et al.[8]

A meteorização diferenciada da incisão do lado norte da montanha, produziu cavidades debaixo da cúpula de granito.[1][9] A abóbada abrupta é o resultado do granito mais durável que resistiu ao desgaste causado pelo clima mais do que o gneisse, que é mais macio.[1] Além disso, a erosão desgastou gravuras nos lados da montanha.[10][11][12]

A montanha é arborizada por limoeiros, laranjeiras, árvore-do-pão, bananeiras, mamoeiros, assim como canas e roseiras.[12]

Interesse arqueológico[editar | editar código-fonte]

Há uma suposta inscrição esculpida na rocha, que alguns afirmam estar em fenício, uma língua semítica conhecida pelos estudiosos modernos apenas através de inscrições. De acordo com Paul Herrmann em seu livro Conquests by Man, a inscrição na montanha era conhecida há algum tempo, mas tinha sido meramente atribuída a "algum povo americano pré-histórico desconhecido".[13] Um exame mais detalhado, no entanto, levou alguns pesquisadores a acreditarem que era de origem fenícia.[13]

Atualmente, no entanto, a maioria dos pesquisadores sugere que a inscrição e o "rosto" são meramente resultados do processo natural de erosão.[10][11][14] Em meados da década de 1950, o Ministério da Educação e Saúde do Brasil negou que o local apresentasse qualquer tipo de escrita, declarando "que o exame feito por geólogos havia provado ser nada mais do que o efeito da erosão do tempo o que parecia ser uma inscrição".[15] Arqueólogos e estudiosos brasileiros adotaram uma atitude negativa em relação ao tratamento do local, com Herrmann observando que "a arqueologia brasileira nega totalmente a existência da inscrição fenícia em qualquer parte do país".[15]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

A pedra da Gávea foi usada como cenário de vários filmes brasileiros. Em Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, a pedra era o túmulo de um rei fenício.[16]

No filme de 1989, Os Trapalhões na Terra dos Monstros, a personagem interpretada por Angélica, a filha de um rico proprietário de uma indústria de papel, foge e vai parar em uma caverna que esconde um mundo cheio de monstros, localizada no interior da Pedra da Gávea.[17]

Vista panorâmica do litoral do município do Rio de Janeiro a partir do topo da Pedra Bonita, em São Conrado, com destaque para o Morro Dois Irmãos (esquerda), a Pedra da Gávea (centro) e a Barra da Tijuca (direita).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c de Menezes Medina, Antonio Ivo; Shinzato, Edgar. «Pedra da Gávea» (em Portuguese). Geological Survey of Brazil (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). Consultado em 23 de outubro de 2013 
  2. a b «Pedra da Gávea». SummitPost.org. Consultado em 10 de setembro de 2013 
  3. «Pedra da Gávea e a mística Cabeça do Imperador». Montanhas do Rio (em Portuguese). montanhasdorio.com.br. 2004. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  4. a b Jones, Fred (1973). «Landslides of Rio de Janeiro and the Serra das Araras Escarpment, Brazil». Universidade da Califórnia. Geological Survey Professional Paper. 697–699: 11. Consultado em 10 de setembro de 2013 
  5. Migoń (2010), p. 93.
  6. Twidale (1982), p. 74.
  7. Migoń (2010), p. 92.
  8. Motoki, Akihisa; et al. (2005). «Contato Intrusivo na Base do Corpo Granítico da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro». Sociedade Brasileira de Geologia: 1. Consultado em July 31, 2014  Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  9. Migoń (2010), p. 94.
  10. a b Barbosa, Januário da Cunha; Porto Alegre, Manuel de Araújo (1839). «Relatório Sobre a Inscrição da Gávea». Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. RIHGB: 86–91. Consultado em 9 de setembro de 2013  Note: To find the article, one must search for the term "Gávea".
  11. a b Turin (2005), p. 103.
  12. a b Clark, T. Cooper (1922). «The XXth International Congress of Americanists». Indiana University. The Pan-American Magazine and New World Review. 36: 286–287. Consultado em 9 de setembro de 2013 
  13. a b Herrmann (1954), p. 212.
  14. Waggoner (2008), pp. 1–650.
  15. a b Herrmann (1954), p. 214.
  16. «Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa». Adoro Cinema. 6 de abril de 2016. Consultado em 21 de outubro de 2016 
  17. Rodrigo de Oliveira (6 de abril de 2016). «Os Trapalhões na Terra dos Monstros». www.papodecinema.com.br. Consultado em 21 de outubro de 2016 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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