Igreja de Santa Rita de Cássia (Rio de Janeiro)

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Fachada da igreja em 1844, antes da reforma do frontispício, em pintura de Eduard Hildebrandt
Aspecto atual
Aspecto do interior

A Igreja de Santa Rita de Cássia é um templo católico de importância histórica e artística da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, tombado pelo Iphan em 1938.

História[editar | editar código-fonte]

Sua fundação se deve a Manoel Nascentes Pinto e sua esposa Antonia Maria, proprietários de um quadro a óleo com a efígie da mística italiana. Tendo crescido a devoção popular a Santa Rita, cujo culto doméstico fora aberto ao público, decidiram adquirir uma imagem em talha para ser o orago da futura capela. Essa imagem permaneceu na igreja de Nossa Senhora da Candelária enquanto a capela não ficou pronta.

O terreno da igreja foi comprado em 1718, a pedra fundamental foi lançada em 1719 e em 1721 o casal doou à mitra a capela-mor, sacristia e consistório, além de alfaias doadas pelo casal Pinto.[1]. No entanto, exigiram os privilégios de padroado sobre a igreja, o que levou a um litígio com a diocese, só resolvido anos depois com a desistência do pleito por parte do filho de dom Manoel, Ignacio Nascentes Pinto.

Naquele ínterim, a família conservou a igreja consigo, a título de oratório particular. A nave foi concluída em 1728, como está registrado na fachada. A família desistiu da igreja certamente a partir de 1741, mais ou menos na mesma época em que os pretos novos falecidos antes da venda como escravos passaram a ser enterrados ali.[2]

A antiga irmandade de Santa Rita, constituída quando da doação, foi transformada na Irmandade do Santíssimo Sacramento de Santa Rita quando o templo foi elevado à condição de matriz paroquial da área que então era o subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. O território da freguesia de Santa Rita compreendia o bairro da Vila Verde (parte norte do Centro), os morros de São Bento e Conceição, e as enseadas do Valongo e Gamboa.

A criação em paróquia observou as seguintes datas: sede de freguesia por provimento de 9 de janeiro de 1749; desmembramento do território de Nossa Senhora da Candelária a 29 de janeiro de 1751, ereção em vigaria a 5 de maio de 1753, apresentação do primeiro pároco perpétuo, João Pereira de Araújo e Azevedo, no dia 29 do mesmo mês.

Entre 1753 e 1759, foram refeitos o frontão, o coruchéu da torre e toda a talha do interior, que passou a mostrar um estilo rococó. Em 1763 a Irmandade do Santíssimo Sacramento adquiriu um terreno com casas nos fundos da igreja para a construção de instalações mais amplas para o consistório e sacristia, além de abrir espaço para a criação de outra irmandade, a de São Miguel e Almas. Em 1870 o frontispício lavrado foi substituído por um arco simples.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Em sua condição presente a igreja tem uma fachada relativamente sóbria, constituída de um retângulo com uma porta em arco pleno e duas janelas no piso superior, coroadas por vergas em arco abatido. Sobre a porta, onde antes havia um rico frontispício decorativo, hoje só existe um medalhão com uma imagem da padroeira. O frontão preserva sua forma rococó, com um óculo e volutas, encimado por uma cruz e ladeado por pináculos. Ao lado do corpo da igreja se ergue um campanário, com uma porta na base, acima uma janela, e sobre estes elementos um relógio e os arcos para os sinos. O coruchéu tem um formato bulboso, com quatro pináculos nos cantos.[1]

Interiormente possui uma nave única, capela-mor alongada e uma sacristia no lado esquerdo. Quatro altares laterais completam o conjunto, ostentando antiga estatuária do século XVII. A nave, com um teto abobadado, possui também dois púlpitos entalhados, tribunas, painéis de azulejos e um coro. A presença de um óculo sobre o arco do cruzeiro e uma claraboia no teto da capela-mor são detalhes incomuns nas igrejas brasileiras do século XVIII. Sua talha é rica e elegante, e é uma das poucas que sobreviveram intactas às reformas posteriores que alteraram a decoração de inúmeros templos barroco-rococós no Brasil. O retábulo-mor ainda preserva traços barrocos, tendo sido em parte reaproveitado o da primeira decoração. O modelo dos seus retábulos inspirou a decoração de outras igrejas cariocas, como a da Glória do Outeiro, da Lapa dos Mercadores e se Santa Cruz dos Militares. O teto da capela-mor mostra uma pintura do início do século XX ilustrando milagres de Santa Rita.[1]

Referências

  1. a b c d Oliveira, Myriam Andrade Ribeiro de & Justiniano, Fátima. Barroco e Rococó nas Igrejas do Rio de Janeiro. Série Roteiros do Patrimônio. Brasília, DF: Iphan/Programa Monumenta, 2008, pp. 23-31
  2. Nara Júnior, João Carlos (2016). Arqueologia da persuasão : o simbolismo rococó da Matriz de Santa Rita. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547303105. OCLC 1005460178 

Ver também[editar | editar código-fonte]

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