Pico das Agulhas Negras

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Pico das Agulhas Negras
Pico das Agulhas Negras
Pico das Agulhas Negras está localizado em: Brasil
Pico das Agulhas Negras
Coordenadas 22° 22' 48" S 44° 39' 42" O
Altitude 2791,55[nota 1]  m (9158 pés)
Isolamento 19,38 km
Localização  Rio de Janeiro e  Minas Gerais Brasil Brasil
Cordilheira Serra da Mantiqueira
Primeira ascensão 1919 por Carlos Spierling e Osvaldo Leal
Rota mais fácil Resende, RJ
Ponto culminante do estado do Rio de Janeiro, a quarta montanha mais alta do estado de Minas Gerais e a sexta montanha mais alta do Brasil.
Vista dos planaltos do parque nacional de Itatiaia com o pico das Agulhas Negras ao fundo
Placa de acesso ao pico das Agulhas Negras

O Pico das Agulhas Negras, com 2791.55 metros de altitude,[nota 1] é o ponto culminante do estado do Rio de Janeiro, o quarto ponto mais alto do estado de Minas Gerais, e o sexto mais alto do Brasil.[1] Apesar de se situar em uma zona tropical, o pico costuma registrar temperaturas negativas durante o inverno e ocasionalmente neve em anos excepcionalmente mais úmidos, atraindo curiosos de toda a parte do país.

Localização[editar | editar código-fonte]

O Pico das Agulhas Negras está localizado na Serra da Mantiqueira, entre os municípios fluminenses de Itatiaia e Resende, e o município mineiro de Bocaina de Minas, na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia.

O rio Preto, que tem 222 km de extensão e serve de divisa natural entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, tem sua nascente em Agulhas Negras. No interior do parque, o mais antigo do Brasil, existem outras montanhas com altitude superior aos dois mil metros de altura.

Medição da altitude[editar | editar código-fonte]

O pico das Agulhas Negras, até o início do ano de 2000, era considerado a quarta montanha em altitude no Brasil. Contudo, uma medição realizada pelo geógrafo Lorenzo Baggini, da Universidade de São Paulo (USP), demonstrou que a Pedra da Mina, localizada a poucos quilômetros, na divisa entre os municípios de Queluz e Passa-Quatro, era mais alta. Depois, através de medições e de estudos topográficos feitos em 2004 pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), no contexto do Projeto Pontos Culminantes do Brasil, confirmou-se as altitudes oficiais das montanhas. As novas medidas foram oficializadas ainda no mesmo ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[1]

Clima[editar | editar código-fonte]

Durante o inverno, de junho e agosto, a pluviosidade na região do Pico das Agulhas Negras diminui drasticamente, sendo frequente a ocorrência de baixas temperaturas. Em seu ponto culminante, não raramente, a temperatura pode chegar aos dois dígitos negativos, como em 1985, quando os termômetros marcaram -13 °C[2] .

O clima durante o inverno é seco e bastante frio, sendo comum a formação de geadas, cobrindo os campos e a vegetação da parte alta do Parque Nacional de Itatiaia com um fino manto de gelo.[3] A formação de sincelo, fenômeno em que a densa neblina se congela, também é registrada algumas vezes ao ano nas áreas vizinhas ao pico, como no Morro do Couto. Já a precipitação de neve, nos dias mais frios, é incomum, mas pode ocorrer acima dos 2400 metros de altitude. Em junho de 1985, ocorreu uma intensa e memorável precipitação de neve, de proporções pouco comuns para a região, sendo a terceira maior precipitação de neve do Brasil.[carece de fontes?]À época foi registrado acumulo de mais de 1 metro de neve nas partes mais altas, ao longo de 12 dias, e o pico pôde ser visto coberto de neve desde localidades adjacentes.

A ocorrência de neve não acontece todos os anos, como nas serras gaúchas e catarinenses, mas a quantidade de dias em que são registradas temperaturas negativas nas partes superiores da serra pode chegar até quarenta dias por ano. Acredita-se que a cada sete ou oito anos, a neve caia no pico com maior intensidade devido ao fenômeno climático conhecido por La Niña. As últimas nevadas oficiais no pico foram registradas em 2012[4] , 1988[5] e, é claro, em 1985. Nos últimos 31 anos, alega-se que a neve caiu 12 vezes - uma média de 1 nevada a cada dois anos, mas nos registros oficiais do Parque Nacional do Itatiaia somente constam três - uma a cada década. Os meses mais suscetíveis ao fenômeno são, em geral, junho e setembro, uma vez que os meses de julho e agosto são muito secos.

O monitoramento das temperaturas na serra da Mantiqueira vem sendo recrudescido ao longo dos anos, em grande parte por pesquisadores amadores fascinados pelas baixas temperaturas da região. Várias estações meteorológicas em diversos pontos da serra, como a estação PNI-Campo Belo, PNI-Furnas e PNI-Massena foram estabelecidas a partir da iniciativa privada de entusiastas, em parceria com setores da comunidade de climatologistas brasileira, desde o final de 2014[6] . Graças à empreitada, estão sendo coletados dados climáticos inéditos e significantemente mais detalhados sobre a região, o que tem causado surpresa à comunidade científica brasileira de meteorologistas. No meio do outono de 2016, por exemplo, a estação PNI-Furnas, idealizada por Arthur Chiovitti e Carlos Dias, apontou picos extremos de temperaturas negativas na região logo durante a primeira semana de maio. No dia 2 daquele mês fora registrado -9,4 °C no início da manhã e nos dias seguintes, as temperaturas mínimas ultrapassaram facilmente os -8 °C, aos 2450 metros, próximo à estação Posto-Marcão[7] .

Os verões e as primaveras tendem a ser mais úmidos e, portanto, mais chuvosos. Tempestades são frequentes nos meses de novembro a abril, tornando a escalada ao cume mais problemática. Durante as estações mais quentes, as temperaturas raramente excedem os 20°C e as minimas dificilmente caem para além de 0°C.

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Estação Furnas (Estação Furnas 2469 mts) Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 26,8 26,7 24,7 24,3 23,8 22,8 21,2 21,6 22,8 24,1 25,9 26,7 26,8
Temperatura máxima média (°C) 19,3 19,6 18,3 17,9 15,9 13,2 11,9 12,1 15,8 18,5 19,7 18,4 17,5
Temperatura média (°C) 11,7 12,1 11,6 10,9 9,4 8,7 7,7 8,4 9,5 10,2 12 11,7 10,6
Temperatura mínima média (°C) 8,4 8,7 7,7 6,2 5,7 5,1 4,8 5,3 6,4 7,5 8,1 9,3 7,3
Temperatura mínima absoluta (°C) 2,2 2,5 -0,2 −2,8 −9,6 −13 -11,4 -9,2 −6,3 −2,6 2,7 3,8 −13
Precipitação (mm) 39,9 33,8 24,5 30 36,7 21 9,5 7 25,8 27,5 35 31,5 521,1
Chuva (mm) 33,2 34,7 33,7 31,2 20,1 10 4,5 7 25,5 22,7 36,9 31,5 418,9
Neve (cm) 0 0 0 0 0 0,1 0,1 0,1 0,1 0 0 0 0,4
Dias com precipitação (≥ 0,2 mm) 12 8 9 7 7 4 3 2 3 5 9 11 77
Dias com chuva (≥ 0,2 mm) 7 6 8 7 6 3 2 0,7 0,8 3 3 0,84 35
Dias com neve (≥ 0,1 cm) 0 0 0 0 0 0,2 0,1 0,1 0,2 0 0 0 0,6
Umidade relativa (%) 85,7 84,7 81,5 80,1 76,7 74,5 75,6 72,4 74,8 80,1 82 85,1 79,1
Horas de sol 240,7 243,9 241,9 242,4 230,2 221,3 200,3 210,4 221 240,4 241,9 247,5 2 352,9
Fonte: Estação PNI-Furnas (normal climatológica de 1985−2016; recordes de temperatura: 1985-presente)[8]

Bioma[editar | editar código-fonte]

A flora da região apresenta plantas de florestas tropicais e temperadas, como a conífera denominada Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná ou pinheiro-nacional). Acima dos dois mil metros de altitude, a paisagem é convertida de florestas para campos de altitude, vegetação típica de regiões de latitudes médio-altas.

Primeira ascensão[editar | editar código-fonte]

A escalada até ao topo foi primeiro tentada por Franklin Massena em 1856. Outras tentativas falhadas foram feitas por André Rebouças em 1878 e Horácio de Carvalho em 1898, mas o cume só foi atingido em 1919, por Carlos Spierling e Osvaldo Leal.[9]

Acessos[editar | editar código-fonte]

O acesso ao pico das Agulhas Negras é feito pela a BR-354, estrada federal mais alta do Brasil, que chega a uma altitude de 1 670 m na entrada do parque nacional e faz divisa entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, num ponto chamado de Garganta do Registro. Essa estrada liga o distrito de Engenheiro Passos, localizado no município de Resende, ao município de Itamonte (Minas Gerais). O pico pode ser avistado desde a Via Dutra, na altura da região noroeste do município de Resende.[carece de fontes?]

Turismo[editar | editar código-fonte]

De seu cume é possível avistar vários pontos da região, como o Morro do Couto a segunda montanha mais alta do parque, também pode ser avistadas a Represa do Funil, a Serra Fina, a região de Visconde de Mauá, a vasta região do Vale do Paraíba, onde estão localizadas as cidades do eixo mais populoso do Brasil, o eixo Rio-São Paulo, e o Rio Paraíba, do qual origina o nome do vale.

A região é muito procurada por turistas que buscam se hospedar nos hotéis-fazenda próximos ao parque nos meses de inverno e por aventureiros que se instalam em acampamentos próximos ao pico para a prática de esportes radicais como o alpinismo, o trekking e o rapel, naquilo que é conhecido como turismo de aventura.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARVALHO, Horácio de. Itatiaia (relato de uma excursão ao pico das Agulhas Negras). Rio de Janeiro: Laemmert, 1900.

Notas e referências

Notas

  1. a b Medição revista por satélite/GPS pelo IBGE em 2004. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (13 de setembro de 2004). «Quatro picos brasileiros têm sua altitude alterada». 13 de setembro de 2004. Consultado em 3 de abril de 2013. 

Referências

  1. a b «Conheça as novas altitudes dos pontos culminantes brasileiros». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 04 de maio de 2012. 
  2. «No sul do estado do rio turista fazem bonecas de neve no inverno de 1985». "Jornal O Globo". Consultado em 11/05/2016. 
  3. «Parque Nacional do Itatiaia registra temperaturas negativas». Penedo Blog. 29 de julho de 2011. Consultado em 04 de maio de 2012. 
  4. «Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Parque Nacional do Itatiaia registra queda de neve». www.icmbio.gov.br. Consultado em 2016-05-11. 
  5. «idem». 
  6. «Brasil Abaixo de Zero - Índice». www.abaixodezero.com. Consultado em 2016-05-10. 
  7. «CLIMATERRA on Twitter». Twitter. Consultado em 2016-05-10. 
  8. «Estação Furnas 2469 mts.». PNI 1985–2016. PNI Estação Furnas. Consultado em 10/05/2016. 
  9. DOCUMENTAÇÃO DE IMAGENS DE MONTANHA - PARTE 4 IMAGENS BRASILEIRAS - Blog do Dubois