São João Marcos

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São João Marcos
  Cidade histórica do  Rio de Janeiro  
Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos
Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos
Localização
História
Fundado 1739
Despovoado 1940
Fundador João Machado Pereira
Características geográficas
População total (século XIX) 14 000 hab.

São João Marcos foi um antigo município do estado brasileiro do Rio de Janeiro, sendo despovoado e demolido na década de 1940, devido a formação da represa de Ribeirão das Lages para a produção de energia elétrica e abastecimento da cidade do Rio de Janeiro.

Em 16 de fevereiro de 1990, a Ponte Bela e as ruínas remanescentes do Conjunto Histórico de São João Marcos foram provisoriamente tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro.

História do São João Marcos[editar | editar código-fonte]

Formada a partir da abertura da estrada entre o Rio de Janeiro e São Paulo, ainda no governo de Luís Vaía Monteiro, com a instalação de lavouras e comércios de passagem, foi fundada em 1739 por João Machado Pereira, que em suas terras criou uma capela dedicada à São João Marcos.

Conheceu o apogeu quando da chegada da cultura do café, que fez a cidade atingir seu ápice no Século XIX, quando chegou a ter mais de 14 mil habitantes, com sua principal vila tendo dez ruas e dez travessas, onde havia um teatro, um hospital, dois clubes, um posto dos correios e duas escolas.

Até o Século XIX teve o nome de São João Marcos do Príncipe e o município era constituído das paróquias de São João Marcos (sede da Vila) e Nossa Senhora da Conceição de Passa Três.

Entre 1905 e 1907, a concessionária canadense da Light "The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power" arrendou e inundou um distrito rural de São João Marcos para a construção de uma usina hidrelétrica, que gerou a formação do lago da Represa de Ribeirão das Lajes.

Esse lago trouxe diversas epidemias para o local, como a malária, que dizimaram parte considerável da população local após o declínio da lavoura cafeeira, contribundo para sua decadência. Em 1943, a população restante foi deslocada para municípios vizinhos como Rio Claro (que era seu distrito), Mangaratiba, Itaguaí e Piraí, sendo que as águas da represa nunca cobriram a maior parte da antiga cidade.

Em 1939, a concessionária pretendia elevar o nível do lago para aumentar a capacidade da represa. Com o intuito de impedir isso, o antigo SPHAN, atual Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), fez o tombamento de São João Marcos. Mas um ano depois, em 1940, o local foi destombado por decreto de Getúlio Vargas, que desapropriou as terras da cidade. A matriz foi o último prédio da cidade, haja vista ninguém querer fazer a explosão, pois a população acreditava que destruir uma igreja seria um pecado, ao que um comerciante teria se habilitado a fazer a explosão, sendo utilizados vinte quilos de dinamite.

Atualmente parte de seu território é o terceiro distrito do município de Rio Claro, no Vale do Paraíba Fluminense, e a outra parte é o quarto distrito daquele mesmo município, com nome de Passa Três. As ruínas deste antigo município fluminense podem ser vistas às margens da rodovia RJ-149 entre os municípios de Rio Claro e Mangaratiba, onde foi construído um parque arqueológico mantido pela empresa Light S.A., com a finalidade de preservar sua memória.

Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos[editar | editar código-fonte]

Em 2008, o Instituto Light, mantido pela empresa LIGHT S.A., que tem como objetivo contribuir para a preservação histórica e cultural da região e para o desenvolvimento do turismo local, com patrocínio da Secretaria de estado da Cultura do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura e apoio de diversas instituições foi iniciado o projeto de construção do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.[1] No dia 9 de junho de 2011, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos foi oficialmente inaugurado.[2]

O Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, que é o primeiro sítio arqueológico urbano do Brasil integralmente resgatado por arqueólogos, é um museu a céu aberto no interior do Rio de Janeiro que preserva a história do Vale do Café. Um dos espaços culturais mais visitados do interior do estado do Rio de Janeiro, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, situado no município de Rio Claro, comemorou em 23 de junho de 2016 cinco anos de atividades que resgatam a memória da antiga cidade de São João Marcos, sua história e tradições culturais.

Patrocinado pela Light e pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e gerido pelo Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV), o Parque promoveu, desde a sua inauguração em 2011, mais de 40 eventos culturais. No mês do seu aniversário, contabilizou 50 mil visitantes, entre eles mais de 15 mil estudantes de escolas públicas, que visitaram o Parque dentro de um programa educativo estruturado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Light S.A. - Sala de Imprensa». light.com.br. Consultado em 30 de novembro de 2012. Arquivado do original em 25 de janeiro de 2010 
  2. «Inaugurado o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos em Rio Claro - A Secretaria | Cultura.rj». cultura.rj.gov.br. 13 de junho de 2011. Consultado em 30 de novembro de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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