Campo Maior (Piauí)

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Campo Maior

Campo Maior

  Município do Brasil  
Vista da praça cultural da beira do Açude de Campo Maior.
Vista da praça cultural da beira do Açude de Campo Maior.
Símbolos
Bandeira de Campo Maior
Bandeira
Brasão de armas de Campo Maior
Brasão de armas
Hino
Lema Terra dos Heróis do Jenipapo"
"Berço de Heróis"
Gentílico campomaiorense
Localização
Localização de Campo Maior no Piauí
Localização de Campo Maior no Piauí
Campo Maior está localizado em: Brasil
Campo Maior
Localização de Campo Maior no Brasil
Mapa de Campo Maior
Coordenadas 4° 49' 40" S 42° 10' 08" O
País Brasil
Unidade federativa Piauí
Municípios limítrofes Cabeceiras do Piauí, Nossa Senhora de Nazaré, Alto Longá, Novo Santo Antônio, Cocal de Telha, Jatobá do Piauí, Sigefredo Pacheco, Coivaras, José de Freitas, Altos e Barras (Piauí)
Distância até a capital 81 km
História
Fundação 8 de agosto de 1762 (260 anos)
Administração
Prefeito(a) João Félix de Andrade Filho (MDB, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 1 699,383 km²
População total (est. IBGE/2019[2]) 46 833 hab.
Densidade 27,6 hab./km²
Clima tropical
Altitude 125 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[3]) 0,675 médio
PIB (IBGE/2016[4]) R$ 526 317,81 mil
PIB per capita (IBGE/2016[4]) R$ 61 433,99
Sítio campomaior.pi.gov.br (Prefeitura)
campomaior.pi.leg.br (Câmara)

Campo Maior é um município brasileiro do estado do Piauí. Localiza-se à latitude 04º49'40" sul e à longitude 42º10'07" oeste, estando à altitude de 125 metros.

A localidade foi fundada por portugueses e elevada a Distrito em 1761. A criação da Vila se deu em 8 de agosto de 1762, data que é comemorada como aniversário da cidade. A conversão em município ocorreu em 28 de dezembro de 1899.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Ata de criação da Vila de Campo Maior e de ereção do monumento pelourinhal em 8 de agosto de 1762.

Em 13 de março de 1823, ocorreu em Campo Maior a Batalha do Jenipapo[6], a mais violenta batalha sangrenta pela Independência do Brasil, que teve papel decisivo para manter a unidade territorial do país. Consistiu na luta de vaqueiros, agricultores e outros trabalhadores contra as tropas do Major João José da Cunha Fidié, que cumpria ordens do Rei de Portugal, D.João VI, para que o norte do Brasil permanecesse sob o domínio português. O povo nativo, que lutava com facões e instrumentos de trabalho, perdeu a batalha, mas não a guerra. Tendo perdido parte de seu arsenal, Fidié seguiu para o Maranhão, onde foi rendido e preso.[7]

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A distância de Campo Maior à capital (Teresina) é de 84 km.

Desde o fim do século XX, seus limites são os seguintes:

  • Ao Oeste: com os municípios de Cabeceiras do Piauí e José de Freitas;
  • Ao Leste: com Jatobá do Piauí, Sigefredo Pacheco e Novo Santo Antônio;
  • Ao Norte: com Nossa Senhora de Nazaré e Cocal de Telha;
  • Ao Sul: com Altos, Alto Longá e Coivaras.

Aspectos climatobotânicos[editar | editar código-fonte]

A cidade caracteriza-se pela presença marcante da Carnaúba (Copernicia prunifera), que lhe rendeu o apelido de "Terra dos Carnaubais". O Açude Grande também apresenta destaque, encantando turistas que passam pela cidade. Outros pontos turísticos são a "Serra" de Santo Antônio, a Barragem dos Corredores, o Monumento aos Heróis do Jenipapo e a Catedral de Santo Antônio.

Relevo[editar | editar código-fonte]

O município de Campo Maior não possui grandes elevações e as planícies predominam na bacia sedimentar do Meio Norte, sendo sua baixada no rio Longá a de maior significação, onde há zonas intercaladas de "Cuestas" com chapadas de alitudes de 150 a 300 metros na parte Leste, em que ocorre surgimento da Serra de Santo Antônio e as elevações de acesso a Castelo do Piauí e Pedro II.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Banhado pelos rios Longá, Jenipapo, Surubim, Titara e Fundo, que não são perenes, e os riachos Longazinho, Pontilhão, Jatobá, Angelim, Pintadas, Camaleão, Salubre e as lagoas de Búfalo, Sucurujá, Batoque, Arraial, Tuturumbá e Olaria, o município possui dezenas de açudes e barragens, destacando-se pela sua localização privilegiada o Açude Grande, no perímetro urbano, e as barragens do Emparedado, Bananeiras, Bolqueirão, Corredores, Formiga, Surumbi e Estrela, que podem reter considerável volume de água durante os períodos normais de chuvas. Merecem destaque, tantos por suas belezas quanto para recanto de lazer e banhos, as cachoeiras - quedas d'águas - no rio Foge Homem, na fazendo Pedras Negras, do Jatobá, no rio Jatobá, do Gavião e dos Pereiras, no lugar Buritizinho, Bica do Amarante, no lugar Frutica/Macacos, e finalmente as bicas e piscinas natirais existentes na Serra de Santo Antônio.

Solo[editar | editar código-fonte]

Com formação de rochas do tipo "folhelhos" na formação Longá, a espessura variada que chega a atingir cerca de 150 metros, sofre um adelgaçamento para o sul, susceptível à erosão e acidez em grandes extensões. No subsolo há grandes reservas d'água e por isso Campo Maior já conta com mais de 300 poços perfurados e atendendo diversas comunidades e fazendas.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Pela determinação do clima e solo, o município possui preponderantemente a sua vegetação concentrada no cerrado em transição para caatinga, vegetação rasteira com pouca predominância de árvores. Os campos limpos - as campinas - são características muito marcantes na região e ocupando extensas áreas afiguram-se ser adequadas a pecuária e à produção de cera, matéria-prima extraída das carnaubeiras nativas, uma das principais riquezas da microrregião de Campo Maior. Na região leste, entretanto, caracterizada por solos areno-argilosos, de matas, encontram-se inúmeras variedades de árvores frondosas como o angico preto, branco, a candeia, a faveira, a gameleira, chapadeiro, mirindiba, oiticica, jatobá, pereiro, sapucaia, umurana, entre outras.

Sede da Prefeitura de Campo Maior
Sede da Câmara Municipal de Campo Maior

Política[editar | editar código-fonte]

O poder executivo do município de Campo Maior tem como chefe o prefeito, que escolhe seu gabinete de secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal. A sede da prefeitura está estabelecida no Palácio das Carnaúbas, na Praça Luiz Miranda.[8] O poder legislativo é constituído pela Câmara Municipal, atualmente composta por 13 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos, cabendo a eles o papel de fiscalizar e assessorar o executivo, além de elaborar leis sobre todos os temas de competência do município. A câmara de vereadores encontra-se instalada desde 26 de dezembro de 1994 no Palácio do Jenipapo[9][10]. Trata-se de uma edificação construída no fim do século XIX em uma colina na Praça Bona Primo; tem paredes com cerca de um metro de largura e possui elementos e adornos da arquitetura árabe.

Industrializadora de massas e rejuntes no município.

Economia[editar | editar código-fonte]

Sua economia está baseada principalmente na atividade comercial, agricultura, pecuária e extrativismo.

Além disso, a cidade dispõe de um grande potencial caprino-ovinocultor notadamente advindo da adaptabilidade das raças às condições edofoclimáticas da região.

Hospital Regional de Campo Maior.

Também é importante polo industrial cerâmico de fabricação de materiais de construção civil com várias industrias de telha e tijolo e de argamassas e rejuntes.[11]

Saúde[editar | editar código-fonte]

O município é servido por clínicas e hospitais da iniciativa privada e também, por ser cidade-pólo, sedia o Hospital Regional de Campo Maior, também conhecido como Hospital Regional Santo Antonio, inaugurado pelo governo do estado do Piauí nos anos iniciais da década de 1970. Ainda no setor de saúde pública tem a rede de Unidades Básicas de Saúde abrangendo a zona urbana e rural[12] e desde 13 de março de 2009 conta com uma base do SAMU, instalada anexa ao posto de saúde da antiga FSESP.

Periodicamente existe o Sabor Maior, um festival gastronômico e cultural, de realização da prefeitura de Campo Maior e do SEBRAE.[13]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Religião[editar | editar código-fonte]

Campo Maior é um polo religioso, contando com a Catedral de Santo Antônio, que atrai turistas para os maiores festejos católicos do estado.

Culinária[editar | editar código-fonte]

A "carne de sol" é prato obrigatório e marca registrada do município. Pode ser consumida também na forma de Paçoca e Maria Isabel.

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca Municipal de Campo Maior foi criada em 1940, através do Decreto-Lei Nº 38, de 29 de outubro de 1940, época da gestão do prefeito Francisco Alves Cavalcante.

Teatros[editar | editar código-fonte]

Dispõe do Teatro Sigefredo Pacheco, conhecido como teatro dos estudantes, com capacidade para cerca de 400 pessoas, e também possui o Cine-teatro Ludetana.[14]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

O município possui as rádios Heróis do Jenipapo, Meio Norte FM Campo Maior e Radio Verdes Campos Sat. A cidade também possui retransmissoras de TV das emissoras baseadas na capital Teresina.

Esporte[editar | editar código-fonte]

Futebol[editar | editar código-fonte]

A cidade de Campo Maior conta com dois clubes de futebol que disputam o campeonato piauiense: o Comercial e o Caiçara.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Monumento ao Vaqueiro Brasileiro, na Praça Bona Primo

Centro histórico[editar | editar código-fonte]

O centro histórico com casarios em arquitetura colonial e imperial se faz presente na estrutura de edificações da praça Bona Primo e entornos e conta com um raro cemitério iniciado em 1804.[15][16][17]

Palacete dos Pachecos[editar | editar código-fonte]

Sobrado na avenida José Paulino, centro de Campo Maior. O prédio é todo branco, de traços arquitetônicos pré-modernistas e com detalhes porticais. Sua preservação é de acordo com a Lei Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural Material e Imaterial. O palacete teve construção iniciada em fins da década de 1940, como propriedade da família Pacheco. O último membro da família a residir no palacete foi o ex-prefeito Ivon Pacheco, até morrer, em 1988.

Controvérsias sobre o hino do município[editar | editar código-fonte]

Desde 2012 que ha discussões entre a intelectualidade e matérias na imprensa de Campo Maior devido suspeitas de que a letra e a música do hino municipal se enquadre como um plágio da canção “Cidade Morena”, interpretada pela dupla Tonico & Tinoco, tanto que, em 24 de agosto de 2017 a Câmara Municipal de Campo Maior realizou uma audiência pública com a participação de professores de música, advogados e historiadores para começar a construir uma definição legal para o caso, conforme o princípio da autotutela , que manda que administração pública tem a competência para sanar seus atos quando eivados de erros ou de ilegalidades.[18]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. IBGE (10 de fevereiro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2019 
  2. «IBGE Cidades - Panorama». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 18 de julho de 2020 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2017 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 9 de março de 2019 
  5. «Histórico Campo Maior Piauí - PI». IBGE Cidades 
  6. MATTOS, João Batista de (Tenente-coronel). Os Monumentos Nacionais - Piauí. Rio de Janeiro; Imprensa Militar, 1949.
  7. SOARES, Sidney. Enciclopédia dos Municípios Piauienses. Fortaleza; Escola gráfica Santo Antonio. 1972.
  8. «Prefeitura Municipal de Campo Maior - Reconstruindo Campo Maior». Leufeitosa Designer. Consultado em 23 de novembro de 2022 
  9. «Página Inicial — Câmara Municipal». www.campomaior.pi.leg.br. Consultado em 23 de novembro de 2022 
  10. LIMA, Reginaldo Gonçalves de. Geração Campo Maior: anotações para uma enciclopédia. Teresina; Gráfica Junior, 1995.
  11. Anuário do Piauí, 2009.
  12. Anuário do Piauí 2013. Teresina: Gráfica e editora O Dia
  13. «Festival Sabor Maior é lançado em Teresina»  Agência SEBRAE. Acesso em 19 de novembro de 2015.
  14. Revista Presenca, várias edições, é a revista do Conselho Estadual de Cultura do Piauí
  15. MASCARENHAS, Marielly Ibiapina. Entre telhas e carnaúbas: breve história da arquitetura de Campo Maior - Piauí. Teresina; ed autora, 2012
  16. BARRETO, Paulo Thedim. O Piauí e Sua Arquitetura. Centro de Estudos Folclóricos. Rio de Janeiro, 1952
  17. MORAIS, Jéssica Gadelha. “Aqui jazem” muitas histórias: um estudo arqueológico do acervo histórico do cemitério Santo Antônio, em Campo Maior - Piauí (1804-1978). Dissertação ( Mestrado em Arqueologia). Universidade Federal do Piauí. Teresina, 2016, páginas 68 e 69.
  18. Hino de Campo Maior é um plágio da letra e melodia de “Cidade Morena”; Mais três cidades têm hino quase igual. Campo Maior em Foco. Acesso em 29 de agosto de 2017.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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