Mãe Beata de Iemanjá

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Mãe Beata de Iemanjá
Nome Completo Beatriz Moreira Costa
Nascimento 20 de janeiro de 1931 (85 anos)
Cachoeira, Bahia
 Brasil
Nacionalidade  brasileira
Ocupação Sacerdotisa (Ìyálòrìṣà)
Religião Candomblé
Portal da Religião

Mãe Beata de Iemanjá, Beatriz Moreira Costa (Cachoeira, 20 de janeiro de 1931) é uma mãe-de-santo brasileira. Além de escritora, atriz e artesã, desenvolve trabalhos relacionados à defesa e preservação do meio ambiente, aos direitos humanos, à educação, saúde, combate ao sexismo e ao racismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Beatriz Moreira Costa, mais conhecida como Mãe Beata de Iemanjá, nasceu em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira de Paraguaçu, Recôncavo Baiano, filha de Maria do Carmo e Oscar Moreira, seus exemplos de vida.

Sobre seu nascimento, Mãe Beata relata:

"Minha mãe chamava-se Do Carmo, Maria do Carmo. Ela tinha muita vontade de ter uma filha. Um dia ela engravidou. Acontece que, num desses dias, deu vontade nela de comer peixe de água doce. Minha mãe estava com fome e disse: 'Já que não tem nada aqui, vou para o rio pescar'. Ela foi para o rio, e, quando estava dentro d’água pescando, a bolsa estourou. Ela saiu correndo, me segurando, que eu já estava nascendo. E nasci numa encruzilhada. Tia Afalá, uma velha africana que era parteira do engenho, nos levou, minha mãe e eu, para casa e disse que ela tinha visto que eu era filha de Exu e Iemanjá. Isso foi no dia 20 de janeiro de 1931. Assim foi meu nascimento."

Na década de 1950, Mãe Beata muda-se para a cidade de Salvador, ficando aos cuidados de sua tia Felicíssima e o marido dela Anísio Agra Pereira (Anísio de Logun-ede, babalorixá). Durante dezessete anos, Beata (como é conhecida desde a infância) foi abiã de seu tio que, posteriormente, falece levando-a a procurar Mãe Olga do Alaketu que a inicia para o orixá Iemanjá no terreiro Ilê Maroiá Lájié. Sua mãe Maria do Carmo, antes de falecer, tutela a filha a sua ialorixá Olga do Alaketu.

Mulher, que mesmo presa a princípios tradicionais em razão da influência de uma família patriarcal, torna-se de vanguarda ao fazer cursos de teatro amador e participar de grupos folclóricos. Casa-se com Apolinário Costa, seu primeiro namorado, com quem teve quatro filhos (Ivete, Maria das Dores, Adailton e Aderbal).

Em 1969, Beata separa-se do marido e migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida para ela e sua prole – história comum a tantas outras mulheres negras nordestinas. Para as famílias tradicionais da Bahia, naquela época, mulher separada era mulher de ninguém, ainda mais com quatro filhos. Canta-se num samba-de-roda baiano: “samba bom é de madrugada, mulher sem homem não vale nada”. Por certo, não se enquadrava nesse perfil a figura dessa mulher ímpar em questão.

Beata cria seus filhos com muita dificuldade, porém de modo digno, exercendo várias funções (empregada doméstica, costureira, manicure, cabeleireira, pintora e artesã) para prover o sustento próprio e o da família. Trabalha como figurante na Rede Globo de Televisão, atividade resultante de contatos já existentes em Salvador, onde participou da novela “Verão Vermelho”, filmada na referida cidade. Logo após conseguiu trabalho como costureira na mesma empresa, função da qual se aposentou e mantém contatos de amizade até os dias de hoje.

Apesar de todas essas atividades e uma jornada árdua de mulher negra nordestina, ainda por cima com os fortes estigmas de mulher separada, Beata não se esquece dos seus laços religiosos – atuou em várias comunidades de terreiro no Rio de Janeiro mantendo e preservando sua descendência ancestral religiosa negra.

Ile Omiojuaro[editar | editar código-fonte]

Em 20 de abril de 1985 sua Mãe Olga do Alaketu vem ao Rio de Janeiro, no bairro de Miguel Couto, Nova Iguaçu, outorgar a sua filha-de-santo o direito de ser chamada de mãe. Daí, então, ocorre a fundação da Comunidade de Terreiro Ile Omiojuaro (Casa das Águas dos Olhos de Oxóssi) onde Mãe Beata de Iemanjá ocupa o cargo de ialorixá.

A partir desse momento, Beata passa a utilizar o espaço da Casa de Candomblé como referência da resistência da Cultura, Religião, Cidadania e Dignidade da população Afro-brasileira. Transmite à comunidade de forma natural toda sua experiência de luta, absorvida facilmente por todos, o que dá início a sua participação ativa em discussões sobre os problemas raciais, sociais e políticos.

Atividades Religiosas e Sociais[editar | editar código-fonte]

1985 – ano de fundação da comunidade de terreiro Ilê Omiojuarô de Beata de Iemanjá, por sua ialorixá Olga do Alaketu, em 20 de abril, no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu;

1987 – o Ilê Omiojuarô sedia o terceiro encontro regional da tradição dos Orixás, em 15 de novembro;

1989 – o Ilê Omiojuarô sedia o décimo encontro regional das religiões afro-brasileiras, em 28 de novembro;

1991 – Mãe Beata recebe da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro moção honrosa e congratulação pela militância e resistência da Cultura, Religião, Cidadania e dignidade da população afro-brasileira;

– em 20 de novembro, recebe o Diploma de Personalidade de Destaque da Comunidade Negra, mandato do deputado estadual Marcelo Dias, no Rio de Janeiro;

1992 – participa do Fórum Global/92 como cicerone e mentora religiosa no Encontro Mundial pela Paz, promovido pelo MIR/RJ;

– inicia o projeto social Ação e Viver, viabilizando a participação de jovens carentes da região e os integrando a Comunidade de terreiro, em 18 de maio, no bairro de Miguel Couto, Nova Iguaçu;

– recebe o Diploma de Honra ao Mérito da prefeitura do Município de Belford Roxo/RJ.

1994 – realiza no Ilê Omiojuarô o Fórum de Debates “Cidadania X Violência”;

1998 – inicia, em junho, o projeto de Capacitação Profissional para Jovens, em parceria com a Comunidade Solidária , capacitando profissionalmente, na área de informática, 25 (vinte e cinco) jovens carentes da região, integrando a comunidade de terreiro;

– promove na sua comunidade de terreiro a campanha “Natal sem Fome” da Campanha Nacional Contra a Miséria, Pela Vida e Cidadania, com distribuição de roupas, brinquedos e cestas básicas ä população carente da região;

1989 – Recebe Moção Honrosa e Congratulação pela Militância e Resistência da Cultura, Religião, Cidadania e Dignidade da População Afro-Brasileira da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ALERJ;

1999 – inicia, em março, a segunda turma do projeto Comunidade Solidária, capacitando profissionalmente, na área de informática, jovens carentes da Baixada Fluminense, em Miguel Couto/Nova Iguaçu;

– realiza oficinas de percussão para jovens de comunidade de terreiro da Baixada Fluminense;

2000 – em abril, comemora 15 (quinze) anos da fundação de seu terreiro, intensificando as atividades socioculturais;

– lançamento do CD “Cantigas de Orixás”, em Miguel CoutoNova Iguaçu;

– realização de oficinas de candomblé para não-iniciados, universidades, escolas públicas, eventos culturais e turísticos em Miguel CoutoNova Iguaçu;

2001 – participa da abertura do Rock in Rio, na tenda “Por um mundo melhor”.

2002 – parceria com o projeto ATOIRÊ – Desenvolvimento da Saúde nas Comunidades de Terreiros.

– parceria com a ONG Criola no desenvolvimento de projetos voltados para a saúde e direitos das mulheres negras;

– Projeto OKU ABO ESPAÇO SAGRADOeducação ambiental para religiões afro;

– parceria com a secretaria de Cultura de Nova Iguaçu;

– recebe o prêmio Orilaxé, do grupo cultural Afro Reggae, Rio de Janeiro.

I Simpósio Internacional de Contadores de Histórias – Um encontro para muitas vozes. PUC-RJ

Encontro sobre Memória e História dos Afro-Brasileiros e Afro-Norte-Americanos, PUC-RJ

2004 – em outubro, implanta em sua comunidade de terreiro o projeto “Acelera Jovem” em parceria com a ong Viva Rio, voltado para jovens entre 15 (quinze) e 25 (vinte e cinco) anos, que ainda não tinham completado o ensino fundamental;

– em novembro, recebe o prêmio Ossain da Rede Nacional de Religiões Afro e Saúde no Rio de Janeiro;

– participa da peça “Olhos d´Agua”, de autoria de Ismael Ivo, que retratava a discriminação racial através das vivências de três atrizes negras, uma delas Mãe Beata, na casa da cultura de Berlim, Alemanha.

2005 – recebe a Medalha de Mérito Cívico Afro-Brasileiro, homenagem conferida pela universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, em maio, São Paulo.

– Exposição fotográfica e digital “Beata Beatriz: Mãe Beata, 50 anos de axé". Fotografo Jorge Ferreira, Prefeitura de Nova Iguaçu.

-Debate: Aborto e religião. Rádio on line Fala Mulher

2007 –Homenagem 5º Bienal de Arte, Ciência e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE)

– Prêmio Diploma Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro da, conferido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro;

2008 – Prêmio Mulher Cidadã Bertha Lutz do Senado Federal.

2010 – Prêmio de Direitos Humanos conferido pelo Programa Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República

2015 - Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade do IPHAN

Encontros, Seminários e congressos[editar | editar código-fonte]

1988 – Conferência Estadual da Tradição dos Orixás – Debates Ecumenismo e Cultos Afros. Maio, Rio de Janeiro.

      Encontro da tradição dos Orixás, Religiões Afro-Brasileiras e seus Adeptos. Setembro, Rio de Janeiro.

1991 – Feira do Livro Afro-brasileiro – Seminário Xangô, o mito herói africano no Brasil. Outubro, Rio de janeiro.

1992 – Seminário “Planeta Fêmea Ética e Espiritualidade: Mulher e sagrado no século XXI”. Junho, Rio de Janeiro.

      Encontro “Médicas, bruxas e curandeiras”. Outubro, Tibá Bom Jardim – Rio de Janeiro.

1994 – Simpósio sobre Cultura e Religiosidade. Setembro, BerlimAlemanha.

Semana da Cultura Brasileira – Outubro, BerlimAlemanha.

Religião e Resistência Cultural – Outubro, Berlim – Alemanha.

1995 – Seminário Ervas Medicinas como Terapia. Novembro – Rio de Janeiro.

Pot-pourrit de Saúde – Folhas, Fé e Cura. Novembro – Rio de Janeiro.

300 Anos de Zumbi – Memórias de Resistência. Novembro – Rio de Janeiro.

1996 – Vigília Inter-religiosa de Oração pela Paz e pela Vida. Outubro – Minas Gerais.

1997 – Seminário A Comunidade Afro-brasileira e a Epidemia do HIV (AIDS). Julho, Rio de Janeiro.

Seminário em homenagem a Paulo Freire. Julho, Rio de Janeiro.

Feira de Exposição Afro-esotérica do Rio de Janeiro. Setembro.

Seminário Superando o Racismo. Outubro, São Paulo.

Seminário Candomblés Ontem e Hoje. Outubro, São Paulo.

Jornada Lélia Gonzalez. Dezembro, São LuizMaranhão.

1998 – Fórum Espiritual das Religiões Mundial. Julho, São FranciscoCalifórnia/EUA.

Seminário Internacional: Rota dos Escravos. Agosto, Brasília/ DF.

Seminário African Amerindian Performances From Brazil . Novembro, Nova Iorque/EUA.

2002 – 1º Simpósio Internacional de Contadores de História. Maio, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC/RJ.

2003 – Mesa Religiões e seus posicionamentos, Seminário Religião e Sexualidade: Convicções e Responsabilidades. Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, Rio de Janeiro.

2004 – Fórum Cultural Mundial: Seminário A Casa Brasil África. Agosto, São Paulo.

I JORNADA SÓCIO-CULTURAL AFRO-BRASILEIRA. Casa da Cultura da Baixada Fluminense, São João de Meriti, junho.

2005 – IV Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Abril, Belém do Pará.

Encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, em conjunto com mais quatro ialorixás para defender a constitucionalidade das cotas para a população negra na UERJ. Abril, Brasília/DF.

– Encontro com o Procurador Geral da República, com o objetivo de reivindicar a implementação da Lei 10.639/03, que determina o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas nacionais. Abril, Brasília/DF.

– Encontro com a ministra Nilcéia Freire para a exposição das necessidades das mulheres integrantes das Comunidades de Terreiro. Abril, Brasília/DF.

Seminário Promoção da Igualdade Racial no Mercado de Trabalho. Abril, Brasília/DF.

1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

2005 – Primeira Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Julho/agosto, Brasília/DF.

2005 – Congresso Internacional de Tradição e Cultura Iorubá. Agosto, UERJ.

2006 – Mesa Religião e herança cultural, “Orixás, voduns e inquices: tradição, pluralismo e diversidade”, II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, Savador/BA.

– Bênção de abertura: I ENCONTRO DE PERFORMANCE E POLÍTICA DAS AMÉRICAS

– Abertura Seminário Gênero e Etnia: Os Desafios da Responsabilidade Social. Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher, novembro de 2006.

Seminário Educação, cultura e justiça ambiental. Centro Cultural da Justiça Federal,

2007 – Debate As dimensões simbólica, econômica e cidadã da cultura: 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE, Rio de Janeiro.

Obras Publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Caroço de Dendê – a sabedoria dos terreiros: Como yalorixás e babalorixás passam conhecimentos a seus filhos (1997)
  • “Tradição e Religiosidade”, in WERNECK, Jurema (org.). O livro da saúde das mulheres negras. (2000)
  • As histórias que minha avó contava. (2005)

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]