Orixá

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Fotografia de um par de figuras gêmeas Ibeji, autenticado pelo Departamento de Antiguidades da Nigéria.

Os orixás (yoruba Òrișà; em espanhol Oricha; em inglês Orisha) são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos. Estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus Orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Na mitologia yoruba, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (branco), que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá, e os orixás Dudu (preto), que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô.

Carybè, rilievi degli orixas, 1968, 01.JPG
Carybè, rilievi degli orixas, 1968, 02.JPG
  • Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, orixá do ferro, guerra, agricultura, fogo, tecnologia, e da sobrevivência.
  • Oxóssi, orixá da caça, das florestas e matas, e da fartura.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô. Orixá dos raios e das ventanias.
  • Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
  • Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
  • Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e os animais.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos e tempestades. Também é a orixá das paixões.
  • Oxum, orixá feminino dos rios e cachoeiras, do ouro, das riquezas materiais e espirituais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
  • Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
  • Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. Mais velha orixá do panteão africano.
  • Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.
  • Óba, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas revoltas e redemoinhos nelas formados.
  • Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô. Está ligada às artes.
  • Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
  • Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, ancestral cultuado após a morte em casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Omolu, Orixá das doenças e suas curas.
  • Onilé, orixá do culto de Egungun, dona da terra.
  • Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
  • Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmilá, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Olokun, orixá senhor dos oceanos, pai de Yemonjá.
  • Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
  • Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
  • Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.
  • Ajê Salugá, orixá da prosperidade, dona das conchas do mar, orixá funfun e irmã de Iemanjá
  • Okê, orixá ligado as colinas, morros e montanhas.
  • Otin, orixá protetora dos animais, amazona companheira de Òṣóòsi. Uma Iyabá de três seios.
  • Erinle, orixá ligado a medicina, a caça e a pesca. Pai de Otin.
  • Ori, orixá das cabeças.

África[editar | editar código-fonte]

Bastão de dança para discípulo de Xangô no LACMA - Los Angeles County Museum of Art.

Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. Em Yoruba com o centro em Ile-Ife, existem centenas de Orixás. Os Orixás diferem regionalmente em seu significado, suas dimensões e suas relações, que são preservados em histórias (Oriki, Patakis).

Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá (yoruba) é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Desde 2005, o Bosque sagrado da orixá Osun é um Patrimônio Mundial da UNESCO.[2] e o oráculo Ifá do Orixá Orunmila uma Obra Prima da humanidade.[3]

Brasil[editar | editar código-fonte]

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No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ver: Lista de livros com tema afro-brasileiro
  • "O Livro de Ouro dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 3ª edição, 2002, capa dura, colado e costurado, 150 fotos em preto e branco, 350 págs. ISBN 8586896209
  • "Os Orixás e suas Qualidades", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 1ª edição, 2014, brochura, 146 págs. ISBN 9788586896446
  • "O Homem sob a Influência dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 1ª edição, 2012, brochura, 115 págs. ISBN 9788586896347
  • "A verdadeira origem do Candomblé, seus Orixás e suas Magias", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 8ª edição, 1998, brochura, 140 págs. ISBN 8586896020
  • "A Religião dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 7ª edição, 1997, brochura, 140 págs. ISBN 8590024636
  • "Orações e Preces aos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 1ª edição, 2011, brochura, 113 págs. ISBN 9788586896378
  • "Oferendas Preferidas dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 7ª edição, 1998, brochura, 111 págs. ISBN 8590024660
  • "A Língua dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 3ª edição, 1998, brochura, 115 págs. ISBN 8586896098
  • "Cânticos D'Candomblé em Louvor aos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 3ª edição, 2002, brochura, 121 págs. ISBN 8586896195
  • VATIN, Xavier. Rites et musiques de possession à Bahia. Paris: L'Harmattan, 2005.
  • VERGER, Pierre Fatumbi, Dieux D'Afrique. Paul Hartmann, Paris (1st edition, 1954; 2nd edition, 1995). 400pp, 160 fotos em preto e branco, ISBN 2-909571-13-0.
  • VERGER, Pierre Fatumbi, * Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns. 624pp, fotos em preto e branco. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura EDUSP 1999 ISBN 85-314-0475-4
  • Orixás na visão de Carybé - Portal Robério de Ogum

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Osun Eyin, Pai Cido. Candomblé. A panela do segredo. Editora Arx, 2000. ISBN 8535402160 http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/
  2. UNESCO-Welterbe: Bosque sagrado da orixá Osun. 1992–2013, acessado em 16 de outubro de 2013 (em Inglês).
  3. UNESCO-Welterbe: Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade: Ifa Divination System in Nigeria. 2005, acessado em 16 de outubro de 2013 (em Inglês).