Tunico da Vila

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Tunico da Vila
Informação geral
Nome completo Antonio João e Pedro Canine Ferreira
Nascimento 13 de junho de 1973 (46 anos)
Origem Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileiro
Gênero(s) Samba
Ocupação(ões) Cantor, compositor, percussionista e produtor

Antonio João e Pedro Caniné Ferreira (Rio de Janeiro, 13 de junho de 1973), Tunico da Vila é cantor e compositor de samba. Artista da Sony Music Brasil.

Tunico da Vila firma-se como grata revelação do samba contemporâneo, aliando sua vivência como músico a experiências ligadas ao seu pertencimento cultural. Canta canções que contam histórias sobre a sua  ancestralidade e é influenciado pelos ambientes que deram liga ao samba carioca, as rodas de samba e os terreiros.

Herdeiro do samba isabelense, conversa musicalmente com o seu público por meio de releituras e composições que reafirmam sua origem banta, seu som irreverente com raízes fincadas no partido-alto e em temáticas íntimas sobre o cotidiano do povo negro, liberdade e sensualidade.  O que evidencia a influência do sagrado no samba, na obra de Martinho da Vila e de seus descendentes. Apresenta sambas de roda, de terreiro, afro-sambas, além de ritmos angolanos como o semba.

Depois dos primeiros shows da turnê 2019, que ocorreram no Rio (Teatro João Caetano e Sala Baden Powell), Birigui e Presidente Prudente (Interior de SP) e no carnaval de Cabo Verde em África, o cantor e compositor Tunico da Vila percorre o país e o exterior com seu novo projeto, “Quero, Quero”. Ele propõe um voo na origem africana do samba e na trajetória dos cinquenta anos de carreira de seu pai, Martinho da Vila, celebrando sua gênesis. Com suas vivências como testemunha partícipe, nos mais de 25 anos que o acompanhou pelo mundo como seu percussionista, nas cantorias e composições que dividiu com ele, Tunico reafirma sua herança cultural e atua como contador musical da história que faz parte. Um show de memória afetiva e de sons de povos. “Para mim fazer parte desse legado cultural é um privilégio. Ter nascido num lar cultural efervescente, de culto as raízes do samba, ter viajado o mundo com o pai, ter aprendido a respeitar a liberdade, as escolhas dos seres humanos, compor canções e cantar com ele é um aprendizado que vai muito além da relação pai e filho. Martinho da Vila é história da cultura, da música do Brasil negro e afirmativo”, Tunico da Vila.

Em seu novo clipe, “Quero, Quero que será lançado em abril desse ano, Tunico da Vila gravou uma releitura do samba de 1977 de Martinho da Vila, com mensagens sobre liberdade e a soberania dos direitos humanos. Participaram cantando os rappers BK, Dexter, Rappin Hood, Kamau, Rashid, o coletivo Melanina Mc´s e Martinho da Vila. No vídeo diversas personalidades da música, intelectuais, artistas, professores, sambistas falam o que querem para as futuras gerações, para eles, para o Brasil e para o mundo. Dentre eles: Pedro Bial, Sabrina Sato, Dudu Nobre, Carlinhos de Jesus, Zico, Flávio Migliaccio, Érico Brás, Daniela Sarahyba, dentre outros. “O samba fala do querer humano, do participar, do grito pelos direitos soberanos unindo samba e rap, duas culturas negras mensageiras. Acabou se tornando um desabafo coletivo, em tempos abafados para quem aprendeu sobre a liberdade como eu. Convidei amigos e amigas para desabafarmos juntos, cada um ao seu modo. Na filosofia africana é assim, todo mundo junto, a música, a poesia cantada, libera energias e forças para um mundo melhor”, disse Tunico. A canção “Quero,Quero”, foi gravada originalmente em 1977 no LP “Presente” na época da ditadura, em plena repressão militar, em um de seus versos diz: “sou errado, sou perfeito, imperfeito, sou humano, sou um cidadão direito e meu direito é soberano”. Tunico que serviu o exército, assim como seu pai que chegou a sargento, disse que a música libertou seu ser. “Serviu como experiência do que eu não queria ser na vida (risos)... chegando em Vila Isabel do quartel, Mestre Trambique, que dava aulas de percussão para a criançada da escola de samba, me viu de farda e disse: ‘o Tunico se liga, sua farda é outra’. Eu senti o recado e fui tocar atabaques, depois ser percussionista, cantar samba que é a minha bandeira e carregar o meu pandeiro, a minha arma”, disse ele.

A ideia de fazer uma releitura partiu de Tunico que segundo ele, sentiu que era preciso aguçar os jovens à refletirem sobre o tempo presente: “em tempos de resistir, de falta de afeto, de armamento, sandices, é preciso enviar mensagens para quem está vivendo, querendo, lutando, para poderem continuar a sonhar, desejar e amar. Essa é a nossa potência, sem isso não há respiro para a alma. A música cumpre esse papel em qualquer tempo”.

A ligação umbilical do sagrado com o samba, já que o ritmo nasce dentro de um terreiro de Tia Ciata, é a temática do show “Sagrada Paz”. Tunico que canta e toca atabaques em terreiros de Angola desde a adolescência, acredita que cantando repassa a oralidade que aprendeu. “O nosso país tem um histórico de negação das tradições africanas. O candomblé foi a religião que escolhi na adolescência e que norteou a minha vida. É parte da história do samba e do refletir sobre o holocausto brasileiro, os irmãos que foram sequestrados na África”, falou. Tunico é ainda autor de dezenas de canções que tratam da temática, entre elas “O Velho de Oiá”, “Meu tambor”, “Juremê, Juremá” e “Festa de Caboclo”, gravado por Martinho da Vila.

Os sambas exaltação e a cultura das escolas de samba são exaltados no show “Tunico da Vila e do Terreiro”. O Terreirinho, região dos memoráveis sambas no Morro dos Macacos e da comemoração do primeiro título da Unidos de Vila Isabel em 1988, “Kizomba Festa da Raça”, ano que Tunico desfilou na bateria, sua mãe era presidente e seu pai autor do enredo, também é lembrado no show, bem como os sambas de exaltação da escola que tem Martinho como presidente de honra e Tunico como benemérito, ambos fazem parte da ala de compositores e são compositores campeões do carnaval de 2013, “fui ensinado a amar essa cultura, esse modo de viver, pelos meus pais, está gravado na minha alma”.

Em 2017 e 2018, Tunico da Vila gravou dois clipes e disponibilizou nas plataformas streamings, “É dia de rede no mar” uma ode à cultura negra do povo do mar e “Nos Caminhos de Um Só”, junto com o sambista Xande de Pilares, povos de terreiro e do congo num canto pela liberdade religiosa. Tunico da Vila realiza um projeto que envolve tradições e ancestralidade no estado do Espírito Santo, terra do congo, ritmo africano e da toada “Madalena do Jucu”, adaptada em samba por Martinho da Vila em 1989. Tunico insere a congada em suas apresentações com artistas que vão ao estado participar das comemorações dos 30 anos da gravação de “Madalena do Jucu” e realiza um intercâmbio com músicos capixabas. Participou do concerto “Eu Sou o Samba”, unindo samba e a orquestra da banda da Polícia Militar do ES, que foi transmitido pela TV Cultura em 2017 e recebeu o título de cidadão espírito-santense pelo projeto realizado.

Trajetória

Inicia sua carreira como músico profissional aos 20 anos de idade. Percussionista consagrado, fez parte do movimento que levou a percussão brasileira para o exterior. Tunico da Vila fez carreira internacional, tendo atuado na Dinamarca, Portugal, Cabo Verde, França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Angola. Foi músico percussionista da banda de Martinho da Vila durante 25 anos, gravou com Emílio Santiago, Leila Pinheiro e atuou com nomes além do samba como Homem de Bem, Tito Paris, Jorge Degas, Tabanka Djaz, Manecas Costa, Luís Represas, Banda Maravilha, Ella Henderson e Kelly Rowland, onde fez arranjos de percussão para o clipe produzido pelo cineasta americano Spike Lee.

Junto com sua irmã Analimar e Ana Costa fez parte do grupo “Coeur Sambar”. Seu lado compositor nasce em 1994, no antigo bar do Varandão, reduto de sambistas de Vila Isabel quando compôs seu primeiro samba com os parceiros Paulinho da Aba (in memoriam) e Agrião. Gravou seu primeiro álbum intitulado “Tunico Ferreira” (2003), que fez sucesso com a música “Nota de Cem”. Em 2009, lançou seu segundo álbum ”Na cadência do Partido Alto” e em 2016 o EP “O Velho de Oiá”, disponível nas plataformas Spotify e Deezer. Salgadinho gravou a canção, “Que paixão tão linda é essa” (2017), de Tunico da Vila. Tunico compôs as canções, “Um ai ai pro meu amor” no álbum “Tá delícia, tá gostoso” (1995), “Pare de brincar comigo” e “Difícil ser fiel” no álbum “O Pai da Alegria” (1999) gravadas por Martinho da Vila. Das composições com o pai, a música “Cheguei no Samba”, gravada pelo grupo Swing e Simpatia (2000). Autor de “Festa de Caboclo”, Tunico foi gravado por Martinho da Vila no CD “Da Roça e da Cidade” (2001). Interpretou o samba romântico de sua autoria, “Vivo pra sentir seu prazer“ no álbum “Lambendo a Cria” (2011), “Meu Off Rio” no DVD Sambabook Martinho da Vila (2013), e os sambas de enredo, “De alegria pulei, de alegria cantei ”e “Teatro Brasileiro”, dessa vez no CD “Enredo” (2014) de Martinho.

Faz parte da ala de compositores da Unidos de Vila Isabel e é benemérito da escola, sendo autor do samba campeão do carnaval de 2013 pela Unidos de Vila Isabel e duas vezes campeão do carnaval de Uruguaiana (2012 e 2013). Em 2018, interpretou o samba-enredo conhecido como “Festa no Arraiá”, de sua autoria em parceria com Martinho da Vila e Arlindo Cruz no álbum “Alô Vila Isabeeel” e no CD “Bandeira da Fé”, a canção “Baixou na Avenida”, ambos de Martinho da Vila pela Sony.

Já se apresentou com sua banda no carnaval de Cabo Verde em África, Almada e Crato em Portugal, nas principais casas de samba do eixo Rio- SP, nos Teatros Rival (RJ), João Caetano (RJ), Sala Baden Powell (RJ) e Guaíra em Curitiba (PR), no Sesc Ipiranga, Presidente Prudente (SP), Sesc Ribeirão Preto (SP), São Carlos (SP) e Birigui (SP).

História de Vida

Nascido no dia de Santo Antônio, dia 13 de junho, batizado como Antônio João e Pedro Caniné Ferreira, Tunico da Vila, 45 anos, é carioca, nascido e criado no bairro boêmio de Vila Isabel. Possui uma história intrínseca à escola de samba do bairro. Começou a frequentar a quadra da Unidos de Vila Isabel ainda criança, com seu pai o cantor e compositor Martinho da Vila e sua mãe Ruça, que foi presidente campeã pela Unidos de Vila Isabel em 1988. Formou-se em percussão pela Ordem dos Músicos do Brasil, participou do 1º Canto Livre de Angola no Brasil em 1983, do Kizomba- Encontro Internacional de Arte Negra em 1984, do desfile “Kizomba, Festa da Raça” da Unidos de Vila Isabel em 1988 desfilando na bateria, do PERC PAN 2010- Panorama Percussivo Mundial em Salvador –BA e é fundador do coletivo cultural “Somos 1 Só”- SP, que reúne artistas com o intuito de promover o diálogo entre os diversos gêneros musicais e a periferia. Flamenguista, Tunico da Vila é casado com a jornalista capixaba Déborah Sathler, possui cinco filhos, Lara, Leonardo, Luah, Higor e Madalena do Espírito Santo (in memoriam).

Referências

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