Museu de Imagens do Inconsciente

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Museu de Imagens do Inconsciente foi criado em 20 de maio de 1952, por iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira, dentro da antiga Colônia de Alienadas de Engenho de Dentro, esta última fundada em 1911, para receber alienadas indigentes oriundas do Hospício de Pedro II (atual Instituto Municipal Nise da Silveira),[1] no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.

Núcleo de Terapia Ocupacional[editar | editar código-fonte]

Nise da Silveira, que se opunha aos tratamentos psiquiátricos vigentes na década de 1940 (eletrochoque, lobotomia, insulinoterapia.[2]) implantou em 1946, no Centro Psiquiátrico Pedro II, o Serviço de Terapêutica Ocupacional. Foram criados ateliês de pintura e modelagem, permitindo aos internos uma nova forma de expressão e tratamento psiquiátrico, ainda inédito no Brasil. Na ocasião o Centro Psiquiátrico possuia aproximadamente 1500 internos, em sua maioria esquizofrênicos crônicos.

O museu é fundado com a finalidade de preservar os trabalhos produzidos nos ateliês, que servirão de base para uma maior compreensão dos pacientes. Assim, por meio desse museu, Nise da Silveira conseguiu levar as discussões do campo da saúde mental para toda a sociedade utilizando-se, principalmente, de várias exposições. A principal delas foi em Zurique, Suíça, durante o II Congresso Mundial de Psiquiatria, que contou com a presença de Jung. Além dessa exposição, houve centenas em cidades brasileiras e no exterior.

Tratava-se de um “Museu Vivo” [3], pois, além dos trabalhos produzidos, abrigava também os criadores uma vez que dentro do museu havia um ateliê. O debate entre os críticos Mário Pedrosa e Quirino Campofiorito deu grande visibilidade ao museu. Aquele chamou a arte produzida no museu de “Arte Virgem” [4] e este, de forma depreciativa, de “arte primitiva” [5]. Entretanto, ambas acreditavam na relação existente entre arte e saúde mental.

O acervo do Museu conta com obras de Adelina Gomes (1916-1984), Carlos Pertuis (1916-1977), Fernando Diniz (1918-1999),[6][7] Emygdio de Barros (1895 - 1986)[8][9] e Octávio Inácio,[10] entre outros.

Por seu valor artístico e científico, foram tombadas pelo Iphan oito coleções individuais, uma coleção de seis autores e outras 53.133 obras.[11]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Em 1989 foi lançado o filme Imagens do Inconsciente, de Leon Hirszman, que aborda a vida de Adelina Gomes, Fernando Diniz e Carlos Pertuis.[12]

Sociedade dos Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII)[editar | editar código-fonte]

Em 5 de dezembro de 1974, surge a Sociedade dos Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII), entidade civil, sem fins lucrativos, cujo objetivo era dar suporte e difundir os trabalhos do Museu. A Sociedade promoveu vários eventos, palestras, encontros, além da produção de vídeos sobre as questões que permeavam o Museu.

Referências

  1. O Instituto Municipal Nise da Silveira e a busca da preservação da memória. Mostra virtual do Centro Cultural do Ministério da Saúde.
  2. «Aperjrio: Uso de insulinoterapia em Psiquiatria Infantil Brasileira» (PDF). 2006. Consultado em 27/09/2008 
  3. MELO, W. Ninguém vai sozinho ao paraíso: o percurso de Nise da Silveira na Psiquiatria do Brasil. Tese de doutorado. Rio de Janeiro: Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), 2005.
  4. PEDROSA, M. Forma e Percepção Estética. São Paulo: EdUSP, 1995.
  5. OLIVEIRA, P. F.; MELO, W. "Arte e Saúde Mental: mapeamento e análise de trabalhos na Região Sudeste". In: Encontro Nacional de Psicologia Social, 15. Anais. Maceió: ABRAPSO, 2009.
  6. Nise da Silveira, Fernando Diniz e Leon Hirszman: política, sociedade e arte. Por Walter Melo. Psicologia USP, São Paulo, julho-setembro, 2010, 21(3), 633-652.
  7. Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e política. Por João A. Frayze-Pereira. Estudos Avançados vol.17 nº 49. São Paulo, set.-dez. de 2003 ISSN 1806-9592
  8. Enciclopédia Itaú Cultural. Emygdio de Barros
  9. Cinco artistas de Engenho de Dentro (Abelardo Corrêa, Arthur Amora, Carlos Pertuis, Emygdio de Barros Geraldo Aragão). Emygdio de Barros
  10. Quinet, Antonio Um Olhar a Mais: Ver e ser visto na psicanálise. Jorge Zahar Editor, 2002.
  11. «Patrimônio: Tombado pelo Iphan em 2003, o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente é o único a articular arte e pesquisa sobre esquizofrenia». Consultado em 27/09/2008 
  12. «Terra cinema: Imagens do Inconsciente (Trilogia)». Consultado em 27/09/2008 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre um museu é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre psiquiatria é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.