Mário Pedrosa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mário Pedrosa
Mário Xavier de Andrade Pedrosa
Nome completo Mário Xavier de Andrade Pedrosa
Nascimento 25 de abril de 1900
Timbaúba,  Pernambuco
Morte 5 de novembro de 1981 (81 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Ocupação
Religião Ateu

Mário Xavier de Andrade Pedrosa (Timbaúba, 25 de abril de 1900 — Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1981) foi um escritor, jornalista, crítico de arte e ativista político brasileiro, iniciador das atividades da Oposição de Esquerda Internacional no Brasil, organização liderada por Leon Trótski, nos anos 1930, e da crítica de arte moderna brasileira, nos anos 1940.[1][2]

Sobre Pedrosa e o também pernambucano Mário Schenberg, falou Lygia Clark: "A influência que ele (Schenberg) teve na minha personalidade foi enorme. Eu, sem cultura nenhuma, sugava todas as conversas que com ele tive, incorporando vivências de seu saber e, brincando, dizia: meus ouvidos foram fecundados por dois seres extraordinários, Mário Schenberg e Mário Pedrosa".[3]

Formação[editar | editar código-fonte]

Filho de Pedro da Cunha Pedrosa, ex-senador da República e ex-ministro do Tribunal de Contas, nasceu no Engenho Juçaral, em Timbaúba/PE.

Em 1913, foi enviado para estudar no Institut Quinche, em Lausanne, Suíça, onde ficou até 1916.

Entre 1920 e 1923, estudou Direito no Rio de Janeiro, onde teve seus primeiros contatos com o marxismo no grupo de estudos do prof. Edgardo de Castro Rebello[4].

Entre 1920 e 1922, viveu em São Paulo e trabalhou como redator de política internacional no jornal Diário da Noite e produzia artigos de crítica literária. Em 1923, formou-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro - PCB em 1926.

No início de 1927, desistiu do emprego de agente fiscal do estado da Paraíba e foi para São Paulo assumir a direção local da Organização Internacional para Apoio a Revolucionários (Socorro Vermelho), fundada em 1922 pela Internacional Comunista para e prover auxílio moral e material para comunistas que eram presos e/ou perseguidos pelo mundo afora. Nessa época teve seus primeiros contatos com comunistas que se opunham ao stalinismo como Pierre Naville e Marcel Fourrier.

Em 7 de novembro de 1927, é enviado para a Rússia, onde faria um curso na Escola Leninista Internacional, em Moscou, mas adoece ao chegar na Alemanha, onde se estabelece e passa a militar contra os nazistas. Faz cursos sobre filosofia, estética e sociologia na Universidade de Berlim. Teve como professores Breysig, Sombart, Thurnewald, Sprangel e Vogel. Retorna ao Brasil em agosto de 1929.[5]

Nessa época, em fevereiro e julho de 1928, ocorreram, respectivamente, a 9ª Plenária e o VI Congresso do Comitê Executivo do Comintern, que introduziriam no movimento comunista internacional a fase do “terceiro período”. Desse modo, os PCs deveriam passar de uma política passiva de defesa da União Soviética, para outra de “classe contra classe”, sem alianças possíveis, em busca da revolução imediata. Todas as forças de oposição ideológicas deveriam ser expulsas dos PCs, as forças de esquerda externas ao partido que não concordassem com as políticas da Comintern deveriam ser atacadas por polêmicas violentas. Nos sindicatos controlados pelos comunistas as demais forças políticas, como socialistas e anarquistas, deveriam ser expulsas, e nas categorias cujos sindicatos fossem controlados por forças não comunistas, os PCs deveriam montar “sindicatos vermelhos”. Levantes armados deveriam ser tentados sempre que possível, independentemente de suas possibilidades de sucesso. Trotsky, que foi o mais importante críticos da política do “terceiro período”, fora enviado ao exílio. Opositores desta política eram sistematicamente expulsos dos PCs e isolados politicamente.

Nesse período, manteve correspondência com Rodolfo Coutinho e Lívio Xavier, que também se opunham às políticas adotadas pela direção do PCB[4].

Logo após o retornou ao Brasil, foi expulso por sua ligação com o movimento trotskista.

Em 21 de Janeiro de 1931, ao lado Lívio Xavier, Fúlvio Abramo, Aristides Lobo (1905-1968) e Benjamin Péret fundou a Liga Comunista ligada à Oposição de Esquerda Internacional. Em 3 de setembro de 1938, em Périgny (França), Mário Pedrosa representou várias partidos operários da América-Latina no Congresso de Fundação da Quarta Internacional, com o pseudônimo de Lebrun, onde foi eleito para o Comitê Executivo Internacional (CEI) da IV Internacional.

Ao retornar do exílio, após o fim do Estado Novo, tornou-se crítico de arte do Correio da Manhã (1945-1951). Posteriormente, de O Estado de S. Paulo (1951-1956), Tribuna da Imprensa (1951-1956), Jornal do Brasil (1957-1961) e, novamente, do Correio da Manhã (1966-1968), em todos eles tendo período em que escrevia sobre política na seção opinativa.[1][2] Nunca, porém, abandonou a militância política, conciliou-a como sua atividade jornalística.

Voltando ao Brasil de seu segundo exílio, que ocorreu entre 1970 e 1977, passou a defender a criação de um partido socialista. Em 1980 participa da fundação do Partido dos Trabalhadores.

A partir da década de 1990, o pensamento crítico de Mário Pedrosa passa a ser objeto de interesse constante, ao contrário de seu pensamento político[6].

Incentivador dos movimentos concretista e neoconcreto[editar | editar código-fonte]

Em suas atividades como crítico de arte, destaca-se como diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo, colaborando na criação do Museu de Arte do Rio de Janeiro, com papel destacado no surgimento do movimento concretista nesta cidade. Foi curador da segunda Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1953) e secretário-geral da IV Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1957), organizou o Congresso Internacional dos Críticos de Arte (1959) sobre a cidade de Brasília. Foi também vice-presidente da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA, 1957-1970) e presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, seção nacional da A.I.C.A. (1962). Foi membro do júri de várias bienais de artes plásticas em todo mundo.

Mário Pedrosa além de incentivador do movimento concretista e da poesia concreta[7], tendo escrito textos teóricos sobre o novo movimento literário e sido um defensor de "primeira hora" deste movimento, foi "mentor" e "porta-voz" (Amaral, 2001: 51-56) da vanguarda carioca" do neoconcretismo, afastando-se do "objetivismo e racionalismo do movimento dos anos 50".

Homem de origem e trajetória política marxista e trotskista, Mário Pedrosa se afastou da concepção engajada de arte, predominante em parte da esquerda nos anos quarenta a sessenta do século XX e "surpreendeu ao valorizar a arte abstrata e os problemas de percepção da forma" (Cândido, 2001: 13-18). Rigorosamente moderno, foi admirado pelos jovens artistas de 1950 e advogou "a causa de uma possível tradição construtiva no Brasil" (Arantes, 2001:43-50). Mário Pedrosa foi, conforme define Otília Arantes, o crítico do movimento concretista.

Arte e política[editar | editar código-fonte]

Mário Pedrosa, defensor de que a arte e a política são as duas formas mais elevadas da expressão humana, propunha, consequentemente, que a única postura que se possa ter diante delas é a do engajamento militante e crítico como homem, mas advogando sempre a plena liberdade da produção artística. Mário envolveu-se nestes dois universos desde a juventude, sendo amigo pessoal e cunhado do poeta surrealista francês Benjamin Péret, seu parceiro em muitas atividades políticas.

Marcelo Mari descreve a evolução do pensamento de Pedrosa sobre a relação Arte e Revolução Social no século XX:.

Certamente uma explicação a esta questão estaria na ligação de Pedrosa com movimento trotskista e a IV Internacional, principalmente a partir do Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente (1938), elaborado pelo artista surrealista André Breton e por Leon Trotsky. O Manifesto defendia que a arte tem um potencial libertário e revolucionário em si. Este manifesto foi publicado em português em 1945, no jornal Vanguarda Socialista, editado por Patrícia Galvão (Pagu) e Geraldo Ferraz, como resposta tanto à banalização da arte pelo capitalismo quanto ao seu cerceamento pelo stalinismo, através da imposição da estética do realismo socialista.

Esta sua postura que exigia "toda liberdade à arte" impregnou a II Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1953), que trouxe para o Brasil Guernica, de Pablo Picasso, como obras dos principais mestres da vanguarda artística daquele momento: surrealistas, cubistas, futuristas italianos e abstracionistas, como Paul Klee, Mondrian, Alexander Calder, Edvard Munch, Marcel Duchamp e Juan Gris.
A Bienal de 1953 apresentou ainda uma sala especial em homenagem ao pintor ítalo-brasileiro Eliseu Visconti, considerado por Mario Pedrosa como o "inaugurador" da pintura nacional. Afirmava Mário Pedrosa:"com as paisagens de Saint Hubert e de Teresópolis, Visconti é o inaugurador da pintura brasileira, o seu marco divisório. Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil. Ninguém na pintura brasileira tratou com idêntica maestria esse tema perigoso da luz tropical”.[8].

Chile[editar | editar código-fonte]

Vinte anos depois Mário Pedrosa, em seu exílio no Chile, durante o governo de Salvador Allende (1970-1973), fundou em Santiago o Museu da Solidariedade, um dos mais importantes do país. O acervo continha de mais de cinco mil obras de arte, entre as quais peças de artistas como Alexandre Calder, Miró, Soulages e Picasso. Elas foram doadas por estes artistas [9]graças ao prestigio pessoal de Mário Pedrosa no mundo artístico internacional. Ao mesmo tempo colocou em contato militantes brasileiros exilados no Chile, anteriormente ligados à guerrilha, com o trotskista argentino Nahuel Moreno, de onde surgirão a Liga Operária e a Convergência Socialista (Entrevista Maria José e artigo Bernardo Cerdeira).

Seus escritos e suas reflexões sobre arte e estética o tornam um dos grandes pensadores brasileiros e orientam até hoje muitos artistas de vanguarda no Brasil. A premissa de que a arte tem um potencial libertário e revolucionário em si e não como propaganda de posições políticas se alastrou em seus escritos no jornal Vanguarda Socialista. Pedrosa era homem múltiplo, como bem disse a crítica de arte Aracy Amaral.

Mário Pedrosa, abstração, tradição local e concretismo[editar | editar código-fonte]

Apesar de engajado em um projeto político socialista, Mário Pedrosa foi contra a arte do chamado realismo socialista, pois considerava, por exemplo, que toda pintura é abstrata, postulando que não é "a maior ou menor fidelidade da representação externa" que determinará "a maior ou menor qualidade estética".

Pedrosa foi um incentivador de movimentos de vanguarda como o concretista e neoconcretismo e a poesia concreta brasileira desde o seu início, na década de 1950, tendo sido um dos poucos críticos de arte que a acolheram bem, por representar um diferencial na arte brasileira.

Autor de importantes escritos teóricos como "Poeta e Pintor Concreto" (1957), sobre o novo movimento literário é defensor de "primeira hora" do concretismo. No entanto, desde o início preocupou-se com a questão de procurar unir a "brasilidade", a "tradição cultural" e um certo "localismo", a uma arte mais "universal", como a abstrata e o concretismo, estes dois pouco aceitos pela velha-guarda do modernismo brasileiro. Por isso, vê na pintura de Alfredo Volpi uma conciliação destes dois aspectos, considerando-o como "o mestre brasileiro" de nossa época, distinguindo-o, como o artista concretista e abstrato, dos poetas concretistas de São Paulo.

Torna-se posteriormente "mentor" da vanguarda carioca" do neoconcretismo e afasta-se do "objetivismo e racionalismo do movimento dos anos 50". Pedrosa, embora não tirasse os méritos da vanguarda paulista e considerasse os cariocas "quase românticos", lança as bases que permitiram aos neoconcretistas produzir sua contestação ao primeiro concretismo. Considera Mário Pedrosa que a tendência expressiva que se encontrará nestes artistas, à exemplo da pintura de Kandinsky, é a origem de toda a arte, e que a união da sensibilidade com a inteligência teria produzido as obras de arte "mais vivas" da modernidade [10].

Atividade Política[editar | editar código-fonte]

Em 1927, foi enviado para a União Soviética, pelo PCB, para cursar a Escola Leninista, instituição formadora de militantes comunistas. No entanto, uma doença o obrigou a interromper a viagem na Alemanha. Lá teve contato com as críticas de Trotsky à política do Partido Comunista da União Soviética e da Internacional Comunista e iniciou uma intensa correspondência com o amigo Lívio Xavier que tornou-se, então, o elo de ligação com o grupo de jovens intelectuais comunistas que tinham divergências com a política do PCB desde pelo menos 1928.

Em agosto de 1929 retornou ao Brasil e organizou esse grupo em uma agremiação chamada Grupo Comunista Lenine (GCL). Esta organização incluía intelectuais como Rodolfo Coutinho e Lívio Xavier que foram signatários do panfleto da Oposição Sindical que criticara a política sindical do PCB e sua falta de centralismo democrático. Esse grupo já havia saído do PCB na “Cisão de 1928”. Outra cisão ocorreu em 1929, que incluiu alguns sindicalistas. Em janeiro de 1931, foi fundada a Liga Comunista que seria a organização na qual militaram os comunistas que não tinham espaço no PCB.

Em 1930, publicou, em parceira com Lívio Xavier, um ensaio que viria a se tornar a primeira contribuição marxista para o estudo da história do modo de produção capitalista em terras brasileiras: "Esboço de uma análise da situação econômica e social do Brasil".

No dia 1º de Maio de 1934, a Liga Comunista passou a se denominar como Liga Comunista Internacionalista e a trabalhar pela criação da IV Internacional.[11].

No dia 7 de outubro de 1934, foi ferido por um tiro na batalha campal que opôs a Frente Única Antifascista à Ação Integralista Brasileira na Praça da Sé, em São Paulo.

Em 1935, se mudou para o Rio de Janeiro com sua companheira Mary Houston. Nesse período ajudou clandestinamente a Aliança Nacional Libertadora. Com o fracasso do Levante Antifascista de 1935, passou a ser procurado pela polícia. Depois disso, em conjunto com a ala esquerda do PCB liderada por Hermínio Sachetta, lançou a candidatura simbólica de Luis Carlos Prestes, então aprisionado, à Presidência da República.

No final de 1937, foi clandestinamente para a França, para evitar sua prisão no Brasil, onde, participou, em 3 de setembro de 1938, da reunião de fundação da IV Internacional, na periferia de Paris[12], acesso em 02 de janeiro de 2020.

Em 24 de outubro de 1940, iníciou uma viagem de retorno ao Brasil, na qual passou pelo Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai. Nesses países fez contatos com líderes trotskistas, nas quais defendeu uma ruptura com a IV Internacional, pois era contrário à defesa da União Soviética na II Guerra Mundial. Chegou ao Rio de Janeiro, em 26 de fevereiro de 1941, onde foi preso no dia 3 de março, tendo sido solto com a condição de embarcar para os Estados Unidos imediatamente.

Em 1945, retornaria ao Brasil e fundaria o jornal: "Vanguarda Socialista"[12], que circularia até 1948, e a organização União Socialista Popular. Apoiou a candidatura à presidência do Brigadeiro Eduardo Gomes num manifesto no qual se exigia a elaboração de uma constituinte democrática.

Em 1947, a União Socialista Popular se juntaria à Esquerda Democrática, que era um setor da União Democrática Nacional (UDN) que reunia desde antigas lideranças da esquerda brasileira como João Mangabeira, Astrogildo Pereira, Nestor Duarte e Bayard Boiteux, e à União Democrática Socialista, que contava com intelectuais como Antonio Candido e Aziz Simão, para formar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Permaneceria no PSB até 1965[13], quando, em decorrência da extinção do PSB, ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Em julho de 1970, em decorrência da decretação de sua prisão preventiva, refugia-se na Embaixada do Chile, onde aguardou, durante três meses, a expedição de salvo-conduto para viajar para aquele país[14].

Em 1971, exilou-se no Chile e, em 1973, na França.

Em 1977, voltou ao Brasil e passou a acompanhar o ressurgimento das lutas sindicais no ABCD paulista. Em agosto de 1978, foi publicado seu artigo: "Carta a um Operário", dirigida à Luiz Inácio da Silva, na qual sugeriu a formação de um Partido dos Trabalhadores[15].

Dois anos após o golpe militar de 1964, publicou dois livros: (A Opção Brasileira e A Opção Imperialista) onde faz um estudo e análise daquele regime e de suas determinações. Estes se concentram em explicar a situação brasileira contemporânea a partir do capitalismo internacional imperialista e, principalmente pelo papel da economia estado-unidense. Analisa o caráter da burguesia brasileira e do capitalismo nacional em sua articulação com o capitalismo internacional para que se entendesse a vida política nacional durante a ditadura militar.

Mário Pedrosa refutava a hipótese, dominante em amplos setores da esquerda, de que seria possível uma revolução burguesa no Brasil. No Brasil, afirmava Pedrosa, toda modernização se fez através do Estado. Contrapunha-se assim às teses de Celso Furtado[16] e do Partido Comunista Brasileiro (o Partidão), negando que a modernização do país seria feita possível pelas instituições burguesas democráticas, sendo o golpe de 64 expressão disto.

Seria assim impossível a existência de uma burguesia industrial progressista em favor das instituições democráticas e, ao mesmo tempo, do desenvolvimento social. O setor agrário, vinculado ao capital externo devido às necessidades de exportação, era exatamente aquele que promovia a incipiente industrialização do país e, portanto, jamais se colocaria por uma política econômica que não fosse submissa aos interesses do capital internacional. Segundo Pedrosa as articulações da burguesia nacional com o capitalismo internacional foram fundamentais na deflagração do golpe militar de 1º de Abril de 1964[17].

O golpe de 1964: um Bonapartismo nos trópicos?[editar | editar código-fonte]

Em sua obra "A opção Brasileira" (1966) Pedrosa analisa o regime militar de 1964 e o governo de Getúlio Vargas sob a luz da obra de Karl Marx " O 18 de Brumário". Mário Pedrosa reconhece semelhanças com o regime bonapartista, mas rejeita esta comparação. O regime de 1964, segundo ele, não estava "acima de todas as classes", mas ligado ao capital financeiro internacional sendo "um adido militar da embaixada estadunidense no Brasil", indo prejudicar setores da própria burguesia nacional (capítulo quatro).

Influências[editar | editar código-fonte]

Conforme descreve Otília Arantes, Mário Pedrosa foi responsável pela criação do primeiro núcleo de artistas concretos no Rio de Janeiro, com Ivan Serpa, Almir Mavignier e Abraham Palatnik. Acompanhou e estimulou a carreira dos mais influentes artistas brasileiros da segunda metade do século XX, como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Amilcar de Castro, entre muitos outros (Arantes, O. Mário Pedrosa: itinerário crítico, SP: Cosac & Naif, 2005.)

Trabalhos de Mário Pedrosa[editar | editar código-fonte]

Tese de livre-docência[editar | editar código-fonte]

  • Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte. 1949, publicada em 1952.
  • Tese para concurso : Da missão francesa seus obstáculos políticos, mimeografado, s.d. Colégio Pedro II. cadeira de História.

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Arte: Necessidade Vital. Livraria da Casa, 1949.
  • Panorama da Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Saúde, 1952.
  • Crescimento e Criação (Mario Pedrosa e Ivan Serpa), Rio de Janeiro, 1954.
  • Dimensões da Arte. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1964.
  • A Opção Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.
  • A Opção Imperialista. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.
  • Arte Brasileira Hoje. Com Aracy Amaral, Mário Schenberg, ... [et al.] ; coord. geral de Ferreira Gullar / Rio de Janeiro : Paz e Terra , 1973 .
  • Calder. Paris : Maeght éditeur , 1975
  • Mundo, Homem, Arte em Crise. São Paulo: Editora Perspectiva, 1975.(org. Aracy Amaral)
  • Arte, Forma e Personalidade. São Paulo: Kairós, 1979.
  • A Crise Mundial do Imperialismo e Rosa Luxemburgo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
  • Sobre o Partido dos Trabalhadores. São Paulo: Ched, 1980.
  • Dos Murais de Portinari aos Espaços de Brasília. São Paulo: Editora Perspectiva, 1981.(org. Aracy Amaral)
  • Política da Artes. Textos Escolhidos I. São Paulo: Edusp, 1995. (org. Otília Arantes)
  • Forma e Percepção Estética. Textos Escolhidos II. São Paulo: Edusp, 1996. (org. Otília Arantes)
  • Acadêmicos e Modernos. Textos Escolhidos III. São Paulo: Edusp, 1998. (org. Otília Arantes)
  • Modernidade Cá e Lá. Textos Escolhidos IV. São Paulo: Edusp, 2000. (org. Otília Arantes)
  • Arquitetura - Ensaios críticos org. Guilherme Wisnik. Cosac & Naif 2015.
  • Arte - Ensaios. Organização: Lorenzo Mammì. Cosac & Naif 2015.

Referências

  1. a b Di Carlo, Josnei (out. 2015). «"A arte não é fundamental. A profissão do intelectual é ser revolucionário": a atuação intelectual de Mário Pedrosa na imprensa entre 1945 e 1968». Caxambu. Anais do 39º Encontro Anual da ANPOCS. ISSN 2177-3092. Consultado em 28 set. 2017 
  2. a b Di Carlo, Josnei (2019). Mário Pedrosa [Coleção Clássicos & Contemporâneos]. Penápolis: FUNEPE. 67 páginas. Consultado em 6 nov 2019 
  3. Patricia Bieging. «Arte, Novas Tecnologias e Comunicação: Fenomenologia da Contemporaneidade». Consultado em 14 de junho de 2019 
  4. a b Mário Pedrosa político (1): das origens ao Grupo Comunista Lenine (1901-1929), acesso em 1º de janeiro de 2020.
  5. César Oiticica Filho (2013). «Encontros». Mário Pedrosa. Azougue. ISBN 9788579201301. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  6. Di Carlo, Josnei (5 ago. 2017). «Mercado editorial e universidade: Mário Pedrosa, um caso exemplar?». Blog Junho. Consultado em 28 set. 2017 
  7. «Campos, Haroldo de. Concretismo - A certeza da influência. Entrevista à Folha de S.Paulo em 08/12/1996. Jornal de Poesia. Página visualizada em 08/10/2010.». Consultado em 8 de outubro de 2010. Arquivado do original em 18 de junho de 2009 
  8. «Pedrosa, Mario. Visconti diante das modernas gerações. Rio de Janeiro. Correio da Manhã de 01 de janeiro de 1950.». Consultado em 6 de setembro de 2011. Arquivado do original em 1 de abril de 2012 
  9. Barros, José D'Assunção (2008). «Mario Pedrosa e a crítica de arte no Brasil». ARS (São Paulo). 6 (11): 40–60. ISSN 1678-5320. doi:10.1590/S1678-53202008000100004. Consultado em 30 de dezembro de 2017. Arquivado do original em 20 de dezembro de 2010 
  10. Arantes, Otília Beatriz Fiori. Mario Pedrosa: Itinerário Critico. São Paulo. Cosac. Naify, 2004.
  11. MÁRIO PEDROSA, LÍVIO XAVIER E AS ORIGENS DO MARXISMO NO BRASIL, acesso em 31 de dezembro de 2019.
  12. a b Mário Pedrosa político (2): do Grupo Comunista Lenine à IV Internacional e exílio (1929-1945)
  13. Mário Pedrosa político (3): de Vanguarda Socialista até o golpe militar (1945-1964), acesso em 02 de janeiro de 2019.
  14. Mário Pedrosa político (4): do golpe militar ao exílio (1964-1970), acesso em 03/01/2020.
  15. Jornalista relata em livro a formação do PT, acesso em 1º de janeiro de 2010.
  16. Di Carlo, Josnei (2019). «O desenvolvimentismo na crítica de Mário Pedrosa». MovimentAção. 5 (8): 18–37. ISSN 2358-9205 
  17. Di Carlo, Josnei (2019). «Do liberalismo ao estatismo: a ideologia pendular da ditadura militar segundo Mário Pedrosa». Agenda Política 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ABRAMO, F. e KAREPOVS, D. Na contracorrente da história: documentos da Liga Comunista Internacionalista 1930-1933. São Paulo: Brasiliense, 1984.
  • ALMEIDA. Miguel Tavares de. Os trotskistas frente à Aliança Nacional Libertadora e aos levantes militares de 1935 in Cadernos AEL: trotskismo (v. 12, nº. 22/23). Campinas: Unicamp/IFCH/AEL, 2005, p. 83-117.
  • MARAL, A. (Org.). Mário Pedrosa e o Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.
  • AMARAL, Aracy A.; Fiori Arantes, Otília Beatriz; Pedrosa, M. Mário Pedrosa: 100 anos. São Paulo: Fundação Memorial da América Latina, 2000.
  • ARANTES, Otília Beatriz Fiori. Mário Pedrosa: itinerário crítico. São Paulo: Cosac & Naify, 2004. 192 p., il. p&b color.
  • ARAÚJO, Emanoel (org) Museu da Solidariedade Salvador Allende - Estéticas, Sonhos e Utopias (tributo a Mário Pedrosa). São Paulo: Imprensa Oficial, 2007
  • BARROS, José D'Assunção Mário Pedrosa e a Crítica de Arte no Brasil In: Ars. Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (ECA) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Ano 6, vol.11. p.40-61. São Paulo: USP, 2008.
  • BRITO, Ronaldo. As lições avançadas do mestre Pedrosa. In: ______; LIMA, Sueli de (org.). Experiência crítica: textos selecionados. Cosac & Naify, 2005. 384 p., il. color. Texto publicado originalmente em Opinião, agosto de 1975.
  • BROUÉ, Pierre. História da Internacional Comunista (1919-1943). Tradução de Fernando Ferrone. São Paulo: Sundermann, 2007, 2 volumes.
  • CASTRO, Ricardo Figueiredo de. “Os intelectuais trotskistas nos anos 30” in REIS FILHO, Daniel Aarão (org.). Intelectuais, história e poder (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: 7 letras, 2000, p. 137-152.
  • CASTRO, Ricardo Figueiredo de. Mário Pedrosa, Lívio Xavier e as Origens do Marxismo no Brasil Publicado no blog Marxismo21 como parte do Dossiê "Mário Pedrosa, Lívio Xavier e os primórdios do marxismo no Brasil"
  • Catálogo de Exposição Foto Biográfica de Mario Pedrosa. Rio de Janeiro, 5 de novembro a 29 de dezembro de 1991, Centro Cultural Banco do Brasil. Exposição Porto Alegre, 6 de julho a 3 de agosto de 1992, Centro Municipal de Cultura.
  • COGGIOLA, Osvaldo. O trotskismo no Brasi in MAZZEO, Antonio Carlos e LAGOA, Maria Izabel (orgs.) Corações vermelhos (os comunistas brasileiros no século XX). São Paulo: Cortez, 2003, p. 239-269.
  • DEMIER, Felipe. O longo bonapartismo brasileiro (1930-1964): autonomização relativa do Estado, populismo, historiografia e movimento operário (tese de doutorado). Niterói: PPGH/UFF, 2012.
  • DEMIER, Felipe. Um pouco sobre nossos antepassados: a tradição trotskista no Brasil (parte I). Grupo Comunista Lênin (GCL); Liga Comunista do Brasil (LCB); Liga Comunista do Brasil (LCI) e Partido Operário Leninista (POL) artigo do blog Convergência. postado em 27 de dezembro de 2012
  • DI CARLO, Josnei. Da margem se vê melhor? O autoritarismo no Brasil segundo a Oposição de Esquerda nos anos 1930. Política Hoje, vol. 27, Edição especial - Estado Novo, 1937-2017: revisão do pensamento político autoritário brasileiro, Recife, 2018.
  • DI CARLO, Josnei. O desenvolvimentismo na crítica de Mário Pedrosa. MovimentAção, v. 5, n. 8, Dourados, 2018.
  • DI CARLO, Josnei. Objetos não identificados: tropicalismo e pós-modernismo no Brasil dos anos 1960. Interseções, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 742-760, dez. 2019.
  • FIGUEIREDO, C. E. de Sena. Mário Pedrosa: Retratos do Exílio. Rio de Janeiro: Edições de Antares, 1982.
  • GERCHMANN, Miriam Ida. O abstracionismo geométrico na concepção de Mário Pedrosa: a relação com o desenvolvimento. Porto Alegre: dissertação (Mestrado) -- Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 1992.
  • MARI, Marcelo. Estética e política em Mário Pedrosa (1930-1950). São Paulo: FFLCH-USP, 2006. http://filosofia.fflch.usp.br/sites/filosofia.fflch.usp.br/files/posgraduacao/defesas/2006_docs/marcelo_mari_doutorado.pdf
  • MARQUES Neto, José Castilho. Solidão revolucionária: Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
  • MARQUES Neto, José Castilho (org.) Mário Pedrosa e o Brasil. São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2001. 100 anos de Mário Pedrosa. Dossiê com artigos, fotos e documentos
  • PEDROSO, Franklin e VASQUEZ, Pedro - Mário Pedrosa: arte, revolução, reflexão. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1992.
  • KAREPOVS, D. e MARQUES NETO, J. C. Os trotskistas brasileiros e suas organizações políticas (1930-1966) in REIS FILHO, Daniel Aarão e RIDENTI, Marcelo (orgs) História do marxismo no Brasil, volume V (partidos e organizações dos anos 20 aos 60). Campinas, SP: Unicamp, 2002, p. 103-155.
  • ROCHA, Dirlene de Jesus Pereira. Mário Pedrosa e o estado Bonapartista militarizado no Brasil de 1964. Dissertação de mestrado.
  • Sabrina Sant'Anna. A crítica de arte brasileira: Mário Pedrosa, as décadas de 1950 e 2000 em discussão. Revista Poiésis 14, 2009
  • SILVA, Angelo José. Comunistas e trotskistas: a crítica operária à Revolução de 1930. Curitiba: Moinho do Verbo, 2002.

Filmografia sobre Mário Pedrosa[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]