Operação Popeye

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A Operação Popeye foi um movimento de tropas encabeçado pelo Destacamento Tiradentes e comandado pelo general Olímpio Mourão Filho, apelido Popeye, que ocorreu em Juiz de Fora na madrugada do dia 31 de março de 1964. Sua missão era levar o destacamento até a capital fluminense, combinada com outra mobilização simultânea do 12º Regimento de Infantaria, em direção a Brasilia, comandado pelo general Dióscoro Valee e apoiado por três batalhões da Policía militar.

Segundo o historiador e jornalista Helio Silva, dois dias antes, no dia 29 de março de 1964 Magalhães Pinto, o mariscal Odilio Denys e Mourão Filho se haviam se reunido no aeroporto de Juiz de Fora para preparar uma ação iminente.

Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar em Juiz de Fora (Minas Gerais), na madrugada do dia 31 de março de 1964, lançou de manera precipitada seu destacamento para o Rio de Janeiro. A chamada "Operação Popeye" serviria para derrubar o governo de João Goulart..[carece de fontes?]

A supremacia dos adversários de Goulart[editar | editar código-fonte]

A situação político ideológica pendia contra Jango, não só os militares estavam contra o presidente, como havia muitos ex-colaboradores (ex-presos políticos da época de JK, mudança de identidades do SNI). Nos bastidores militares também havia uma batalha silenciosa, e seus adversários a estavam vencendo.

O Exército Brasileiro não aceitaria um confronto entre as chamadas tropas rebeldes contra as tropas legalistas, e mesmo que este ocorresse, com certeza os rebeldes venceriam, pois teriam um apoio poderoso a seu favor. O presidente João Goulart perdera o poder de comando sobre os civis e militares, o Golpe estava se armando, e após o desencadeamento das operações militares em aproximadamente 24 horas não mais seria o presidente. Muitos dizem que o desenlace dos acontecimentos e a análise das consequências levaram Jango a impedir qualquer reação.

Nomenclatura e movimentação[editar | editar código-fonte]

A nomenclatura da operação Popeye era a alusão, segundo toda a tropa, ao hábito do fumo de cachimbo por Mourão Filho (Admirador do General Norte-americano Douglas MacArthur, herói da Segunda Guerra Mundial), e também, o motivo da nomenclatura era o estacionamento da Frota norte-americana do Caribe fundeada a doze milhas náuticas de Vitória (Operação Brother Sam). Uma terceira corrente defende que o mesmo seja uma menção ao famoso marinheiro Popeye, cujos desenhos e quadrinhos faziam grande sucesso na época.

Na Operação Popeye as tropas do general Mourão deveriam barrar o avanço das forças legalistas vindas do Rio de Janeiro ou São Paulo em direção a Minas Gerais ou Espírito Santo.

Porto de Vitória[editar | editar código-fonte]

O porto de Vitória estava designado estrategicamente para abastecer de suprimentos, combustível e tropas, se necessário, aos conspiradores.

O reforço viria por mar, pois, a região estava protegida pela Operação Brother Sam, composta por todo o poderio bélico da Frota do Caribe norte-americana. Esta era capitaneada pelo porta-aviões Forrestal, e pelas demais belonaves que o acompanhavam. Embarcados havia cerca de cinco mil marines que aguardavam ordens. A Esquadra norte-americana estava fundeada naquele momento a doze milhas náuticas ao sul do porto de Vitória.[carece de fontes?]

Arquivos históricos[editar | editar código-fonte]

Segundo a Fundação Getúlio Vargas:

"(sic) Os golpistas somavam, por outro lado, a influência política do governador Carlos Lacerda e a importância militar de dois "estados-maiores revolucionários", que distinguiam com bastante nitidez os grupos "modernizadores" (o estado-maior de Castelo Branco, integrado por oficiais como Golbery do Couto e Silva, Ademar de Queirós e Ernesto Geisel) e "tradicionalistas" (o estado-maior chefiado por Costa e Silva, onde colaboravam os generais Siseno Sarmento e Muniz de Aragão, entre outros)...." E, a "...operação Popeye (deslocamento de tropas em direção ao Rio de Janeiro e Brasília) ocorrera em perfeita sincronia com a "operação silêncio" (que implicava o controle dos serviços de comunicação, das emissoras de rádio e televisão, para dissimular as etapas seguintes), e pela operação gaiola, que consistia na prisão dos principais líderes políticos e sindicais que pudessem provocar uma reação dentro do estado de Minas".

Envolvimento dos EUA[editar | editar código-fonte]

A reação americana ao movimento desencadeado pelo general Mourão Filho foi rápida. Às 14 horas e 29 minutos do dia 31 de março, Washington avisou ao embaixador americano no Brasil que uma força-tarefa já havia partido para dar suporte ao golpe. Era a Operação Brother Sam, composta por um porta-aviões, quatro contratorpedeiros e dois cruzadores. A frota naval tinha ainda dois petroleiros, para o caso de começar a faltar combustível no Brasil. [1]

Pela mesma mensagem, o embaixador Lincoln Gordon soube que suas “forças anti-Goulart” poderiam ser complementadas por “carregamento com cerca de 110 toneladas de munição leve, incluindo gás lacrimogêneo para controle de multidão”, além de seis aviões de carga, seis aviões de guerra e seis tanques. Dependendo do desenrolar da situação, esses equipamentos desembarcariam no prazo de 24 a 36 horas, no aeroporto de Campinas.[1]

De seu rancho no Texas, o presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, tinha dado o sinal verde para a operação, ao receber um relato de George Ball, subsecretário de Estado, sobre a movimentação no Brasil. O telefonema, de 5 minutos e oito segundos, foi acompanhado pelo secretário adjunto para América Latina, Thomas Mann.[1]

Conclusão da operação[editar | editar código-fonte]

A operação Popeye foi concluída com sucesso às cinco horas da tarde do dia 31 de março de 1964, quando o general Mourão Filho proclamou o movimento contra o governo e anunciou o golpe militar[carece de fontes?]. Isto só aconteceu depois que o Destacamento Tiradentes composto por três mil homens passou a controlar totalmente o tráfego através da ponte do rio Paraibuna. Esta ficava na divisa do estado de Minas Gerais com o estado do Rio de Janeiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Segunda-feira, 31 de março de 1964 - Revista Brasileiros». Consultado em 12 de abril de 2015. Arquivado do original em 13 de abril de 2015  A reação americana ao movimento desencadeado pelo general Mourão Filho foi rápida. Às 14 horas e 29 minutos do dia 31 de março, Washington avisou ao embaixador americano no Brasil que uma força-tarefa já havia partido para dar suporte ao golpe. Era a Operação Brother Sam, composta por um porta-aviões, quatro contratorpedeiros e dois cruzadores. A frota naval tinha ainda dois petroleiros, para o caso de começar a faltar combustível no Brasil. Pela mesma mensagem, o embaixador Lincoln Gordon soube que suas “forças anti-Goulart” poderiam ser complementadas por “carregamento com cerca de 110 toneladas de munição leve, incluindo gás lacrimogêneo para controle de multidão”, além de seis aviões de carga, seis aviões de guerra e seis tanques. Dependendo do desenrolar da situação, esses equipamentos desembarcariam no prazo de 24 a 36 horas, no aeroporto de Campinas. De seu rancho no Texas, o presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, tinha dado o sinal verde para a operação, ao receber um relato de George Ball, subsecretário de Estado, sobre a movimentação no Brasil. O telefonema, de 5 minutos e oito segundos, foi acompanhado pelo secretário adjunto para América Latina, Thomas Mann.