Logística militar

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A logística militar, geralmente conhecida como serviço de apoio ao combate, está normalmente dirigida a condições desconhecidas, como as previsões incertas. Estas podem reduzir a incerteza sobre os fornecimentos e serviços que serão necessários, onde e quando serão necessários ou mesmo a melhor maneira de os fornecer. A logística militar compreende o tempo e espaço em guerra: equipando, fornecendo, movimentando e mantendo os exércitos (Huston, 1988, p. 7).

O trabalho dos economistas na logística militar é calcular o custo de guerra para um país (Kane, 2001, p. 2).

Tácticas Militares

História[editar | editar código-fonte]

Linhas de suprimentos de caminhões para os Aliados durante a Invasão da Normandia. No seu auge, contou com 5,9 mil veículos transportando 12 500 toneladas de suprimentos.

Desde os tempos bíblicos os líderes militares já se utilizavam da logística. As guerras eram longas, geralmente distantes e eram necessários constantes deslocamentos de recursos. Para transportar as tropas, armamentos e carros de guerra pesados aos locais de combate eram necessários um planejamento, organização e tarefas, que tinha uma rota, transporte, armazenagem e distribuição de equipamentos e alimentos. (Dias, 2005, p. 27).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as forças em conflito necessitavam, para avançar suas tropas, de capacidade logística (poder), de forma a movimentar e manter grandes quantidades de soldados e mantimentos nas frentes de batalha da Europa e da Ásia. A atividade logística estava relacionada à movimentação e coordenação das tropas, dos armamentos e munições para os vários locais, no mais curto espaço de tempo e nas piores condições possíveis (Carvalho, 2006, p. 6).

A Guerra do Golfo, em 1991, representou o maior movimento de tropas e materiais no mais curto espaço de tempo da história militar e ficou como um marco na história da aplicação do raciocínio logístico dentro de um período limitado de tempo, o que fez da operação «Tempestade no Deserto» um dos mais importantes eventos militares mundiais da história da humanidade. Esse conflito trouxe ensinamentos muito importantes e dados para uma profunda reflexão no campo da logística. A partir de então, a logística adquiriu proporções nunca antes alcançadas em termos de reflexão dos especialistas militares. Na verdade, a operação logística foi de tal envergadura que se tornava essencial, até mesmo crítico, perceber o carácter teleológico de toda a operação: qual é o objetivo exato da movimentação? Qual o seu custo e o seu real benefício? Pensado isto, e ainda ficando muitas perguntas sem respostas, a verdade é que se tornou fundamental o trabalho logístico. Ocorrências posteriores a esta vieram lançar ainda mais discussões sobre a necessidade de questionar e reavaliar (por exemplo, o 11 de Setembro), pois tudo o que vinha do passado parecia relativamente circunscrito num tempo e num contexto que pareciam de adequação difícil, senão impossível, face aos novos desenvolvimentos econômicos, sociais e políticos. Passou-se a desconhecer onde estava e como iria atuar o inimigo e, mais, só se perceberam as consequências dessa falha após o atentado.

A logística caminha hoje em dia de mãos dadas com o pensamento estratégico. Os dois raciocínios apresentam-se interligados e a sua presença pode ser notada nos lugares menos comuns, nas práticas menos habituais, onde a exposição ao risco é freqüêntemente elevada. Tornou-se, assim, estritamente necessário dominar as variáveis tempo, custo e qualidade do serviço, de forma a gerar novas configurações deste trinômio e novos trade-offs entre elas. A reinvenção da estratégia e da logística passou a ser um discurso comum nos dias do mundo militar, em que os desafios são incomensuravelmente superiores aos da antiga guerra convencional. Destes desafios surgirão, espera-se, novos desenvolvimentos logísticos passiveis de aplicação empresarial.

Logística militar vs. logística empresarial[editar | editar código-fonte]

O conceito de produto/serviço certo, no local certo, no tempo certo, inicialmente desenvolvido em termos militares, facilmente transitou para o mundo empresarial, tendo sido adaptado, na sua gênese, com a perspectiva de movimentar e coordenar o ciclo de produtos finais (distribuição física) para, com o passar do tempo, assumindo novas exigências, devidas a várias causas, entre elas, o aumento das pressões dos vários mercados (Carvalho, 2006, p. 6).

Sistemas que não cumpram objectivos são exatamente aquilo de que a logística não necessita. Assim se percebe que chegou o momento em que a logística empresarial pôde ensinar mais à logística militar do que o contrário, como tem sido habitual. De fato, pode-se dizer que nos dias que correm a logística militar convencional já pode ensinar à logística empresarial. Talvez a logística do terrorismo (e a gestão do risco em cadeias de abastecimento), se for bem trabalhada na área militar, possa vir, ainda, a gerar importantes conclusões para as empresas. Pelo menos na definição de alguns princípios que possam ter por base o funcionamento em rede, a criação de valor conjunto e a formação de parcerias para um bem comum ou, visto ao contrário, para a eliminação de um mal (que pode ser, em termos empresariais, o excesso de custo subjacente a um ou vários sistemas). A estratégia e a logística combinam-se, para conceber as melhores formas de utilizar as tecnologias, os produtos/serviços, soluções e presenças (virtuais ou reais) para se poder intervir em vários lugares em simultâneo (mesmo aqueles que são de difícil acesso), no sentido de desintegrar, destruir, e refrear o aparecimento de redes terroristas, frustrando os seus ataques.

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • HUSTON, James Alvin - Outposts and allies: U.S. Army logistics in the cold war, 1945-1953. Pennsylvania: Susquehanna university press, 1988. ISBN 978-0-941664-84-4
  • KANE, Thomas M. - Military logistics and strategic performance. Routledge, 2001. ISBN 978-0-7146-5161-3
  • DIAS, João Carlos Quaresma - Logística global e macrologística. Lisboa: Edições Silabo, 2005. ISBN 978-972-618-369-3
  • CREVELD, Martin van . Supplying war: Logistics from wallentstein to patton. Cambridge: Cambridge university press , 1977. ISBN 978-0-05-212173-1
  • DUPUY, R. Ernest; DUPUY, Trevor N.. The Encyclopedia of military history, revised edition. New York: Harper & Row ,1970. ISBN 978-0-06-011139-7
  • ECCLES, Henry E. (1959). Logistics in the national Defense. Harrisburg, PA: The Stackpole Company. ISBN 978-0-313-22716-5

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Estudos de caso[editar | editar código-fonte]