Leônidas Pires Gonçalves

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Leônidas Pires Gonçalves
Dados pessoais
Nascimento 19 de maio de 1921
Cruz Alta,  Rio Grande do Sul
Morte 4 de junho de 2015 (94 anos) Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Esposa Dóris Pires Gonçalves
Vida militar
Força Exército
Anos de serviço 1940 a 1990
Hierarquia General do Exército.gif
General de exército
Comandos
Honrarias Medalha Marechal Hermes

Leônidas Pires Gonçalves GCA (Cruz Alta, 19 de maio de 1921Rio de Janeiro, 4 de junho de 2015) foi um general-de-exército brasileiro, ministro do Exército durante o Governo José Sarney.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Graduou-se aspirante-a-oficial de artilharia em 1942, na Escola Militar do Realengo e exerceu inúmeras funções de destaque, ao longo de sua carreira.

Foi Aspirante a Oficial no 6° GMAC, na cidade de Rio Grande-RS. Integrou o contingente de cerca de 2 mil homens que fizeram a guarnição do litoral sul do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi o primeiro colocado de sua turma na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e, em função disso, recebeu a Medalha Marechal Hermes de prata dourada com uma coroa.

Em março de 1964, servia no Estado Maior do Exército, sob a chefia do General Humberto de Alencar Castello Branco. Em seguida, acompanhou o General Orlando Geisel na 1ª Divisão de Infantaria, na Vila Militar do Rio de Janeiro.[1]

Como Coronel, comandou o 2º Regimento de Obuses - Regimento Deodoro, em Itu. Foi também adido militar na Colômbia.

Como oficial general, foi chefe do Estado-Maior do I Exército no Rio de Janeiro (1974-1977), Comandante da 4ª. Brigada de Infantaria em Belo Horizonte-MG no período de 1978 a 1981 e Comandante Militar da Amazônia. No período de 23 de dezembro de 1983 a 8 de março de 1985, foi Comandante do III Exército, em Porto Alegre.[2]

Tancredo Neves o designou para ser seu ministro do Exército. Após o falecimento de Tancredo, permaneceu à frente do ministério durante os cinco anos do governo de José Sarney. Desenvolveu projetos como a FT-90 (Força Terrestre 1990), que permitiram a modernização do Exército Brasileiro, que dentre outras coisas adquiriu a sua Aviação.

A 21 de Abril de 1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.[3]

Episódio Político[editar | editar código-fonte]

Após a eleição indireta de Tancredo Neves, foi escolhido para ser o seu ministro do Exército. Com a morte de Tancredo, foi quem garantiu a posse de seu vice, José Sarney, contrapondo-se ao que desejavam certos setores do exército, que pretendiam dar posse ao Presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães.[4]

"Quem assume é o Sarney". "Imediatamente, Ulysses concorda, para surpresa de Simon. (…) Ulysses também retorna ao Congresso Nacional. Ali, Simon lhe pergunta porque aceitara tão rapidamente a tese de Leônidas. O Sarney chega aqui ao lado do seu jurista. Esse jurista é o ministro do Exército. Se eu não aceito a tese do jurista, a crise estava armada’’"[4] (Ulysses Guimarães).

O episódio já foi lembrado em diversas entrevistas do general. Uma das mais detalhadas foi para os jornalistas Hélio Teixeira e Rose Arruda, autores de uma biografia sobre o governador paranaense José Richa.[5]

Vida após a passagem para a reserva[editar | editar código-fonte]

O General Leônidas continuou sendo uma pessoa influente e nunca deixou de dar seu testemunho sobre os episódios que viveu. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em março de 2014, Leônidas afirmou que o Exército nunca foi intruso na história do Brasil.[6]

Faleceu no Rio de Janeiro em 4 de junho de 2015.[7][8] O ex-presidente José Sarney afirmou na ocasião que "a participação de Leônidas na transição democrática foi decisiva e a ele se deve grande parte da extinção do militarismo — a agregação do poder militar ao poder político — no Brasil. Ele deu suporte a que transição fosse feita com as Forças Armadas e não contra as Forças Armadas. Pacificou o Exército e assegurou e garantiu o poder civil. Reconduziu os militares aos seus deveres profissionais, defendendo a implantação do regime democrático que floresceu depois de 1985".[9]

Seu velório ocorreu no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste. Diversas autoridades compareceram, sendo destacado seu papel relevante no retorno à democracia e na modernização da Força Terrestre.[10] Foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Foi casado com Dóris Pires Gonçalves, com quem teve dois filhos, quatro netos e sete bisnetos.

Referências

  1. «Jornal Folha de S.Paulo». Consultado em 04 de junho de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. «Galeria de Ex-Comandantes do CMS». Consultado em 12 de dezembro de 2014 
  3. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Leónidas Pires Gonçalves". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2016 
  4. a b «LAGO, Rudolfo, SILVA, Eumano e ROTHENBURG, Denise. Manobras contra militares golpistas garantiram posse de Sarney em 1985. Brasília: Correio Braziliense, 26 de março de 2004» 
  5. «Site do jornal O Estado de S. Paulo». Consultado em 15 de janeiro de 2015 
  6. «Folha de S.Paulo de 28 de março de 2014». Consultado em 4 de junho de 2015 
  7. «Ministro do Exército do governo Sarney morre no Rio». Consultado em 04 de junho de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  8. «Ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves morre no Rio». Consultado em 04 de junho de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  9. «Morre Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército no governo Sarney». Consultado em 04 de junho de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  10. «Jornal Folha de S.Paulo». Consultado em 07 de junho de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
Precedido por
Walter Pires de Carvalho e Albuquerque
Ministro do Exército do Brasil
1985 — 1990
Sucedido por
Carlos Tinoco Ribeiro Gomes
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