Dante de Oliveira

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Dante de Oliveira
Dante de Oliveira
51.º Governador do Mato Grosso
Período 1 de janeiro de 1995
a 6 de abril de 2002
Antecessor(a) Jayme Campos
Sucessor(a) Rogério Salles
24.º, 26.º e 28.º Prefeito de Cuiabá
Período 1 de janeiro de 1993
a 31 de março de 1994
Antecessor(a) Frederico Campos
Sucessor(a) José Meirelles
Período 4 de junho de 1987
a 1º de junho de 1989
Antecessor(a) Estevão Torquato da Silva
Sucessor(a) Frederico Campos
Período 1º de janeiro de 1986
a 28 de maio de 1986
Antecessor(a) Alfredo Ferreira da Silva
Sucessor(a) Estevão Torquato da Silva
3.º Ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário do Brasil
Período 28 de maio de 1986
a 2 de junho de 1987
Presidente José Sarney
Antecessor(a) Nélson de Figueiredo Ribeiro
Sucessor(a) Marcos Freire
Deputado federal por Mato Grosso
Período 1º de fevereiro de 1983
a 1º de janeiro de 1986
Deputado estadual de Mato Grosso
Período 1º de fevereiro de 1979
a 1º de fevereiro de 1983
Dados pessoais
Nascimento 6 de fevereiro de 1952
Cuiabá, MT
Morte 6 de julho de 2006 (54 anos)
Cuiabá, MT
Nacionalidade brasileiro
Prêmio(s) Ordem do Mérito Militar[1]
Partido MDB (1976–1979)
PMDB (1980–1990)
PDT (1990–1997)
PSDB (1997–2006)
Profissão engenheiro civil, político

Dante Martins de Oliveira GOMM (Cuiabá, 6 de fevereiro de 1952Cuiabá, 6 de julho de 2006) foi um engenheiro civil e político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi ministro da Reforma Agrária durante o governo José Sarney. Por Mato Grosso, foi governador por dois mandatos, além de deputado federal e estadual. Foi também prefeito da capital Cuiabá por três mandatos.

Natural do estado de Mato Grosso, ficou nacionalmente conhecido pela autoria de uma emenda constitucional que levou seu nome, propondo o restabelecimento das eleições diretas para presidente da república, num movimento que resultou na campanha das Diretas Já.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Sebastião de Oliveira e Maria Benedita Martins de Oliveira, graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ainda na universidade militou no MR–8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) quando o referido movimento já havia optado pela via política ao invés da luta armada contra o Regime Militar de 1964 e a seguir ingressou no MDB. De volta ao seu estado disputou sua primeira eleição em 1976 quando perdeu a eleição para vereador em Cuiabá. Refeito do infortúnio foi eleito deputado estadual em 1978 e com a extinção do bipartidarismo filiou-se ao PMDB sendo eleito deputado federal em 1982 e nessa condição apresentou no ano seguinte uma emenda restabelecendo as eleições diretas para presidente que se realizariam em 15 de novembro de 1984.

Diretas Já[editar | editar código-fonte]

A ideia de apresentar uma emenda restaurando a eleição direta para Presidente da República não é uma atitude que se possa creditar exclusivamente a Dante de Oliveira, entretanto, sua iniciativa ganhou repercussão por ter sido a primeira a não ficar restrita às paredes do Congresso Nacional e ganhou as ruas num momento em que as manifestações pedindo a volta das eleições diretas se multiplicavam pelo país, a começar pelo município pernambucano de Abreu e Lima em 31 de março de 1983, e resultaria num movimento que dominaria a cena política nacional nos meses seguintes unificando as forças da sociedade civil, dos partidos de oposição e atraindo também os dissidentes governistas para o movimento “Diretas Já”. Em 26 de novembro de 1983 os dez governadores de oposição subscreveram em São Paulo um manifesto pedindo o restabelecimento das eleições diretas para presidente. O primeiro “comício oficial” pró-diretas teve lugar em Curitiba dia 12 de janeiro de 1984 com a presença de trinta mil pessoas e foi seguido de outros como o realizado na Praça da Sé no dia do aniversário de 430 anos da capital paulista no qual compareceram duzentas mil pessoas.[3]

Receoso quanto aos acontecimentos o governo João Figueiredo exerceu uma forte pressão sobre os parlamentares do PDS para que a emenda não fosse aprovada e segundo um relato de Dante de Oliveira o próprio Tancredo Neves chegou a afirmar que, diante da pressão governamental e da cúpula militar, a emenda não seria aprovada. Ainda assim a cúpula do movimento manteve a campanha nas ruas e às vésperas da votação uma pesquisa do IBOPE apontava que 84% dos entrevistados apoiavam a emenda Dante de Oliveira. Como último recurso a fim de barrar as diretas, o governo federal enviou ao parlamento a chamada “emenda Figueiredo” a qual, dentre outras medidas, previa o restabelecimento das eleições diretas apenas em 1988, entretanto nada foi capaz de dissuadir a apreciação da emenda oposicionista que se realizaria em 25 de abril de 1984 e foi cercada de grande expectativa, algo frustrado pela não obtenção do quórum de dois terços dos votos necessários à sua aprovação, pois embora tenha obtido 298 votos favoráveis e apenas 25 votos em sentido contrário, a ausência de 112 deputados federais do PDS (dos quais bastariam apenas 22 votos para que a emenda fosse submetida ao crivo do Senado Federal) pôs fim ao movimento. Tal resultado, porém, acentuou as fissuras no partido governista e abriu o caminho para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985.[4]

No Executivo[editar | editar código-fonte]

Encerrado o período militar os brasileiros foram frustrados pela morte de Tancredo Neves e assim a Presidência da República ficou nas mãos de José Sarney cujas medidas de remoção do “entulho autoritário” (leis restritivas que ainda vigoram) previam a realização de eleições diretas nas capitais dos estados, áreas de segurança nacional, estâncias hidrominerais, municípios de territórios e municípios recém-criados. Em 15 de novembro de 1985 Dante de Oliveira foi eleito prefeito de Cuiabá pelo PMDB, cargo que exerceu entre 1º de janeiro de 1986 e 28 de maio de 1986, quando assumiu o Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário do governo Sarney, sendo a capital mato-grossense administrada pelo vice-prefeito Estevão Torquato da Silva.

Findo seu mandato, ingressou no PDT e foi candidato a deputado federal em 1990, não conseguindo se eleger. Essa derrota foi revertida em 1992, quando foi eleito para o seu segundo mandato como prefeito de Cuiabá, cargo ao qual renunciou em 1994, meses antes de ser eleito governador de Mato Grosso. Como governador, Dante foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.[1]

Após divergências com sua legenda, ingressou no PSDB e foi reeleito governador em 1998 e, ao deixar o cargo em 2002, perdeu a eleição para senador. Em 2006 tencionava disputar mais um mandato de deputado federal, mas antes disso veio a falecer em Cuiabá vítima de uma pneumonia, num quadro agravado pelo diabetes.

Após sua morte, recebeu várias homenagens, inclusive a Avenida dos Trabalhadores hoje se chama Avenida Governador Dante Martins de Oliveira.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

Precedido por
Alfredo Ferreira da Silva
Prefeito de Cuiabá
1986 — 1989
Sucedido por
Frederico Campos
Precedido por
Nélson de Figueiredo Ribeiro
Ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário do Brasil
1986 — 1987
Sucedido por
Marcos Freire
Precedido por
Frederico Campos
Prefeito de Cuiabá
1993 — 1994
Sucedido por
José Meirelles
Precedido por
Jayme Campos
Governador de Mato Grosso
1995 — 2002
Sucedido por
Rogério Salles