Abreu e Lima

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Abreu e Lima
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Abreu e Lima
Bandeira
Brasão de armas de Abreu e Lima
Brasão de armas
Hino
Gentílico abreu-limense
Localização
Localização de Abreu e Lima em Pernambuco
Localização de Abreu e Lima em Pernambuco
Abreu e Lima está localizado em: Brasil
Abreu e Lima
Localização de Abreu e Lima no Brasil
Mapa de Abreu e Lima
Coordenadas 7° 54' 42" S 34° 54' 10" O
País Brasil
Unidade federativa Pernambuco
Região metropolitana Recife
Municípios limítrofes Paulista, Igarassu, Paudalho, Camaragibe, Araçoiaba
Distância até a capital 19 km
História
Fundação 1982
Aniversário 14 de maio
Administração
Prefeito(a) Marcos José da Silva (PSB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [1] 125,991 km²
População total (estimativa IBGE/2018[2]) 99 622 hab.
 • Posição PE: 13°
Densidade 790,71 hab./km²
Clima Tropical (As')
Altitude 19 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010 [3]) 0,679 médio
 • Posição PE: 10°
PIB (IBGE/2013[4]) R$ 1 299 976 mil
 • Posição PE: 12°) (BR: 494°
PIB per capita (IBGE/2013[4]) R$ 13 294,09
http://abreuelima.pe.gov.br/ (Prefeitura)

Abreu e Lima é um município brasileiro do estado de Pernambuco, pertencente à Mesorregião Metropolitana do Recife e à Microrregião do Recife. Está a uma distância de 19 km da capital.

História[editar | editar código-fonte]

José Inácio de Abreu e Lima, General do Exército e Historiador.

Abreu e Lima foi desmembrado do município de Paulista em 14 de Maio de 1982, através da lei Estadual nº 8.950.

A área onde o município está localizado, começou a ser povoada por Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, quando dividiu a capitania em sesmarias no ano de 1535. No dia 24 de julho de 1540 foi doada a Semaria de Jaguaribe a Vasco Fernandes Lucena. Em 1548, Vasco Fernandes, que era o almoxarife-mor de Pernambuco, fundou o Engenho Jaguaribe, dando início ao povoado que deu origem ao município. Em 1591 a ordem religiosa dos beneditinos chegaram às terras de Jaguaribe. Em 1660, o mosteiro de São Bento em Olinda toma posse de Jaguaribe. Em 1674, se tem registros de que o Engenho Jaguaribe estava em ruínas.

Em 1784, no dia 16 de fevereiro, foi celebrado na Capela de São Miguel em Inhamã um casamento onde se constava que os noivos eram residentes em Maricota. A origem do nome Maricota se deve à uma senhora proprietária de um comércio à beira da estrada, onde atualmente fica o encontro da Av. Capitão José Primo com a BR 101.

Em Abril de 1812 o inglês Henry Koster toma posse do Engenho Jaguaribe. Sua passagem foi registrada em seu livro: "Viagens ao Nordeste do Brasil", traduzida pelo historiador Câmara Cascudo. Koster descreve sua visita ao local:

“Diante de mim estava a cazinha, com suas senzalas, rodeados de bananeiras e situada na projeção da colina. Além a esquerda, no vale estreito e longo, erguiam-se as casas do Jaguaribe, no campo aberto, com as colinas por trás e o riacho na frente. Pela direita, na várzea profunda estende-se um comprido trecho arborizado, e sempre a destra, para adiante estão os numerosos mangues cujo verde escuro anuncia o córrego de algum volume, que corre por meio deles. Do outro lado, ainda perto, eleva-se o pico de S. Bento, e são terra de mandioca e de milho, floresta, e uma picada que leva, serpenteando, ao cimo da elevação. Desse lugar não se vêem casas mas ouvimos o bimbalhar dos sinos da Capela...”[5]

Nas terras do município, no Engenho Utinga, o ilustre Frei Caneca se escondeu nos dias 16 e 17 de setembro de 1824 ao fugir das tropas de Lima e Silva, em um evento que denominado Confederação do Equador. Três meses depois, Frei Caneca foi preso no Ceará, trazido à Recife, onde foi arcabuzado no Forte das Cinco Pontas no dia 13 de janeiro de 1825. Foi no povoado de Maricota, onde se deu no dia 10 de novembro de 1848, a primeira batalha da Revolução Praieira, que havia sido deflagrada três dias antes na cidade de Olinda. No dia 4 de dezembro de 1859, o Imperador Dom Pedro II visita Maricota depois de pernoitar no Engenho Manjope. Registrou este fato no seu diário e chamou a Estrada que cortava o lugarejo de "Estrada Real". O distrito policial de Maricota foi criado no dia 2 de julho de 1863. A partir de 1886 a Usina Timbó começa o seu funcionamento nas terras de Maricota.

Em 1928, se dá início á mais importante denominação religiosa do lugarejo, A Assembleia de Deus em Abreu e Lima. Quando o pioneiro assembleiano Missionário Joel Carlson batiza os primeiros fiéis nas águas do rio Timbó.

Até então, as terras de Maricota pertenciam parte à Igarassu e Olinda. Quando em 11 de setembro de 1928 é criado o município de Paulista, e Maricota é incorporado ao novo município no dia 4 de setembro de 1935. O distrito foi criado pelo Decreto-lei Estadual n° 235, de 9 de dezembro de 1938, pertencendo ao município de Paulista (Pernambuco), a povoação ganhou o nome de uma senhora, dona Maricota, muito bem relacionada entre os habitantes locais e proprietária de um estabelecimento de serviço de alimentação. Durante anos o povoado foi um local acolhedor, principalmente para homens de negócios que ali paravam para refeições ou pernoite. Pela Lei Estadual n° 421, de 31 de dezembro de 1948, ano do centenário da Revolução Praieira, o distrito de Maricota recebeu o topônimo de Abreu e Lima em homenagem a José Inácio de Abreu e Lima, notável político, escritor, jornalista e general, o "Inácio pernambucano", que lutou quatorze anos ao lado de Simón Bolívar, um dos heróis da independência da Venezuela.

O município foi emancipado em 1982, através do voto popular em plebiscito realizado ao dia 9 de maio daquele ano, após quatrocentos anos sob o domínio político e administrativo de Igarassu, e outros 47 subordinados à cidade de Paulista, o que se tornou realidade no dia 14 de maio de 1982 após assinatura do decreto que também emancipava os distritos de Itapissuma e Camaragibe.

A Lei Estadual n° 4.993, de 20 de dezembro de 1963, elevou o distrito à categoria de município, o qual foi extinto em 27 de agosto de 1964 pelo Acórdão do Tribunal de Justiça, mandado de segurança n° 56.889. Em 14 de maio de 1982 a Lei Estadual n° 8.950 elevou novamente Abreu e Lima à categoria de município, desmembrado de Paulista, com sede no antigo distrito, tendo sido instalado em 31 de março de 1983.

Abreu e Lima é o município brasileiro com maior percentual de habitantes evangélicos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 35% dos 97 mil habitantes são praticantes dessa religião.O número expressivo motivou a criação da Lei Municipal 632, em 2008, que fixa 31 de outubro como feriado, o Dia da Consciência Evangélica.[6]

O município tem em seu sítio arqueológico as ruínas da Igreja de São Bento, no engenho Jaguaribe. No engenho Utinga afirma-se ter-se escondido Frei Caneca em 16 de setembro e 17, quando da derrota na revolta conhecida como Confederação do Equador em 1824 em Pernambuco. Hoje estudos arqueológicos estão sendo feitos no local, já tendo sido encontrados vestígios da passagem dos holandeses nas terras de Pernambuco, na cidade de Abreu e Lima.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 07º54'42" sul e a uma longitude 4º54'10" oeste, estando a uma altitude de 19 metros.[7]

Limites[editar | editar código-fonte]

Noroeste: Araçoiaba Norte: Igarassu e Araçoiaba Nordeste: Igarassu
Oeste: Paudalho Rosa de los vientos.svg Leste: Paulista
Sudoeste: Paulista Sul: Paulista Sudeste: Paulista

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município de Abreu e Lima encontra-se inserido nos domínios das Sub-Bacias Hidrográficas dos Rios Catucá, Pilão, Bonança, Utinga e do Barro Branco.[8]

Clima[editar | editar código-fonte]

O município tem o clima tropical, do tipo As´. Os verões são quentes e secos. Os invernos são amenos e úmidos, com o aumento de chuvas; as mínimas podem chegar a 15 °C. As primaveras são muito quentes e secas, com temperaturas que em algumas ocasiões podem chegar aos 34 °C.

Dados climatológicos para Abreu e Lima
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 30,5 30,4 30,2 29,5 28,8 27,7 27,2 27,5 28,4 29,5 30 30,1 29,2
Temperatura média (°C) 26,7 26,7 26,5 25,9 25,3 24,4 23,8 23,9 24,8 25,8 26,3 26,3 25,5
Temperatura mínima média (°C) 23 23,1 22,9 22,4 21,9 21,1 20,5 20,4 21,3 22,2 22,5 22,7 22
Precipitação (mm) 70 107 210 249 301 291 271 158 78 40 34 47 1 856
Fonte: Climate Data.[9]

Relevo[editar | editar código-fonte]

O relevo predominante no município é o de Tabuleiros Costeiros, relevo que predomina em todo litoral leste do nordeste, tendo altitudes médias que variam entre 50 e 100 metros acima do nível do mar.[8]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação nativa municipal é a mata atlântica, composta por florestas sub-perenifólias, com partes de floresta sub-caducifólia.[8]

Solo[editar | editar código-fonte]

Os solos do município são representados pelos Latossolos e Podzólicos nos topos de chapadas e topos residuais.[10]

Geologia[editar | editar código-fonte]

O município está incluído, geologicamente, na Província da Borborema, sendo compostos dos seguintes litotipos: Salgadinho e Vertentes, e dos sedimentos das formações Beberibe, Gramame, do Grupo Barreiras e dos depósitos Fluvio-lagunares e Aluvionares.[8]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 99 622[2] habitantes, distribuídos numa área de 126,193 km², tendo assim, uma densidade demográfica de 748,29 hab/km².[11]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Distritos[editar | editar código-fonte]

  • Sede

Bairros[editar | editar código-fonte]

  • Centro
  • Timbó
  • Caetés Velho
  • Caetés I
  • Caetés II
  • Caetés III
  • Zona Rural
  • Planalto
  • Pitanga
  • Fosfato (Boa Esperança)
  • Desterro
  • Inhamã
  • Chã de Cruz (uma parte)
  • Jardim Caetés
  • Alto da Bela Vista
  • Alto São Miguel
  • Matinha ( Cohab)

Política[editar | editar código-fonte]

O poder executivo do município é exercido por Marcos José da Silva.[11]

Economia[editar | editar código-fonte]

Segundo dados sobre o produto interno bruto dos municípios, divulgado pelo IBGE referente ao ano de 2011, a soma das riquezas produzidos no município é de 909.506 milhões de reais (12° maior do estado). Sendo o setor de serviços o mais mais representativo na economia abreu-limense, somando 487.958 milhões. Já os setores industrial e da agricultura representam 286.618 milhões e 8.142 milhões, respectivamente. O PIB per capita do município é de 9.589,60 mil reais (20° maior do estado).[11]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

O município possui as seguintes escolas estaduais:

  • Escola de Referência em Ensino Médio Maria Vieira Muliterno (ensino integral)
  • Escola de Abreu e Lima
  • Escola Profª Stela Mª Santos Pinto Barros
  • Escola General Abreu e Lima
  • Escola de Referência em Ensino Médio Luiz Rodolfo de Araújo Júnior (semi-integral)
  • Escola Marechal Costa e Silva
  • Escola Orfanato Estrela de Bethel
  • Escola Pastor Amaro de Sena
  • Escola Polivalente de Abreu e Lima
  • Escola Profª Isaura de França
  • Escola Profª Azinete Ramos Carneiro

[12]

  • Observação: Essas escolas citadas acima são do Governo do Estado de Pernambuco, as escolas municipais não foram citadas.

Saúde[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com trinta e dois estabelecimentos de saúde, sendo vinte e seis deles públicos municipais e seis privados.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O município é cortado pelas rodovias: BR-101, PE-15, PE-27, PE-18 e conta com o Aeroporto Internacional do Recife, estando a 49 km de distância. A cidade faz parte do Sistema Estadual Integrado.[13]

Cultura[editar | editar código-fonte]

No município ocorre, desde o ano de 2009, o CineCreed, única mostra competitiva de curtas-metragens nacionais com premiação realizada num presídio brasileiro, o Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco (CREED), localizado no bairro de Caetés II. O evento anual realizado pelo Programa Exibição de Cinema Social (PRECISO) a céu aberto dentro da área prisional é gratuito e sem fins lucrativos. Permite acesso à população, inclusive para a comercialização de alimentos durante as três noites em que ocorre, tradicionalmente, num dos dois últimos finais de semana de novembro.[14]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Turismo em Abreu e Lima, apesar de pioneiro, majoritariamente é representado pelo Ecoturismo. Abreu e Lima desfruta de duas estações ecológicas: Caetés, apesar de pertencer a Paulista, quem se privilegia é a comunidade abreulimense, Timbó, e a Reserva ecológica de São Bento. Os três ambientes desfrutam de paisagens encantadoras, mangues virgens, trechos de rios, trilhas, trechos da mata atlântica conservada. Ainda se pode contar com as ruínas da Igreja e São Bento, de 1600. E além de tudo isso pode-se navegar pelo rio Timbó, que passa por Igarassu.[15]

Referências

  1. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. a b «Estimativa populacional 2018 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 2 de outubro de 2018 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 9 de setembro de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2013». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2015. Arquivado do original em 23 de Janeiro de 2016 
  5. SOUZA, Flávio Alves Leite de (2019). DE MARICOTA A ABREU E LIMA, A História da Cidade de Abreu e Lima. Recife: CEPE. pp. pág. 35 
  6. «Abreu e Lima comemora Dia da Consciência Evangélica com passeio ciclístico». Globo Nordeste. 31 de outubro de 2009. Consultado em 17 de março de 2018. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2009 
  7. «Abreu e Lima, Pernambuco - PE.». www.geografos.com.br. Geografos. Consultado em 17 de março de 2018 
  8. a b c d «Diagnóstico do Município de Abreu e Lima» (PDF). Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea. Ministério de Minas e Energia. Outubro de 2005. Consultado em 16 de março de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 13 de junho de 2006 
  9. «Clima: Abreu e Lima». Climate Data. Consultado em 18 de outubro de 2014 [ligação inativa]
  10. «Diagnóstico do Município de Araçoiaba» (PDF). Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea. Ministério de Minas e Energia. Outubro de 2005. Consultado em 17 de março de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 1 de fevereiro de 2014 
  11. a b c «Abreu e Lima». www.cidades.ibge.gov.br. IBGE. Consultado em 17 de março de 2018 
  12. «Nova relação com o nome das escolas da rede estadual» (PDF). Secretária de Educação de Pernambuco. Abril de 2013. Consultado em 16 de março de 2018 
  13. «Mais 2 terminais integrados serão construídos». urbana-pe.com.br. Urbana-PE. Consultado em 17 de março de 2018 
  14. «V CineCreed – Mostra de Cinema Digital, em Pernambuco, recebe inscrições até 11 de outubro». www.ancine.gov.br. ANCINE - Agência Nacional do Cinema. 4 de setembro de 2013. Consultado em 17 de março de 2018 
  15. «Abreu e Lima - Pernambuco». ecoviagem.uol.com.br. EcoViagem. Consultado em 17 de março de 2018 


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